quarta-feira, 30 de maio de 2007

Goodbye


Não satisfeito com nos ter levado o Cristiano Ronaldo, o Man United anunciou a contratação de dois dos maiores artistas a jogar em palcos de relva nacionais: Nani, do Sporting, e Anderson, do Porto. E ainda há quem diga que as exportações lusas andam em baixa.

O regresso de Dante Alighieri


Desenganem-se os amantes das visões infernais e fantasmagóricas de Dante Aligheri. Não está prevista uma nova edição de a «Divina Comédia», com uma tradução revolucionária ou imagens de encher o olho. Trata-se, isso sim, do regresso às lides musicais dos The Divine Comedy, banda liderada por Neill Hannon que faz parte do imaginário constante e quase diário do Fusco.
Até ao momento sabe-se pouca coisa. O sucessor de «Victory For The Comic Muse», de 2006, tem o título provisório de «11 Modern Antiquities». A banda encontra-se em estúdio há 11 dias, contando com Andy Partridge (XTC) para a co-composição de alguns dos temas, coisas como «Cluster Bomb» ou «The Canon And The Bell». Enquanto nos mentalizamos para uma difícil e tortuosa espera, nada melhor do que recordar um dos grandes temas dos The Divine Comedy: «Perfect Lovesong» (Regeneration, 2001).

Paris na terra do sabonete


Stop the press! Dimitri From Paris, DJ que assinou aventuras dançantes impregnadas de misticismo como «Monsieur Dimitri's De-Luxe House of Funk» ou «A Night at the Playboy Mansion», vai estar hoje no clube do sabonete para um set capaz de pôr o Papa a dançar. Disco sound de primeira apanha recheado com bom gosto e exotismo, eia a receita para uma noite que se espera longa. A festa tem início marcado para a uma da manhã.

O melhor torneio do mundo


Começou há dias o melhor torneio do mundo de ténis, de seu nome Roland Garros. Quase todas as previsões e desejos apontam para uma final épica entre Nadal e Federer, mas há vários candidatos a outsider: Robredo, Davydenko, Baghdatis e Djokovic são os nossos eleitos. Para seguir no Eurosport ou no site oficial.

terça-feira, 29 de maio de 2007

À boleia até Beirut(e)



Enquanto os Magnetic Fields não arriscam um sucessor a «I», do longínquo ano de 2004, os Beirut parecem querer oferecer-nos um mundo pop a tocar a perfeição. Zack Condon, no seu último ano como teenager, rodeou-se de boa rapaziada como Jeremy Barnes (Neutral Milk Hotel, A Hawk and a Hacksaw) e Hesther Trost (A Hawk and a Hacksaw) para desencantar um animado disco de nome «Gulag Orkestar» - pelo menos a julgar pelos dois temas que já escutámos.

Violinos, violoncelos, tamborins, congas, orgãos, pianos, ukuleles, parece valer tudo menos guitarras, que isso já pertence a outra cidade que não Beirut(e). Enquanto não deita mão ao disco inteiro, o Fusco mostra o caminho para dois grandes temas. Uma banda para seguir de perto.

A Venezuela que há em nós


Na Venezuela, para que o regime pudesse prosseguir sem quaisquer fotogramas de discórdia, foi encerrado o canal privado televisivo RCTV, que emitia desde 1953. O espaço de antena irá dar lugar à Televisora Venezuelana Social (Teves), que certamente contará com mais aparições de Chávez do que espreitadelas do Papa à janela do Vaticano.
Por cá, o governo lança guias de combate à corrupção - a incitar os funcionários públicos à denúncia -, exige aos serviços listas com o nome dos grevistas e suspende professores por piadas de gabinete.
Por vezes, liberdade de expressão e totalitarismo são apenas palavras giras destinadas aos quadradinhos do Pictionary.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Há ouro na Roménia



Contra todas as expectativas, a Palma de Ouro de Cannes foi atribuida ao filme “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, do romeno Cristian Mungiu, com um modesto orçamento de 600 mil euros. A história centra-se numa pequena cidade romena, durante os anos do comunismo, onde dois jovens estudantes se debatem com uma gravidez não desejada. Já o Grande Prémio foi atribuído a “A Floresta de Mogari”, da cineasta japonesa Naomi Kawase. Saúde-se Cannes. O cinema de autor está de volta.

Verde taça


O jogo foi disputado mas fraquinho. No final, e pelo que fizeram esta temporada, os leões mereceram levantar a Taça de Portugal. Liedson, com um killer instinct fora de série, foi uma vez mais o elo mais forte de uma equipa de engenhosos catraios. O Fusco, dragão e golfinho confesso, dá os parabéns a todos os reis e raínhas que frequentam - ou não - este espaço de delírio.

