Pequenos apontamentos
St Vincent
O som estava mau demais, com um feedback dilacerante em modo quase contínuo e a voz de St Vincent em registo sumido. Parecia também ser hora de pôr a conversa em dia, pelo que o ambiente de intimidade cedo se transformou em decoração sonora de uma pastelaria de bairro numa movimentada manhã de segunda-feira. E que tal St Vincent no Santiago Alquimista?
Mayer Hawthorne
Um gentleman à moda americana. Comunicativo, entusista e um grande profissional, Hawthone entreteve o público e preparou-o para uma noite de grandes concertos. O abanar de anca tinha começado.
The Temper Trap
Apenas assistimos aos últimos três temas da actuação. E se "Sweet Disposition" foi uma espécie de momento vodafone, com telemóveis ao ar para captar o momento e um refrão cantado por teenagers satisfeiros, os dois anteriores foram um delírio tribal, com guitarras em fúria e uma percursão sensual capaz de fazer dançar o mais tímido dos públicos. Entusiasmante.
Grizzly Bear
O conceito de melodia intelectual dos Grizzly Bear passou pelo palco secundário e não se deu nada mal. Terá ficado a milhas do concerto encantatório dado há poucas semanas no Coliseu dos Recreios, mas ainda assim serviu para esquecer a poeira e elevar a mente a um estado zénico. Ainda por cima contou com a participação em dois temas de Victoria Legrand, a musa dos Beach House - que era bem mais bonita antes de ter sido prensada numa estranha dieta. Preferíamos por vezes que os Grizzly Bear abraçassem mais a melodia e esquecessem o cerebralismo musical, mas resta-nos esperar pelo próximo longa-duração para ver como o urso cinzento se vai comportar.
Os destaques
Cut Copy
O grande concerto da noite de sexta-feira. A alcunha de camaleão, dada em tempos a David Bowie, serviria na perfeição para este colectivo australiano, que nos levou numa viagem musical de sonho. New wave, synth-pop e pós-punk, evocando a melodia sentida dos New Order ou a raiva existencial dos New Order. Ainda nos ofereceram dois temas no disco a lançar no início de 2010, e deu para ver que vem aí uma outra faceta musical. Dançou-se até à exaustão, ficando o forte desejo de os ver em nome próprio num outro espaço. Muito, mesmo muito bom.
Pet Shop Boys
Desde os tempos de adolescente que o Fusco sonhava ver esta dupla ao vivo, um sonho cumprido com um sorriso rasgado que deixou o maxilar a doer de tanta felicidade. A banda que fez o pimba parecer cool ofereceu uma orgia visual para gáudio ocular, onde bailarinos de eleição e indumentárias coloridas se aliavam aprojecções visuais e a cubos que se construiam e reconstruiam num espectáculo cénico verdadeiramente incrível. Não faltaram clássicos como "West End Girls", "Suburbia" ou "Heartbeat", mas ficou a faltar o mítico "Rent". Um verdadeiro luxo.
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