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terça-feira, 12 de julho de 2011

Música para ler



A Pitchfork fez o trabalho de casa e conta-nos quais são os seus 60 livros musicais favoritos. Entre os escolhidos estão, por exemplo, "Can't Stop Won't Stop: A History of the Hip-Hop Generation" (de Jeff Chang), "The Smiths: Songs That Saved Your Life" (de Simon Goddard) ou "Factory Records: The Complete Graphic Album" (de Matthew Robertson). Vejam a lista completa aqui.

segunda-feira, 28 de março de 2011

O jornal dos Radiohead



Para celebrar a edição física de "The King of Limbs", os Radiohead decidiram criar o seu próprio jornal, de nome "The Universal Sigh". Em Portugal, a raridade vai estar disponível gratuitamente na Praça de Camões perto do meio-dia, mas como a tarefa deverá ser tão fácil quanto a de encontrar uma agulha num palheiro de proporções épicas o Fusco partilha a edição electrónica. Boa leitura.

Novo Link!!!
Radiohead - The Universal Sigh (PDF) (agradeçam à revista neo-zelandesa rip it up)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Últimas leituras


Imagem do site Paternal Life

Porque nem só de rodelas sonoras se alimenta a redacção do Fusco, aqui ficam algumas sugestões de leitura.



Nemesis explores the effect of a 1944 polio epidemic on a closely knit, family-oriented Newark community. The children are threatened with maiming, paralysis, lifelong disability, and death.

At the center of Nemesis is a vigorous, dutiful, twenty-three year old playground director Bucky Cantor, a javelin thrower and weightlifter, who is devoted to his charges and disappointed with himself because his weak eyes have excluded him from serving in the war alongside his contemporaries. Focusing on Cantor's dilemmas as polio begins to ravage his playground—and on the everyday realities he faces—Roth examines some of the central themes of pestilence: fear, panic, anger, bewilderment, suffering, and pain.

Moving between the streets of besieged Newark and Indian Hill, a pristine children's summer camp high in the Poconos, Roth depicts a decent, energetic man struggling in his own private war against the epidemic.


Nota Fusco: 9/10




Matteo responde a um anúncio de emprego. Toca à campainha e uma mulher recebe-o. Mas a mulher apresenta uma particularidade estranha. É a primeira proposta de trabalho de Matteo em muitos meses: aceita-a. Mas Matteo não suporta aquele ofício durante muito tempo. Responde a um novo anúncio. Toca à campainha e um homem abre a porta e recebe-o. De novo, a mesma particularidade estranha.
Várias personagens e episódios sucedem-se como peças de dominó que vão caindo umas sobre as outras. As personagens cruzam-se e cada uma delas é abandonada quando surge a seguinte. São ligações sucessivas - até que se chega a Matteo, o homem que perdeu o emprego.


Nota Fusco: 9/10




Ao longo de sessenta anos, refugiados judeus e os seus descendentes prosperaram no Distrito Federal de Sitka, um refúgio temporário criado no rescaldo das revelações do Holocausto e do chocante colapso do recém-criado Estado de Israel. Orgulhosos, gratos e esperançosos de se tornarem americanos, os judeus do Distrito de Sitka criaram um pequeno mundo num pedaço no Alasca, uma cidade fronteiriça vibrante, corajosa e complexa, que pulsava ao ritmo do dialecto iídiche. Por sessenta anos foram deixados sós, negligenciados e esquecidos, mas agora, os ventos da história ameaçam devolver a região aos nativos locais.

O detective de homicídios Meyer Landsman, da Polícia Distrital, já tem problemas suficientes para ainda se preocupar com a Reversão, a grande devolução do território. A sua vida é uma confusão, um naufrágio. O seu casamento e a sua carreira são um desastre. Para piorar, a nova supervisora de Landsman é o amor da sua vida, mas também o seu pior pesadelo. Até que no hotel decadente onde ele está hospedado alguém comete um homicídio mesmo debaixo do seu nariz. Por hábito, obrigação e um misterioso sentimento de que esse caso lhe oferece, de algum modo, a própria redenção, Landsman começa a investigar a morte do seu vizinho, um ex-prodígio do xadrez.

