sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Nem os bonecos escapam



O Boomerang, canal televisivo dedicado ao público infantil, vai retirar algumas cenas da mítica série de desenhos animados Tom & Jerry onde aparecem personagens animadas a fumar.

O organismo britânico que regula os meios de comunicação - Ofcom -, qual CIA, iniciou uma investigação sobre a série após lhe terem feito queixinhas de que aquelas imagens não eram apropriadas para o público infantil. Numa das cenas, em «Texas Tom» de 1950, Tom tenta impressionar uma gata acendendo um cigarro e fazendo uma pose estilosa. No outro episódio, também de 1950, o famoso gato disputa uma partida de ténis contra um rival que fuma um charuto.

Agora que o extermínio tabagista chegou ao reino da fantasia, o que se seguirá? Exigirão que o Popeye deite fora o seu cachimbo? Retirarão o Monstro das Bolachas dos Marretas por induzir à obesidade compulsiva? Acabarão com a série South Park por promover o uso de linguagem obscena? Decidirão censurar Ren & Stimpy por o gato ter as orelhas pouco limpas e estimular os miúdos à delinquência sanitária? Hoje, Tom & Jerry, amanhã... o Mundo!

3 comentários:

Miguel Almeida disse...

Olha, é melhor nem dares mais exemplos... Podem ser lidos como sugestões ; )

(está a começar a ter contornos de perseguição...)

Anónimo disse...

O fundamentalismo apaga o prazer! Viva a cigarrilha, o charuto, para alguns o cigarro, o cachimbo, enfim, fico or aqui...

Paulo Hasse Paixão disse...

Excelente assunto para um post. É bom que a malta comece a pensar muito bem sobre certos fascismos inerentes ao pensar político das sociedades ocidentais. Eu, por mim, estou a ficar um bocadinho farto que me obriguem a viver de acordo com uma noção asséptica, inodora, hipocondriaca e maçadora da existência.
Não sei se tiveste a oportunidade de ver, mas até os publicitários começam a reparar - e a aproveitar - um certo descontentamento com este lamentável estado a que chegámos: no soberbo comercial do azeite Galo já se assume que nos estão paulatinamente a retirar o direito ao autêntico, aos pequenos prazeres, à identidade e aos bons pecados, que são, no fundo, o que levamos resignadamente para a cova.
É a liberdade individual que estamos a sacrificar em nome de qualquer coisa inócua que nem se percebe bem o que é.
E, com que nostalgia, recordo os telejornais em que o bom pivot fumava entretidamente o seu saboroso cigarro americano!