
Já se sabe que a cultura, em Setúbal, é tratada como o Petit trata a bola: força bruta, pancadaria a rodos e nada de grandes floreados. Na música o pimba é rei e senhor - basta olhar para a programação da triste Feira de Santiago - e, quanto ao cinema, Festróia e Luisa Todi vão dando um ar menos cor-de-rosa às fitas em exibição nas grandes superfícies.
Quando o Charlot reabriu há uns anos a coisa prometia. Bastante espaço entre as cadeiras, uma programação cuidada e sem grandes desvios, uma sala limpa e onde se respirava a paixão pelo cinema. Poucos anos mais tarde o cenário é tão desolador como um deserto marroquino. O espaço das cadeiras continua a ser o mesmo mas, quanto ao resto, o glamour já era: a programação muda constantemente - nos cartazes afixados com a programação do mês de Setembro abundam os rabiscos criminosos a esferográfica - e, quanto à sala, respira-se o mofo e exibe-se a sujidade.
Sendo um Auditório municipal, é esta a imagem que o Charlot transmite da Câmara Municipal de Setúbal e da sua ligação à cultura: suja, descuidada e a tresandar a mofo.
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