Nota Fusco: 7.50/10

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Bola de neve



Depois do desaparecimento prematuro de Stieg Larsson, o mundo - Fusco incluído - procura um escritor que faça do policial um género maior da literatura, capaz de nos deixar presos ao sofá durante horas com a circulação sanguínea a fazer lembrar a segunda circular em modo tunning. Pois bem, demos de caras com um livro assim. Chama-se "The Snowman", e é da autoria do escritor Jo Nesbo. Aqui fica a sinopse de um livro a que o Fusco oferece 9 bolas de neve (em 10). Muito, muito bom.

The night the first snow falls a young boy wakes to find his mother gone. He walks through the silent house, but finds only wet footprints on the stairs. In the garden looms a solitary figure: a snowman bathed in cold moonlight, its black eyes glaring up at the bedroom windows.
Round its neck is his mother's pink scarf. Inspector Harry Hole is convinced there is a link between the disappearance and a menacing letter he received some months earlier. As Harry and his team delve into unsolved case files, they discover that an alarming number of wives and mothers have gone missing over the years.
When a second woman disappears Harry's suspicions are confirmed: he is a pawn in a deadly game. For the first time in his career Harry finds himself confronted with a serial killer operating on his turf, a killer who will drive him to the brink of insanity. A brilliant thriller with a pace that never lets up, "The Snowman" confirms Jo Nesbo's position as an international star of crime fiction.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Lay off hands on me



Nesta época de crise, aumentos de impostos e todo um rol de sacanices preparadas pelo Governo cá do burgo, o Fusco dedicou-se à leitura de "Then we came to the end", do escritor Joshua Ferris, traduzido entre nós pela Casa das Letras com o título "Então chegámos ao fim".

Um livro que se situa entre o negrume e a comédia, sobre as relações pessoais e de trabalho estabelecidas num ambiente de pequenos cubículos, ares condicionados, refeições tomadas em frente a ecrãs de computador e encontros furtivos junto à fotocopiadora. Sobre o medo do despedimento, a (im)possibilidade de começar de novo, o medo da morte, a depressão moderna e o estado lunático a que o espírito workaholicano nos conduz a todos. Uma estreia promissora a que o Fusco oferece 8 cadeiras ergonómicas (em 10).

Sinopse

Um retrato hilariante, comovente e surreal das actuais relações no mundo do trabalho.
Cada escritório é uma espécie de família e a agência de publicidade, que Joshua Ferris brilhantemente retrata no seu romance de estreia, é uma família nos seus melhores e mais estranhos aspectos, lidando com bisbilhotice, partidas e pausas para o café cada vez mais frequentes.
Entre os colegas que lutam pelos seus empregos contam-se: Tom, recém-divorciado e que usa três pólos da agência, uns por cima dos outros; Joe, um viciado em trabalho e perpétua vítima de sabotagem; Carl, cuja depressão não controlada o levou a pedir medicação "emprestada" a Janine; Chris, suspeito de roubar a cadeira a Tom; e Marcia, por quem Benny está apaixonado. Ao mesmo tempo que colega atrás de colega é despedido, todos adoptam a sua melhor pose profissional, fingindo fazerem progressos na misteriosa campanha publicitária pro bono que é o único "trabalho" que lhe resta.
Com um olhar muito perspicaz para os pormenores que fazem com que valha a pena observar a vida, Joshua Ferris relata uma história verdadeira e engraçada acerca da sobrevivência no mais estranho ambiente das nossas vidas - aquele que fingimos que é normal cinco dias por semana.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Correcções com tinta não permanente



Com "The Corrections", Jonathan Franzen havia ganho o National Book Award em 2001. Foi preciso que no Verão passado o presidente Obama fosse visto a passear com uma cópia do seu novo livro - "Freedom" - debaixo do braço para que, de repente, o escritor passasse a ter honras de estado. E ainda bem, dizemos nós, pois é um dos melhores livros que lemos nos últimos anos. E por "últimos" podemos dizer 20. Ou 30.

