quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007

Sons do além



Em vida foi uma espécie de Picasso da música, e só muito depois de ter partido viu reconhecida a sua forma particular de fazer da depressão um quadro musical semelhante a um Guernica lacrimejante. Nicholas Rodney Drake, conhecido pelo nome artístico de Nick Drake, deixou-nos no ano de 1974, mergulhado em anti-depressivos e com «O Mito de Sísifo», de Albert Camus, como livro de cabeceira. Aos que permaneceram no planeta Drake, deixou pérolas dignas de figurarem numa colecção mais deslumbrante que a da Cartier. Five Leaves Left (1969), Bryter Layter (1970) e Pink Moon (1972) foram as jóias desenhadas em vida, mas outras preciosidades foram encontradas ao longo de tempo em arquivos dados a ressuscitar notas musicais.

A boa notícia dá conta da saída de mais um disco póstumo do cantatutor, e diz-se por aí que mais de metade das músicas permanecem desconhecidas em todos os universos. Aqui fica, em jeito de homenagem.







terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

Live


As notícias de concertos na Lusitânia mais parecem uma torneira avariada: não param de pingar. Aqui ficam algumas das boas novas recentemente anunciadas:

Jay Jay Johanson Casa da Música (Porto) 3 de Fevereiro
Spektrum MusicBox (Lisboa) 24 de Fevereiro
Ursula Rucker Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra) 28 de Março
Pearl Jam Passeio Marítimo de Algés (Lisboa) 8 de Junho
Dizzee Rascal Casa da Música (Porto) Data incerta
Mais desenvolvimentos nos próximos dias...

Eno para a azia



«X & Y» disse tudo. Os Coldplay tinham obtido o estatuto de estrelas interplanetárias e a sua música caminhava de braço dado com o cansaço, a lamechice e a falta de imaginação. Agora, numa espécie de penitência por terem decidido que a música de estádio é que era, convidaram o mestre Brian "sais de frutos" Eno para brincar com os botões da mesa de mistura. Espera-se agora que a azia passe e os Coldplay deixem de fazer música abichanada, voltando aos bons tempos de «Parachutes».

segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

Cuidado com os índios



Em tempos onde as bandas, as tendências e os géneros musicais se multiplicam como o milagre do pão e dos peixes, crescendo desenfreadamente como cogumelos selvagens ao sabor da aragem, do vento e das chuvas, saudamos o regresso dos The Shins, a banda de índios - ou indies - com mais penas na cabeça, pinturas nas bochechas e pelos no queixo. «Wincing the Night Away» é o nome do terceiro trabalho desta banda do Novo México, e não é que os rapazes conseguiram um verdadeiro clássico? Pop frutado, psicadelismo em doses controladas, letras encriptadas para cantarolar enquanto se nada na banheira, uma aventura pelo planeta indie que julgávamos afastado do sistema gravitacional terrestre.

Em 2004, no filme Garden State, Natalie Portman disparava que os Shins iriam mudar as nossas vidas. Uma coisa é certa: fizeram de nós pessoas mais felizes.Para ouvir enquanto despreocupadamente se coça o queixo, pensando nas coisas boas que a vida nos oferece. Decididamente, 2007 vai ser um grande ano.

domingo, 28 de Janeiro de 2007

Tenistas em part-time, entregas em regime Fed Ex ou simplesmente as últimas do open dos cangurus


Mais um Australian Open que chega ao fim, com finais bastante diferentes nos dois universos da bolinha amarela. Se do lado feminino a surpresa aconteceu com a tenista em part-time a levar para casa a taça, do lado masculino o final foi de novo ao estilo do «...e viveram felizes para sempre», com o mito Federer a conquistar o seu terceiro título no open australiano. Com 10 títulos do Grand Slam e apenas 25 aninhos, Federer é já o maior jogador de todos os tempos.

sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

Uma faca bem afiada


Não havia necessidade. Os The Knife, autores de um disco fenomenal que só este ano descobrimos, vão reeditar esse monumento musical designado por «Silent Shout». A nova edição irá oferecer um DVD, com a estilosa designação «Silent Shout Experience», apresentando como extras dois telediscos: «Deep Cuts» e «Silent Shout». Se a faca já estava bem afiada, agora é preciso muito cuidadinho para não cortar os dedos. Para quem ainda não ouviu, fica o aviso do Fusco: uma audição prolongada pode provocar um profundo estado de hipnose, além de um frenético abanar de cabeça e ancas...

quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007

Começar bem o dia



Através do Porto 23 descobrimos um site onde se pode escutar um pouco de tudo. O melhor é que a música que por lá se encontra pode ser partilhada. Assim, como hoje é sexta-feira - o dia em que o corpo humano se transforma num pinguim -, começamos o dia a partilhar notas musicais. Não se trata (ainda) de um podcast, apenas uma selecção musical para celebrar a chegada do dia mais feliz da semana. Enjoy...










Parabéns avô Stan!


Como celebração dos 65 anos ao serviço dos bonecos, pensou-se que a Marvel se ia chegar à frente e oferecer a reforma antecipada a Stan Lee, o avô dos comics. Puro enganou. A ocasião foi aproveitada para o regresso de Stan ao trabalho, com o lançamento do projecto «Stan Lee Meets», onde se vai encontrar com personagens saídas da sua imaginação.
A iniciativa irá contar com cinco livros em formato one-shot (sem continuação), onde Stan irá escrever as histórias e contar com o apoio gráfico de desenhadores dos tempos modernos. Os heróis com honras de trocar umas palavras com o seu criador são os seguintes: Spider-Man (desenhado por Olivier Coipel), The Thing (Lee Weeks), Dr. Doom (Salvador Larroca), Dr. Strange (Alan Davis) e Silver Surfer (Mike Wieringo).

10 fantasmas


Já são conhecidas as 10 longas-metragens que vão concorrer ao prémio Méliès de Prata, a atribuir pelo 27º Fantasporto. O filme vencedor ficará automaticamente apurado para o Prémio Méliès de Ouro (Méliès d`Or), promovido desde 1996 pela Federação Europeia de Festivais de Cinema Fantástico, que este ano será atribuído em Setembro durante o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Lund (Suécia). Os candidatos são:

«Taxidermia», de Gyorgy Pálfi (Hungria); «The Horror Bus», de Pieter Kuipjers (Holanda); «The Bothersomme Man», de Jens Lien (Noruega); «Severance», de Christopher Smit (Reino Unido); «Jade Warrior», de Antti-Jussi Annila (Finlândia/Holanda/EUA/China); «Renaissance», de Christian Volkman (França/Reino Unido/Luxemburgo); «The Living and The Dead», de Simon Rumley (Reino Unido); «Ausentes», de Daniel Calparsoro (Espanha); «Los Abandonados», de Nacho Cerda (Espanha); «La Hora Fria», de Elio Quiroga (Espanha).

