segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Campos magnéticos a abrir 2008



A boa nova foi finalmente anunciada. Depois do festim gastronómico natalício e de um regime em estado líquido no virar de ano, Janeiro traz ao mundo «Distortion», o novo disco dos Magnetic Fields.

Simulando um épico fogo-de-artifício, o Fusco recorda aqui algumas das pérolas de «69 Love Songs», porventura o melhor disco de toda a história da música.

sábado, 27 de Outubro de 2007

Em todo o lado e em parte alguma



Será, muito provavelmente, um dos mais estranhos projectos que a história do cinema conheceu. «I`m not there», falso biopic de Todd Haynes sobre a vida de Bob Dylan, é um filme inspirado nas canções e nas muitas vidas que o cantor assumiu ao longo de um percurso feito de desvios. Para dar vida a Dylan, várias personagens e actores - entre os quais Cate Blanchett - habitam um filme que, na última edição do Festival de Veneza, recebeu o prémio especial do júri.

Da banda-sonora de 34 temas o Fusco mostra o caminho para três: «Ring Them Bells» , por Sufjan Stevens, «Goin` to Acapulco», por Jim James com os Calexico e «Stuck Inside of Mobile with Memphis Blues Again», pela diva Cat Power. O pacote completo estará nas lojas a partir da próxima segunda-feira. Quanto ao filme, vamos ter de esperar até 21 de Novembro.

Homenagens ao patrão



Aproveitando a recente invasão de palco que os arcadianos Win Butler e Regina Chassagne fizeram num concerto de Bruce Springsteen, a edição on-line da Q4Music decidiu recordar alguns dos tributos prestados pela indústria ao Patrão, do folk delicado ao rock de dentes arreganhados.

O Fusco aponta o caminho da homenagem, com especial destaque para a recriação de «Mansion on the Hill», pelos The National.



Josh Ritter – The River
Bat For Lashes – I’m On Fire
Patty Griffin – Racing In The Street
Bettye LaVette – Streets Of Philadelphia
Rage Against The Machine – The Ghost Of Tom Joad

De que cor são os teus sonhos?



Ao terceiro disco, David Fonseca deixou que a luz do sol entrasse de rompante no seu quarto, passeasse pela sua casa e travasse amizade com a sua imaginação.

«Dreams in Colour» deixou de lado a melancolia e o negrume para mergulhar, com energia olímpica, nas águas criativas de uma piscina pop cheia de nadadores atrevidos.

Depois de várias audições, apetece perguntar: De que cor são os teus sonhos, David?. A resposta andará, certamente, muito perto disto: de todas as cores que te consigas lembrar. Quatro aguarelas numa caixa mágica de cinco.

sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

De novo a fantasia



Agora que Owen Pallett - nome escondido atrás do projecto Final Fantasy - volta a ser notícia pela colaboração com Alex Turner, vocalista dos Artic Monkeys que se lançou num projecto a solo, o Fusco recupera alguns momentos do percurso de um músico exemplar que, além de já nos ter oferecido dois excelentes discos - «Has a Good Home» (2005) e «He Poos Clouds» (2006) -, participou também em obras-primas de bandas como Arcade Fire ou Beirut.

Fica o caminho para um estranho e inesperado cover de «Fantasy», da suspeita Mariah Carrey, a homenagem críptica de Pallett aos arcadianos Win Butler e Regine Chassagne, sob o nome de "This Is The Dream Of Win And Regine" e uma versão muito pessoal de «No Cars Go», dos Arcade Fire.