A verdade inatingível


Quem for ver «Zodiac» à espera de sair da sala de cinema a tremer que nem gelatina como em «Seven», ou aos saltos mortais como em «Fight Club», a desilusão será grande. Porém, estamos perante um grande filme. Confusos? O Fusco acende a luz.
Zodiac é um flme obsessivo sobre a obsessão. Um retrato claustrofóbico de como a demanda pela verdade pode causar danos irreparáveis, numa perseguição impossível aos fantasmas interiores que paralisam o tempo num instante derradeiro escondendo qualquer vislumbre de futuro. A realização, com planos calculados ao milímetro, é delirante. O problema é que o estilo a que Fincher nos habitou em «Seven» ou «Fight Club», de sobreposição de objectos intercalados por sons de fundo semelhantes a metal cortante, se mostra apenas em fugazes instantes, como na cena da busca ao atrelado ou na visita à cave do desenhador de cartazes. A paranóia, essa, continua presente a cada instante.
Digamos que Zodiac é um grande filme menor de David Fincher, uma espécie de documentário ao estilo de uma dissecação da mente humana em busca da verdade inatingível. No caminho da confrontação com os fantasmas, dessa viagem cortante ao centro da loucura, há quem se esconda, há quem sobreviva e há quem se perca para sempre. Seja qual for o caminho escolhido, as marcas dos fantasmas ficarão para sempre.

Mais famoso que Aquiles

Foi há vinte anos e um dia que o calcanhar de Madjer se tornou mais famoso que o de Aquiles. Contra uns convencidos alemães, que se divertiam a adivinhar por quantos golos iriam vencer os franzinos lusitanos, o Porto conquistava a sua primeira Taça dos Campeões. O Fusco recorda hoje um dos golos míticos da história do futebol. Parabéns aos que trouxeram de Viena a taça.

domingo, 27 de maio de 2007

Festa na areia


Já anda por aí o programa do 23º Festroia, este ano estendido na areia entre 1 e 10 de Junho. Mantêm-se as secções do costume, com a novidade de um prémio para curtas em formato digital. No site oficial está já disponível o programa aos retalhos, já que não existe um único local no renovado site onde seja apresentada uma lista completa dos filmes, para regalo dos olhos e da impressora. Fica o reparo de uma gaffe do tamanho do areal da Figueira da Foz. Outro apontamento é o das condições em que se encontra o Auditório Charlot. Como é hábito dizer na gíria futebolística, o terreno está impraticável para a prática da sétima arte. Condicionantes à parte, ficam os votos de um grande festival.
O Fusco deixa alguns destaques para esta edição:
La Lengua de las Mariposas (3 Junho, 11h00, Fórum)
Late Bloomers (5 Junho, 15h00, Fórum; 6 Junho, 24h00, Charlot)
The Violin (5 Junho, 17h30, Fórum)
Reprise (6 Junho, 17h30, Fórum)
The Art of Crying (7 Junho, 17h30, Fórum)
Borderpost (7 Junho, 21h30, Fórum)
After the Wedding (8 Junho, 15h00, Fórum; 9 Junho, 24h00, Charlot)
Aviva My Love (8 Junho, 21h30, Fórum; 9 Junho, 24h00, Fórum)
Hector (10 Junho, 11h00, Fórum)
Abre los Ojos (10 Junho, 15h00, Fórum)
The Dead Girl (1 Junho, 21h30, Charlot)
Secretos del Corazon (2 Junho, 15h00, Charlot)
Chalk (4 Junho, 21h30, Charlot)
Choking Man (8 Junho, 21h30, Charlot)

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Grandes almoços


Depois de um almoço requintado na ordem dos economistas, o engenheiro Mário Lino, actual ministro das obras públicas, discursou sobre a localização privilegiada do futuro aeroporto na Ota. Assumindo a pose e o discurso de um português típico e desinibido, comparou a margem sul a um deserto onde não há escolas, indústria, pessoas, em suma, onde não se passa absolutamente nada.
Com a clarividência e frontalidade de Lino, o Fusco acordou de um sono prolongado e descobriu que, afinal, vive num imenso descampado e que as escolas, as pessoas, as estradas e as fábricas que vê no dia a dia, devem ser resultado de uma tenebrosa alucinação motivada pela toma indevida e inocente de qualquer substância estragada.
José Sócrates, sobressaltado com a lábia popular mostrada pelos seus ministros e homens-sombra - Almeida Santos acredita que a ligação entre o norte e sul do país é feita exclusivamente por pontes -, já pensa em adoptar para o governo o slogan da prevenção rodoviária: se beber, não discurse.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Outra vez o mundo em Sines