Super-Homem foi visto por 15000 pessoas em Melborne



O Super-Homem, personagem habitual do mundo dos comics e ecrãs de grande dimensão, foi hoje visto na cidade de Melborne, Austrália. Porém, em vez de cruzar os céus com a capa vermelha esvoaçante, preferiu descer à Rod Laver Arena para praticar um ténis de qualidade interestelar.

Numa meia-final que se esperava de equilíbrio, Federer arrasou Roddick em três sets com os parciais de 6-4, 6-0 e 6-2, conseguindo um total de 45 winners. No final, 15000 pessoas aplaudiram de pé o super-herói suiço, o maior jogador de ténis de todos os tempos. Só lhe falta Roland Garros, mas a jogar assim é apenas uma questão de tempo...

Viva a monarquia


Só mesmo para confirmar. O disco homónimo dos The Good The Bad and The Queen é a primeira obra-prima de 2007. Já tínhamos aqui lançado as pistas sobre o retrato de uma Londres envolta pelas sombras da guerra, respirando os ares da globalização enquanto os patos deslizam despreocupadamente sobre o Thames, mas a confirmação chegou com um disco assombroso. É assim como Return to the Cookie Mountain numa versão pop desviante, que navega em mares com cores nunca vistas - como se o arco-íria tivesse sido reinventado. Não nos cansamos de ouvir este pedaço de arte, e até já temos as letras gravadas nas nossas mentes.
Deixamos nos comentários a letra de Kingdom of Doom, um dos temas de The Good The Bad and The Queen. Não ouvir este disco é um crime musical, que dá direito a ficar sem sistema de som durante um tempo ilimitado.

Hora de calçar as meias


Ontem andámos completamente despistados e esquecemo-nos de calçar as meias cor-de-rosa. Assim, enquanto o diabo esfregava o olho esuqerdo, Serena Williams e Sharapova apuraram-se para a final do open dos cangurus. A americana deitou ao chão a menina que andava a dar sovas em toda a gente (Vaidisova em 7-6 e 6-4), enquanto que a russa arrancou raivosamente o clister em dois gestos (6-4 e 6-2) cheios de estilo.
Quanto aos meninos, vai agora iniciar-se uma meia-final de luxo. Federer, que até agora não soube o que é suar, enfrenta Roddick para um jogo que se espera longo e bem disputado. Como os tempos andam difíceis e o Fusco não quer deitar dinheiro à rua, a nossa aposta vai para o suiço.
A outra meia-final, verdadeiramente inesperada, irá opor Tommy Haas e Fernando Gonzaléz. Apesar de o alemão estar a praticar um jogo bastante sólido, a nossa aposta vai claramente para o chileno, que pratica um ténis inventivo, inseperado e jogado com muito coração. Força Speedy!

quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007

Nomeações


Já se sabe que se trata de uma verdadeira americanada, e que na maior parte das vezes os prémios são dados a quem não merece - e muitos dos que mereciam nem sequer foram chamados à cerimónia. De qualquer forma, saudamos os nomeados para os Oscars 2007. Os favoritos do Fusco estão sublinhados.
Filme do Ano
Babel
The Departed
Cartas de Iwo Jima
Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos
A Rainha

Actor Principal
Leonardo DiCaprio (Diamante de Sangue)
Ryan Gosling (Half Nelson)
Peter O’Toole (Venus)
Will Smith (The Pursuit Of Happiness)
Forest Whitaker (The Last King Of Scotland)

Actriz Principal
Penélope Cruz (Volver)
Judi Dench (Notes on a Scandal)
Helen Mirren (A Rainha)
Meryl Streep (O Diabo Veste Prada)
Kate Winslet (Little Children)

Realização
Alejandro Gonzalez-Iñarritu (Babel)
Martin Scorsese (The Departed)
Clint Eastwood (Cartas de Iwo Jima)
Stephen Frears (A Rainha)Paul Greengrass (Voo 93)
Argumento Original
Babel
Cartas de Iwo Jima
Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos
El Laberinto del Fauno
A Rainha
Lista completa aqui.

terça-feira, 23 de Janeiro de 2007

Loucura no país dos cangurus


O open dos cangurus está ao rubro. Ficam as últimas:
- Roger Federer continua a sua campanha de demolição de habitações ilegais. Desta vez a casa abatida deu pelo nome de Tommy Robredo, que em menos de duas horas viu cair todas as estruturas e fundações. O auto de abatimento teve como referência 6-3, 7-6 e 7-5;
- Andy Roddick não foi em patriotismos e esmagou Mardy Fish num triplo 6-2. Nas meias-finais irá tentar o que esteve perto de conseguir no úlimo Masters Series: derrotar Roger Federer;
- Serena Williams está de volta às eleitas. O jogo dos quartos teve a amplitude de um Ben-Hur rodado em piso rápido, num dos melhores jogos que este open conheceu até agora. Frente à surpreendente Shahar Peer, Serena venceu por 3-6, 6-2 e 8-6. Depois disso pôde respirar fundo;
- Vaidisova deu mais uma tareia, desta vez em Safarova (6-1 e 6-4). As meias-finais estão garantidas.
Amanhã projectamos as meias-finais.

segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

Muito mais que um corpinho


Há uns anos desfilava nas passerelles, serpenteava entre páginas de revistas e deixava os rapazes a sofrer de tonturas profundas e uma sede incontrolável. Quando em 2002 surgiram rumores de que a rapariga pensava em trocar a vida dos desfiles por uma dedicação ao canto, a primeira reacção foi de olharmos para o calendário e confirmar que não se estava a viver o dia 1 de Abril.
«Quelqu`um M`a Dit» apareceu no ano seguinte e, como para que confirmar uma mutação bem sucedida, foi considerado por muito boa imprensa como um dos discos do ano. Quatro anos depois, Carla Bruni troca o francês pelo inglês e apresenta-nos «No Promises». As letras pertencem a grande poetas de sempre, e a escolha não poderia ter sido mais requintada: William Butler Yeats, Wystan Hugh Auden, Christina Rosseti, Walter De La Maré, Emily Dickinson e Dorothy Parker estão entre os eleitos, e os seus poemas ganham asas na voz de Bruni. «Those Dancing Days Are Gone», o tema de abertura, é daqueles pedaços de céu que nos fazem agradecer aos deuses a invenção da música. Para saborear devagar, como um amor que atravessa todas as estações do ano. Clique aqui e assista ao nascimento de uma pérola musical.

