Pequenos apontamentosThe NationalPara um fã como o
Fusco custa ver Matt Berninger sentindo-se em palco como um leão enjaulado, procurando uma escapatória ao facto de ter de enfrentar 30 mil pessoas num mar de perder de vista. Ao vivo e em "formato festival" os The National reinventam as sua músicas, transformando a intimidade numa emoção partilhável por todos o que faz com que por vezes soem como uns U2 dados à independência. O concerto, que teve alguns momentos altos, foi uma espécie de retrato da decadência, cantado em disco e assimiliado ao vivo por Berninger, que quando o concerto terminou já há muito que tinha deixado o palco, petrificado e assombrado pelo fantasma do álcool, deixando as despedidas para o resto da banda. O leão tinha finalmente encontrado a saída. Quanto a nós, que trocámos a felicidade de Sharon Jones e os Dap Kings pelo pessimismo dos The National, ficámos a degustar o lado amargo da existência.
PrinceTinha visto Prince há cerca de 20 anos, na sua primeira visita a terras lusas (no Estádio José de Alvalade). Duas décadas depois, é incrível como a magia continua num imutável estado de graça. O "Artista" toca guitarra que nem um Hendrix sedutor, dança de forma graciosa e canta como um anjo que leva o público a um delírio semelhante aos arraiais religiosos da Igreja do Reino de Deus. Assisti apenas a quatro temas, já que hoje era dia de faina, mas saí rumo ao desfiladeiro do pó com o corpo tomado pelo
funk.
DestaquesWild BeastsQuem passou o fim de tarde junto ao Palco EDP pôde assistir a um grande momento musical, protagonizado pelos britânicos Wild Beasts. Um concerto a duas vozes, com o som perto da perfeição, e onde "Two Dancers" foi o grande motivo de celebração. Um excelente final de tarde para cerca de uma centena de curiosos que decidiram partilhar o final de tarde com estas feras musicais. Excelente.