
Em 2002, Yann Martel encantou o mundo e seduziu o juri do Booker Prize, que lhe atribuiu o prémio com o livro "A vida de Pi": uma fábula sobre o lado negro da humanidade onde um rapaz e um tigre viajavam de barco através de um mar infinito. Oito anos depois, a alegoria animal continua com "Beatriz e Virgílio", editado entre nós pela Presença.
A história é mais ou menos assim: um escritor de sucesso acabou um novo livro. Uma obra assumidamente arriscada, a que dedicou vários anos da sua vida. “Acerca de que é o seu livro?”, perguntam-lhe. O escritor fecha-se nas suas incertezas e, desiludido, decide não mais escrever uma linha. Até que conhece Henry, um taxidermista sinistro que lhe pede auxílio para escrever sobre um burro e um macaco. Uma peça de teatro, aparentemente inocente, que começa a parecer a Henry semelhante ao livro que tinha abandonado.
Apesar de alguns momentos intensos, "Beatriz e Virgílo" é um livro insonso, forçado, pretensioso e extremamente aborrecido, em redor da ideia da liberdade poética para se escrever sobre o Holocausto; como se quisesse pintar, na mesma tela imaculada, a vida dos bons e dos maus. Um imenso desapontamento a que o Fusco oferece 3.5 bananas (em 10).