Apesar da excelência já demontrada, o Festival de Músicas do Mundo (FMM) em Sines continua a querer crescer, como se fosse possível alargar as fronteiras do planeta ao espaço vazio que nos envolve para lá das estrelas. Para a edição de 2007 já se sabem muitas coisas: Porto Covo acolhe o festival nos dias 20, 21 e 22 de Julho; o Auditório do Centro de Artes de Sines, até agora apenas um ponto de passagem, junta-se ao enredo musical nos dias 23 e 24; quanto à grande festa entre a praia e o Castelo, estende-se de 25 a 28. Deliciem-se com um cartaz de sonho:
21: Don Byron Plays Junior Walker (Estados Unidos), Mamani Keita com Nicolas Repac (Mali/França) e Deti Picasso (Arménia/Rússia);
22: Djabe (Hungria), Rão Kyao e Karl Seglem (Portugal/Noruega) e Haydamaky (Ucrânia);
23: Marcel Kanche (França) e Ttukunak (País Basco)
24: Lulu Pena (Portugal) e Jacky Molard Acoustic Quartet (Bretanha)
25: Trilok Gurtu com Arkè String Quartet (Índia/Itália), Bellowhead (Reino Unido), Kasai All Stars (Congo) e Oki Dub Ainu Band (Japão);
26: Harry Manx (Canadá), Carlos Bica e Trio Azul com DJ Ill Vibe (Portugal/Estados Unidos/Alemanha), Tartit (Mali), Mahmoud Ahmed (Etiópia) Bitty McLean com Sly & Robbie (Reino Unido/Jamaica)
27: Aronas (Nova Zelândia/Austrália), Hamilton de Holanda Quinteto (Brasil), World Saxophone Quartet "Political Blues" (Estados Unidos) Rachid Taha (Argélia) e La Etruria Criminale Banda (Itália);
28: Norkst (Bretanha), e Erika Stucky e Roots of Communication (Suiça), K`Naan (Somália - na foto), Gogol Bordello (Estados Unidos/Ucrânia), Señor Coconut and his Orchestra feat. Argenis Brito (Chile/Alemanha).

Parabéns RG


Fez ontem um século que nasceu Georges Remi, primeiro RG e finalmente Hergé, desenhador que conseguiu transmitir ao pálido desenho a duas dimensões sensações intensas de mistério e vertigem. Foi da sua imaginação que nasceu Tintim, um repórter quase-herói com uma insaciável sede de aventura. Onde quer que esteja, para lá das fronteiras terráqueas, deve ter passado o aniversário perdido no mundo dos desenhos, soprando as velas de um bolo animado. Parabéns Hergé!

Fios com vida


Como nem só de música e cinema se alimentam os festivais deste país, também as marionetas e outras formas animadas vão ter direito ao seu espaço . De 31 de Maio a 10 de Junho, dividido pelo Teatro Maria Matos, Museu da Marioneta, Teatro Trindade e Centro Cultural de Belém, o FIMFA Lx 7 vai mostrar toda a vida e magia que se esconde por detrás do teatro de marionetas. O programa inclui também uma componente laboratorial e experimental, com workshops (destinados a profissionais), exposições, conferências e outras actividades.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Super-homem de olhos no cesto


A NBA pode ser a sigla mágica e pouco secreta para uma delirante liga mundial de clubes, mas em Portugal a final da Liga UZO está a ser jogada a um nível electrizante. Esta noite o Porto, contando com um inspirado John Whorton (na foto) que mais parecia um super-homem de olhos postos no cesto, voltou a vencer a Ovarense em campo alheio (82-76), e está a apenas uma vitória do título (vence por 3-2). Na próxima quinta-feira veremos se os dragões festejam outra conquista ou se o jogo da negra vai ser jogado em terra de vareiros.
Quanto à NBA, jogam-se já as finais de conferência. No lado este, os Pistons vencem os cavs por 1-0; já a oeste os Spurs ganham balanço e vencem também por 1-0 os Jazz (o segundo jogo é esta noite).