Para acabar em beleza, anuncia-se para 2008 o novo disco de Final Fantasy, que se irá chamar «Heartland». O nosso coração já bate.

quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

A strange kind of...concert



Peter Murphy, um dos porta-vozes do mundo das sombras, vem à Lusitânia para um concerto no mínimo estranho. Não por o acontecimento ter lugar a norte do país, antes pela escolha do local - Pavilhão Municipal de Vila Nova de Gaia - e do preço do bilhete - 10 euros. Enquanto o dia 30 de Novembro não chega, tempo para recordar alguns temas do corvo Murphy: a solo e na boa companhia dos Bauhaus.

domingo, 21 de Outubro de 2007

Dez anos de excelência



Poucas bandas podem gabar-se de chegar a uma década de existência inovando em estilo e mantendo a criatividade em níveis muito próximos da excelência. É certo que os Eels, assim como os Divine Comedy, são uma banda de um homem só, tendo mudado de formação como «aquele que não se pode dizer o nome» muda de jogadores todos os anos. No caso dos Eels, falamos em Mark Oliver Everett, cantor, compositor e letrista, conhecido simplesmente como E ou, em ocasiões mais dadas à formalidade, Mr. E.

A celebração dos dez anos vai acontecer com a edição de duas compilações - «Meet The Eels: Essential Eels 1996-2006 Vol. 1» e «Eels Useless Trinkets: B-Sides, Soundtracks, Rarities and Unreleased 1996-2006» -, que farão a retrospectiva de uma banda que já navegou do mar agitado do folk rústico às águas mansas e cristalinas da pop barroca.

A primeira colecta vai debruçar-se sobre as várias cerejas que os Eels colocaram em cima dos deliciosos bolos cozinhados desde 1996. Já a segunda será um pouco mais desviante, devendo apresentar algumas surpresas. Ambas as compilações virão acompanhadas de um DVD, notas pessoais de Mr. E sobre cada um dos temas, fotografias e, de acordo com um press release da banda, alguns artefactos. O mistério será desvendado no dia 15 de Janeiro...

sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

Proposta de casamento



Aos 23 anos, depois de uma temporada onde foi música contratada dos The Polyphonic Spree e da banda que acompanha Sufjan Stevens pelo planeta, Annie Clark decidiu-se por uma carreira a solo a que deu o nome de St. Vincent. «Marry Me», um convite a puxar para o sério, foi o nome escolhido para o primeiro disco.

O Fusco deixa os cinco temas a que conseguiu deitar os ouvidos, onde se multiplicam esilos, se desdobram instrumentos e se cantam os devaneios de alguém prestes a chegar a meio da segunda década de existência. Depois da candura floral de espécies como Cat Power, Laura Veirs ou Joanna Newsom, o universo feminino descobriu uma espécie rara: um cacto alimentado a abraços. Um nome para seguir de perto.

Alquimista em regime de after-hours



Kurt Wagner, temporariamente afastado dos Lambchop para uma aventura a solo, enganou o relógio do alquimista e tocou perto de duas horas. Em destaque estiveram temas novos, havendo pouco espaço para digerir as mais saborosas costeletas de carneiro do planeta. Começou com o génio à solta, encetou um curto passeio nas margens do tédio mas ainda chegou a tempo de terminar a visita à Lusitânia em grande estilo. O espaço cénico criado, onde numa corda de roupa as letras eram penduradas depois de as canções terem cessado - assim como alguns cigarros -, ajudou a que pudéssemos imaginar Wagner no seu quarto, em puro devaneio, acedendo por momentos à intimidade da composição wagneriana. Na próxima visita, que traga os amigos.



Na primeira parte, Mazgani mostrou-se ao Alquimista em nome próprio, sem espaço para refúgio em orquestrações. É certo que estava nervoso, que citou nomes e pensamentos alheios mais do que contou histórias em nome próprio - como a de alguém que numa rádio disse «não sei cantar mas sou um grande fadista» -, que entre músicas a sua voz tremeu e quase se transformou em murmúrio. Porém, na arte de cantar, tocar e transmitir emoções em carne viva, estivémos na presença de um pequeno deus. «Song Of The New Heart», disco de estreia, merece entrada directa no reino dos tops.

