sexta-feira, 30 de março de 2007

Tudo bons rapazes


Aproveitando a onda da eleição de Salazar como o melhor português de sempre, o Partido Nacionalista Renovador (PNR) ganhou coragem e decidiu colocar um outdoor no Marquês de Pombal, a aconselhar os estrangeiros que estão por cá a voltarem para casa que a vida por cá está difícil.
Como que para provar às vozes críticas que o cartaz não é nenhum crime - indo contra a Constituição em artigos como o 46º ou o 240ª -, o PNR deixa sentidos votos de boa viagem aos imigrantes entre slogans amigos como «Basta de imigração», «Nacionalismo é solução» ou «Portugal aos portugueses». E ainda há que diga que neste partido de bons rapazes mora a cega xenofobia, o perigoso nacionalismo e uma grande dose de estupidez.

Arquitectices

O Fusco mergulha no fantástico mundo da arquitectura e destaca dois projectos: um de carne e osso e outro vindo do mundo da imaginação, pronto a encher de orgulho os habitantes do reino de Sua Majestade.



A primeira nota vai para a conquista do milionésimo prémio pelo Arq. Álvaro Siza Vieira, com o Equipamento Desportivo Ribera-Serallo. Localizado em Barcelona, é composto por um pavilhão e uma piscina semi-coberta. Simplesmente fantástico, de uma elegância que se respira só de olhar para as imagens.


O outro destaque é dado ao projecto de ampliação da Tate Modern, em Londres. O novo edifício, todo em vidro e com 11 andares, tem um custo estimado de 316 milhões de euros. O saudável delírio criacional é da responsabilidade dos arquitectos suiços Jacques Herzog e Pierre de Meuron. O director da Tate espera que a construção esteja de pé a tempo dos Jogos Olímpicos de 2012.

Música para jovens de espírito


«Songs For The Young At Heart» é um encantador projecto saído da imaginação de David Boulter e Stuart Staples, inspirado na música que os encantou enquanto crianças: emitida pela rádio, trauteada na sala-de-aula ou projectada por um pequeno ecrán de televisão.

Canções simples, tenebrosas, tristes, vindas de um tempo onde as férias de verão pareciam não ter fim. Neste regresso ao passado, Boulter e Staples convidaram gente como Cery’s Matthews - canta uma versão de «White Horses» -, Bonnie Prince Billy’s - numa fantástica e melódica adaptação do mítico «Puff the Magic Dragon» e Jarvis Cocker - que conta a estranha história de «Albert & The Lion» -, sendo o resultado um conto de fadas musicado a notas negras.
Um disco para todos os jovens espíritos deste planeta, que trata de devolver à vida as cores perdidas no caminho para a maturidade.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Índios montam tenda em Lisboa


Falta apenas uma semana para sair o calendário com toda a programação do 4º Indie Lisboa, espaço privilegiado para a descoberta de novos autores e tendências do cinema mundial.
Para já, o Fusco que destacar a presença de Hal Hartley, realizador independente americano que deu cartas nos anos noventa e que de repente desapareceu do mapa. Vem a Lisboa apresentar «Fay Grim», dez anos depois de ter filmado «Henry´s Fool».
Num estilo único que lhe valeu a criação de um verdadeiro culto, Hartleu promove a filosofia através de um humor estranho, num encontro entre Delleuze e os Monthy Python. «The Unbelievable Truth» (1989), «Trust»(1990), «Simple Men»(1992) ou «Amateur»(1994) são alguns exemplos de genialidade. «Fay Grim» será exibido no dia que antecede a comemoração da revolução dos cravos, às 21h45 na Sala 1 do São Jorge.
Nos próximos dias o Fusco lançará um especial Indie, fiquem atentos.

Billy Wilder vem apanhar sol a Tróia


O Festroia, Festival Internacional de Cinema que decorre virado para as quentes areias de Tróia, vai recordar o trabalho de Billy Wilder, figura maior da história do cinema que gravou o último take em 2002. Na sua carreira recebeu da Academia um Oscar para Melhor Filme (com The Apartment), dois para Melhor Realizador (com The Lost Weekend e The Apartment) e três para Melhor Argumento (um adaptado - The Lost Weekend - e dois originais - Sunset Blvd. e The Apartment). Recebeu também, em 1988, o Irving G. Thalberg Memorial Award, o prémio de carreira atribuído pela Academia.
A mostra irá ser composta por cinco longas-metragens: «Pagos a dobrar» (Double Indemnity, 1944), «A Sua Melhor Missão» (A Foreign Affair, 1948), «O Crepúsculo dos Deuses» (Sunset Blvd., 1950), «O Inferno na Terra» (Stalag 17, 1953) e «Sabrina» (1954), todos filmados e realizados pelo cineasta.
O Festroia realiza-se entre 1 e 10 de Junho em Setúbal.

