
Para as bandas nascidas na era moderna da civilização digital, chegar ao terceiro disco com a reputação intacta e mantendo a bandeira azul do delírio musical é quase impensável. Para os Arcade Fire, não passa de uma brincadeira de crianças.
"Funeral", a estreia musical mais auspiciosa dos anos zero, é uma magnífica colectânea de histórias sobre a mortalidade; "Neon Bible", o difícil - e mais fraquinho - sucessor, navegou nas águas do terrorismo e das questões ambientais mas abusou da pompa e encheu-se de maquilhagem; "The Suburbs", agora editado, recupera a ideia de que os Arcade Fire são uma das mais excitantes bandas da actualidade.
Ao longo de 16 faixas, a banda canadiana viaja num sonho introspectivo questionando como terá sido ter crescido nos subúrbios durante os anos oitenta: uma doce e saudosa utopia ou tempos cinzentos de conformidade? O mais engraçado, e aqui habita a centelha de génio, é que durante 64 minutos e alguns segundos o ensaio musical ganha também uma banda sonora musical com doses controladas de revivalismo, seja ele o rock new wave, o espírito punk ou a dança a dar para a piroseira. Sintamo-nos felizes. Os Arcade Fire inventaram mais uma grande história. 9 ruas suburbanas num quarteirão de 10.
Arcade Fire - "The Suburbs"
1. "The Suburbs"
2. "Ready to Start"
3. "Modern Man"
4. "Rococo"
5. "Empty Room"
6. "City with No Children"
7. "Half Light I"
8. "Half Light II (No Celebration)"
9. "Suburban War"
10. "Month of May"
11. "Wasted Hours"
12. "Deep Blue"
13. "We Used to Wait"
14. "Sprawl I (Flatland)"
15. "Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)"
16. "The Suburbs (Continued)"
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