Danças à volta do sol


Desenganem-se as mentes mais dadas aos movimentos dançantes, não vamos aqui lançar as primeiras sementes do Boom Festival 2007. Damos antes direito de antena ao Sundance Film Festival, que entre 18 e 28 de Janeiro dá a conhecer o que se vai fazendo nos recantos mais escondidos da sétima arte.
A boa notícia é que, no site oficial, se pode fazer o download de curtas-metragens por menos de um maço de tabaco, ou apenas optar pelo visionamento no conforto do lar. Uma boa política para quem acaba de completar vinte e cinco anos de existência. Se lá fora o céu se vai pintando de negro, por aqui dança-se à volta do sol.

domingo, 21 de Janeiro de 2007

Primeiras da terra dos cangurus


Após uma semana a bater bolas, e agora que o melhor está a chegar, é altura de fazer um pequeno balanço ao Open dos cangurus.
No torneio masculino o Fusco-Lusco destaca:
- O passeio de Federer, que chegou aos últimos oito sem ceder um único set. O fenómeno continua;
- A precoce eliminação de Juan Carlos Ferrero, logo na segunda ronda, frente ao tailandês Danai Udomchoke - que entretanto já disse adeus ao torneio;
- O apuramento para a quarta ronda do inglês Andrew Murray e do chileno Fernando Gonzalez;
- O ténis fantástico de Tommy Robredo, que se vencer Federer será capa de todas as revistas de ténis - e não só - do universo. Federer vai certamente tremer, nem que seja só por um bocadinho.
Já no universo das divas, ficam algumas notas:
- Após estar a dois pontos na eliminação logo na primeira ronda, Sharapova resistiu e já está na quarta ronda. De qualquer forma, o Fusco aposta a pés juntos que a russa não ganhará o torneio;
- O nosso maior destaque vai para Serena Williams, que sem ser cabeça de série já se encontra no grupo das oito finalistas. Teremos aqui a vencedora surpresa? É uma boa aposta.
- O outro destaque vai para a queda de Mauresmo às mãos da raquete de Lucie Safarova, que mostrou um ténis de grande classe;
- Queremos ainda destacar o apuramento de Martina Hingis para a quarta ronda, onde irá defrontar a chinesa Na Li. Por nós seria a suiça a levantar a taça.
Estamos prestes a entrar nos quartos-de-final, numa fase onde qualquer menino ou menina já pensará no jogo decisivo. Aqui fica o calendário, ainda com muita coisa por preencher:
Masculino
Roger Federer (SUI)- Tommy Robredo (ESP)
Mardy Fish (USA) - Andy Roddick (USA)
David Nalbandian (ARG) ou Tommy Haas (GER) - Tomas Berdych (CZE) ou Nikolay Davydenko (RUS)
James Blake (USA) ou Fernando Gonzalez (CHI) - Andrew Murray (GBR) ou Rafael Nadal (ESP)

Feminino
Maria Sharapova (RUS) ou Vera Zvonareva (RUS) - Anna Chakvetadze (RUS) ou Patty Schnyder (SUI)
Kim Clijsters (BEL) ou Daniela Hantuchova (SVK) - Na Li (CHN) ou Martina Hingis (SUI)
Serena Williams (USA) - Shahar Peer (ISR)
Nicole Vaidisova (CZE) - Lucie Safarova (CZE)

sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Fantasmas e independentes


Nem só a música em formato festival mexe na Lusitânia. Na sétima arte, independências e fantasmas vão-se aos poucos revelando, com datas confirmadas e alguns nomes retirados do fundo da cartola.
O IndieLisboa avança, triunfante, para a quarta edição - de 19 e 29 de abril. Além do Fórum Lisboa - que continuará a ser o quartel-general do festival - e dos cinemas King e Londres, o festival volta a instalar-se numa das salas mais emblemáticas da cidade: o cinema São Jorge. Além das fitas, o São Jorge será o ponto de encontro das noites do festival, e já recebeu uma prenda antecipada: «Life in loops: a Megacities Remix», pelos Sofa Surfers, será aí apresentado pela primeira vez em Portugal. A performance mistura música ao vivo com projecções vídeo, partindo do filme «Megacities» (do cineasta Michael Glawogger, homenageado pelo IndieLisboa em 2006).
Apesar da proximidade das quatro salas, o festival colocará à disposição dos indies um autocarro da Carris para encurtar distâncias. Se preferir participar como criador, o Fusco-Lusco recorda que as inscrições para a 4ª edição do IndieLisboa continuam abertas até ao próximo dia 16 de Fevereiro através do endereço www.indielisboa.com.
No Porto a sede de sangue continua, pronta para atacar pescoços inocentes e encher o 27º frasco. Sem querer saber de polémicas, o FantasPorto decorre de 19 de fevereiro a 4 de março nas duas salas do Rivoli.
Uma vez mais, a competição de cinema fantástico promete ultrapassar todas as expectativas. Apenas um exemplo: um dos argumentistas de Reservoir Dogs e Pulp Fiction - o canadiano Roger Avary- junta-se ao francês Christophe Gans - Crying Freeman e Le Pacte des Loups - na adaptação para cinema de um popular jogo de video da Konami: Silent Hill, um marco nos jogos de terror, graças às atmosferas negras e aos cenários arrepiantes.
Fica de seguida, ainda que em estado provisório, os filmes que integram duas áreas temáticas: Secção Oficial Semana dos Realizadores e Selecção Oficial de Cinema Fantástico. Quanto ao resto, o melhor será darem uma saltada ao site oficial.
Semana dos Realizadores
12:08: East of Bucharest, de Corneliu Porumboiu (Rom)
Battle in Heaven, de Carlos Reygadas (Mex – Ale – Hol – Esp/Mex – Ger – Neth – Spa)
El Método, de Marcelo Piñeyro (Esp – Arg – Ita/Spa – Arg - Ita)
Isabella, de Ho Cheung Pang (Hong Kong - Chi)
Komma, de Martine Doyen (Bel – Fra)
May God Bless America, de Robert Morin (Can)
Pure Hearts, de Kenneth Kainz (Din/Den)
Requiem, de Hans-Christian Schmid (Ale/Ger)
Sketches of Frank Gehry, de Sydney Pollack (Ale – EUA/Ger – USA)
Suicídio Encomendado, de Artur Serra Araújo (Por)
The Promise, de Chen Kaigé (Chi – HK – Jap – Cor Sul/ Chi – HK – Jap – South Kor)
The Red Cockatoo, de Dominik Graf (Ale/Ger)
The Secret Life of Happy People, de Stéphane Lapointe (Can)
Un Franco, 14 Pesetas de Carlos Iglesias (Esp/Spa)
Cinema Fantástico
Aachi and Ssipak, de Joe Burn-jin (Cor Sul/Sout Kor)
Alma Mater, de Alvaro Buela (Uru – Can)
Ausentes, de Daniel Calparsoro (Esp/Spa)
Blood Trails, de Robert Krause (Ale/Ger)
Floripes – A Morte de um Mito, de Miguel Gonçalves Mendes (Por)
Isolation, de Billy O’Brien (GB – Ire/UK – Ire)
Jade Warrior, de Antti-Jussi Annila (Fin – Hol – Est – Chi/Fin – Neth – Est – Chi)
Oculto, de Antonio Hernandez (Esp – Ita – GB/Spa – Ita – UK)
Paprika, de Satoshi Kon (Jap)
Re-Cycle, de Danny & Oxide Pang (Tai – Hong Kong – Chi/Thai – Hong Kong – Chi)
Severance, de Christopher Smith (GR/UK)
Taxidermia, de Gyorgy Pálfi (Hun – Aus – Fra)
The Beautiful Beast, de Karim Hussain (Can)
The Bothersome Man, de Jens Lien (Nor)
The Horror Bus, de Pieter Kuipjers (Hol/Neth)
The Host de Bong Joon-Ho (Cor Sul/South Kor)
The Living and the Dead, de Simon Rumley (GB/UK)
Silent Hill, de Christophe Gans (Can – Jap – USA – Fra/Can – Jap – EUA – Fra)
The Woods, de Lucky McKee (EUA/USA)Time de Kim Ki-Duk (Cor Sul/South Kor)