"The Corrections" é um retrato moderno de uma família em declínio, que tenta encontrar a estabilidade num mundo instável e contraditório. É um olhar sobre a rotina e os rituais com que são alimentadas as trémulas fundações familiares e que tranformam a busca da felicidade numa demanda quixotesca. Da felicidade à infelicidade vai uma linha ténue, e as correcções que aplicamos à vida nunca são finais. Apenas temporárias e ajustadas ao momento presente. É a história da nossa família, de todas as famílias do mundo moderno. Um livro assombroso a que o Fusco oferece 10 correcções (em 10).

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Policial de cordel



"Nome de Código: Leoparda" foi a estreia do Fusco no universo de Ken Follett, que já vendeu mais livros do que o número de camisolas de Messi e Ronaldo despachadas por Barcelona e Real Madrid.

A acção situa-se em vésperas da invasão aliada. Os serviços britânicos planeiam a destruição do sistema de comunicações nazi localizado em St. Cecile, fundamental para a estratégia alemã. A missão, desempenhada por uma equipa constituida unicamente por mulheres, será liderada por Felicity “Flick” Clariet, uma agente que tem sobrevivido no terreno graças ao seu incrível planeamento, sentido de desconfiança permanente, instinto apurado e capacidade de actuar com frieza nas situações de vida ou morte. Do outro lado está Dieter, mestre na arte da tortura e exímio interrogador, que tem a vantagem de conhecer diversos fragmentos sobre a missão que a Resistência prepara. O duelo vai estender-se da primeira à última página.

O livro lê-se de um fôlego, mas senti a falta de uma história mais elaborada que por vezes parece desenrolar-se em piloto automático. Diria que lhe falta a trama de Stieg Larsson, o ambiente cénico de Robert Wilson ou o sentido de humor de Andrea Camilleri para ser mais ao gosto do Fusco. 6.5 leopardas (em 10).

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Planeta dos macacos



Em 2002, Yann Martel encantou o mundo e seduziu o juri do Booker Prize, que lhe atribuiu o prémio com o livro "A vida de Pi": uma fábula sobre o lado negro da humanidade onde um rapaz e um tigre viajavam de barco através de um mar infinito. Oito anos depois, a alegoria animal continua com "Beatriz e Virgílio", editado entre nós pela Presença.

A história é mais ou menos assim: um escritor de sucesso acabou um novo livro. Uma obra assumidamente arriscada, a que dedicou vários anos da sua vida. “Acerca de que é o seu livro?”, perguntam-lhe. O escritor fecha-se nas suas incertezas e, desiludido, decide não mais escrever uma linha. Até que conhece Henry, um taxidermista sinistro que lhe pede auxílio para escrever sobre um burro e um macaco. Uma peça de teatro, aparentemente inocente, que começa a parecer a Henry semelhante ao livro que tinha abandonado.

Apesar de alguns momentos intensos, "Beatriz e Virgílo" é um livro insonso, forçado, pretensioso e extremamente aborrecido, em redor da ideia da liberdade poética para se escrever sobre o Holocausto; como se quisesse pintar, na mesma tela imaculada, a vida dos bons e dos maus. Um imenso desapontamento a que o Fusco oferece 3.5 bananas (em 10).

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ser bom não basta



Nick Hornby é um escritor que escreve sobre adultos que se recusam a crescer - "Alta Didelidade" ou "Era Uma Vez Um Rapaz". Ou sobre crianças que se tornam adultos sem passarem pela adolescência - "Slam". Em "Como Ser Bom" não fez nenhuma dessas coisas e o resultado não foi lá grande coisa. É certo que existem algumas passagens delirantes, mas o assumir de um corpo e de uma voz feminina para uma elegia sobre o divórcio ou um guia de sobrevivência para o casamento moderno parece um pouco fraudulenta. 6 mandamentos de boa vontade (em 10).

