"House of Balloons" é a mixtape que marca a estreia do artista canadiano The Weeknd, um mergulho nas águas mainstream do R&B com muito sexo, Dubstep, drogas, Soul e um estado de alucinação permanente. Tal e qual uma festa da qual saímos já o sol vai bem alto, incertos sobre se é tempo de dormir ou de procurar um after-hours. 8 fins-de-semana (em 10).
Depois de alguns aninhos de boa vida passados entre Estocolmo, Miami e a Cidade do Cabo, os Pallers vão finalmente avançar para a edição do seu disco de estreia. "The Sea of Memories" chega às lojas para a semana, mas o Fusco partilha desde já o disco dos suecos de uma ponta à outra. Segundo a editora, trata-se de "dance music for the lazy, the blazers, and for the slightly depressed". Muito bom.
Há coisa de meses, o Fusco disse que os Metronomy eram o tesouro mais bem guardado e enterrado em terras de Sua Majestade. Não é que fossem uns desconhecidos, mas a relação qualidade-reconhecimento era pouco apreciada pelo público, que preferia outras bandas que iam sendo apontadas na imprensa britânica como a "the next big thing". Desde então, muita coisa mudou. A banda está nomeada para o Mercury Prize na categoria de melhor disco de 2011 e, há coisa de dias, assinou um dos grandes concertos do Festival de Paredes de Coura, apesar de ninguém da imprensa musical lusitana parecer ter reparado.
"The English Riviera", o terceiro longa duração da banda, mostra-nos os Metronomy como os grandes representantes da pop avant-garde e excêntrica da Grã-Bretanha, ainda que o índice de loucura mostrado nos anteriores discos esteja agora mais controlado. A dança esquizofrénica deu lugar às boas vibrações e a sintetizadores com travo a açúcar amarelo, acompanhados por um baixo endiabrado que molda as canções em formas tão diversas quanto o funk, a nu-rave ou o rock levezinho. 9 doses de charme (em 10) para ver o sol nascer e morrer todos os dias, num Verão musical que se quer eterno.
Para quem se habituou às extravagâncias musicais dos Beirut ao longo dos anos, o novo "The Rip Tide" estará para Zack Condon e companheiros como "Sea Change" esteve para Beck no ano de 2002. A diferença, porém, é abissal. Enquanto "Sea Change" foi e continua a ser um grande disco, "The Rip Tide" ficará escrito na história como um disco menor dos Beirut, um conjunto de nove músicas simples e catitas que cumprem o papel de entreter mas que, daqui a uns anos, não trarão saudades de maior.
É como se a tela criativa onde Condon e amigos se divertem a pintar tivesse encolhido, tendo o negócio passado de quadros de dimensões guerniquianas para a decoração de molduras onde cabem fotos 10x15. Abunda a melancolia mas falta-lhe o espírito de celebração presente em anteriores trabalhos, soando como um disco demasiado conservador. Não deixa de ter bons momentos, mas ao fim de algumas audições sente-se vontade de partir para outras andanças musicais. Não é um passo atrás, mas espera-se que o próximo longa duração possa trazer alguma da magia a que nos habituámos. 7 marés (em 10).
Nota Fusco: É impressão nossa ou "A Candle´s Fire" soa a "Have You Seen The Rain?", tema dos Cleedence Clearwater Revival?
"Wounded Rhymes", o segundo longa-duração da sueca Lykke Li, assenta num triângulo das bermudas imaginário amparado pelos vértices da escuridão, da sujidade e do apetite voraz. Como se os The Knife tivessem tentado fazer um disco pop, esquecendo-se porém de desligar a máquina de fabricar nevoeiro - o que confere a este disco um ar assombrado, místico e quase sempre desolado.
Ao longo de dez temas viajamos entre contrastes: letras que vão da fantasia à realidade, músicas que vão da fúria à doce melodia. Um disco que respira soul em cada um dos seus acordes, a que o Fusco oferece 8 cubos de gelo (em 10). A partir de agora, quando pensarem numa Princesa de Gelo, ponham de lado o livro de Camilla Läckberg e deixem-se levar por esta rodela que veio do frio.