Teenage angst


Depois de um negro e intimista hat-trick cinéfilo sobre a juventude constituído por «Gerry» (2002), «Elephant» (2003) e «Last Days» (2005), Gus Van Sant apresentou no Festival de Cannes o filme «Paranoid Park», um novo olhar sobre a angústia da adolescência.
O filme conta a história de Alex, um miúdo que por acidente mata um segurança numa das suas escapadelas nocturnas montado num tábua de skate. Entre o divórcio dos pais e uma confusa relação amorosa, Alex vai tentar encontrar uma forma de limpar a consciência, afastando a culpa e o remorso de um devorador silêncio.
A julgar pelas críticas que falam em aplausos nos screenings, estaremos diante de mais um pedaço fílmico a remeter para a poesia. Falam-se em planos como quadros, evoca-se a música imagética de Nino Rota e Elliott Smith, elogia-se uma fotografia de sonho (pela mão de Christopher Doyle, ex-colaborador habitual de Wong Kar-Wai). Diz-se que Van Sant sabe, melhor que ninguém, filmar a forma de comunicar dos jovens: nada é feito com grande entusiasmo ou convicção, e não há espaço para grandes discursos ou momentos épicos. A estreia na Lusitânia só deve acontecer lá para 2008. Resta-nos a espera.

Cuidado com a Monstra!


De ontem e até 27 de Maio, o Teatro Maria Matos e o Cinema King acolhem a 6ª edição da Mostra - Festival de Animação de Lisboa, onde a Rússia é o país convidado. Por Lisboa vão passar vários realizadores russos para apresentar os seus filmes e dirigir algumas aulas de cinema de animação. Alexander Petrov, Valentin Telegin e Michael Aldashin são alguns dos nomes confirmados. Já Fyodor Khytruc terá direito a uma retrospectiva só para ele. Este ano, pela primeira vez, o Festival conta com uma secção competitiva na qual concorrem oito longas-metragens.

Eventos musicais, noites de cinema que se estendem com a actuação de dj’s no Maria Matos, workshops e sessões especiais para escolas e crianças são alguns dos pontos que compõem o programa deste sexto ano de Monstra.

Todo o encanto no clube do sabonete


Há dias o Fusco falou da descoberta de «Little Things» (2004), uma pérola musical de um anjo de nome Hanne Hukkelberg. A boa notícia é que a rapariga tem visita marcada para a Lusitânia, mais precisamente uma ida nocturna ao clube do sabonete. «Rykestrasse 68», o segundo longa-duração editado este ano, será o mote para um concerto que se espera mágico. A juntar ao encantamento, a cantora vem acompanhada por elementos dos Jagga Jazzist, Kaada, Shining and Exploding Plastix. Imperdível. Dia 15 de Junho às 23 horas.
Para um festim fotográfico de uma das actuações de Hukkelberg sigam por aqui.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Por terra batida


Ao fim de 81 jogos de invencibilidade Rafel Nadal, o rei interplanetário da superfície mais lenta do ténis, caiu por terra (batida) aos pés de Roger Federer (6-2, 2-6, 6-0 na final da etapa Masters de Hamburgo). Está assim provado que o suiço pode vencer em Roland Garros, e quem sabe conquistar as quatro provas do Grand Slam em 2007. O desafio continua de pé.

Pequenos milagres


O Senhor do Bonfim não é grande, é enorme! Se não foi desta acho que nunca mais descemos. Parabéns ao Vitória!

Finalmente o fogo


Depois de muitos sustos e de o complexo Mamede quase ter levado a melhor, o grande fêquêpê conquistou o troféu mais apetecível da lusitânia. Parabéns dragões!

sábado, 19 de maio de 2007

Deja vu na hora do adeus



Foi em alta que José Mourinho terminou a sua saga no Chelski onde, em apenas três anos, conquistou uma mão cheia e mais um dedo de títulos: dois campeonatos, duas taças da liga, uma supertaça e uma taça de Inglaterra. Em Wembley, frente a um motivado United, Drogba acordou no prolongamento e resolveu a contenda com um toque de bailarino genial. Os blues evitavam a dobradinha em tons de vermelho e, pelas mãos dos mestres Lampard e Terry, ergueram o troféu mais antigo da história do futebol. Merecidamente, diga-se. Paulo Ferreira, para o Fusco o melhor defesa direito do planeta, fez de Ronaldo um gatinho sem unhas, totalmente inofensivo. Londres vestiu-se de azul e branco e acabou com os barris de cerveja.

No final do jogo, Drogba fintou os companheiros de equipa e correu em direcção ao balneário para abraçar Mourinho que, na hora da despedida e a lembrar um deja vu ocorrido na final da Champions ao serviço do clube do animal imaginário, foi comemorar sozinho para o duche a anunciar o adeus à nação. Que clube se seguirá aos blues? A Inglaterra está vista, Madrid já esteve mais perto, talvez o país da bota seja o melhor destino. Onde quer que seja, Mourinho levará consigo uma equipa técnica de confiança, um mau-feitio do caraças, um estilo de dandy dos tempos modernos, o estatuto de melhor treinador do mundo e um orgulho sincero de ser português. Parabéns mister!