Do contra


Regressa hoje ao pequeno ecrã a bonecada que está sempre do lado de lá. O Contra-Informação passa a ser semanal, onde um único tema tem 25 minutos para exercer o merecido direito de antena.
Na primeira aventura, o país vai ser retratado através do rali Lisboa-Dakar: José Trocas-te vai ter um incidente com o seu co-piloto, que com medo dos maus modos do chefe pouco fala - o que faz com que a equipa, tal como o país, ocupe um dos últimos lugares da geral; Marques Pentes, sem parceiro para as quatro rodas, acaba por se lançar nas motos e vai acabar a fazer sandboard; Francisco Trotskã vai aproveitar para desenrolar a esteira e fazer negócio; o professor Martelo será uma armadilha ambulante, sempre à procura de uma boa partida ou um susto de morte. Para a semana já se sabe que a acção será passada num hospital, usando séries como Anatomia de Grey ou Serviço de Urgência para falar do estado da saúde na Lusitânia. Quanto ao horário, mantém-se nobre: 21H15.

O homem do renascimento


Dramaturgo, poeta, actor, experimentalista, escritor maldito. Terminou os seus dias num asilo para gente desviante, desprovido do génio e sujeito a electrochoques. Esta semana, é reeditado na Lusitânia um dos livros maiores de Antonin Artaud (1896-1948): O Teatro e o seu Duplo. Nele, o escritor reclama para o Teatro o poder do sonho, a dimensão do inconsciente e a expressão ilusória arrancada à magia, transformando o encenador num supremo mestre da criação: recorrendo à luz e às sombras, a cenários vivos que colocam o infinito do mundo em cima de um palco com fronteiras visíveis, revelando o duplo do teatro e a vida verdadeira.
Está patente em Paris, até 4 de Fevereiro, na Bibliothèque Nationale (núcleo François Miterrand), uma homenagem a Artaud. Um homem que desejou o renascimento de um mundo mergulhado em escombros e caminhando sobre destroços.

quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007

Que grande colherada


Depois de mudar de ares, trocando as américas por terras de Sua Majestade, Woody Allen parece ter encontrado um novo fôlego criativo. Assim foi com Match Point, um dos melhores filmes de 2006, de que infelizmente nos esquecemos nas nossas nomeações. Fica a penitência e um rasgado elogio .
Estreia hoje nas salas portuguesas Scoop, o sucessor do filme com nome de expressão do desporto da bolinha amarela. Como em estrela ganhadora não se mexe, Scarlett diva Johansson mantém-se como o rosto - e corpinho - de eleição. Quanto à história, crime, sedução e muito riso são os ingredientes prometidos na carta. Quem vir primeiro que se chegue à frente e conte como foi.

quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007

Estará senil (Parte 2)?



Depois de Morrisey, chega agora a vez de Jarvis Cocker revelar o desejo profundo de participar no Festival da Eurovisão. Por esta altura, o evento mais parece um campeonato de futebol do Dubai, pronto a acolher de braços abertos estrelas em trajectória descendente. A este ritmo vertiginoso quem se seguirá? Boy George?

Mas como nem só de más notícias vive o Fusco-Lusco, lembramos que foram recentemente editados entre nós- e em edições especiais - os três discos que fizeram dos Pulp uma das maiores estrelas do firmamento estelar britânico: His n` Hers (1994), Different Class (1995) e This is Hardcore (1998). Quanto a Jarvis, e após o flop do disco de estreia, resta sonhar com dias mais inspirados.

Estes podem jogar sempre


O jornal Record publicou hoje a listagem dos onze magníficos da primeira volta, onde a cor dominante é, como diria o grande João Pinto, claramente uma: o azul e branco. Confira a lista dos eleitos aqui.