Kurt Wagner + Mazgani (Santiago Alquimista, 17/10/2007)

A dança dos bravos



«Brava Dança», filme-documentário realizado por José Francisco Pinheiro e Jorge Pereirinha Pires que retrata a ascensão e queda dos Heróis do Mar, passa hoje no canal 2 (23h30). Imagens raras da banda portuguesa, testemunhos dos cinco membros do grupo e de outras figuras da cena musical e cultural dos anos 80 numa sessão nocturna a não perder.

quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Fitas avulso

Num tempo que tem sido de vacas cinéfilas a tender para o magro, o Fusco deixa algumas notas sobre as últimas imagens vistas em écran de grande dimensão.



«Death at a Funeral» é uma versão politicamente incorrecta de «Quatro Casamentos e um Funeral», onde o romance e a lágrima no canto do olho dão lugar ao sarcasmo, à insolência e a uma história mergulhada em mescalina de primeira categoria. Um dos mais engraçados filmes do ano, que exulta a comédia como uma arte capaz de subsistir fora do riso imbecil. Dean Craig é o responsável por um grande argumento.



Nascido a partir de um livro de Neil Gaiman, um dos mestres na ilustração do fantástico, «Stardust» conta-nos a demanda de um rapaz em busca de uma estrela cadente, uma espécie de capricho que poderá fazer com que Victoria, a rapariga mais gira em toda Wall, o escolha como futuro noivo em vez do pretensioso Humphrey. Um filme onde se retrata o fim da adolescência, a procura da eterna juventude e em como, por vezes, tornamos invisível a felicidade que se encontra mesmo em frente dos olhos. De Niro e a sua embarcação de piratas, um acrescento ao livro, é uma mais-valia do tamanho do universo.



«The Host» (A Criatura), criação coreana que se aventura no mundo dos monstros, é uma agradável surpresa. Uma família disfuncional - um pai que descurou o crescimento dos filhos, um filho que se deixa dormir constantemente por falta de proteínas enquanto jovem, uma atiradora ao arco olímpica que demora sempre um instante a mais para soltar a flecha, um outro irmão em estado de alcoolismo profundo -, volta a juntar-se para procurar o seu membro mais jovem num dos esgotos da cidade, depois de a jovem sido raptada por uma criatura que cresceu no rio Han devido a uma descarga massiva de formol. Um filme que, nas entrelinhas, é uma crítica aos governos, à sua forma opressiva de lidar com a população em alturas de pânico, um alerta vermelho para a devastação ambiental que sacode o mundo.

segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

Doc! Doc!



À quinta edição, não será demais dizer que o doclisboa, festival exclusivamente dedicado ao cinema documental, se afirmou como um dos mais interessantes do país.

Este ano existem algumas novidades, como a passagem de filmes no Cinema Londres ou a Maratonadoc que vai decorrer no São Jorge. Durante onze dias podem ser vistos mais de 120 filmes: em competição, integrando secções com nomes simpáticos como Vento Norte ou fazendo parte de uma retrospectiva dedicada a Lech Kowalski.

Os destaques do Fusco vão para a estreia nacional de «When The Levees Broke: A Requiem in Four Acts», de Spike Lee, «Jesus Camp» (trailer), de David Redmon e Ashley Sabin, e outros documentários que fazem com que a América se olhe ao espelho e empalideça de vergonha - como «Sicko», de Michael Moore, ou «Manufacturing Dissent» (trailer), onde os canadianos Rick Caine e Debbie Melnyk tentam mostrar Moore como uma fraude (ver última edição do Y). Uma edição que muito promete.

Programa
Dossier de Imprensa

domingo, 14 de Outubro de 2007

Triunfo contra todas as adversidades



Fosse por encontros imediatos de velhas amizades - que aproveitaram a ocasião para pôr a conversa em dia - ou um clima de bar que estendia o ruído como uma passadeira até ao centro do salão, os Mazgani venceram as adversidades típicas de uma cidade plantada à beira-mar e mostraram, ontem na Capricho, toda a razão de ser do burburinho criado à sua volta.

