
Nestes tempos em que somos dominados, esmagados e encostados à parede pelo PEC III, e em que palavras como desemprego, crise, mercados, cortes e outras ainda menos simpáticas enchem os noticiários, nada melhor do que adoptar uma banda-sonora que abrace a crise, a conquiste e a faça perder o mau feitio.
Numa vida passada, E Nathaniel Dawkins era uma empregado na firma Ernst & Young, que um dia recebeu um cheque e uma guia de marcha para se pôr a mexer. Em vez de se pôr a assaltar bancos, roubar velhinhas ou virar-se para coisas menos dignas, inventou o hino "I Need a Dollar", que se tornou a semente do longa-duração "Good Things", assinado como Aloe Blacc.
Um disco fabuloso que soa como rap de esquerda e que atravessa correntes como o hip hop, o gospel, a soul ou o RnB. Um tratado sobre o dinheiro, ou melhor, sobre a falta dele, para gente crescida. Um manifesto político, a meias com um romance apaixonado, que evoca nomes e ecoa sons como Stevie Wonder, Donny Hathaway ou Marvin Gaye. O disco do momento presente a que o Fusco oferece 9 barras de ouro (em 10). Que todas as crises sejam acompanhadas por música deste calibre.
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