quarta-feira, 28 de março de 2007

O rapaz que pinta Rembrandts com os pés


Mais de 600000 olhos já o viram, ultrapassando as curtas fronteiras lusitanas para espalhar a magia, como um vírus redondo, por todo o planeta. Estamos diante de um Rembrandt em movimento, de uma sinfonia imaculada tocada por mestres num palco forrado com relva perfumada. Para quem ainda não viu este vislubre de perfeição, o Fusco deixa o link. Que mais logo nasça outra obra-prima.

Qual é a posição mágica?


«The Magic Position», fantástico tema-título do novo disco de Patrick Wolf, já tem videoclip. Vá por aqui e ponha também os olhos em «Gravity`s Rainbow», dos The Klaxons. Basta escolher a opção Launch Media Player.

Dr. Jekyll and Mr. Hyde


De Nick Cave pode esperar-se tudo. Um disco cru, escrito com sangue envenenado, como «Kicking Against The Pricks»; ou um disco sublime, gravado com a alma despida e magoada, numa ode épica ao amor e à melancolia - «The Boatman`s Call».
Para desanuviar um pouco das andanças mais melosas, Cave desenvolveu um projecto paralelo a que deu o nome de Grinderman. Warren Ellis, Martyn Casey e Jim Sclavunos, todos dos Bad Seeds, fazem-lhe companhia e fecham o quarteto.
O disco de estreia, «Grinderman», foi recentemente editado. Cave volta a tocar guitarra e o barulho volta a fazer-se sentir, como se estivéssemos a escutar rock violento numa garagem minúscula, tocado por velhotes cabeludos e sem papas na língua. No meio de tanto delírio sónico, temas há que nos remetem para a tranquilidade a que Cave parecia ter chegado nos últimos anos. Porém, como em «Abattoir Blues/The Lyre of Orpheus», Cave alterna entre a postura serena de Mr. Hyde e a loucura incontrolável de Dr. Jekyll. Quanto ao Fusco, prefere sem dúvida o lado mais sereno e melancólico. Resta aguardar pelo novo disco com os Bad Seeds, com saída prevista para a segunda metade do ano, esperando que a tempestade possa dar lugar à bonança.

terça-feira, 27 de março de 2007

Batata quente



Depois de nos terem oferecido um disco do outro mundo, de nome «The Warning» (2006), os Hot Chip vão tomar as rédeas do próximo cd da série DJ Kicks, discos misturados por vários artistas ligados ao hemisfério mais dançante - e zonas fronteiriças - do planeta musical.
Tudo começou em 1995, com uma colectânea que misturava géneros como o techno ou o house pelas mãos esguias de CJ. Bolland, um DJ da moda. Porém, desde logo o âmbito das escolhas deixou de ser apenas domínio dos manuseadores de rodelas de vinil. Produtores, remisturadores, bandas e músicos, muito boa gente experimentou já estar à frente de uma série que o Fusco recomenda vivamente ao bom ouvinte. Entre nós, o CD de eleição da série continua a ser o de Kruder & Dorfmeister. Cinco estrelas. Esperemos que o dos Hot Chip possa chegar às seis...

As segundas-feiras vão voltar a ser dias felizes


Os Happy Mondays foram uma banda dificilmente catalogável, situada algures entre o rock minimalista e a dança esquizofrénica - algo que os The Klaxons tentam agora redescobrir. Foram eles os porta-vozes do louco movimento nascido na cidade do clube de Cristiano Ronaldo nos anos 80, que ficou conhecido como «Madchester».
Da sua formação, além do junkie Shaun Ryder - que cantava não se sabe bem o quê encharcado em sustâncias tudo menos legais -, destacava-se Bez, um dançarino que tocava umas maracas inaudíveis e que dava a cada actuação um ar de rave desenfreada. Quando passaram por Portugal conseguiram, ao mesmo tempo, ganhar o prémio de pior e melhor concerto do ano. Em 1990 deram ao mundo «Pills 'n' Thrills and Bellyaches», e só por isso mereciam uma estátua de ouro bem no centro de Traffalgar Square.
A boa - ou má -notícia é que os Happy Mondays preparam o seu regresso, estando o primeiro single previsto para Junho, seguido de um longa-duração. Espera-se que a partir desse dia as segundas-feiras possam voltar a ser dias felizes...
O Fusco recomenda, para quem ainda não lhe pôs os olhos em cima, «24 Hour Party People», uma espécie de documentário onde se conta a história da Factory, editora mítica que albergou instituições como Durutti Column, Joy Division, New Order ou Happy Mondays.