Escutaram-se músicas onde reina a vertigem da angústia, o espectro da derrota, a procura da identidade como a única forma de domesticar o peso do mundo. Victor Coimbra, que se estreou com distinção, convoca as sombras e o lado negro; Rui David trata a bateria como um ser vivo, emissor de batimentos cardíacos delicados; Sérgio Mendes desliza nas cordas celebrando os sons primários da natureza; quanto a Shahryar, canta com a parte da alma reservada ao exorcismo da dor e à celebração da vida, por muito escura que seja.

Na entrevista ao Y e citando Rilke, Shahryar dizia que «se deve estar sempre a começar e que falhar é a única possibilidade». No que diz respeito aos Mazgani, o tempo do falhanço e da queda é já uma miragem. É altura de pular bem alto.

sábado, 13 de Outubro de 2007

A caminho da terra dos cangurus



No Drowned in Sound deparámo-nos com uma entrevista com Jens Lekman, onde entre inúmeras coisas ficámos a saber que o rapaz pilotou um avião sem saber nada sobre artes esvoaçantes ou manobras de aterragem, que sempre olhou de soslaio para os cantorios de Morrissey por associá-lo aos colegas de liceu gozões e emproados, que está a caminho da Austrália para um ano sabático e que, basicamente, escreve sobre todas as mulheres que o impressionam, como por exemplo a cabeleireira Shirin.

Como prenda de fim-de-semana, deixamos o videoclip para «Sipping on Sweet Nectar», um tema embebido no espírito Eurodisco que ficaria a matar como tema de abertura para a série Loveboat.

sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

Bolo ao mar!



Os The Sea and Cake, colectivo de Chicago, vão actuar a 27 de Outubro na Galeria Zé dos Bois, no Bairro mais Alto da Grande Alface. Para quem viver a norte, a oportunidade chega duas noites depois com uma visita ao clube com nome de carro alemão.

Depois de alguma pesquisa, o Fusco - que até há data nunca havia posto os ouvidos num disco dos rapazes - marcou encontro com «Everybody», longa-duração editado este ano. Um delicioso refresco servido à beira-mar acompanhado de uma grandiosa fatia de bolo de chocolate.

Um bom capricho



A cidade de Setúbal recebe, na noite de amanhã, a mais promissora banda nacional, que recentemente editou «Song of the New Heart». Falamos dos Mazgani, liderados pelo luso-iraniano Shahryar Mazgani, num disco de estreia para escutar de coração bem aberto. Às 22h00 na Sociedade Capricho Setubalense. Para quem não puder, assinalem o dia 17 na agenda. Nessa noite, os rapazes abrem para Kurt Wagner (Lambchop) no Santiago Alquimista.

quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

Glasgow também tem o seu filão



Os The Hermit Crabs são uma simpática banda de Glasgow, que certamente cresceu a adorar os Belle and Sebastian, companheiros de cidade e de uma adolescência feita de tempos difíceis, do aparecimento das primeiras borbulhas ao estranho e iniciático beijo de língua - não necessariamente por esta ordem.

«Saw You Dancing», primeira aventura do quinteto, é um disco onde reina a simplicidade, mostrando que muitas vezes não é necessário ir ao fim do mundo para mergulhar nas águas cristalinas de um oceano pop sem ondulação.

Como Azeitão tem as tortas, Palmela o moscatel e o Porto as francesinhas, Glasgow encontrou também o seu filão: uma pop narcisisticamente perfeita capaz de pôr, o mundo inteiro, a fazer figura de eterno adolescente. Uma estreia auspiciosa a que o Fusco oferece 3,75 na escala da acne juvenil. Para ouvir tudo aqui.

quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Prenda no sapatinho



Quando se esperava pelo sucessor bem comportado de «Charlie e a Fábrica de Chocolate» ou, em alternativa, por uma versão animada da mesma árvore genealógica de «A Noiva Cadáver», Tim Burton trocou as voltas à indústria e voltou a fazer das suas.

«Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street» é a adaptação de Burton do musical "Sweeney Todd - O Terrível Barbeiro de Fleet Street", de Stephen Sondheim, que recupera a história do homem que desde meados do século XIX povoou a literatura britânica.

Mito ou lenda, chegou a especular-se que Todd teria existido e que a sua história inspirara as várias personagens que habitam peças e romances sobre o barbeiro que acumula as suas funções com as de um assassino em série, que escolhe lâminas para cortar as gargantas das suas vítimas e depois as entregava à sua comparsa para que ela fizesse tartes com recheio ao gosto dos mais refinados canibais
(In Público).

O Natal ainda vem longe mas Tim Burton já se adiantou a colocar uma prenda no sapatinho da sétima arte. Fica o caminho para o trailer.

Beirut assina tratado de paz



Depois de «Gulag Orkestar», nascido em 2006, o culto ganhou proporções épicas. Zach Condon, um puto que em vez de andar a decidir em que curso e universidade se iria matricular se assumiu como o rosto dos Beirut, mostrava ao mundo um álbum de fotografias dos Balcãs onde as canções substituíam as imagens e nos levavam, num autocarro sem cobertura, a um lado diferente do planeta.

Com «The Flying Club Cup», o mapa mundo torna-se maior. Ainda se sente a inspiração balcânica, o pulsar de um espírito cigano pronto para uma festa de três dias sem dormir, mas agora o panorama é bem mais universal: esticam-se cordas melancólicas, ouvem-se sopros sofridos, servem-se arranjos deliciosos, exultam coros quase imaginários, desperta uma alma de adolescente pronta a enfeitiçar o mundo com o espírito do Flautista de Hamelin. Ao fim de anos de destruição, Beirut assina finalmente o tratado de paz. Um dos discos de 2007.

Fica para audição, ainda que privado de cinco das suas pérolas, «The Flying Club Cup». Próxima paragem: St Apollonia.

terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Ao vivo e à borliu



O Casino de Lisboa continua a tornar as segunda-feiras - pelo menos algumas delas - menos cinzentas, oferecendo música aos que conseguirem desencantar, no primeiro dia de labuta oficial, o espírito folião comum à aproximação do dia do pinguim.

O Fusco deixa algumas sugestões, com o grande destaque a ir para a visita dos Coldcut (na foto).

22 Outubro
Coldcut (com Raj Pannu e MC Juice Aleem) e Jazzanova (DJ set)

19 Novembro
Tiago Bettencourt

26 Novembro
Nicole Willis & the Soul Investigators e Keb Darge (DJ set)

17 Dezembro
Roy Ayers Ubiquity e Gilles Peterson (DJ set)

31 Dezembro
The Gift, Buraka Som Sistema (DJ set) e Rui Murka & Kamala (DJ set)

segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

O bom trovador



Jens Lekman, o mais romântico trovador da Suécia e, muito provavelmente, de todos os países gelados, está de volta com «Night Falls Over Kortedala».

O Fusco deixa uma curta amostra do novo trabalho de Jens, por sinal mais um tiro certeiro ao coração dos amantes. O Cupido, esse maroto do arco e flecha, viaja com passaporte sueco.

sexta-feira, 5 de Outubro de 2007

Macacada a caminho do oeste



Estreou em Junho deste ano, na abertura do Manchester International Festival. Agora que a produção se encontra em solo parisiense, e já com uma ida marcada à cidade dos anjos alemã, fica uma nota de destaque para «Monkey: Journey to the West», adaptação de um conto do século XVI.

Concebido e criado por Chen Shi-zheng - actor e realizador - com o músico Damon Albarn - compôs a banda-sonora - e o artista Jamie Hewlett - desenhou os cenários e o guarda-roupa -, é designado na maior parte de jornais e folhetins como uma ópera-circo. Do espectáculo fazem parte canções chinesas, acrobacias arojadas e movimentos de artes marciais a fazer recordar o saudoso «Os Jovens Heróis de Shaolin».

O Fusco deixa uma pequena entrevista com o trio acima mencionado, esperando que um destes dias o macaco possa vir de visita à Lusitânia.