Há depressões que vêm por bem


Confesso contestatário da filmografia de Lars Von Trier, bem como das suas pseudo teorias de génio em que reivindica para o cinema a estética Dogma 95 - movimento moralista que defende restrições técnicas e tecnológicas como a impossibilidade de utilizar iluminação artificial ou a manipulação sonora -, foi com alegria que o Fusco recebeu a notícia de que o realizador se encontra mergulhado num depressão profunda, sem saber o que há-de fazer com as bobines virgens que tem lá para casa. Pode ser que, com a toma correcta de medicamentos, o dinamarquês se torne numa pessoa mais feliz, deixando de fazer da humilhação o único sentimento capaz de mudar o mudo. Como diz o velho ditado, há depressões que vêm por bem...

Um grande comício


A malta do Bloc(o) encheu ontem o Coliseu dos Recreios, fazendo lembrar um aceso e movimentado comício dos tempos pós-revolução. Em acesa discussão estiveram duas linhas orientadoras para o futuro do partido: de um lado «Silent Alarm», baseado em princípios mais esquerdinos, com ritmos desenfreados, refrões espontâneos e um convite ao protesto sob a forma de saltos na vertical; do outro «A Weekend in the City», promovido por uma facção mais centrista e liberal, num manifesto onde se nota o calculismo ao nível da construção de melodias, convergindo para refrões pensados para serem cantados por uma multidão domesticada.
Para os Bloc Party, a julgar pelos muitos seguidores a quem só faltou levar bandeiras, cornetas e fitas de carnaval, o futuro é radioso. Resta saber que manifesto político os filiados irão escolher, e a quem irão tentar roubar votos para conquistar lugares no parlamento musical do planeta. Para o Fusco não restam dúvidas. A mensagem expressa em «Silent Alarm» representa um mundo bem mais harmonioso, com muita imaginação e pouco espírito mercantilista. Num Coliseu como há muito não se via, a festa fez-se em grande. O próximo comício está já marcado: SBSR, dia 3 de Julho. Até lá!

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Até ao último microsegundo


Este ano, o campeonato lusitano de futebol ameaça decidir-se no último microsegundo. Pela primeira vez na história, desde os tempos ancestrais em que se jogava com chuteiras parecidas com tamancos, os três chamados grandes podem sonhar com a conquista da taça. Em termos de percentagem e probabilidades, a coisa andará mais ou menos assim: Porto - 80%; Sporting - 19%; Benfica - 1%. Para o Fusco, a sorte grande vai sair ao clube do animal imaginário. Gripe das aves já era.
No hemisfério mais inclinado, o da descida a um campeonato com pouco glamour, o tira-teimas vai ser entre três equipas: Aves, Beira Mar e Vitória de Setúbal. Apesar de o cenário estar envolto em brumas mais negras que os fatos dos morcegos académicos, o Fusco acredita que a fava vai sair aos clubes mais a norte, ficando o enorme Vitória a divertir-se com o brinde. É fazer figas...

Um pouco de groove



Com um calor demoníaco a convidar o corpo a uma lanzeira desmedida, o Fusco recorda um dos temas míticos do universo dançante feito de bolas coloridas de todas as cores. Ladies & gentleman, «Groove is in the Heart», dos Deee-Lite. Que terá sido feito desta gente?

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Todo o bloco em festa


É já amanhã que os Bloc Party nos fazem nova visita, desta vez com uma sala só para si. Depois de um disco muito bom e um outro a puxar para o fraquinho, a prova dos 9 será tirada ao vivo. Coliseu dos Recreios, Lisboa, a bater nas 21h00.




Torneiras da legalidade


Para quem prefere o formato mp3 às rodelas plásticas ou ao bom do vinyl, o Fusco aponta a direcção de sete torneiras onde se bebe a água fresquinha da legalidade. Ficam os caminhos para música boa, barata e até algumas borlas: Bleep, emusic, HMV, iTunes, junodownload, Napster e Rhapsody.

Ípsilon vira psicótico


O Público de amanhã, mais propriamente o suplemento Ípsilon, vai ser daqueles para guardar religiosamente na caixa dos papéis que, por nada deste mundo, podem ir parar ao contentor da reciclagem. No dia seguinte à estreia nacional de «Zodiac», a mais recente aventura cinéfila do entusiasmante David Fincher, o Ípsilon dedica um especial ao realizador com um título mais ou menos assim: «O novo David Fincher e a obsessão e paranóia pelo crime». Só por isto vale a pena comprar o melhor jornal impresso em terras lusas.

