quinta-feira, 22 de Junho de 2006


Que grande nó!



Pois é. Depois de uma longa espera o Fusco-Lusco, imitando o estilo gingão e desinibido de Ronaldinho Gaúcho, vai dar o maior nó da história.

Numa varanda plantada sobre a areia morna, com vista para um oceano deslumbrante enquanto os Hal debitam «keep love as your golden rule», o Fusco-Lusco entrega a alma - e tudo o resto - a uma deusa que lhe transfigura a respiração e põe o coração a bater ao ritmo de um set de Vitalic.

Depois da cerimónia fazemos as malas e voamos rumo aos Açores, para uma semana deslumbrante de lagoas e paisagens onde se espera que as vertigens desapareçam para todo o sempre. E, seguindo a tradição de que quem vai a Roma tem de ver o papa, nos Açores vamos tentar ver a família do Pauleta, já que o rapaz está para as alemanhas...

quarta-feira, 21 de Junho de 2006


Já podemos dormir a sesta



Agora que a missão foi cumprida com distinção frente aos homens-fajita, o capitão Figo indica a todos o retemperador caminho da sesta. Deitados numa rede a beber sumos naturais - com um nadinha de vodka - enquanto o sol se despede, vamos ver quem nos sai na rifa. O Fusco-Lusco prefere o laranja, deixemos o azul e branco para a final.


Viva a Suécia!



Não ficou em primeiro mas o Fusco-Lusco festejou na mesma a passagem da Suécia aos oitavos, entre muitas fresquinhas, salmão deitado numa cama de pepino e tomate - regado com leite de coco - e gelado de morango e stracciatella. Delicioso. Agora venham os alemães e as salsichas frescas, ninguém pára esta sueca!

terça-feira, 20 de Junho de 2006


Receita para o México



Em vésperas do último jogo da fase de grupos o Fusco-Lusco, fazendo uso dos seus dotes de treinador de bancada, apresenta a receita infalível para vencermos o México e fugirmos da Argentina. Vamos a eles!

Fajitas de carne mexicanas

Ingredientes:

750 g de alcatra
2 dentes de alho
3/4 de chávenas de sumo de laranja
1 colher de sopa de óleo
2 colher de sopa de vinagre de vinho
2 colher de sopa de sumo de limão
pimenta
1/4 de colher de chá de cominhos em pó
uma pitada de sal
pimenta preta em grão
tortilhas

Preparação:
- Tire a gordura da carne. Descasque e esmague os alhos. Misture-os com o sumo de laranja, o óleo, o vinagre, o sumo de limão, uma pitada de pimenta, os cominhos e o sal numa tigela de plástico.
Junte a carne e misture para envolver o tempero. Cubre e deixe a marinar durante a noite no frigorífico. Retire a carne da marinada e grelhe-a até que fique castanha por fora e cor-de-rosa por dentro. Para servir, corte a carne ao longo dos veios. Tempere com pimenta preta acabada de moer e sirva em tortilhas quentes com cebolas fritas e molho de tomate.


PR is an alien!



A fotografia não mente. Cavaco Silva, político de longa data e actual Presidente da República da Lusitânia, confessa numa conferência de imprensa que nasceu não em Boliqueime mas sim em Urano, e que por cá ficou desde pequeno quando por esquecimento os pais o deixaram à nora na Serra do Marvão depois de um piquenique bem regado.

Pronto, não é nada disso. Trata-se do início do Roteiro da Ciência, mais uma daquelas iniciativas que os Presidentes arranjam para se manterem ocupados e darem umas voltas cá pelo burgo. Parece que Cavaco gostou tanto dos óculos que não os quis tirar mesmo depois de findo o dia de trabalho. Rumores circulam que está a pensar mantê-los até depois do jogo Portugal-México...



segunda-feira, 19 de Junho de 2006


O lugar do morto



The Producers, remake de um filme de Mel Brooks dos idos anos 60 que apresentou Gene Wilder ao mundo , revisita o lugar do morto onde está há muito sentado o género musical cinematográfico. Aliás, o filme é uma própria caricatura do género, bem como uma sátira à produção cinematográfica made in america.