Música com design


Há uns meses atrás falámos de Le Cool, página destinada a divulgar as manifestações culturais da grande alface. Hoje, n`«O que vem à rede é peixe» de Janeiro, damos o merecido destaque a uma revista musical, em edição online, que é um verdadeiro primor. O nome? PlayMusicMagazine.com.
Na edição de Janeiro, entre outras preciosidades, pode-se encontrar: entrevistas com Matt Elliott e Sondre Lerche; os eleitos de 2006 da PMM; o making of de «Star Guitar», video dos Chemical Brothers (de Michel Gondry); uma reportagem sobre o Off_Corso, considerado um dos melhores clubes dançantes do planeta. Pode ainda contar com críticas regulares em várias dimensões: Chartbusters, Country & Alternative, Lounge & Avantgarde e outra série de mundos paralelos.
O melhor de tudo, além de a revista ser totalmente gratuita, é a sua interactividade, que permite ver clips, escutar excertos musicais ou assistir a publicidade animada. O arquivo da revista está também disponível, o que significa umas quantas horas a investigar o passado desta fabulosa publicação. Um tesouro bem escondido, para seguir de perto todos os meses.

Esticar o perfil


Se cá no burgo o poder da economia fosse igual ao espírito inventivo, mais pareceríamos um país escandinavo com o dinheiro a saltar-nos dos bolsos e os bancos sem saber onde colocar tanta nota e barras de ouro. Como não é assim, vamos é aproveitar a última tranche de Bruxelas antes de o barco ir definitivamente ao fundo, sem hipóteses de reparação em qualquer estaleiro naval de cinco estrelas.
A Unidade de Telecomunicações e Multimédia (UTM) do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto (INESC) está a ultimar um projecto inovador que vai revolucionar o mundo das videogravações. A ideia, que poderá ser vista como a adaptação do conceito Pandora ao mundo televisivo - só para facilitar - é que o videogravador (com o nome simpático de nPVR) vá construindo um perfil do espectador a partir dos programas que visiona. Depois disso, e como um verdadeiro amigo, vai gravar programas que julgue que o seu dono vá gostar, e que este poderá ver quando o desejar. Por isso, meninos e meninas, se andam a ver programas de bolinha vermelha às escondidas, muito cuidadinho com o perfil. A ideia será apresentada à nação no dia 1 de Março. Mais aqui.

terça-feira, 16 de Janeiro de 2007

(In)Consciência


Em 1998, o então Bispo de Viseu recomendava que os católicos favoráveis ao sim no referendo abandonassem a igreja e se dedicassem a outros cultos. Não satisfeito, comparou as consequências da despenalização da gravidez aos «campos de extermínio nazis». No ano de 2007, o actual Bispo de Bragança continua na senda dos mandamentos religiosos para as massas. Para ele, o aborto «é uma variante da pena de morte». Para proferir tais juízos categóricos, ambos devem ter mergulhado no manual de boas práticas da inquisição religiosa, nos tempos onde a igreja atirava à fogueira todos os seres desviantes à doutrina cristã(?).
Aquilo que é uma questão de consciência individual está, a cada dia que passa, a servir de arma política e religiosa. O que está em causa não é aquilo que cada um faria, mas a possibilidade de escolha para quem se vir num momento de difícil decisão. Essa liberdade é individual, certamente dolorosa, que como um fantasma levitará na consciência de cada um. Longe de credos ou ensinamentos.

Febre do ouro


Há quem lhes chame a antecâmara dos Oscars, o oráculo cinéfilo que permite olhar para a cerimónia hollywoodiana com, como diria o filósofo Paulo Bento, mais tranquilidade. Um pequeno resumo dos eleitos:

Melhor Filme Dramático - Babel
Melhor Actor - Forest Whitaker
Melhor Actriz - Helen Mirren
Melhor Realizador - Martin Scorsese (The Departed - Entre Inimigos)
Saiba mais aqui.

segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007

Cangurus já batem bolas


Na terra onde os cangurus são reis e senhores, teve hoje início o primeiro torneio do Grand Slam de 2007 - o Open da Austrália.
Entre os favoritos destacamos os suspeitos do costume: Federer, Nadal, Roddick e Blake, pelos meninos, Sharapova, Clijsters, Mauresmo e Kuznetsova, pelas meninas.
Para seguir no Eurosport via net ou televisão.

Anita no Porto


Sosseguem os mais pequenos. Anita não vai descer da montanha para cantar e dançar, nem sequer se trata de uma sessão de autógrafos promovendo o lançamento de uma nova colecção. Aqui a Anita é de outro universo, bem mais crescida e de voz grossa.
Falamos de Little Annie, que em 2006 nos lançou um feitiço de nome «From The Coal Mine Canary». Desde então temos vivido um estado de encantamento, experimentando rezas e mezinhas para voltar a assentar os pés no planeta. Porém, após um estudo intenso de livros de feitiçaria, descobrimos que o encantamento apenas será quebrado se conseguirmos olhar a menina nos olhos. Pois bem, a oportunidade está aí.
Dia 3 de Março, para as bandas de Serralves, Little Annie marcará presença vem acompanhada de Paul Wallfisch. Espera-se uma noite de magia, de sombras e obscuridade, de feitiços lançados aos ventos. Pensando bem, talvez evitemos olhar a menina nos olhos - é que encantamentos destes apenas nos trazem felicidade.

Paris em retalhos



A ideia era amorosa: retratar Paris e a sua aura de cidade onde o amor cresce como cogumelos selvagens. O resultado foi «Paris Je T`Aime», onde 18 curtas-metragens, chegadas um pouco de toda a parte, retratam a cidade das luzes e os seus diferentes bairros, ruelas e singularidades (cemitérios de gente famosa ou estações de metro que parecem tiradas de paisagens à la Antoinette).

Entre os realizadores estão Gus Van Sant, os irmãos Coen, Isabel Coixet, Alfonso Cuarón, Wes Craven. Entre os actores Nick Nolte, Natalie Portman, Gena Rowlands, Steve Buscemi e outras celebridades.

O resultado é um mosaico retalhado, com algumas curtas interessantes - destaque para os irmãos Coen (no metro) e Tom Tylkwer (uma retrospectiva amorosa, em jeito de videoclip, narrada por uma visitante americana como uma estranha pronúncia) , mas longe de obter um resultado global como nos míticos Short Cuts ou Magnolia (se bem que aqui o realizador não mude). De qualquer forma, merece um visionamento.

sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

Excesso de petróleo


Após ter sido detido com uma taxa de alcóol no sangue a rondar os 1.44, Luisão afirmou que nunca deu problemas e que ninguém deve pôr em causa o seu profissionalismo. Aquilo seriam ainda reminiscências dos ares do Dubai, que como toda a gente sabe está carregado de petróleo que se entranha nos pulmões e potencia a multiplicação dos copos de vinho que se deitam goela abaixo. Esperam-no agora 40 horas de trabalho comunitário, provavelmente passadas a servir minis e sandes de torresmos no Centro Social de Benfica.

