quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Tudo o que vem à rede é peixe



David Fincher é um realizador especial com uma obsessão muito particular: a solidão. Em "Se7en", acompanhou a descida aos infernos do detective David Mills; em "Fight Club" filmou um insómnico de colarinho branco viciado em grupos de apoio; em "The Curious Case of Benjamin Button" filmou a finitude da existência apresentada ao contrário; "Zodiac" traçava o perfil de dois solitários: um cartoonista e um detective obcecados com um enigmático serial killer. Agora, chega a vez de filmar Mark Zuckerberg, um "totó" de Harvard, solitário dos sete costados, responsável por ter criado a maior rede social do planeta com mais de 500 milhões de utilizadores.

Mais do que um filme sobre o Facebook ou um raio-X à rede social, "The Social Network" é um filme sobre as origens da sua criação, que nos mostra os dois lados de Harvard - o dos totós predestinados à glória e o dos génios hereditários com entrada VIP nos clubes e festas exclusivas -, o tentador chamamento do dinheiro, a degradação da amizade, a curta distância a que o fracasso está do sucesso.

Fincher filma tudo isto de um modo extraordinário, mantendo os ambientes carregados de "Zodiac" e envolvendo Zuckerberg numa palidez permanente, sempre a funcionar em modo solitário - quer esteja isolado num quarto ou cercado por uma multidão numa festa de arromba. Um grande filme a que o Fusco oferece 8.5 likes (em 10).

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