Chegou às lojas o disco "Rave On Buddy Holly", um tributo a um artista que, aos 22 anos, nos deixou precocemente, depois de ter vivido numa era onde a ideia de inocência era bem diferente da actual.
She & Him, Cee Lo Green, Paul McCartney, Black Keys ou Modest Mouse são alguns dos nomes incluídos neste disco de versões, e a boa notícia é que a NPR está a servir de bandeja o streaming gratuito. Sigam por aqui.
Em "Helplessness Blues", os Fleet Foxes parecem ter decidido cumprir uma missão ao bom estilo cruisiano: fazer com que o relógio começasse a andar ao contrário para que, o passado para nós desconhecido, nos chegasse aos ouvidos sob a forma de ecos musicais.
Arcaico e pastoral, o novo longa duração da banda é uma preciosidade difícil de encontrar nos dias de hoje. Trata-se de disco capaz de sobreviver ao espírito descartável da era digital, para ser saboreado sem pressas enquanto que lá fora o sol e a lua vão trocando de posições. Como se, por acaso, tivéssemos encontrado um baú no sotão de casa dos nossos avós, repleto de vinis, fotografias e recortes de jornal, que ilustram de forma especial as suas vidas - e, com isso, também parte das nossas. 9 blues (em 10).
Já que estamos a publicar em modo veraneante, nada melhor do que dedicar algumas linhas a "What Did You Expect From The Vaccines?", estreia em formato longa duração dos ingleses The Vaccines. Disco de guitarras e melodias descomprometidas, é capaz de nos alegrar o suficiente para encaramos, de sorriso nos lábios, a entrada do FMI cá no burgo.
Riffsa la Strokes, melodias em modo Editors, guitarras tocadas como se os Interpol deixassem que o sol entrasse por momentos na sala de ensaios. Não é nada de extraordinário, mas por vezes a circulação sanguínea não pede mais do que um disco de guitarras descomprometidas. 6.25 vacinas para que o Verão comece mais cedo a fazer das suas.
"C`mon", o nono disco de originais dos Low, chega às lojas a 15 de Abril. Os amigalhaços da NPR, sabendo que a espera podia ser motivo para o estabelecimento da pirataria desenfreada, já disponibilizou o streaming integral da rodela sonora. Para ouvir aqui.
"Person Pitch", editado no ano de 2007, transformou definitivamente Noah Benjamin Lennox num Panda Urso, emancipando-se da reserva Animal Collective para gozar umas férias tranquilas. É por isso com grande expectativa que se aguarda a edição de "Tomboy", disco que chega às lojas de hoje a uma semana. Como andam por aí espíritos mais inquietos, a NPR chegou-se à frente e oferece o streaming integral. Sigam por aqui.
Será possível juntar, na mesma rodela sonora, a sensualidade do house, o desvario do techno, a pop de sofá, o jazz de balanço africano, o sentido épico da música clássica, o azul do blues, o hip-hop sem fios de ouro ao pescoço e o agora-muito-na-moda dubstep, sem que o resultado final seja algo tremendamente piroso? Incrivelmente, a resposta é: "sim, pode-se".
"Space is Only Noise", a estreia em formato longa duração de Nicolas Jaar - que tem Ricardo Villalobos como grande mentor -, é um disco que vive de emoções bem latinas, repleto de crime, paixão e drama e que, apesar de demasiado complexo na sua estrutura, se apresenta aos ouvidos com uma simplicidade desarmante.
É um trabalho extremamente difícil de descrever - um álbum de dança que não se consegue dançar? - e, em parte, é nisso que reside a sua magia e poder de encantamento. Mais adjectivos? Triste, sedutor e extremamente aditivo.
Um deleite para o aparelho auditivo a que o Fusco oferece 8.75 fatos espaciais (em 10).
No mundo das artes, muitas vezes liga-se o estado de sofrimento, infelicidade ou angústia a uma maior propensão para a criatividade. Outros defendem que isso não passa de um grande mito, e que o importante é mesmo o trabalho e a dedicação. Seja como for, no caso dos Noah & the Whale, banda que muito estimamos, somos levados a acreditar na primeira versão.