Tributo a Hergé


Em Bruxelas, o início das comemorações dos 100 anos de Hergé foi feito em grande estilo. Na estação ferroviária, e com a presença de Fanny Rodwell (viúva do desenhador), foi inaugurado um fresco de 64 metros quadrados representando Tintin a bordo de uma locomotiva.
Seguindo a mesma linha, a companhia SN Brussels Airlines vai decorar um dos seus aviões com desenhos de Hergé. Mas os belgas não se ficam por aqui. Os correios vão igualmente lançar 25 selos representando Tintin e o seu criador para deleite dos coleccionadores de pequenos rectângulos e, também, dos amantes de boa banda-desenhada. O Fusco-Lusco entrar na corrida por uma destas colecções, o que não deve ser impossível - serão impressos 600 000 exemplares de cada selo, com o preço individual a rondar os 46 cêntimos. A venda inicia-se a 22 de Maio, data do aniversário de Hergé. Por último, no dia 21 de Julho - ou num outro domingo perto desta data - haverá em Bruxelas uma feira gigantesca de rua dedicada a Hergé e ao seu personagem de eleição. Toda a programação das comemorações aqui.

Na 2


Apesar de o Fusco-Lusco ver televisão quase tantas vezes quanto as que entra numa igreja - o que acontece em baptizados, comunhões ou procissões de fé a que não consegue escapar -, lançamos uma sugestão para hoje à noite.
Na 2, pelas 20:30, passa o programa Vidas, onde será exibido Recortes. Filmado ao longo de três anos, o documentário segue a vida de uma mulher submersa na China rural, de nome Wang Guiying. Os altos e baixos de uma vida, entrelaçados com a tesoura e o papel que utiliza para retratar o mundo em seu redor.
Se isto não se adaptar muito à ideia de um início de serão de sexta-feira, também há remédio. Gravem o documentário e vejam-no num dia em que o Inverno regresse às nossas vidas.

Encarnados com nova proposta


Após ter vencido o torneio do petróleo sem precisar de marcar um golo, «aquele que não se pode dizer o nome» vai apresentar à Liga Portuguesa de Futebol uma alteração ao formato actual do campeonato principal.
A proposta é que se os jogos terminarem empatados a coisa se decida através de grandes penalidades. Caso isso já estivesse em vigor desde o início do campeonato, e pelas contas dos encarnados, estariam apenas a três pontinhos do primeiro lugar. Quem disse que jogar para o empate não compensa?

quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007

Um palerma à séria


Acabou há minutos a Grande Entrevista. Esta semana a personalidade escolhida não foi Rui Rio, Marcelo Rebelo de Sousa, nem mesmo Carolina Salgado. A palavra foi antes dada a Ricardo Araújo Pereira, a cara mais conhecida dos mosqueteiros do humor Gato Fedorento - é assim como que o Dartacão.
Modéstia, inteligência, ironia, simplicidade, daquele que será muito provavelmente o grande humorista português do tempo presente, que conseguiu retomar o espírito iniciático e inflamado do Tal Canal duas décadas mais tarde. Para se ser o palerma mais amado de Portugal não é necessário agir como tal em cada segundo, e nisto reside a liberdade de Ricardo e o seu espírito de descomprometimento em relação ao mundo. Em suma, aquilo que o torna um caso sério de humor.
Se há umas semanas criticámos o Gato dizendo que as unhas afiadas já eram, chegou agora a vez de dizer que os rapazes se têm esforçado na adaptação ao formato familiar e real. Para comprovar isso aqui fica o inesquecível Professor.

Festivais já mexem


O ano ainda caminha através do tempo gélido, mas os festivais de verão já se preparam para passar o creme, estender a toalha, abrir uma cerveja gélida e apanhar banhos de sol retemperadores. Ficam as primeiras para anotar na agenda e pensar em férias.

Sudoeste
2 a 5 de Agosto. Ainda não há nomes mas os bilhetes já circulam por 60 euros. A partir de 31 de Março o passe para os quatro dias passa a custar 70.

Vilar de Mouros
20 a 22 de Julho. Já se sabe que Brian Wilson vai lá estar.

Músicas do Mundo
25 a 28 de Julho no Castelo de Sines. O festival inicia-se em Porto Covo no dia 20 de Julho.

Paredes de Coura
Não se sabe a data certa, apenas que irá coincidir com o feriado de 15 de Agosto.

quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007

Estará senil?



A notícia actuou na redacção do Fusco-Lusco como um choque eléctrico de alta intensidade. Morrisey, em tempos líder dos Smiths - banda floral que despertou o desejo sexual em muito bom adolescente -, é o mais que provável representante da Inglaterra no próximo Festival da Eurovisão. Para bem do seu passado musical, esperamos que as negociações entre Morrisey e a BBC sejam semelhantes às que decorrem entre o Manchester United e o Real Madrid por Cristiano Ronaldo: impossíveis de chegar a bom porto.

Museus em alta



Mas nem só de má música vive a actualidade nacional. O Instituto Português de Museus anunciou hoje que quase 1,2 milhões de pessoas visitaram os museus nacionais durante o ano passado, batendo o recorde de visitantes da última década.
Um dos maiores picos de afluência registou-se no mês de Maio, quando se celebrou o Dia Internacional de Museus e a iniciativa Noite dos Museus. Entre os espaços museológicos mais visitados contam-se, por ordem decrescente de afluência de público, o Museu Nacional dos Coches, o Museu Nacional de Arte Antiga, o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu de Arte Moderna do Chiado, todos em Lisboa. Por falar em museus, o Fusco-Lusco lembra que a exposição de Amadeo de Souza-Cardoso patente na Gulbenkian termina no dia 14.