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Uma bela corrente de ar



Como adepto incondicional da literatura fantástica, o Fusco tem andado em sobressalto com os consecutivos adiamentos, recuos, desmentidos e incógnitas à volta do próximo livro de George R.R Martin, a continuação da já mítica saga "Crónicas do Gelo e do Fogo". Por vezes aparecem uns tranquilizantes porreiros, como este "O Nome do Vento" - primeiro tomo de uma trilogia intitulada "Crónica do Regicida" -, que fazem com que o tempo passe mais depressa e o cérebro pare de carregar alternadamente nos botões do "quente" e do "frio".

Imaginem algo entre a escrita descomprometida de "Eragon", as andanças feiticeiras de Harry Potter e a trama tramada de Martin e andarão lá perto. "O Nome do Vento" é a estreia literária de Patrick Rothfuss, uma espécie de autobiografia de um herói caído em desgraça. A história - numa das suas vozes - é-nos contada por Kvothe, um pacato estalajadeiro que esconde um passado cheio de histórias misteriosas e que nos leva numa viagem da pacata infância à boa vida da universidade. Apesar de a acção decorrer durante 966 páginas, a ideia que fica é a de que apenas lemos um longo prólogo sobre uma história que vai começar a sério no segundo tomo (com edição prevista para Março do próximo ano). Um início auspicioso a que o Fusco oferece 8 correntes de ar (em 10).

Sinopse
Da infância como membro de uma família unida de nómadas Edema Ruh até à provação dos primeiros dias como aluno de magia numa universidade prestigiada, o humilde estalajadeiro Kvothe relata a história de como um rapaz desfavorecido pelo destino se torna um herói, um bardo, um mago e uma lenda. O primeiro romance de Rothfuss lança uma trilogia relatando não apenas a história da Humanidade, mas também a história de um mundo ameaçado por um mal cuja existência nega de forma desesperada. O autor explora o desenvolvimento de uma personalidade enquanto examina a relação entre a lenda e a sua verdade, a verdade que reside no coração das histórias. Contada de forma elegante e enriquecida com vislumbres de histórias futuras, esta "autobiografia" de um herói rica em detalhes é altamente recomendada para bibliotecas de qualquer tamanho.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O striptease de Julieta



No universo da escrita humorística romanceada, será difícil igualar a mestria de Nick Hornby. Livros como "Era uma vez um rapaz" ou, sobretudo, "Alta fidelidade", são delícias literárias capazes de satisfazer um glutão viciado em letras.

"Juliet, Nua", o mais recente romance de Hornby editado entre nós pela Teorema, reúne um pouco dos dois mundos anteriormente citados - a obsessão musical de "Alta Fidelidade" e a irreverência sentimental de "Era uma vez um rapaz" -, se bem que fique sentado alguns degraus abaixo de ambos.

Os temas são recorrentes da escrita hornbiana - a recusa do crescimento, a obsessão musical, a confusão sentimental - mas, na sua essência, será um livro sobre o arrependimento, a sociedade internetizada em que vivemos, a quantidade incrível de tempo que perdemos ocupados a brincar com a vida ou a raridade com que surgem as segundas oportunidades. 8 sessões de strip (em 10).

Sinopse

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Uma geração de A a X



Nas estantes do Fusco reservadas a livros, a fatia maior e com mais creme cabe ao canadiano Douglas Coupland, entre muitos originais e algumas traduções. Após a desilusão que foi "JPod", bem como o facto da edição de "The Gum Thief" lhe ter passado ao lado, o Fusco pôs a escrita em dia com "Geração A", recentemente publicado entre nós pela Teorema.

E fê-lo em boa altura, já que "Geração A" retoma o melhor de Coupland sem tentar forçar um novo "Geração X" - um livro que se tornou um fardo pesado para Coupland, ainda assim não tão pesado quanto "69 Love Songs" o tem sido para os Magnetic Fields.