Existem momentos de puro delírio, num filme que deverá ser visto apenas como puro gozo visual. E, claro, para ver a deusa Uma Thurman em formato gigante...

Aconselhável mesmo para quem não vai à bola com musicais, como é o caso do Fusco-Lusco.


64



Aos 24 anos de idade, com o cabelo cortado à tigela e rodeado de miúdas histéricas, o rapaz cantava assim:

«When I get older, losing my hair, many years from now,
Will you still be sending me a Valentine, birthday greetings, bottle of wine?
If I'd been out 'till quarter to three, would you lock the door?
Will you still need me, will you still feed me,
When I'm sixty-four?»

Quarenta anos depois a profecia realizou-se, e eis que Paul McCartney chega às 64 primaveras. Pode já não ter a sua adorada musa para o amparar, ou dois dos beatles para com ele recordarem os tempos gloriosos sentados num banco de jardim, mas continua a oferecer-nos música com sabor a rebuçados de fruta. Muitos parabéns Sir!


sábado, 17 de Junho de 2006


Nuclear? Não, obrigado!



Aproveitando a jogatana desta tarde contra o Irão, o Fusco-Lusco deseja boa sorte aos novos magriços e diz não ao nuclear. Dediquem-se à pesca, à agricultura, às artes, aproveitem a água, o sol e o vento mas deixem de lado o poder atómico. Aqui ficam 15 razões para não pensarmos mais nisso:

- Portugal tem uma enorme oportunidade na conservação de energia e eficiência energética;
- O potencial de implementação das energias renováveis em Portugal é enorme;
- A energia nuclear serve para produzir electricidade e esta representa apenas cerca de 20% do consumo de energia final do país;
- A energia nuclear é muito mais cara;
- A falácia da produção limpa em termos de emissões de gases de efeito de estufa;
- Segurança de abastecimento comprometida - Potencialidade de descentralização oferecida pelas energias renováveis é contrariada por uma central nuclear;
- A energia nuclear só é viável à custa de enormes subsídios governamentais – Portugal apoia muito mais investigação no nuclear que na conservação de energia e renováveis;
- Portugal ficará dependente de tecnologia importada e cara; é mais uma dependência, neste caso perigosa, de outros países;
- Cenários oficiais mostram que a Europa não aposta no nuclear e Portugal iria estar em contra-ciclo;
- Longevidade dos resíduos e herança para as gerações futuras;
- Riscos associados ao transporte e armazenamento dos resíduos nucleares;
- Tempo de construção previsto;
- Custo de desmantelamento das centrais e suas consequências ainda não estão suficientemente avaliados;
- Secretismo e estímulo ao militarismo;
- Dificuldade em encontrar uma localização.

E pronto. Agora que a propaganda está feita vou colocar a máscara, abrir uma fresquinha e ver a rapaziada dar um baile ao Irão.


Querida Angola



Angola está em alta, respirando um clima de festa depois de ter conquistado o seu primeiro pontinho em mundiais de futebol. O Fusco-Lusco junta-se também à festa e dá hoje destaque a Waldemar Bastos, um dos grandes compositores do continente africano.

Nascido em Angola em 1954 Waldemar viveu na Alemanha, França e Brasil. Foi no reino carioca que gravou o seu primeiro álbum, «Estamos Juntos», tendo depois fixado residência na Lusitânia - corria o ano de 1985. Por cá gravou «Angola Minha» (1990) e «Pitanga Madura» (1992), álbum que chegou aos ouvidos de David Byrne e o fez assinar pela prestigiada editora Luaka Bop.