Curtas no Todi



Integrada no programa "ArtFest 2007" - uma mostra do que por aí se vai fazendo nos meandros artísticos nacionais -, o Fórum Municipal Luísa Todi propõe para esta noite uma selecção de oito filmes premiados nas categorias de ficção, documentário e animação. As claquetes fecham-se às 21h30.

Querido Mateus


O Lux, o mais dançante ex-libris da grande alface, vai hoje receber a visita de um dos mestres da composição minimalista, uma espécie de Philip Glass do universo do tecno e do planeta house. Como Jekyll & Hyde, Matthew Dear vai actuar sob a síndrome das duas personalidade: ele próprio e Audion.
Nascido em Detroit, Matthew abraçou a via do tecno minimalista e do house em contornos ténues, tornando-se num dj e produtor dedicado à causa nobre de provocar muita excitação com o mínimo possível de sons - seria um bom ministro das finanças para a lusitânia. Fria, cerebral mas verdadeiramente emotiva, eis uma tentativa de descrever a sonoridade do querido mateus. Uma noite a não perder para os amantes da dança, que certamente irão sair do Lux tarde e a más horas, encharcados num suor onde nada a felicidade.

1 ano e um dia depois


Há um ano e mais um dia o Fusco publicava o seu primeiro post, sobre um grupo de mutantes armados em heróis com o estranho nome de X-Men. Portanto, parabéns para nós!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Oh tempo, volta pa trás



Com «Volta» (2007), sexta aventura em formato longa-duração, Bjork disse querer afastar-se do lado sério mostrado em trabalhos como «Medúlla» ou «Drawing Restraint 9» - banda sonora de um filme demasiado pretensioso. Porém, se assistimos a uma tentativa de regresso da islandesa ao universo dos parques de diversão, existem agora nuvens, sombras e negrume onde antes apenas espreitavam as cores do arco-íris - falamos dos delirantes «Post» (1995) e «Homogenic» (1997). «Volta» está longe de ser um mau disco, mas para quem queria brincar outra vez com a pop, o resultado foi algo parecido a viver a juventude fora de prazo. Há discos que só se fazem uma vez. E o tempo, esse, não volta atrás.

Alentejo islâmico



Para mostrar o que acontece do outro lado do Mediterrâneo, a Câmara de Mértola organiza pela quarta vez o Festival Islâmico, que invade ruas, becos e ruelas do centro histórico. A cidade transforma-se numa ainimada medina islâmica, onde as cores vivas dos panos se misturam com os excitantes cheiros das especiarias. Artesanato, música - Baba Zula (Turquia), Moulay Sherif (Marrocos), Aida Nadem (Iraque) -, conferências, exposições, colóquios e gastronomia são razões suficientes para dar uma saltada ao belo Alentejo. Conheça o programa completo.

O triunfo do imaginário


Porque nem só de gente sentada ou celebrações medievais vive Santa Maria da Feira, a cidade com castelo altaneiro vai receber a 7ª edição do Imaginarius, Festival Internacional de Teatro de Rua.
De 17 a 19 de Maio vão estar em destaque quatro produções próprias - "Donzela", "Teatro e Matrimónio", "Market Platz 2" e "O Canto das Sirenes encontra o Fado" - e uma instalação permanente do brasileiro Zenildo Barreto, um projecto da Associação Sete Sóis Sete Luas. O site oficial está aqui.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Os outrora reis de Leão e Castela



Pode dizer-se que os Kings of Leon estão um bocado mais betosos, que perderam muito daquele ar de rockers a cheirar ao pó da estrada ou de quem anda em tournée num autocarro com algumas décadas nas rodas, jantes e armações. «Because of the Times», terceiro longa-duração da banda, é de todos o mais polido musicalmente, longe do entusiasmo mostrado em «Youth & Young Manhood» (2003). Estaremos perante mais um caso de promessa por cumprir? O Fusco dá-lhe um suficiente menos.

Cinema por um Cannes



Começa já amanhã um dos mais entusiasmantes festivais de cinema do planeta, o Festival de Cannes - que em 2007 comemora 6o edições. A abrir as hostilidades será apresentado «My Blueberry Nights», do realizador chinês Wong Kar Wai (com Jude Law, Natalie Portman e Norah Jones nos principais papéis).

Durante 11 dias, o festim cinematográfico vai incluir filmes de Quentin Tarantino («Death Proof»), irmãos Coen («No Country for Old Men», adaptação de um romance de Cormac McCarthy), Gus Van Sant («Paranoid Park»), Emir Kusturica («Promise me This»), David Fincher («Zodiac», com estreia marcada para dia 17 na Lusitânia) ou Marjane Satrapi (com «Persepolis», versão animada da sua BD homónima). Saiba tudo aqui.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Italiazinha


Depois de em Cannes se ter banhado a ouro com «O Quarto do Filho», Nanni Moretti mergulhou num hiato cinéfilo de cinco anos. Se com o anterior filme partilhávamos a dor da perda de um filho, soltando lágrimas até ao ponto onde se tornava possível começar de novo, «O Caimão» marca o regresso ao activismo político tão amado por Moretti.

