
Se há personagem que há muito merecia o Nobel, essa seria certamente
Salman Rushdie. Com medo de terem uma bomba no meio de tanto amarelo, os suecos têm adiado para o além mundo uma homenagem inevitável. Ao contrário dos
brits, que presentearam o escritor com o
Booker dos Bookers, pelo seu livro «
Os Filhos da Meia-Noite» - apesar de não terem incluido o novo romance de Rushdie na edição deste ano. Feito o parentesis, falemos de «
A Feiticeira de Florença», editado entre nós pela
Dom Quixote.
O livro faz a ponte entre Istambul e Florença, num percurso que liga o Oriente e o Ocidente através de corsários, aventureiros, mercadores e feiticeiras. Quando Mogor dell`Amore - um misterioso viajante fluente em sete línguas - chega à corte imperial do poderoso mongol Akbar, apresenta-se como um homem que tem uma história para contar. A de Qara Koz, a feiticeira de Florença, por quem reis, pedinte e nações inteiras se perderam de amores. E assim coloca o seu destino nas mãos do imperador.
Através de uma fantástica viagem entre dois mundos, Rushdie faz-nos um retrato entre as relações difíceis entre o Ocidente e o Oriente - veja-se a história dos três amigos da infância à era adulta -, num livro que nos recorda muitas vezes a magia das
Mil e Uma Noites. Uma história de encantar, a quem o
Fusco oferece quatro feitiços em cinco.
No começo havia três amigos...