terça-feira, 19 de setembro de 2006

O browning do amor


Faz hoje 160 anos que teve lugar um dos casamentos secretos mais fantásticos da história, que poderá ser visionado como o triunfo da poesia e do amor sobre a negritude do mundo e dos códigos morais. Falamos de Elisabeth e Robert Browning, dois amantes ferverosos que trocaram centenas de cartas amorosas, muitas em forma de poema ou de soneto, antes de fugirem para a encantada Florença trocando as voltas ao mundo.

Uma das recolhas desses poemas recebeu o nome de Sonetos Portugueses, que esteve primeiro para se chamar Sonetos da Bósnia. Porém, como Robert chamava a Elisabeh «a minha portuguesa», o livro recebeu uma designação bem lusitana. Juntamo-nos à celebração amorosa e publicamos «How Do I Love Thee?», testemunho de um amor maior.

How do I love thee?
Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of Being and ideal Grace.

I love thee to the level of everyday's
Most quiet need, by sun and candlelight.
I love thee freely, as men strive for Right;
I love thee purely, as they turn from Praise.

I love thee with the passion put to use
In my old griefs, and with my childhood's faith.
I love thee with a love I seemed to lose

With my lost saints, - I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life! - and, if God choose,
I shall but love thee better after death.

2 comentários:

Lusco Fusco disse...

Versão portuguesa por Luís Eusébio

Como te amo? Deixa-me contar os modos.
Amo-te ao mais fundo, amplo e alto
Minh'alma pode alcançar, além dos limites visíveis
E fins do Ser e da Graça ideal.

Amo-te até ao nível das mais diárias
E ínfimas necessidades, à luz do sol e das velas.
Amo-te com liberdade, como os homens buscam por Justiça;
Amo-te com pureza, como voltam das Preces.

Amo-te com a paixão posta em uso
Nas minhas velhas mágoas e com a fé da minha infância.
Amo-te com um amor que me parecia perdido

Com meus Santos perdidos - amo-te com o fôlego,
Sorrisos, lágrimas, de toda a minha vida! - e, se Deus quiser,
Amar-te-ei melhor depois da morte.

Paulo Hasse Paixão disse...

Excelente post. E grandes sonetos, esses Portugueses.