
Chama-se Em Paris mas, se não se avistasse a Torre Eiffel da varanda de um apartamento minúsculo ou a montra natalícia da loja de um bairro chique francês, podia até chamar-se Em Cabeceiras de Basto.
Depois da adaptação bataillana de Ma Mére, que deixou no ar um certo asco, Christophe Honoré mergulhou no passado e revisitou a Nouvelle Vague. Para a tarefa contou com os dois actores franceses do momento: Romain Duris (De tanto bater o meu coração parou) e Louis Garrel (Os sonhadores). O filme viaja pelas aventuras sentimentais de dois irmãos, encerrados pelo destino na casa onde viveram uma infância comum no seio de uma família pouco funcional.
Apesar de alguns momentos brilhantes - Duris fechado no quarto delirando com Cambodja de Kim Wilde ou numa conversa telefónica cantada com a amante perdida(?) -, ou instantes recuperadores de um saudosismo esquecido - Duris e uma das aventuras amorosas do irmão numa conversa sobre os fantasmas do passado e a dor como sentimento curado apenas pela individualidade -, o filme não consegue ir para além do mediano, dado que falta dotar as personagens de um pouco mais de alma e atar as muitas pontas soltas que deixa ao longo do trajecto. Não basta atirar as peças do puzzle ao ar e esperar que o espectador decida montar tudo por conta própria, sem ter sequer uma imagem para se guiar. As sementes estão lançadas. Esperemos que à terceira seja mesmo de vez...
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