
Aqui na redacção do Fusco-Lusco somos todos grandes fãs de Douglas Coupland. Desde a saída de Generation X, em 1991, até jPod, editado este ano, que não perdemos uma linha de prosa deste canadiano nascido numa base militar lá para as alemanhas. Basta dizer que da nossa biblioteca constam todos os seus romances e que, muitos deles, estão disponíveis em dose dupla - o original e a tradução.
Li jPod quase de uma assentada e, pela primeira vez em quinze anos, cheguei ao final de um livro de Coupland com uma estranha sensação de vazio. Em todas as suas obras, mesmo nas mais dadas ao vácuo sentimental como Eleanor Rugby ou Hey Nostradamus, sobrevivia uma mensagem de esperança, até quando chegávamos à última página com uma lágrima a descer-nos pela face.
Em jPod subsiste o vazio, e o livro parece ser um Microserfs meets All Families are Psychotics escrito fora de tempo. Porém, se Microserfs havia sido brilhante, apresentando um retrato de uma geração sem vida própria perdida no boom tecnológico dos anos noventa - o seu hilariante Brave New World -, jPod acaba por falhar no retrato de uma era tecnológica actual, que vai muito além dos cenários nele descritos. E nem a hug machine - o objecto mais fascinante que encontramos no livro - consegue salvá-lo de ser, entre todos, o livro menor de Douglas Coupland.
Resta-nos esperar que JPod seja para ele o que Eraserhead foi para David Lynch: uma crise existencial de curta duração.
2 comentários:
Conheces as geniais definições de Sobredose Histórica e Overdose Histórica deste senhor (in Geração X)?
Coupland é um escritor que oscila sempre entre o deserto semântico e o climax sintático. Acho que é isso que faz dele um ícone. Não fiques aborrecido. Vais ver que para a próxima, sai mais uma acendalha daquelas.
Esperemos que sim. Depois de Eleanor Rugby esperava-se algo de grandioso, e jpod é uma brincadeira de mau gosto. Até para os fãs de longa data.
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