"Geração A" mergulha de cabeça na era moderna, a das redes sociais e das videoconferências, do marketing on-line e da globalização massiva, do abuso de poder e da overdose de informação, dos telemóveis e dos PDA`s. Se em "Geração X" se assistia ao despontar de um novo mundo, aqui a história é bem diferente. Trata-se de um mundo velho, que corre o risco de se tornar cinzento com tanto sentido democrático digital. Está longe de ser uma utopia negra e trágica porque, como diz Coupland "se nos começarmos a queixar do tempo em que vivemos, significa que o nosso tempo chegou ao fim". Será antes uma espécie de caminho paralelo recuperando algo de crucial para a humanidade: o inventar e contar histórias. 8.5 abelhas numa colmeia de 10.

"As histórias vêm de uma parte de ti que muito raramente é visitada, às vezes nunca. Acho que as pessoas passam tanto tempo a convencer-se de que as suas vidas são contos que a parte de inventar histórias do cérebro endurece e morre. As pessoas esquecem-se de que há outras formas de organizar o mundo".

Sinopse
Geração A passa-se no futuro próximo, num mundo em que as abelhas estão extintas, até que cinco pessoas, sem qualquer relação entre elas e de vários países do mundo - Estados Unidos, Canadá, França, Nova Zelândia e Sri Lanka - são todas picadas por abelhas. A sua experiência compartilhada vai uni-las de formas que elas nunca teriam podido imaginar. Geração A espelha, vinte anos depois, o primeiro romance de Coupland - Geração X -, que se tornou um bestseller emblemático. Este novo livro explora novas formas de contar histórias num mundo digital. Como grande parte da escrita de Coupland, ocupa o território perplexo que se situa entre o optimismo acerca do futuro e a paranóia apocalíptica quotidiana. Imaginativo, inventivo e fantasticamente divertido.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Um quadro vale mais do que mil imagens



Após três décadas a trabalhar como fotógrafo de guerra, André Faulques põe de lado a máquina e dedica-se à pintura. Numa torre abandonada, o pintor pretende captar num mural a imagem definitiva da guerra, assombrado pela memória de uma mulher que nunca conseguiu esquecer. Um dia recebe uma visita inesperada: um homem, ex-combatente, cuja vida mudou para pior devido a uma foto tirada por Faulques que correu mundo inteiro, e que vem para o matar.

Intenso e perturbador, "O Pintor de Batalhas" leva-nos numa viagem pela História da guerra e da arte, revelando o lado agonizante do mundo e mostrando a face mais negra e egoísta da alma humana. 8 telas em 10 para Arturo Pérez-Reverte.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Será um insulto chamar-lhe lixo?



Começou como "Os Confidentes", tendo na mais recente reedição sido rebaptizado de "Os Informadores", piscando o olho à adaptação cinematográfica realizada por Gregor Jordan. Indiferente ao nome de baptismo, para o Fusco este livro de Bret Easton Ellis faz parte do universo do lixo literário, de uma escrita que não cria quaisquer laços com as personagens, sejam eles de amor, ódio ou indiferença. As personagens podem ser ocas, já a escrita não tem de o ser. 3 em 10.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Martin dá a vez a Hobb



Enquanto George R.R. Martin não nos acalma os nervos com o novo capítulo das "Crónicas do Gelo e do Fogo", o Fusco mergulhou nos territórios fantásticos de Robin Hobb e A Saga do Assassino.

"Aprendiz de Assassino", o primeiro tomo da aventura, foi uma grande surpresa, estando garantida a continuidade do Fusco nos restantes livros editados entre nós pela Saída de Emergência. 8.75 punhais (em 10) para um livro cuja leitura é puro prazer.