Foi já na editora de Byrne que gravou «Pretaluz», um álbum fantástico que lhe deu entrada vip no mundo da world music. Em 2003 regressa a Angola pela primeira vez em décadas e, o ar que por lá respirou, inspirou-o a gravar «Renascence», pela editora holandesa World Connection.

Música que se cheira, que se sente, que nos faz dançar e chorar de braço dado com este país irmão. Força Angola!

quinta-feira, 15 de Junho de 2006


Um grande despertar?



Depois da surpresa que foi ver o Festróia com público de carne e osso, chega agora uma notícia que vai fazer abanar muitas ancas sadinas sedentas de atmosferas dançantes.

Os Booka Shade, a dupla de dj`s que fez furor no último Sónar, vem à Lusitania para uma actuação única.

Memento, de 2004, foi a estreia em grandes formatos que passou com uma distinção bem acima da média escolar. Este ano foi a vez de Movements, um passeio sonoro onde o electro, o techno, o funk e o jazz andam de mãos dadas num jardim flutuante, onde até as pedras dançam.

Walter Merziger e Arno Kammermeier, aka Booka Shade, dia 16, num Clubíssimo à beira-mar. Será que Setúbal está a acordar de um sonho eterno?

quarta-feira, 14 de Junho de 2006


Em equipa ganhadora não se mexe



Sai apenas no dia 19 de Junho mas o Fusco-Lusco , fazendo uso dos seus inúmeros contactos no mundo da indústria discográfica, já teve acesso a «Victory for the Comic Muse», o nono álbum de originais dos The Divine Comedy.

Aproveitando a boleia do Mundial 2006 podemos dizer que «em equipa ganhadora não se mexe». Neil Hannon, o treinador de sempre desta grande selecção, não muda a táctica e volta a encher o campo com futebol de primeira linha: letras perfumadas, orquestrações magistrais, ironia a rodos e um dramatismo que toca os céus da felicidade. «Die like a virgin», a canção que abre o álbum, é um verdadeiro mimo para a alma, que não vai parar de sorrir até ao remate final da autoria de «Snowball in Negative».

Ao contrário dos Belle & Sebastian, que com «The Life Pursuit» decidiram recriar a sua música e acabaram por bater no fundo do oceano, os The Divine Comedy conseguiram reinventar-se sem precisar de lições de mergulho ou desenvolver tiques de apneia.

Uma vitória estrondosa para a musa cómica. A jogar assim, a Taça do Mundo não lhe vai certamente fugir.


Regras Panini para maiores de 18



Se tem mais de dezoito anos mas continua a sentir um fraquinho por colecções de cromos, o Fusco-Lusco apresenta alguns conselhos, ideias e sugestões. Para não acabar a ver o sol aos quadradinhos:

- Trocar cromos com menores só na presença dos encarregados de educação. Sempre dá para falar de carros, motores, novelas, roupas, cortar na vida dos famosos ou abordar outros temas do fantástico universo da gente graúda;
- Se por acaso estiver a mexer em cromos e miúdos se aproximarem trate de corrigir rapidamente a gaffe: diga que só troca na presença de um advogado - neste caso, dos pais deles;
- Estar nas imediações de uma escola à luz do dia, mesmo que à espera de um filho, sobrinho ou afins, poderá ser uma missão de alto risco. Deverá por isso gritar quando avistar o pequeno, mostrando a sua afinidade com o volume vocal no máximo. Antes ser tomado por um familiar maluco ou mentalmente descompensado que por um caçador de menores;
- O melhor mesmo será usar uma t-shirt onde, em letras garrafais, se possa ler: «Eu troco cromos mas não sou pedófilo!»

Neste momento, e apesar das doenças do foro psicológico que afectam a modernidade, ao Fusco-Lusco faltam apenas 96 cromos para preencher todos os espaços vazios da caderneta Panini Mundial 2006!

terça-feira, 13 de Junho de 2006


Penitência



Juntem a inventividade sónica dos Sonic Youth ao delírio melódico dos Pavement, salpiquem com o experimentalismo em voga nos anos setenta e levem tudo ao lume regado com a infantilidade dos The Fiery Furnaces. Resultado gastronómico final? Deerhof.

