segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Delírio beatlesiano para os lados de Beirut


Foto: Samuel Kirszenbaum

Até às 5 da tarde de ontem, o Fusco mantinha um monólogo surdo com os seus botões sobre se valeria a pena fazer sozinho 400 quilómetros para ver Zack Condon e os seus Beirut tocarem pouco mais de uma hora no Sudoeste. A resposta chegou logo após o final do concerto: valeu cada um dos quilómetros pago a peso de ouro, se um dia descobrirem quanto pesa um pedaço de mil metros.

Certamente os Beirut não estariam à espera de uma recepção de magnitude beatlesiana, o delírio de uma turba que entoava e cantarolava alguns refrões em estado de puro delírio. Uma tenda a abarrotar assistiu a um festival de sopros, num abraço comovente entre o trompete a a tuba, acompanhados por um acordeão dançante, um (contra)baixo empolgante, um piano melancólico, uma bateria desconcertante e a condução vocal, instrumental e espiritual de Zack Condon, que gritou "Portugal", Portugal" em resposta a um público que não se cansava de gritar "Beirut", "Beirut" de pulmões bem abertos.

Além dos temas presentes em "Gulag Orkestar" e "The Flying Club Cup", com paragens noutros EP`s do colectivo, os Beirut apresentaram um inédito que fez lembrar a pop adocicada dos Housemartins. Disco novo para breve? Façamos figas.

No final da celebração o Fusco teve tempo para apertar a mão e trocar algumas palavras com Zack Condon, ganhando ainda direito ao autógrafo da praxe - com dedicatória à cara-metade que teve o azar de ficar doente e perder este hino à música. Melhor do que isto só mesmo ter ido com a banda para os copos.

Ficou a certeza de que os Beirut teriam - e mereciam - lugar no palco principal, num concerto a que apenas faltou uma melhor qualidade sonora para tocar a perfeição. Exige-se agora a vinda da banda em nome próprio, a um espaço como a Aula Magna ou o Coliseu dos Recreios. Beirut, Beirut!

4 comentários:

Francisco Maia disse...

Subscrevo palavra por palavra. Tenho pena de não conhecer a verdadeira cara do Fusco-Lusco. Gostava de vos ter apertado a mão.

Foi um concertão! (visto da 2ª fila!)

Rui disse...

Fantástico concerto. público fenomenal (de estranhar no SW).

Setlist, alguém decorou?

Lusco Fusco disse...

Francisco, temos de trocar agendas musicais para apertarmos a mão na próxima. Por ora apenas está confirmada a ida à Aula Magna, em Novembro, para ver os Broken Social Scene.

Lusco Fusco disse...

Rui, não decorei mesmo o setlist. Experimenta enviar um mail à banda, ou pedir através do facebook (apesar de os rapazes não publicarem nada há algum tempo).