
Como adepto incondicional da literatura fantástica, o Fusco tem andado em sobressalto com os consecutivos adiamentos, recuos, desmentidos e incógnitas à volta do próximo livro de George R.R Martin, a continuação da já mítica saga "Crónicas do Gelo e do Fogo". Por vezes aparecem uns tranquilizantes porreiros, como este "O Nome do Vento" - primeiro tomo de uma trilogia intitulada "Crónica do Regicida" -, que fazem com que o tempo passe mais depressa e o cérebro pare de carregar alternadamente nos botões do "quente" e do "frio".
Imaginem algo entre a escrita descomprometida de "Eragon", as andanças feiticeiras de Harry Potter e a trama tramada de Martin e andarão lá perto. "O Nome do Vento" é a estreia literária de Patrick Rothfuss, uma espécie de autobiografia de um herói caído em desgraça. A história - numa das suas vozes - é-nos contada por Kvothe, um pacato estalajadeiro que esconde um passado cheio de histórias misteriosas e que nos leva numa viagem da pacata infância à boa vida da universidade. Apesar de a acção decorrer durante 966 páginas, a ideia que fica é a de que apenas lemos um longo prólogo sobre uma história que vai começar a sério no segundo tomo (com edição prevista para Março do próximo ano). Um início auspicioso a que o Fusco oferece 8 correntes de ar (em 10).
Sinopse
Da infância como membro de uma família unida de nómadas Edema Ruh até à provação dos primeiros dias como aluno de magia numa universidade prestigiada, o humilde estalajadeiro Kvothe relata a história de como um rapaz desfavorecido pelo destino se torna um herói, um bardo, um mago e uma lenda. O primeiro romance de Rothfuss lança uma trilogia relatando não apenas a história da Humanidade, mas também a história de um mundo ameaçado por um mal cuja existência nega de forma desesperada. O autor explora o desenvolvimento de uma personalidade enquanto examina a relação entre a lenda e a sua verdade, a verdade que reside no coração das histórias. Contada de forma elegante e enriquecida com vislumbres de histórias futuras, esta "autobiografia" de um herói rica em detalhes é altamente recomendada para bibliotecas de qualquer tamanho.