segunda-feira, 26 de março de 2007

A felicidade tem apenas duas dimensões


Hayao Miyazaki, no que toca a animação, é o absoluto rei do old school. Nos seus filmes é uma sorte a animação por computador chegar aos 10 por cento, preferindo o realizador desenhar tudo à mão e em duas dimensões. Basta dizer que os storyboards da nova ventura estão a ser desenhados a aguarela, algo pouco comum nas andanças da animação moderna.
O novo projecto, história original do realizador, recebeu o nome de «Gake no ue no Ponyo», qualquer coisa como «Ponyo num precipício». Conta a história de Sosuke, um miúdo, e da Princesa Ponyo, um peixe-dourado que sonha tornar-se humano. A estreia só vai acontecer no segundo semestre de 2008, mas fica desde já o registo do regresso ao trabalho do mestre dos bonecos.

Cinema light


Porque nem só de cinema independente se alimenta o Fusco fomos ver «Music & Lyrics», realizado e escrito por Marc Lawrence com Hugh Grant e Drew Barrymore nos papéis principais.
O filme conta-nos a história de Alex Fletcher (Hugh Grant) , uma antiga estrela dos anos oitenta que nos dias de hoje se vê condenado a actuar em feiras e parques de diversões. Porém, quando Cora Norman - a diva pop do momento, uma caricatura de Shakira e todo um mundo de cantoras onde a sexualidade vale mais que qualquer nota musical - o convida para lhe escrever uma canção, tudo pode voltar a ser como dantes. O problema está em que Alex deixou de escrever há quinze anos, mas a solução parece estar à vista quando Sophie Fisher (Drew Barrymore), uma escritora frustrada que lhe rega as plantas, canta qualquer coisa entre duas borrifadelas de regador.
Um filme simpático onde moram as boas vibrações.

Grandes ideias com pouco dinheiro


"Fazer grandes filmes com pouco dinheiro". Será talvez a maior das máximas por que se rege o IMAGO, festival de cinema que todos os anos recebe a participação de jovens realizadores de todo o mundo.

A 7ª edição decorreu no Fundão entre 30 de Setembro e 8 de Outubro do ano passado, apostada em mostrar no grande formato o mundo dos super-heróis. No próximo dia 28, o Auditório Municipal de Pinhal Novo mostra as nove curtas vencedoras, numa sessão que terá início às 21H30. Uma iniciativa altamente recomendada pelo Fusco. Ficam os premiados:

Prémio Onda Curta: Monster, de Jennifer Kente
Prémio Docs in Shorts Melhor Filme Delta: Never Like The First Time, de Jonas Odell
Prémio do Júri Heineken: The Kiss, de Toma Waszarow
Prémio Clix Jovem Realizador Europeu: Antonio`s Breakfast, de Daniel Mulloy
Grande Prémio Cidade do Fundão: Rabbit, de Run Wrake
Prémio do Público Diário DN - 6ª: Medianeras, de Gustavo Taretto
Júri Jovem IPJ/Premiere Prémio Melhor Filme IPJ: Terra Incognita, de Peter Volkart
Prémio Under 25 Melhor Filme Nacional Caixa Geral de Depósitos: Morrer, de Diogo Camões
Prémio Under 25 Melhor Filme Internacional Canon: Sports & Diversions, de Bum Lee

sábado, 24 de março de 2007

Ser fã tem destas coisas


Brett Anderson, voz e corpinho dos Suede e mais recentemente dos The Tears - banda de um disco só ? -, fartou-se das boas e das más companhias e decidiu-se por uma aventura a solo, num disco que recebeu título homónimo.
«Love is Dead», single de abertura, remete-nos para os melhores Suede, onde amores desfeitos, amizades traídas e pálidas memórias ecoam como o vento numa memória que nada esquece. Para quem cresceu com «Suede», de 1993, e mesmo que desde então nunca o génio se tenha acendido com tanta intensidade, escutar um disco assim transporta-nos para uma dimensão de nostalgia e tranquilidade, para o mundo romântico pintado a negro por Brett Anderson. Sem ser brilhante, o Fusco aplaude esta estreia a solo. É que ser fã tem destas coisas...