Oriunda de San Francisco esta banda agarra em porções de ruído ensurdecedor e envolve-as em camadas de açúcar amarelo, criando pedaços sonoros que são verdadeiras iguarias para o espírito que, com prazer, come tudo sem pensar em dietas ou regimes alimentares.

Passaram por Portugal recentemente, à boleia de Runners Four(2005) e de mais quatro longas-duração. O Fusco-Lusco não conseguiu estar presente e, como forma de penitência, mostra-vos as capas de todos os LP`s editados pela banda. Para a próxima será diferente.











segunda-feira, 12 de Junho de 2006


Música de grande escala sísmica



Depois de nos ter servido de bandeja um álbum activista, onde da ementa constavam maçãs a serem trincadas, pão de várias espécies a ser tostado, hamburgers de origem desconhecida a serem grelhados e outros alimentos cozinhados em fornos musicais 100% orgânicos (falamos de Plat du Jour), Matthew Herbert volta ao passado e apresenta-nos Scale, aquele que o Fusco-Lusco considera o seu melhor disco. Pelo menos desde Bodily Functions, de 2001.

Dani Siciliano volta a ter o papel de cúmplice nesta grande aventura electrónica, num disco quente, sofisticado, bizarro, político e poético, onde Herbert abraça como nunca o formato canção.

Não significa isso que Herbert tenha finalmente ganho juízo, começando a seguir os processos indicados pelo livro das boas práticas da mixagem. Longe disso. Basta dizer que, para Scale, a sede de originalidade levou-o a gravar batidas num carro a alta velocidade, numa caverna, num balão de ar a mais de dois mil metros de altitude ou debaixo de água. Só para nos dar música.

Como diz o velho ditado popular, filho de engenheiro de som da BBC sabe mixar. E criar. Nós agradecemos. E nadamos, por entre malhas sonoras de sonho.


Já temos Golfinhos



Muito público, boas fitas, pouco oxigénio no 22º Festróia. Para o ano queremos ar condicionado, ventoínhas ou a oferta de leques oficiais do festival. Aqui ficam alguns dos golfinhos que saltaram da água morna:

Melhor Filme
«Que Lugar Laravilhoso» (na foto), de Eyal Halfon

Prémio Especial do Júri
«De Sepultura em Sepultura», de Jan Cvitkovic

Melhor Realizador
Eyal Halfon, por «Que Lugar Maravilhoso»

Melhor Argumento
Dagur Kári e Rune Schjott, por «Cavalo Negro»

Prémio do Público:
«A Boda», de Dominique Deruddere

Prémio Independentes Americanos:
«Coisas Que Pendem das Árvores», de Ido Mizrahy


Sidney sem Lumet



Na hora das decisões o Fusco-Lusco escapou à soltura dos golfinhos dourados e foi assistir à ante-estreia de «Find me Guilty», do veterano Sidney Lumet.

Imaginem uma versão da Odisseia, de Homero, onde o bravo Ulisses é representado no grande écran por Stallone; ou, então, um remake de «Apocalispse Now» onde, no lugar do doido Kurtz, temos não Brando mas Schwarzenneger armado em el mayor.

«Find me Guilty» conta a história de Jack DiNorscio, um mafioso que decidiu fazer a sua própria defesa em tribunal num dos julgamentos mais longos da história das américas.

O filme é um verdadeiro flop, uma telenovela mexicana onde por acaso os lábios mexem ao mesmo tempo dos diálogos. Sem drama, romance ou encanto, Lumet confecciona um prato cinematográfico sem qualquer especiaria exótica. Verdadeiramente insonso.