Um passeio pelo Cosmos



Fernando Corona, mais conhecido por Murcof, voltou às aventuras em formato longa-duração com «Cosmos», sucessor do negro, denso e pessoal trabalho que foi «Remembranza» (2005).

É um disco que mantém o mesmo cuidado ao nível da composição e uma perfeição metódica nos arranjos, mas que se distancia dos anteriores trabalhos por dar um peso maior aos instrumentos clássicos - como se a electrónica estivesse agora ao serviço de um desígnio maior que será o de dar voz ao silêncio.

Murcof diz que foi inspirado ao levantar a cabeça em direcção aos céus, pela sensação plena de deixar a mente vaguear na noite, longe das luzes da cidade, permitindo que as estrelas nos conduzam à ideia vertiginosa de um universo infinito.

O Fusco deixa para audição «Cuerpo Celeste», um dos seis temas do novo trabalho de Murcof. Para uma audição total, visitem o endereço Post Everything. Depois de um registo que dura menos de 30 segundos poderão viajar livremente pelo universo, guiados por um cometa de nome Murcof. A odisseia no espaço tem uma nova banda-sonora.

quinta-feira, 4 de Outubro de 2007

Quem tem medo do Chuck?



Há quem diga que um escritor está sempre a escrever o mesmo livro, por muito que tente radicalizar o estilo ou mudar a esfera da imaginação. Porém, se há quem se tenha transformado numa fotocopiadora como Paulo Coelho ou Nicholas Sparks, outros insistem em apresentar em grande plano os diferentes ângulos de uma estranha modernidade. Querem um exemplo? Chuck Palahniuk. Em menos de dois meses, o Fusco mergulhou em cinco visões de modernidade pintadas de vermelho e negro.

Choke - Asfixia


Victor Mancini, em tempos estudante de medicina e um assumido viciado em sexo, é tudo menos um herói moderno. Para pagar a conta do centro onde a sua mãe disfuncional e de pouca memória está internada, Victor vive em dois hemisférios: durante o dia, trabalha num parque temático onde o tempo parou no século XVIII; à noite, percorre os restaurantes ainda não riscados das páginas amarelas representando um acto de falsa asfixia, que lhe permite receber postais e dinheiro daqueles que se sentem resposáveis por lhe ter salvo a vida. Um retrato satírico dos traumas de infância e do sexo sem quaisquer ideais de romanticismo.


Lullaby - Canção de Embalar

Carl Streator, um viúvo quarentão que prepara um artigo sobre morte no berço para o jornal onde trabalha, descobre um padrão nas cinco mortes que acompanha: em todas as casas habita o Livro de Poemas e Rimas do Mundo, parado ou marcado na página 27 - uma canção de embalar com estranhos poderes. Juntando-se a Helen Hoover Boyle, uma agente imobiliária do universo de casas assombradas, Streator percorre o país em busca dos exemplares existentes. Porém, para lá do livro que perseguem, existe um outro ainda mais poderoso, onde estão escritos os feitiços que permitem ter todo o poder do mundo nas mãos. Um livro que é também uma metáfora sobre o livre-arbítrio e a pena de morte. Para o Fusco, a melhor escrita de Palahniuk habita estas páginas.


Diary - Diário

Em outros tempos, quando os homens se ausentavam em viagens longas, era um hábito que as mulheres - assim como eles próprios - mantivessem um diário, onde anotavam tudo o que de mais marcante faziam ou pensavam. No reencontro, trocavam os diários e punham as vidas em dia. Esqueçam esta visão romântica. "Diário" é tudo menos uma história feliz - trata-se de um diário de coma mantido por Misty Tracy Wilmot, enquanto o seu marido habita um hospital depois de uma tentativa de suicídio. Em tempos estudante de arte, Misty abandonou a carreira para ir viver com Peter para a Ilha Waytansea, onde com o nascimento da filha a arte se tornou silêncio. Porém, como que possuída por um espírito de uma das duas pintoras que habitou a ilha no século XIX, Misty volta a criar de uma forma bizarra, apoiada por todos os habitantes da ilha. Um livro sobre gerações e que gira à volta de uma ideia recorrente: nascerá toda a arte do sofrimento? O mais poético dos livros de Palahniuk.


