terça-feira, 26 de setembro de 2006

O acordo vai nu



Já se sabe que as mudanças linguísticas são um pouco como as obras de Santa Engrácia. Muita azáfama, um intenso corropio mas um fim que está para além de onde a vista consegue alcançar. Porém, há poucos dias, conheci de perto alguns dos tiques do novo acordo ortográfico e dos pequenos assassinatos que estão a ser preparados para exterminar do mapa gramatical o belo lusitano.

Numa lógica da simplificação, onde impera a máxima do «não se pronuncia deita fora», foi só desbravar terreno deixando muitas palavras coxas, enfermas e sem qualquer equilíbrio. Alguns exemplos: táctica passa a tática; acção a ação; stress, um estrangeirismo engraçado, é adoptado como uma criancinha brasileira e passa ao dicionário como estresse; homem, pasme-se, vai passar a omem o que, logo assim de repente, impede de usar a velha expressão máscula do «eu sou um homem com h grande».

O Fusco-Lusco garante que será uma zona livre de acordo, uma espécie de DMZ linguística, e que a preguiça gramatical não tomará conta de nós. Com todas as letras e abusando de estrangeirismos na língua original. O que se seguirá a seguir, adoptar o K como letra do alfabeto?

2 comentários:

Mariozul disse...

Tás a gozar??!
Vão retirar o "H" de homem???

Se for verdade, é ridículo!
Não tarda nada, substitui-se de vez o "ch" por "x", desaparece o "z", trocado por "s", etc...

Onde viste isso?

Paulo Hasse Paixão disse...

Subscrevo a liberdade de se escrever Português.