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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Está uma senhora



Se tivermos como modelos femininas do mundo do cantautorismo nomes como PJ Harvey, Cat Power ou Joanna Newsom, Laura Veirs será como uma peixeira infiltrada num desfile de moda. Veirs tem um ar de eterna adolescente, que para arranjar amigos tem de oferecer lanches e emprestar discos, livros ou dinheiro. Uma adolescente pouco produzida, escondida por detrás de uma armação ocular e roupas pouco dadas a mostrar as curvas e sinuosidades do esqueleto humano. A verdade é a que a rapariga tem crescido musicalmente e que, desde a entrada para a Nonesuch Records, em 2004, nos tem oferecido discos que são pérolas. Depois de "Saltbreakers" de 2007, o ano corrente assistiu à chegada do magnífico "July Flame".

Se fosse uma iguaria gastronómica, "July Flame" seria aparentado da cozinha chinesa, misturando na perfeição e em doses bem servidas o "sweet" e o "sour". É um disco fantástico, onde acordes e melodias simples crescem para se tornarem impressionantes orquestrações, numa ode à melancolia. Laura está uma senhora, e o Fusco aposta que já são muitos os pretendentes que a querem levar a passear. 8.5 chamas (em 10).

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A toque de sinos



"Broken Bells", homónimo disco de estreia, reúne o melhor de dois mundos: a pop acústica e a voz encantada de James Mercer à fundação sónica e devaneios de índole electrónica saídos da imaginação de Danger Mouse. O resultado é um disco pop que se revela uma vasta paleta de cores, um piloto automático com um coração humano. 7.5 sinos partidos (em 10).

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Os amantes da floresta urbana



É, até à data, o disco surpresa com selo de 2010 que aterrou numa das mesas de redacção do Fusco. "Carriage", o longa-duração dos canadianos Forest City Lovers, está para a música pop/folk assim como as barrigas de freira estão para a doçaria conventual.

Cenários negros envoltos numa pop adocicada, folk empolgante liderada por uma voz que faz com que um pastel de nata com cobertura de doce de ovos pareça ter pouco açúcar. Um grande parque de diversões musical a que o Fusco oferece 8 carruagens (em 10).

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Está-se bem nos subúrbios



Para as bandas nascidas na era moderna da civilização digital, chegar ao terceiro disco com a reputação intacta e mantendo a bandeira azul do delírio musical é quase impensável. Para os Arcade Fire, não passa de uma brincadeira de crianças.

"Funeral", a estreia musical mais auspiciosa dos anos zero, é uma magnífica colectânea de histórias sobre a mortalidade; "Neon Bible", o difícil - e mais fraquinho - sucessor, navegou nas águas do terrorismo e das questões ambientais mas abusou da pompa e encheu-se de maquilhagem; "The Suburbs", agora editado, recupera a ideia de que os Arcade Fire são uma das mais excitantes bandas da actualidade.

Ao longo de 16 faixas, a banda canadiana viaja num sonho introspectivo questionando como terá sido ter crescido nos subúrbios durante os anos oitenta: uma doce e saudosa utopia ou tempos cinzentos de conformidade? O mais engraçado, e aqui habita a centelha de génio, é que durante 64 minutos e alguns segundos o ensaio musical ganha também uma banda sonora musical com doses controladas de revivalismo, seja ele o rock new wave, o espírito punk ou a dança a dar para a piroseira. Sintamo-nos felizes. Os Arcade Fire inventaram mais uma grande história. 9 ruas suburbanas num quarteirão de 10.

Arcade Fire - "The Suburbs"
1. "The Suburbs"
2. "Ready to Start"
3. "Modern Man"
4. "Rococo"
5. "Empty Room"
6. "City with No Children"
7. "Half Light I"
8. "Half Light II (No Celebration)"
9. "Suburban War"
10. "Month of May"
11. "Wasted Hours"
12. "Deep Blue"
13. "We Used to Wait"
14. "Sprawl I (Flatland)"
15. "Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)"
16. "The Suburbs (Continued)"

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O sol pintou-se de vermelho



"Song of the New Heart", a estreia em formato longa-duração de Mazgani, plantou a semente. Uma espécie de tratado de inocência melancólico, onde o negrume lírico não encontrava paralelo no universo musical, que usava e abusava da pop deixando pouco espaço ao rock desenfreado.

Em "Song of Distance" o cenário é bem diferente. Os fins de tarde melancólicos, passados à beira mar enquanto o sol se preparava para uma noite bem passada entre lençóis de água, deu lugar ao deserto e à sede, a um sol pintado de vermelho, a trocas de olhares maliciosos e a jogos de batota em saloons poeirentos. Aqui há duelos vibrantes, sheriffs transloucados, caçadas a foras-da-lei, amores proibidos, impossíveis e desencontrados. Pensem em 16 Horsepower e andarão lá perto. O grande disco de 2010 editado na Portugália, a que o Fusco oferece 8 canções (em 10).

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Roubar à luz do dia



A modernidade musical tem destas coisas. A arte de rapinar, por norma avessa à luz dos holofotes e parente do mundo da penumbra e do secretismo, tem os dias mais do que contados. Veja-se o caso dos The Drums, que em 2010 editaram o homónimo disco de estreia: uma reinvenção descarada de um disco dos New Order, cantado por um rejuvenescido Robert Smith e assaltado por esporádicos samplers dos Beach Boys.

Um disco de faixa contínua, composto por melodias que se nos atravessam no caminho e que levamos para a bela vida do chuveiro, para desfrutar enquanto a moda e o Verão durar - e enquanto nos lembrarmos dele. 6.5 baterias numa banda de 10.