
Quando apareceu na pele de realizadora pensou-se que iria ser mais um caso de morte prematura. Porém, depois de Virgin Suicides e Lost in Translation, Sofia Copolla não mais foi chamada de menina do papá, ganhando um lugar próprio e de destaque na cinematografia contemporânea.
Quando surgiram os primeiros rumores de que filme seguinte iria abordar a vida de Marie Antoinette, a expectativa foi colocada no patamar superior. Menos de uma semana após a estreia em Portugal, as opiniões dividem-se entre o muito mau e o muito bom.
Para o Fusco-Lusco não há qualquer dúvida. Estamos diante de um filme fantástico, que nos conta um pedaço de história sem pormenores exaustivos ou maçadores. Copolla apresenta-nos a sua visão de Antoinette como uma adolescente privada de um mundo verdadeiro, encerrada num universo de convenções, alheada de uma nação prestes a explodir e que a engoliu como a responsável por todo o mal que a assolava.
Uma vez mais - como em Lost in Translation -, Sofia fala e mostra o mundo através de silêncios, olhares, imagens, onde a necessidade de diálogos é quase remota - isto é cinema. Kirsten Dunst está deslumbrante, ela que é uma actriz que parece andar sempre na corda bamba, rumo a um destino trágico que aceita com um sorriso nos lábios e de braços abertos. Quanto à banda-sonora foi muito bem escolhida, e até chega a parecer credível que os The Strokes fossem a banda do momento em todas as cortes. Sofia decidiu brincar com a História e só lhe ficou bem. Esperemos que o quarto ainda consiga ser melhor.
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