"Há uma coisa que tenho notado acerca de homens muito magros. Alguns, como Breu, parecem tão preocupados com as suas vidas que, ou se esquecem de comer, ou queima toda e qualquer substância nutritiva que consomem nos fogos das suas paixões intensas pela vida. Mas há outro tipo, o dos que se movem pelo mundo como cadáveres, de face chupada, ossos protuberantes, e uma pessoa pode sentir que têm uma opinião t~~ao negativa do mundo inteiro que lamentam cada pedacinho desse mundo que metem dentro de si mesmos. Nesse momento, eu teria apostado que Galeno nunca apreciou realmente uma dentada de comida ou um gole de bebida na vida inteira".

Leia um excerto desta obra

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Toque de Midas



Poucos têm o dom de transformar uma história banal em algo mágico e transcendente. Roberto Bolanõ fê-lo com "Estrela Distante", a incrível história Carlos Wieder, poeta, assassino e impostor, tendo como pano de fundo a chegada da ditadura ao Chile. Até o mais terrível monstro tem um lado humano. Ou, se preferirem, até o ser mais humano tem um pequeno monstro dentro de si. 9 estrelas num céu com dez lâmpadas.

Excerto

quarta-feira, 28 de abril de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Da finitude do corpo e mente



"Jerusalém" ganhou o Prémio Saramago mas, se quisermos apontar o dedo à vertigem e ao assombro, o Fusco fá-lo com "Aprender a rezar na era da técnica". Um livro sobre a finitude do corpo e o entorpecimento da alma, do melhor que a literatura portuguesa nos tem oferecido nos tempos modernos. 9 terços (em 10) para Gonçalo M. Tavares.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Apanhar uma pedra na lua



"A Pedra da Lua", romance policial de Wilkie Collins, foi escrito no longínquo ano de 1868. A narrativa gira em torno do desaparecimento da Pedra da Lua - uma jóia que havia sido incrustada na testa do deus indiano das quatro mãos que representava a lua e que, após um roubo decorrido durante uma invasão inglesa, chega a solo britânico para despertar a cobiça e o engenho de um sem número de pretendentes ao longode vários anos.

Collins é considerado o percusos do género policial, e foi uma inovação na época o facto de o livro ser escrito a muitas vozes, com personagens fantásticas que ficam gravadas na memória após a sua leitura: "Betteredge, o respeitoso e assíduo leitor de Robinson Crusoe; Ablewhite, o filantropo; Rosanna Spearman, disforme e apaixonada; Miss Clarck, a bruxametodsta; Cuff, o primeiro detective da literatura britânica" (palavras de Jorge Luís Borges).

Além de recomendar vivamente a sua leitura, O Fusco partilha um dos pensamentos do mordomo sobre o que há que ter em conta na escolha de uma companheira. Um livro que merece 10 jóias numa caixa onde apenas cabem uma dezena.

"Levava uma vida regalada, dir-me-ão. Gozando de uma posição honrosa e de confiança, vivendo numa pequena casa só para mim, ocupando as manhãs a fazr as minhas rondas pela propriedade e fazendo as contas durante tarde, gozando o meu cachimbo e o Robinson Cruso à noite, que mais poderia eu querer para me sentir feliz? Pois lembre-se o leitor do que Adão quis quando estava sozinho no Jardim do Éden, e se não o censurou, tão pouco me condene a mim.
A mulher em que os meus olhos haviam pousado era a que tratava da minha casa. Chamava-se Selina Goby. No que se refer à escolha de uma esposa, concordo com o falecido William Cobbett: "Trata de arranjar uma mulher que mastigue bem a comida e que pise firmemente o chão quando caminha e tudo correrá bem." Selina Goby reunia essas duas características, o que constituía uma razão para a desposar. Mas houve um outro motivo e esse fui eu quem o descobriu. Sendo Selina solteira, eu tinha de lhe pagar semanalmente a comida e os serviços que me prestava; como esposa, não poderia cobrar-me dinheiro para a comida e teria de servir-me de graça. Foi esse o meu ponto de vista - economia e uma pitada de amor
".