Bruno Bonomo é um produtor à beira da falência e da ruptura sentimental, que vive de recordações dos tempos em que fazia filmes da série Z. No culminar do desespero e ao dar de caras com um guião de uma jovem realizadora, Bruno assimila o grande projecto de realizar um filme sobre o caimão Silvio Berlusconi. Esse entusiasmo leva-o, de uma forma feliz, a recuperar uma dignidade há muito perdida. Através do olhar de personagens desesperadas percebemos a vergonha daqueles que, um dia, fizeram do caimão o maior burguês do país. Acreditaram numa grande Itália. Saiu-lhes uma Italiazinha.

«História Trágica com Final Feliz», curta-metragem que abre o pano para «O Caimão», é um fantástico hino à animação e à poesia, do melhor que se pode encontrar no vasto reino do cinema servido em doses temporais mínimas.

O princípio do fim


Depois da notícia da presença dos The Editors no Festival Sudoeste lá mais para o Verão, foi esta semana revelado o alinhamento de «An End Has a Start», sucessor do fantástico «The Back Room». No myspace dos rapazes está já disponível para escuta o tema «Smokers Outside The Hospital Doors».

domingo, 13 de maio de 2007

Arte na rua



Na edição de Maio, a revista PlayMusicMagazine dedica um especial às artes de rua, numa viagem por quatro cidades do planeta: Berlin, Londres, Tokyo e Nova Iorque. Vale uma espreitadela.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

A festa dos cadáveres


Depois de há trinta anos se ter inventado uma técnica de nome polimerização (que permite ver detalhadamente a fisionomia e os vários sistemas do corpo humano), eis que chega à Lusitânia "Bodies - the exhibition" (por cá vai chamar-se "O corpo humano como nunca o viu"), exposição que mostra corpos humanos reais preservados segundo esse processo.
São 17 corpos inteiros e cerca de 270 órgãos - ou partes de corpos - que o público poderá ver, em pormenor e até Setembro, no Palácio dos Condes do Restelo. Quanto ao Fusco, facilmente impressionável, vai ficar por casa.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Uma nova ordem


Os New Order, banda nascida das cinzas dos esquizofrénicos Joy Division, anunciaram o fim de todas as emissões de origem sonora. Em vez de ficar aqui a chorar a morte de uma das suas bandas de adolescência, o Fusco partilha com a nação alguns dos temas compostos por esta banda mítica. Até sempre.



quarta-feira, 9 de maio de 2007

Os primórdios da sétima arte no papel


De amanhã até 24 de Junho, a Cordoaria Nacional recebe cerca de 60 cartazes de filmes produzidos entre 1904-1916, período áureo do cinema mudo. A exposição, patente na Galeria Torreão Nascente, tem o nome de "Cinema em Cartaz - Colecção Internacional de Cartazes dos Primórdios do Cinema".

A colecção apresentada reúne cartazes de grandes dimensões (2,80m x 3,20m), com predominância de filmes europeus. O cartaz mais antigo é de 1904 e apresenta o filme "La Grève", produzido pela Pathé Frères e realizado por Ferdinand Zecca.

Esta colecção de cartazes foi reunida por Joaquim António Viegas (1874-1946), cenógrafo, que trabalhou em várias salas de espectáculos e conseguiu obter cartazes de filmes que vinham para distribuição em Portugal. Para ver de perto.

Pequenas grandes coisas


Por muito que tentemos, há acordes que nos vão escapando aos sentidos. Porém, quando os descobrimos anos mais tarde, a sensação que permanece é a de termos desenterrado um tesouro. «Little Things», editado no ano de 2004, foi um desses baús, encontrado numa praia deserta norueguesa.
O mundo está cheio de cantoras de voz doce, mas é já difícil encontrar alguma originalidade no meio de tanto cantorio, composição e palminhos de cara. Hanne Hukkelberg, porém, é um caso bem diferente. Vibrafones, metalofones, acordeons, aros de roda de bicicleta, órgãos antigos, vidros, pianos de brinquedo, caixinhas de música, tudo serve para transformar «Little Things» num disco infantilmente genial, que soa como se tivesse sido gravado num sotão atafulhado de brinquedos delirantes. Pequenos temas para um disco gigante.


terça-feira, 8 de maio de 2007

Jorge Miguel de visita ao burgo


Depois de ter visto a sua carreira a descer por um cano, andando anos na má vida das drogas e do sexo desenfreado (esta parte não será má vida), George Michael (ou Jorge Miguel) decidiu relançar a sua carreira. Aos quarenta e muitos, o rapaz visita pela primeira vez a Lusitânia, mais dando início a uma tournée europeia. O concerto, no estádio Coimbra Municipal, é já no próximo sábado, mas nem metade dos 40000 bilhetes se venderam ainda. O Fusco recorda a época gloriosa de Jorge Miguel, então ao serviço dos Wham. Enjoy.