Diesel faz de Diesel e Lumet desencanta um filme que deve ter acordado Al Capone no além-túmulo. Quanto a Coppola e a Scorsese devem estar ainda meio electrocutados com tamanho atentado ao universo da cosa nostra.

sexta-feira, 9 de Junho de 2006


Eis a prova



O que inventarão a seguir no país dos olhos rasgados?

Na terra do sol nascente, já se tinham inventado coisas tão geniais como:










Não satisfeitos e sempre prontos para dilatar o cérebro, os japoneses conseguiram agora cultivar meloas em forma de cubo. Parece que a principal vantagem é o seu transporte e armazenamento, e por isso a tecnologia utilizada vai ser já patenteada para evitar cópias baratas de outras nações menos dadas à inventividade.

As meloas ficam quadradas porque são trancadas quando ainda andam de gatas. Depois, quando começam a crescer, ocupam o espaço geométrico que lhes reservaram e não têm outra hipótese senão a de crescerem aos quadradinhos em caixas feitas à base de cinzas.

A seguir segue-se a melancia, mas teme-se que a coisa não fique por aqui.

quinta-feira, 8 de Junho de 2006


Editores? Dêem-lhes mas é a presidência do conselho!



Os rapazes podem ter o estatuto de simples Editors mas, depois da reunião de ontem quando o lusco-fusco ameaçava tomar conta dos céus, justo, justo seria dar-lhes a presidência do conselho de qualquer administração do planeta.

Pela primeira vez em Portugal o quarteto britânico chegou, viu e editou um grande concerto. Tom Smith é um Curtis dos tempos modernos, com uma esquizofrenia contagiosa e uma voz que atravessa qualquer alma menos dada a grandes entusiasmos; Chris Urbanowicz, na guitarra, é o Willy Wonka imaginado por Tim Burton, viajando em cordas que são autênticas autoestradas musicais de criatividade e génio; Russell Leetch, com um baixo que fez pontaria certeira ao estômago, parecia ter caído dentro de uma piscina de whisky tal era o semblante fechado que exibiu; Ed Lay, na bateria, fazia com que o coração desse consecutivos loops na montanha-russa que é o universo musical dos Editors.

Como se ainda precisássemos de um bónus para dali sairmos felizes deram-nos a sua visão de Road to Nowhere, dos Talking Heads. Nós agradecemos e apenas perguntámos: para quando um concerto a solo abençoado pela noite? Nota 6. Em 5.


O Francisco cresceu tão depressa...



Em 2004, na Zambujeira do Mar, o menino Franz Ferdinand andou pela praia de fraldas e chupeta, mas todos notaram nele uma irrequietude que não era normal em idade tão tenra.

Dois anos depois, foi para o Fusco-Lusco um choque ver o menino Francisco prestes a sair da universidade de canudo debaixo do braço, pronto a abraçar a vida activa com um sorriso a rasgar-lhe o rosto.

A fama é incontornável - os braços no ar e os coros cantados ao vento disseram tudo -, mas espera-se que o menino Francisco não esqueça nunca as suas raízes de puto rebelde e utópico e resista ao chamamento de uma profissão liberal virada para as finanças ou para a economia. Decididamente falamos de um puto triunfante, que pertence ao mundo das artes.


A idade do gelo: descongelados



Directamente do congelador para o SBSR sairam os Cult. Não estão frescos como uma alface, longe disso, mas mantêm o guarda-roupa, os tiques e os penteados glamorosos que usavam há vinte anos.

Se os Pixies confirmaram há dois anos que a sua música nunca foi do tempo presente, os Cult fizeram-nos ontem lembrar aqueles discos velhinhos que temos lá por casa à espera de uma nova oportunidade de girarem no prato.


Festival da Eurovisão



Pitas Shoarma era o que mais havia nas imediações do palco principal quando os Keane começaram a sua actuação. Entre o registo boys band e as poses à Coldplay os rapazes mostram um registo com a marca distinta da Eurovisão da Canção, escolhendo convictamente o seu lado mais piroso. Ouvir isto faz-me ter saudades dos Take That...