Invisible Monsters - Mostros Invisíveis

Uma modelo habituada a estar no centro de todas as atenções fica com a cara irreconhecível depois de ser baleada num acidente de carro, tornando-se um monstro invisível. Adoptada carinhosamente por Brandy Alexander, a mulher que está a um pequeno passo da perfeição - e que no início do livro jaz numa poça de sangue pedindo que lhe contem a vida de uma ponta à outra -, empreende um engenhoso plano de vingança. Por vezes, um novo começo está mesmo à nossa frente, onde menos o procuramos.


Survivor - Sobrevivente

Conta em sentido regressivo a história de um sobrevivente de um estranho culto, Tender Branson, que sequestra um avião para cometer suicídio quando o aparelho perder os quatro motores e se espatifar em solo australiano. Enquanto o instante derradeiro não chega, Tender conta a sua história para a caixa negra do avião, "uma espiral de fio metálico que é o registo permanente de tudo o que resta".

Um retrato cruel da sociedade contemporânea, um cocktail de fruta madura ácida, uma sátira à educação moderna que programa o homem para chegar à perfeição sob o risco de exclusão e abandono, seja pela religião, seja pelo marketing - e não será a religião o marketing no seu estado de desenvolvimento pleno? Se não passar na televisão, se não existir audiência, então não é verdadeiro.

quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

Qx21



Para celebrar o 21º aniversário com a força da juventude, a revista Q decidiu eleger 21 nomes que mudaram a história da música. Claro que há sempre justiças e injustiças, nomes a mais e outros esquecidos, até aí tudo conversado. A novidade é que os textos são escritos por outros nomes do universo musical: Tarantino delira sobre Dylan; Bryan Wilson conta os sonhos com os Beatles; Alex Kapranos (Franz Ferdinand) ergue uma estátua a Bowie; os Coldplay ligam-se à corrente eléctrica com os Kraftwerk. E por aí fora. Para delírio visual, são publicadas no siteoficial todas as capas de duas décadas e mais um aninho a dar música.

Até sábado ninguém dorme



Como se não tivesse chegado acordar o mundo de uma imensa letargia com «Funeral» e «Neon Bible», os Arcade Fire prometem agora, através do website dedicado à promoção da bíblia de neóns, uma surpresa para o próximo dia 6.

Entre as conversas de bastidores fala-se de um disco de raridades, um concerto em podcast ou um novo e inédito single para alimentar o apetite até à edição do terceiro capítulo da vida dos canadianos. Uma coisa é certa. Até sábado não vou dormir descansado. O futuro será anunciado aqui.

O barulho dos pássaros



O Santiago Alquimista vai receber, na noite de sexta-feira, a banda sensação da Islândia. Não estamos a falar dos Sigur Rós, que andam a brincar às escondidas há demasiado tempo, mas de um grupo de meninas com o nome encantador de Amiina.

«Kurr», o som que os pássaros emitem no país gelado, foi o título escolhido para o disco de estreia. Para abrir as asas, a partir das 22h00, perto de um miradouro sobre o Tejo. Bilhetes a 20 euros.

segunda-feira, 1 de Outubro de 2007

O arco-íris mora aqui



Depois de uma longa espera, o novo disco dos Radiohead está a menos de dez dias de sair para a rua. Porém, graças a um trabalho de campo protagonizado pelo Inimigo, são já conhecidos oito dos degraus que levam ao arco-íris. Aproveitem, entre o Inverno que se instala, um vislumbre de «In Rainbows».

15 Step
Bodysnatchers
Nude
Weird Fishes/Arpeggi
All I Need
Reckoner
House of Cards
Jigsaw Falling Into Place
Videotape