A época por um cesto


O hóquei em patins já era. O futebol não é mais que uma miragem. O andebol, se for amigo, oferece o terceiro lugar. Resta, «àquele que não se pode dizer o nome», o basquetebol para dizer que ganharam qualquer coisinha este ano. O jogo da negra (neste momento regista-se um 2-2), contra a equipa do animal imaginário, disputa-se hoje à noite na grande alface (21h00 na SportTv 2). Quanto ao primeiro finalista tem o nome de Ovarense. No tira-teimas, os de Ovar cilindraram a Lusitânia por 92-55. Quanto à NBA, os Detroit Pistons estão bem e recomendam-se (vencem os Bulls por 2-0 numa das meias-finais da conferência este). Mas disso o Fusco falará mais para a frente, porque a vida não é só bola (onde é que eu já ouvi isto?).

Em nome do móvel


Isto de se ser um adepto apaixonado tem coisas de que nem o marketeer mais diabólico e implacável se lembraria. Convicto de que a conquista do título é tudo menos uma miragem, Manuel Costa, ferveroso adepto do clube do rei da selva, lançou uma petição online dirigida à Associação Empresarial de Paços de Ferreira (AEPF).
Nesse documento, os subscritores prometem solenemente: "Caso o FC de Paços de Ferreira ganhe ao FC Porto e o Sporting se torne campeão nacional, só comprarão os seus móveis em Paços de Ferreira e não voltarão a entrar numa loja Ikea" - que recentemente abriu uma loja pouco tradicional na capital do móvel.
Rumores há que os adeptos do clube do animal imaginário preparam uma outra petição que dirá mais ou menos o seguinte: «Caso a Académica ganhe ao Sporting, os subscritores desta petição apenas comprarão, e apenas irão sugerir aos pais, amigos e conhecidos, que adquiram as suas capas e batinas na cidade de Coimbra. Além disso, prometem ir à Queima das Fitas de Coimbra de dois em dois anos».

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Tanta dor num homem só



Em 1868, Isidore Ducasse, pseudónimo para o Conde de Lautréamont, decidiu colocar no papel todo o ódio que destilavaem relação a deus e ao homem. O resultado foi o nascimento de uma das obras mais violentas, macabras, obscenas e fascinantes da literatura mundial, que ficou conhecida como «Os Cantos de Maldoror».

Depois da experiência bem sucedida que foi «Müller no Hotel Hessischer Hof», peça musical encenada e interpretada a partir de textos de Heiner Müller, os Mão Morta adaptam a obra de Lautréamont sob o nome de «Maldoror». No seu site oficial, a banda de arcebispos promete «um espectáculo singular onde a música brinca com o teatro, o vídeo e a declamação». A estreia nacional acontece nos dias 11 e 12 de Maio no Theatro Circo, Braga.

Um diabo que fala português


No ano em que assumiu como o melhor jogador do mundo, Cristiano Ronaldo ofereceu ao Manchester United a conquista do 16º título nacional de Inglaterra. Além das fintas estonteantes e das assistências de semear o delírio entre a assistência, o diabo vermelho português apontou até agora 17 golos, apenas menos dois que Drogba. O campeonato assenta-lhe que nem uma chuteira.

Hilton Jail


Paris Hilton, a herdeira da imensa cadeia de hotéis Hilton, vai ver o sol nascer aos quadradinhos durante 45 dias. E não há cá trabalho cívico ou pulseiras electrónicas alternativas, o juíz quer mesmo que a rapariga aprenda a não conduzir sob o efeito do álcool ou com a carta suspensa.
A defesa irá apresentar recurso, mas a data de entrada na cadeia de hotéis presidiários está marcada para dia 5 de Junho. Se o dinheiro não falar mais alto e a lei americana não der um passo atrás no julgado, sugere-se que o exemplo possa também ser aplicado em Portugal. Sobretudo a jogadores de futebol que confundem o asfalto com gigantescos prados de relva ou a ministros com falta de pontualidade.