Já não acredito em dEUS



Há uns anos atrás, por altura de Worst Case Scenario (1994), os dEUS eram uma seita musical que arrastava fiéis para o seu Monte das Oliveiras privado.

Em Portugal os crentes cresciam como cogumelos selvagens, acompanhando os sermões My Sister is My Clock e In a Bar Under the Sea e, principalmente, fruto de uma peregrinação entusiasta realizada na Capela da Aula Magna, numa noite onde muitos quiseram ser baptizados.

Anos mais tarde, com The Ideal Crash, perderam-se numa encruzilhada, refugiaram-se num templo em nenhures e desapareceram do mapa da religião sonora. Em 2005, mais velhos e mais gordos, regressaram de uma meditação de mais de cinco anos e editaram uma nova versão dos seus ensinamentos bíblicos, a que decidiram dar o nome de Pocket Revolution.

Ontem vieram pregar ao SBSR mas não converteram ninguém, e houve mesmo quem dissesse tratar-se de uma obra do Demo. A magia perdeu-se, agora tudo é ruído.

Vou guardar os crucifixos, os santinhos e a Bíblia na minha caixinha de recordações. Já não acredito num dEUS assim.



Bock in Rio



O Festival Super Bock Super Rock (SBSR), à 11ºª edição, ganhou um ar de Rock in Rio assim mais para o alternativo.

Pode dizer-se que é já um acontecimento que empresta alguma finesse ao espírito da coisa e, porque nem só de pó vive o rocker, desde o Mac com o molho da ordem ao tratamento capilar a la Garnier , tudo serviu para animar as hostes durante os momentos musicais que registaram as temperaturas mais baixas.

O Fusco-Lusco esteve presente na primeira parte do Acto 2 do SBSR e, durante o dia de hoje, vai dizer das suas. Fiquem atentos.

quarta-feira, 7 de Junho de 2006


Fios



Na fonte dos teus olhos
vivem os fios dos pescadores do lago da loucura.
Na fonte dos teus olhos
o mar cumpre a sua promessa.

Aqui, coração
que andou entre os homens, arranco
do corpo as vestes e o brilho de uma jura:

Mais negro no negro, estou mais nu.
Só quando sou falso sou fiel.
Sou tu quando sou eu.

Na fonte dos teus olhos
ando à deriva sonhando o rapto.

Um fio apanhou um fio:
separamo-nos enlaçados.

Na fonte dos teus olhos
um enforcado estrangula o baraço.

Paul Celan, Elogio da Distância, In Sete Rosas Mais Tarde - Antologia Poética
Edições Cotovia, 1993, tradução de João Barrento e Y.K. Centeno


Aranha tresloucada



No inverno iremos juntos numa pequena carruagem cor-de-rosa
Com almofadas azuis.
Sentir-nos-emos como nunca. Um ninho de beijos loucos repousa
Em cada canto macio.

Irás de olhos fechados para nem sequer veres pela vidraça
As caretas das sombras da noite,
Essas monstruosidades ressentidas, a populaça
Dos demónios negros e dos lobos negros.

A dada altura, sentir-te-às com a cara beliscada...
Um pequeno beijo, como uma aranha tresloucada,
Correr-te-à pelo pescoço...

E dir-me-às: «Procura!», inclinando a cabeça
- E demoraremos a procurar esse bichinho
- Que tanto viaja...

Rimbaud, Sonho de Uma Noite de Inverno, In O Rapaz Raro - Iluminações e Poemas
Relógio D`Água, 1998, tradução de Maria Gabriela Llansol


Neblina vampiresca



Quem sabe se por influência do Demo - afinal ontem o dia foi dele -, o Fusco-Lusco não conseguiu encontrar o caminho secreto para a sala de cinema, tendo-se perdido entre a neblina nocturna.

Hoje o cinema dá lugar à poesia. Amanhã prometo-vos música. Em formato XL.

