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segunda-feira, 7 de junho de 2010

A estranheza do crescimento



Comecemos pelo mais importante. "Passing Strange", o filme de Spike Lee que abriu a secção Independentes Americanos do Festroia, é muito, muito bom.

Estamos na presença de um musical incendiário da Broadway, mas Spike Lee não se limita a filmá-lo como um realizador televisivo nos oferece um jogo da bola. A câmara de Lee entra na pele das personagens, mostra-lhes os medos, revela-lhes os desejos, deixa-nos subir ao palco e fazer parte do espectáculo. Nele cabe uma vida inteira: a construção do eu, a procura do verdadeiro real, a rebeldia, o desamor, a morte, o choque entre idealismo e realidade, a irreverência da juventude e a chegada à idade adulta. O Fusco detesta musicais, mas se "Passing Strange" é visto como um musical então é tempo de mudar de ideias. 9 palcos (em 10) para uma experiência única.



Em relação ao acessório, o Fusco já começa a ficar cansado de bater sempre na mesma tecla, que já está gasta, cansada e a precisar de reforma. Mas aqui fica um apanhado:

- Estranho que não tivesse havido uma apresentação do filme, que se encontra a concurso;
- Estranho não se perceber se continua a haver ou não a votação do público, dado que não são entregues quaisquer papéis onde se possa dar uma nota ao filme visionado;
- Estranho que a 2/3 do filme a imagem tivesse desaparecido e começasse a passar um filme espanhol, algo que ainda durou cerca de três minutos;
- Estranha a qualidade de projecção, onde o filme passou com toques de desfocagem e má qualidade sonora

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

É assim tão difícil esperar que acabe?



Na 23ª edição do Festroia assisti a um acontecimento verdadeiramente surreal no Auditório Charlot. No decorrer do genérico final do documentário "Iraq For Sale", mostravam-se imagens de diversas tentativas da equipa de produção em contactar algumas das empresas envolvidas nos escândalos económicos da invasão ao Iraque. De repente, uma luz acende-se por detrás do ecrã de projecção, fazendo com que o foco de atenção dado ao genérico passasse para um escadote aberto e alguém a subi-lo para mudar ou reparar uma lâmpada. A reacção do realizador, que se encontrava presente, foi como enfiar a cabeça na areia numa mistura de vergonha, raiva e incredulidade.

Na edição deste ano chegou-me aos ouvidos mais um episódio caricato. Na projecção de "A Kiss For The World", uma sessão de curtas do Prémio UIP, a tradutora interrompeu o genérico final e mandou acender as luzes para entrevistar o realizador. Cyril Paris, pouco conformado, disse que tinha sido pena terem interrompido o genérico dado que ele aparecia a cantar. E até revelou que o produtor nunca soube que a voz do genérico era a dele. Na sessão de perguntas alguém pediu para repetir o genérico final mas, incrivelmente, o som do genérico apenas apareceu quando este chegava ao final. Quanto à tradução, foi tão má e desvirtuada que, em jeito de brincadeira, o realizador perguntou à tradutora se sofria de Alzheimer.

O genérico é parte do filme e deve ser passado na íntegra por respeito para com o espectador e, mais importante, para todos os que trabalharam e tornaram possível que o filme nascesse, sejam actores, maquilhadores ou patrocinadores. Há filmes em que o genérico desvenda ainda mais alguma coisa, por isso o Fusco é apologista de que as luzes da sala apenas devem ser acesas no final do genérico, mesmo com risco de queda para quem queria sair mais cedo. É assim tão difícil esperar que acabe?

P.S.: Em relação a questões de tradução espera-se que a 26ª edição do Festroia decida passar do nível amador para o profissional.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Três de uma vez

O tempo não tem dado para muito mas já assitimos a três longas no Festroia.

The Bone Man (O Homem dos Ossos) - Cinema Negro

Negro mas nem tanto. Pouco sangue, fracas personagens, ausência de tensão quando se exigia terror e suores frios. 4 facas (em 10).

Out of the Blue (O Dedo de Deus) - Secção Oficial

Moderna e decepcionante adaptação da história da Cinderela com ares de telenovela venezuelana. 3 frascos de creme (em 10).

The Necessities of Life (Necessidades de uma Vida - O Homem e a Natureza

Bonita história de amizade com a neve sempre à espreita. No Canadá também se escreve poesia. 6.5 trenós (em 10).

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Troca-se magia por projector, cadeiras e mais qualquer coisa



Não bastam passadeiras vermelhas e meeting points. É preciso limpeza, cadeiras confortáveis, um projector que não desfoque, empregados bem comportados e alguém para quem traduzir frases de circunstância para a língua inglesa não seja uma missão impossível.

Serve esta reprimenda de introdução à 25ª edição do Festroia que, apesar do marco histórico, continua com erros de casting que lhe emprestam um ar de festival de província.

O Auditório Charlot, a única sala de cinema integrada no roteiro, deixou-se dominar pelo mofo e pela sujidade. Os empregados, durante o visionamento, divertem-se a falar nos corredores exteriores como se o festival não fosse nada com eles. Caricata é também a mudança de bobine que, durante alguns minutos, mantém o cinema na penumbra e o espectador a pensar que o projeccionista se deixou dormir ou então foi para casa mais cedo.

Quanto à tenda, montada no maior parque de skate do distrito, padece de vários males. Um tem a ver com o desconforto, gerado por cadeiras pouco próprias ao estado de longa-metragem. O mais grave refere-se ao projector, que está a anos-luz de cumprir a sua função. «Out of the Blue», que passou na noite de Domingo integrado na Secção Oficial, foi um atentado à capacidade visual dos espectadores, que tiveram de fazer um esforço sobrenatural para se abstrair da desfocagem que durou do primeiro ao último frame.

Na primeira edição do jornal deste ano, a directora do Festroia dizia que "é quase preciso magia para fazer este fesival". O Fusco não iria tão longe. Bastaria limpeza, cadeiras confortáveis, um projector que não desfocasse, empregados bem comportados e alguém para quem traduzir frases de circunstância para a língua inglesa não seja uma missão impossível.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Tróia a ver cinema



Começa hoje a 25ª edição do Festroia que, durante 10 dias, vai tratar de dar cinema a quem queira dar um salto à cidade plantada nas margens do Sado onde se come o melhor choco frito do planeta.

A boa notícia é que o Fusco fez o trabalho de casa e preparou uma selecção dos filmes a não perder de vista, que obviamente deverá ser encarada apenas como um totobola cinéfilo. E tenham muito cuidadinho. Parece que Mr. Blonde vai andar por lá. Protejam bem essas orelhas.

Secção Oficial
The Rainbow Troops (As Pequenas Tropas do arco-iris)
Out of the Blue (O Dedo de Deus)
The World is Big and Salvation Lurks Around the Corner (O Mundo é Grande e a Salvação está ao virar da Esquina)

Panorama
Everlasting Moments (Os Eternos Momentos de Maria Larssons)

Primeiras Obras
A Matter of Size (Uma Questão de Peso)
Silent Wedding (Casamento Silencioso)

Cinema Negro
Jar City (Cidade dos Frascos)
The Bone Man (O Homem dos Ossos)

Independentes Norte Americanos
The Narrows (Os Estreitos)
The Good Guy (O Bom Rapaz)

Procurem-nos no Programa.