Top nacional ao rubro


A luta pelo primeiro lugar do top lusitano de vendas discográficas vive um estado de ferocidade extrema. Não é que os 4 Taste, que lideravam despreocupadamente a tabela com «4 Taste», foram destronados pelo veteraníssimo Tony Carreira e o seu «A Vida Que Eu Escolhi»?! A fechar o pódio está o André das Sardas (André Sardet), com «Acústico». Lá mais para o final o gosto nacional é salvo por Mariza e Humanos, que impedem o top nacional de se parecer com uma banca de discos da praça de Espanha. Confira os dez primeiros aqui.

terça-feira, 9 de Janeiro de 2007

Kaisers a caminho


Sem a pompa e a encenação dos Arcade Fire, também os Kaiser Chiefs anunciaram o alinhamento de «Yours Truly, Angry Mob» - sucessor do empolgante «Employment» de 2005 -, que chegará às lojas já no próximo mês. Produzido por Stephen Street, o novo disco terá como single de apresentação o tema «Ruby».
Entretanto os rapazes estão a pensar em dar uma lição às Girls Aloud. Como se não bastasse o facto de as moças andarem por aí a tocar uma versão de «I predict a riot» sem terem pedido autorização, ainda tiveram a lata de alterar a letra original. Assim, em vez de "as raparigas passeiam-se por aí sem roupa para pedir dinheiro emprestado para comprar um preservativo", cantam "as raparigas passeiam-se por aí sem roupa para pedir dinheiro emprestado para uma chamada telefónica". Será que são a favor do sexo livre e desenfreado e da procriação sem limites? Ou membros do YMCA? O mistério persiste...

Quem agarra o tuga supersónico?


Francis Obikwelu, campeão da Europa de 100 e 200 metros, foi eleito Atleta Europeu do Ano de 2006 pela Associação Europeia de Atletismo.
Num ano em que ganhou 16 corridas de 100 metros e seis de 200, o recordista europeu do hectómetro e vice-campeão olímpico ficou à frente do campeão europeu do lançamento do disco, o lituano Virgilijus Alekna, e do lançador de dardo Andreas Thorkildsen, da Noruega. Uma tugagem de sucesso, pode bem dizer-se. Nos próximos Olímpicos o Fusco-Lusco já sonha com o ouro.

Edição da bíblia luminosa é oficial


É oficial. Numa aparição em grande estilo, Win Butler gritou ao mundo o alinhamento final de «Neon Bible», o aguardado sucessor de «Funeral». Além das três músicas que já circulam nos meandros negros da web, uma canção do EP de estreia será reeditada no novo disco. 5 de Março é a data anunciada pelo profeta dos Arcade Fire. Vejam tudo aqui.

A nova vida de Anabela


Anabela Duarte, em tempos vocalista de uma das mais interessantes bandas nascidas na Lusitânia - os Mler If Dada -, tem um novo disco. Algures entre a magia pop e o requinte lírico, «Machine Lyrique» mostra-os uma outra faceta de Anabela, interpretando canções de Kurt Weill e Boris Vian. Cabaret dos tempos modernos? Ópera para as massas? Pop para a terceira idade?
A apresentação de «Machine Lyrique» irá decorrer hoje e amanhã no átrio do Teatro Nacional D. Maria II, sempre às 19:00. A entrada é livre.

segunda-feira, 8 de Janeiro de 2007

A arte de iludir


Christopher Nolan é um cineasta a ter em conta. Depois de Memento - mais - e Insomnia - menos -, a que se seguiu um fantástico retrato das origens do Homem-Morcego em Batman: The Beggining, Nolan apresenta-nos The Prestige, uma história sobre a rivalidade de dois mágicos durante a época vitoriana.
Todos os truques têm três passos: no primeiro (a apresentação) mostra-se ao espectador um objecto banal; o segundo passo consiste na ilusão, em fazer desaparecer esse objecto da vista de todos; porém, esses dois passos não são suficentes. É necessário um terceiro passo - the prestige -, onde esse objecto é devolvido aos olhos do espectador. É nesse passo que reside todo o perigo, toda a arte e cada segredo.
A partir de um romance de Christopher Priest - editado agora entre nós pela Saída de Emergência com o título O Terceiro Passo -, que cruza as ideias de magia e ciência, Nolan vai construir uma narrativa sobre a ideia da obsessão e dos meios que cada um escolhe para chegar ao topo.
Com The Principle Nolan mostra-se um mestre na arte da ilusão, deixando a revelação em suspenso até ao último frame. Uma boa surpresa, que o vai deixar a magicar teorias mesmo horas depois de abandonar a sala de cinema. Para amantes de uma boa ficção.

Espírito atlético



Como se um mês de lanzeira não tivesse chegado para adormecer o corpo e enfeitiçar o espírito, Jesualdo Ferreira decidiu poupar os seus jogadores a um esforço de 90 minutos. Agradeceu o Altlético, histórico do futebol português, que fez o dragão perder o seu poder de fogo, mais parecendo um gatinho assustado, sem unhas para arranhar quem e o que quer que fosse.

Ironia das ironias, o marcador do golo solitário foi Davide, o brasileiro que com um tiro de funda certeiro derrubou o Golias do Porto, convencido de que a batalha estava ganha antes de o combate começar. Jesualdo bem que pode estar envergonhado, mas a falta de respeito e humildade tem destas coisas. A taça ainda é o que era, parabéns ao Atlético!

domingo, 7 de Janeiro de 2007

Parabéns Mr. Bowie!


David Bowie, um dos artistas maiores que a música teve o privilégio de encontrar, completa hoje 60 anos. Se há uma década a festa foi até de madrugada, num concerto realizado no Madisson Square Garden - que contou com as participações de Lou Reed, Robert Smith, Sonic Youth ou Placebo, entre outros convidados de peso -, este ano a festa será mais calma, pois o camaleão recupera de uma angioplastia.

Sempre aberto a novos desafios, influências, formas, Bowie construiu uma carreira onde será difícil eleger um estilo musical predilecto. Folk, pop, rock, soul, tudo por ele foi assimilado, numa constante necessidade de mudança e rejuvenescimento, físico e criativo.

Sempre atento ao mundo que o rodeia, Bowie tem estado presente em momentos importantes da contemporaneidade: teve, com os Arcade Fire, duas participações ao vivo que deram origem à edição de um EP; participou em «Return to Cookie Mountain», o disco maior dos TV on the Radio; desempenhou um papel secundário mas decisivo no interessante filme de Christopher Nolan, «The Principle» («O Terceiro Passo»).
Consta que, após a necessária recuperação, o camaleão tem já uma mão cheia de projectos, onde se inclui uma ópera rock baseada em The Watchmen, uma graphic novel de Alan Morre. Rápidas melhoras Mr. Jones. E muitos parabéns.

Amanhã a EMI lança no mercado a reedição de seis discos de Bowie, mas a coisa não ficará por aqui. Esqueçam o porco. desliguem-se do tigre. 2007 será, muito certamente, o ano do camaleão.


sexta-feira, 5 de Janeiro de 2007

Os bons, os maus e a raínha



The Good The Bad and The Queen.
O nome, uma mescla entre o espírito westerniano pintado de negro e o hilariante mundo do humor britânico. A banda, uma colecção de super-heróis que tratam de proteger o universo musical de todos os perigos e catástrofes.