Da boca de morango a mulher, todavia,
Esmagando os seios contra o ferro do espartilho
E torcendo-se como uma cobra nas brasas,
Deixou correr palavras que a almíscar cheiravam:
-«Eu tenho húmidos lábios, conheço a ciência
De perder numa cama a antiga consciência.
Nos meus seios gloriosos seco todo o pranto
E faço os velhos rir com o riso das crianças.
Correspondo, pra quem me vê nua e sem véus,
Tanto ao sol como à lua, às estrelas e aos céus!
Na volúpia sou tão perita, caro sábio,
Quando um homem sufoco em meus temidos braços
Ou me abandono a alguém que me mordisque o busto,
Tímida e libertina, frágil e robusta,
Que até nestes colchões assombrados de espanto
Por mim se tentariam os impotentes anjos!»

Depois de me sugar dos ossos o recheio,
Quando, com languidez, pra ela me virei
Querendo um beijo de amor, eu vi apenas um
Odre a escorrer, viscoso e tão cheio de pus!
Os dois olhos fechei, num assombro gelado,
E quando os pude abrir na viva claridade,
Ao meu lado, em lugar do manequim possante
Que parecera ter feito provisão de sangue,
Tremiam na desordem restos de esqueleto
Que iam reproduzindo o som de um catavento
Ou de um letreiro, preso a um varão de ferro,
A abanar com o vento nas noites de Inverno.

Baudelaire, As Metarmofoses do Vampiro, In As Flores do Mal
Assírio & Alvim, 1992, tradução de Fernando Pinto do Amaral

terça-feira, 6 de Junho de 2006


Nú ou de pijama?



Flannel Pijamas atravessou o Festroia integrado na secção dos Independentes Americanos, mostrando uma visão do amor na era do cinismo.

Lipsky conta-nos a ascensão e queda de um casal nova-iorquino, num filme mal realizado mas muito bem escrito, com personagens que conseguem dar um brilho especial ao que no início parecia ser apenas um copycat inspirado nas deambulações mentais de Woody Allen.

Cru, teatral, descarnado, revelou-se uma boa surpresa. Um manual de instruções para casais à beira de um ataque de nervos.

segunda-feira, 5 de Junho de 2006


Chá amargo num bule dançante



Bem-vindos ao psicadélico mundo dos The Fiery Furnaces, a banda dos manos Friedberger que, com «Bitter Tea», pode oficialmente vestir os coletes brancos e dar entrada no Júlio de Matos da indústria musical.

Desenhos animados, feira popular, substâncias psicotrópicas, poções mágicas, dias de nevoeiro, amores perdidos, espelhos partidos, mudança de estações, mórmones que nos batem à porta, é este o incrível mundo que os The Fiery Furnaces criaram em Bitter Tea, o seu quarto e mais entusiasmante longa-duração até à data.

Sem medo de se espalharem ao comprido os Furnaces continuam a esticar a pop sem partir o elástico, como se fosse possível oferecer ao arco-íris uma nova cor.

Bitter Tea deverá ser escutado num estado de sobriedade quase total. Caso contrário prevê-se uma viagem tenebrosa ao País das Maravilhas, sem que a Alice esteja por perto.

domingo, 4 de Junho de 2006


Xeque-Mate com cavalo



E ao terceiro dia, entre o preto e o branco, fez-se luz. Dark Horse, filme de Dagur Kari inserido na Secção Oficial, trouxe vida à competição do Festroia.

Estamos diante de um filme completamente indie, onde habitam personagens desconexas mas bem construídas, com uma boa dose de humor mas onde os conflitos interiores e as colisões de rota são bem evidentes. A banda-sonora embala-nos numa viagem por entre diálogos fantásticos, onde a luta contra o sistema impera sob as mais variadas formas. Simplesmente delicioso.

Não se ouviram palmas mas temos aqui um sério candidato a ir nadar com o Golfinho.


