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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Bola de neve



Depois do desaparecimento prematuro de Stieg Larsson, o mundo - Fusco incluído - procura um escritor que faça do policial um género maior da literatura, capaz de nos deixar presos ao sofá durante horas com a circulação sanguínea a fazer lembrar a segunda circular em modo tunning. Pois bem, demos de caras com um livro assim. Chama-se "The Snowman", e é da autoria do escritor Jo Nesbo. Aqui fica a sinopse de um livro a que o Fusco oferece 9 bolas de neve (em 10). Muito, muito bom.

The night the first snow falls a young boy wakes to find his mother gone. He walks through the silent house, but finds only wet footprints on the stairs. In the garden looms a solitary figure: a snowman bathed in cold moonlight, its black eyes glaring up at the bedroom windows.
Round its neck is his mother's pink scarf. Inspector Harry Hole is convinced there is a link between the disappearance and a menacing letter he received some months earlier. As Harry and his team delve into unsolved case files, they discover that an alarming number of wives and mothers have gone missing over the years.
When a second woman disappears Harry's suspicions are confirmed: he is a pawn in a deadly game. For the first time in his career Harry finds himself confronted with a serial killer operating on his turf, a killer who will drive him to the brink of insanity. A brilliant thriller with a pace that never lets up, "The Snowman" confirms Jo Nesbo's position as an international star of crime fiction.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Lay off hands on me



Nesta época de crise, aumentos de impostos e todo um rol de sacanices preparadas pelo Governo cá do burgo, o Fusco dedicou-se à leitura de "Then we came to the end", do escritor Joshua Ferris, traduzido entre nós pela Casa das Letras com o título "Então chegámos ao fim".

Um livro que se situa entre o negrume e a comédia, sobre as relações pessoais e de trabalho estabelecidas num ambiente de pequenos cubículos, ares condicionados, refeições tomadas em frente a ecrãs de computador e encontros furtivos junto à fotocopiadora. Sobre o medo do despedimento, a (im)possibilidade de começar de novo, o medo da morte, a depressão moderna e o estado lunático a que o espírito workaholicano nos conduz a todos. Uma estreia promissora a que o Fusco oferece 8 cadeiras ergonómicas (em 10).

Sinopse

Um retrato hilariante, comovente e surreal das actuais relações no mundo do trabalho.
Cada escritório é uma espécie de família e a agência de publicidade, que Joshua Ferris brilhantemente retrata no seu romance de estreia, é uma família nos seus melhores e mais estranhos aspectos, lidando com bisbilhotice, partidas e pausas para o café cada vez mais frequentes.
Entre os colegas que lutam pelos seus empregos contam-se: Tom, recém-divorciado e que usa três pólos da agência, uns por cima dos outros; Joe, um viciado em trabalho e perpétua vítima de sabotagem; Carl, cuja depressão não controlada o levou a pedir medicação "emprestada" a Janine; Chris, suspeito de roubar a cadeira a Tom; e Marcia, por quem Benny está apaixonado. Ao mesmo tempo que colega atrás de colega é despedido, todos adoptam a sua melhor pose profissional, fingindo fazerem progressos na misteriosa campanha publicitária pro bono que é o único "trabalho" que lhe resta.
Com um olhar muito perspicaz para os pormenores que fazem com que valha a pena observar a vida, Joshua Ferris relata uma história verdadeira e engraçada acerca da sobrevivência no mais estranho ambiente das nossas vidas - aquele que fingimos que é normal cinco dias por semana.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Correcções com tinta não permanente



Com "The Corrections", Jonathan Franzen havia ganho o National Book Award em 2001. Foi preciso que no Verão passado o presidente Obama fosse visto a passear com uma cópia do seu novo livro - "Freedom" - debaixo do braço para que, de repente, o escritor passasse a ter honras de estado. E ainda bem, dizemos nós, pois é um dos melhores livros que lemos nos últimos anos. E por "últimos" podemos dizer 20. Ou 30.

"The Corrections" é um retrato moderno de uma família em declínio, que tenta encontrar a estabilidade num mundo instável e contraditório. É um olhar sobre a rotina e os rituais com que são alimentadas as trémulas fundações familiares e que tranformam a busca da felicidade numa demanda quixotesca. Da felicidade à infelicidade vai uma linha ténue, e as correcções que aplicamos à vida nunca são finais. Apenas temporárias e ajustadas ao momento presente. É a história da nossa família, de todas as famílias do mundo moderno. Um livro assombroso a que o Fusco oferece 10 correcções (em 10).

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Policial de cordel



"Nome de Código: Leoparda" foi a estreia do Fusco no universo de Ken Follett, que já vendeu mais livros do que o número de camisolas de Messi e Ronaldo despachadas por Barcelona e Real Madrid.

A acção situa-se em vésperas da invasão aliada. Os serviços britânicos planeiam a destruição do sistema de comunicações nazi localizado em St. Cecile, fundamental para a estratégia alemã. A missão, desempenhada por uma equipa constituida unicamente por mulheres, será liderada por Felicity “Flick” Clariet, uma agente que tem sobrevivido no terreno graças ao seu incrível planeamento, sentido de desconfiança permanente, instinto apurado e capacidade de actuar com frieza nas situações de vida ou morte. Do outro lado está Dieter, mestre na arte da tortura e exímio interrogador, que tem a vantagem de conhecer diversos fragmentos sobre a missão que a Resistência prepara. O duelo vai estender-se da primeira à última página.

O livro lê-se de um fôlego, mas senti a falta de uma história mais elaborada que por vezes parece desenrolar-se em piloto automático. Diria que lhe falta a trama de Stieg Larsson, o ambiente cénico de Robert Wilson ou o sentido de humor de Andrea Camilleri para ser mais ao gosto do Fusco. 6.5 leopardas (em 10).

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Planeta dos macacos



Em 2002, Yann Martel encantou o mundo e seduziu o juri do Booker Prize, que lhe atribuiu o prémio com o livro "A vida de Pi": uma fábula sobre o lado negro da humanidade onde um rapaz e um tigre viajavam de barco através de um mar infinito. Oito anos depois, a alegoria animal continua com "Beatriz e Virgílio", editado entre nós pela Presença.

A história é mais ou menos assim: um escritor de sucesso acabou um novo livro. Uma obra assumidamente arriscada, a que dedicou vários anos da sua vida. “Acerca de que é o seu livro?”, perguntam-lhe. O escritor fecha-se nas suas incertezas e, desiludido, decide não mais escrever uma linha. Até que conhece Henry, um taxidermista sinistro que lhe pede auxílio para escrever sobre um burro e um macaco. Uma peça de teatro, aparentemente inocente, que começa a parecer a Henry semelhante ao livro que tinha abandonado.

Apesar de alguns momentos intensos, "Beatriz e Virgílo" é um livro insonso, forçado, pretensioso e extremamente aborrecido, em redor da ideia da liberdade poética para se escrever sobre o Holocausto; como se quisesse pintar, na mesma tela imaculada, a vida dos bons e dos maus. Um imenso desapontamento a que o Fusco oferece 3.5 bananas (em 10).