Simon Tong: o genial guitarrista que deu vida aos The Verve e os matou quando lhe apeteceu.
Paul Simonon: o incendiário das cordas grossas que fez dos The Clash uma das maiores bandas do universo.
Tony Allen: São poucos os que não lhe chamam coisas feias tais como «melhor baterista do mundo».
Damon Albarn: talvez o mais inventivo músico britânico da modernidade, que deu vida a projectos como os Blur e os Gorillaz. Um génio da melodia, um músico de excepção.

A espera já foi maior, mas não queremos deixar de partilhar com todos alguns momentos daquela que será certamente uma das mais faladas bandas em 2007. Depois, provavelmente, eclipsar-se-ão sem dizer nada, como se se tivessem apenas tratado de um sonho verdadeiramente feliz. O Fusco-Lusco, após a primeira audição do que está por aí a chegar, já navega nas calmas águas do mundo dos sonhos.

Entrevista com a banda



«Green Fields», do futuro disco, tocada ao vivo

Vanitas


Não se assustem, não vamos aqui falar do último delírio fílmico de Paulo Rocha. Trata-se, antes, de apontar os holofotes para Vanitas, obra da pintora Paula Rego, que será apresentada na próxima quinta-feira (11 de Janeiro) no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
O tríptico foi encomendado pela Gulbenkian para assinalar os 50 anos da sua fundação (comemorados em 2006), e inspira-se num conto de Almeida Faria: «Vanitas, 51 Avenue d’Iéna».
O quadro acima mostrado tem como título «Volta para mim», e pertence à série Jane Eyre.

Para acabar de vez com os regressos


Ao longo destes dias fizémos o lançamento de alguns discos e filmes que irão marcar o ano de 2007. Hoje, após folhearmos o Público, deixamos mais umas notas sobre aquilo com que poderemos contar este ano. Para acabar de vez com os regressos e dar mais cor aos nossos desejos.

Filmes

«The Good German», de Steve Soderbergh
«I`m Not There», de Todd Haynes
«The Curious Case of Benjamin Button» (este talvez só em 2008) e «Zodiac», de David Fincher
«Coeurs», de Alain Resnais
«Inland Empire», de David Lynch
«Scoop», de Woody Allen

Discos

«Sound of Silver», dos LCD Soundsystem
«Myths of the Near Futures», dos Klaxons
«The Graduation», de Kanye West
«Weather Underground», dos Massive Attack

Quanto a outras possíveis edições e lançamentos, o Fusco-Lusco aconselha vivamente a edição do Y desta semana.

quinta-feira, 4 de Janeiro de 2007

A arcada já está a arder


Após terem criado «Funeral», o disco do século, todas as atenções estão viradas para o novo trabalho dos Arcade Fire, «Neon Bible», que deverá chegar às lojas em Março.
As primeiras notícias serviram para adensar ainda mais o espírito curioso de amantes sedentos por novas notas musicais da banda canadiana. Após uma longa tour o cansaço tomou conta do grupo, que pensou ter perdido a alma criativa. Porém, como que numa iluminação, uma melodia foi tratuteada numa casa de banho enquanto os pelos da barba caiam livremente no lavatório. Depois disso o resto do disco compôs-se como que por magia. Para dar asas ao espírito a banda gravou «Neon Bible» numa igreja do século XVIII, chegando a usar na composição um orgão de tubos do mais clássico - estaremos perante um «Closer» ainda mais revolucionário? Quem já ouviu diz que o novo trabalho soa a Beatles. A excitação cresce, a espera ganha o sabor de uma longa eternidade. E não pode ser já Março?

Os Arcade Fire vão tocar na Igreja Judson Memorial, na cidade de Nova Iorque, nos dias 13, 14, 15, 16 e 17 de Fevereiro. De acordo com a Billboard, será o clímax de uma série de actuações – todas de cinco noites – em locais invulgares. As duas primeiras, têm lugar em Londres e em Montreal, a partir do final de Janeiro.

Mas não desesperem. No itunes estão já disponíveis dois temas: «Black Wave/ Bad Vibrations» e »Intervention». As receitas revertem em favor da associação “Partners in Health”, que oferece cuidados de saúde de graça a doentes no Haiti. Demos graças aos Arcade Fire. Amén.

quarta-feira, 3 de Janeiro de 2007

1...2...claquete...acção!


O ano acaba de começar mas, no universo cinematográfico, são já muitas as movimentações, fazendo lembrar o mundo do futebol em época de defeso. Regressos e as sequelas é o que está a dar.
Regressos

Após um década de silêncio, Francis Ford Coppola regressa com «Youth Without Youth», onde no elenco temos Tim Roth, Bruno Ganz e Alexandra Maria Lara. Além da realização, Coppola assina a produção e o argumento que adapta a novela do romeno Mircea Eliade sobre um professor conceituado que, após um incidente, muda radicalmente de vida, transformando-se num fugitivo. Promete.
Os irmãos Joel e Ethan Cohen, autores de pérolas fílmicas como «Fargo» ou «Miller`s Crossing», voltam à carga com «No Country For Old Men». Na zona de Rio Grande, fronteira dos Estados Unidos com o México, um caçador descobre dois cadáveres, um punhado de heroína e dois milhões de dólares em dinheiro. Javier Bardem, Tommy Lee Jones e Woody Harrelson estão entre os eleitos.


Já o sanguinário Tarantino volta a fazer uma dupla temível com o amigo Robert Rodriguez («Desperado») em «Grindhouse», um só título para dois filmes de terror: «Planet Terror» e «Death Proof». Naveen Andrews – da série televisiva «Perdidos» – e Rosario Dawson surgem no elenco.
Sequelas
Sin City 2
300 (a partir de uma BD de Frank Miller onde a história remonta ao ano 480 a.C.)
Ocean`s Thirteen (mais do mesmo)
Live Free or Die Hard (Bruce Willis volta aos tiros)
Rocky Balboa
Spiderman3
Shrek 3
At Worlds End (o terceiro capítulo da saga Pirata das Caraíbas)
Harry Potter and the Order of the Phoenix

De volta à realidade


Depois do espírito natalício em alta, fogos de artifício reais e imaginários e desvios gastronómicos recheados de curvas perigosas, é tempo de regressar à vidinha. O Fusco-Lusco deseja a todos um bom ano, que no mínimo dobre as coisas boas de 2006.