Debaixo da cama



A sinopse era à partida interessante. Dois estranhos conhecem-se numa festa e decidem ir para um motel, acabando por dar alguma intimidade ao que seria uma one night stand de sexo desenfreado.

Puro engano. En la Cama, do chileno Matías Bize, é um filme desinteressante, que naufraga em vagas de pseudo-intelectualismo e apresenta uma história pouco credível, onde as personagens se afogam tal é a quantidade de água que o filme mete por todos os lados.

As cenas de sexo são um exagero, os diálogos estão metidos de forma atafulhada e, quanto à ponte construída entre o sexo ocasional e o revelar de segredos de infância, situa-se para lá do mau gosto. Mais valia ter ficado na cama...


Festroia ou o regresso do leque



Muito público na abertura do Festroia, numa noite que fez lembrar um dia escaldante passado na praia do Meco e que recuperou, também, o leque como forma privilegiada de auto-oxigenação. Bendita aragem!

O festival abriu com «Terje Vigen», de 1917, filme inspirado num poema de Henrik Ibsen e que atravessa o período das guerras napoleónicas. Acompanhado ao piano por Ketil Bjornstad o cinema mudo fez-se ouvir bem alto, mesmo que perturbado por pessoas que se davam ao luxo de entrar na sala 40 minutos após o suposto início das festividades.

Seguiu-se «Factotum», de Bent Hamer, inserido na Secção Oficial de Competição. Inspirado na vida do escritor Charles Bukowski, Factotum conta a história de Henry Chinaski, um homem de muitos trabalhos para quem a escrita é a essência da vida. Entre mulheres, álcool e jogo Chinaski viaja na rota da marginalidade, fazendo da corda bamba que é a sua vida um poema que engole o mundo inteiro. Demasiado glamoroso, peca por não retratar a decadência e a marginalidade pelo seu lado mais negro e tenebroso. Afinal, a vida de Bukowski não foi propriamente um passeio.

sexta-feira, 2 de Junho de 2006


Nem só na Playstation mora a fantasia



Final Fantasy é o nome de um delirante RPG (Role Playing Game), onde espadachins, feiticeiros e estranhas criaturas se cruzam no maior reino de fantasia que foi imaginado para o mundo dos videojogos.

Agora, Final Fantasy é também o reino de Owen Pallett, onde os instrumentos clássicos parecem ter respirado uma dose industrial de gás hilariante para compor uma opereta que arde em febre.

Se «Has a Good Home» tinha sido uma boa surpresa, o novo disco «He Poos Clouds» só pode ser encarado como um passo para o abismo do culto. Decididamente, o génio mora aqui. A confirmar no Festival do Sudoeste no próximo dia 6 de Agosto.


Silêncio? Não, obrigado!



Depois da estreia em longas-duração com «When I Said I Wanted To Be Your Dog», de 2004, Jens Lekman volta a dar-nos música com «Oh You`Re So Silent Jens».

Entre o romantismo dos Smiths e o humor dos Magnetic Fields, Lekman reinventa os clássicos dançando na corda bamba, sem medo de caír no ridículo ou de lhe chamarem um pateta romântico.

Com Lekman podemos pedir tudo. Menos que se faça silêncio. Cinco estrelas.


Heresia aos quadradinhos



Depois de ver X-Men III desenterrei o baú dos quadradinhos para reler uma Superaventuras Marvel de 1985, onde se assistia ao funeral de Jean Grey num fantástico flash-back.

Não é que «O Confronto Final» seja um mau filme, mas para quem vai acompanhando a vida dos mutantes há mais de vinte anos a coisa cheira um pouco a heresia e a um claro desperdício de personagens fantásticas. Haja BD...

Nota: Quem tiver lá por casa revistas de BD antigas e queira livrar-se delas é só dizer. O Fusco-Lusco encarrega-se delas e até dá qualquer coisinha em troca.