Depois de terem editado um dos maiores discos sobre a dor de corno de que há memória - "The First Days of Spring" (2009) -, a banda parece ter agora entrado numa onda de felicidade com ritmos que quase entram no território pimba. Se em "L.I.F.F.G.O.E.S.O.N." aceito que Noé e sua baleia estejam numa espécie de lua de mel, já em temas como "Tonight is the kind of night", "Just before we met" ou "Give it all back" sinto-me atirado para um baile onde deparo com Dino Meira, Emanuel e Ana Malhoa juntos no mesmo palco.
O Fusco deixa no ar a pergunta: será "Last Night on Earth" uma brincadeira de mau gosto, um pequeno deslize ou um passo sem retorno rumo a um futuro de que não queremos fazer parte? O futuro o dirá. Por agora não podemos fazer mais do que largar 4 baleias (em 10 possíveis) no oceano e esperar por diferentes correntes e marés.
Cinco anos e muitos rumores de separações, desacatos e outros tiques rocknrollescos depois, os The Strokes estão de regresso com "Angles". O disco só chega às lojas para a semana mas toca já de uma ponta à outra no site oficial da banda (sigam por aqui). Novidade zero, um disco fantástico, um aborrecimento puro, algo intermédio, digam ao Fusco o que pensam do novo disco desta banda que nos visita quando vier o bom tempo.
A Pitchfork tem também um retrato exaustivo da banda a que chamou de "This Is It: Ten Years of the Strokes". Tomem este caminho.
Quatro discos e uma grande dose de separações e reencontros depois, os The Dears editaram em 2011 o seu quinto disco de originais.
"Degeneration Street" é um parente dantiano que nos leva ao Purgatório musical mas que, depois da sentença final ser proferida, deixa a sensação de termos estado a escutar um melodrama vazio e sem grande história. O sentimento épico acabou por se transformar em aborrecimento e pirosice pelo que se tem de perguntar: será este o fim da linha para os The Dears? Pode ser que não. 5 ruas desertas (em 10) para um prolongado passeio introspectivo.
Os Noah and the Whale oferecem para escuta integral "Last Night on Earth", e até prepararam uma surpresa engraçada. Sigam por aqui ou ouçam o disco à antiga em formato cassete. É só carregar no Play.
"The King of Limbs", o último dos Radiohead, mostra-nos Thom Yorke e Cª a tentarem a todo o custo chegar a um lugar diferente, olhando pensativamente - e talvez sem querer - aquilo que foi deixado para trás. O problema é que, ao longo das suas oito faixas, nunca consegue resolver o conflito entre a vontade de uma dança libertadora e o desejo de arquitectar uma pop que possa ser pendurada numa galeria de arte, permanecendo num limbo onde não há rei nem roque.
Curiosamente os Radiohead, que conseguiram ao longo dos anos manter-se afastados de estratégias e golpes de marketing, parecem agora como peixes na água nesse imenso oceano - "The King of Limbs" terá uma edição em papel de jornal, algo inédito até hoje e que mostra que andaram muito tempo a pensar no embrulho da coisa. Resta-nos esperar que, no futuro, o produto final possa ser melhor do que a embalagem. 6.5 árvores centenárias (em 10) para um disco interessante mas longe de ser excelente.
O novo disco dos REM chega às lojas a 8 de Março mas, para não variar, a NPR serve-nos de bandeja a rodela sonora para uma degustação antecipada. Basta seguirem por aqui.
Ainda não chegaram às lojas mas, graças à bela política do "streaming antecipado", é já possível escutar algumas rodelas sonoras enquanto vemos o sol espreitar lá fora. Por aqui decidimos partir a cabeça com a reedição do primeiro dos Queens of the Stone Age.
The Mountain Goats - "All Eternals Deck" Streaming
7 de Março é a data escolhida para o lançamento do terceiro disco dos Noah and the Whale mas, se derem um salto à página do Inimigo, podem já ouvir "Last Night On Earth" de uma ponta à outra. Sigam por aqui.