sexta-feira, 23 de março de 2007

Ok Ko


O Portugal-Bélgica de amanhã promete algo da grandeza de um combate entre Tyson e Hollyfield, num ringue forrado a relva. Depois das declarações do guarda-redes belga Stijnen, que disse que o truque para ganhar era arrumar com o Ronaldo aos 2 minutos do primeiro assalto, a chegada dos belgas à Portela foi de grande espectacularidade.
Os jornalistas, sedentos de mais declarações bombásticas, cercaram o guarda-redes munidos de gravadores e micorfones. Alguns mebros da comitiva belga não gostaram e toca de distribuir pontapé, apesar do grande aparato policial que mais fez lembrar o combate ao terrorismo.
Apesar de nunca termos vencido a Bélgica em jogos oficiais, o Fusco prevê que amanhã a história do futebol lusitano vai ganhar um novo capítulo escrito a letras douradas. E com mais um golinho do Cristiano. Vai uma apostinha?

Tempo de mudar o barril


Foram já tantas as fresquinhas tiradas na divulgação do Festival da Cerveja Bock que vai sendo tempo de mudar o barril. À festa prometida juntam-se agora mais dois nomes: os portugueses X-Wife e os americanos The Rapture (na foto).
O Fusco deixa uma selecção musical de um festival que promete agitar as negras águas do Tejo.











Michelle ma belle


Michelle Brito, portuguesa residente nos Estados Unidos, acaba de fazer história no ténis mundial. Com apenas 14 anos, tornou-se na mais jovem tenista a vencer um encontro no quadro principal de um torneio do WTA Tour desde 1995, ano em que foi implementada a Age Eligibility Rule - que limita o número de torneios às jogadoras com menos de 18 anos. A vítima foi a conhecida Meghann Shaughnessy, actual n.º 45 mundial.
A portuguesa é uma aposta pessoal de Nick Bollettieri, treinador responsável pelo lançamento de campeões como Agassi, Seles ou Sharapova. O mais difícil será Michelle manter a nacionalidade portuguesa, pois a pressão é grande por parte de potenciais patrocinadores americanos. E não há por aí uma empresa portuguesa que se chegue à frente? É que, pela primeira vez na história da Lusitânia, o desporto da raquete tem uma potencial campeã.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Por um canudo


Terá José Sócrates concluído a licenciatura por carta registada? Será o canudo que o primeiro-ministro ostenta orgulhosamente no escritório de sua casa uma espécie de falso Picasso, pendurado apenas para impressionar as visitas? Conheça de perto o dossier de licenciatura de Sócrates e entre com os dois pés na TwilightZone lusitana.

Escrito com sangue


Poderá existir uma igreja sem Cristo? Poderá a verdade ser não haver qualquer certeza? Poderá o livre-arbítrio ser a única coisa que nos resta? Hazel Moses, cristão revoltado, ateu apagado, um homem à procura de uma nova religião, preso à doutrina de uma bíblia que esconde a medo no fundo do saco de viagem.
Escrita mordaz, humor corrosivo, a visão de um mundo onde não há espaço para deuses - ou onde não há vida para além da religião. «Sangue Sábio», de Flannery O`Connor, gigantesco monumento literário. Para ser lido por cristãos, ateus e todos aqueles sem pátria - ou de qualquer pátria - religiosa.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Sai mais uma fresquinha



O Festival da Cerveja Bock mais parece uma máquina de imperial numa noite de sábado: não para de servir fresquinhas. O Fusco faz mais uma actualização do cartaz para dia 4 de Julho: Maximo Park, LCD Soundsystem, Linda Martini e Clap Your Hands Say Yeah (na foto), que vêm apresentar «Same Loud Thunder», o sucessor do mui aclamado homónimo disco de estreia.

terça-feira, 20 de março de 2007

O panda alfacinha



Noah Lennox achou que o seu nome tinha pouco estilo, uma mistura do ténis robusto de Yannick Noah e do cantorio másculo de Annie Lennox. Vai daí pensou no seu animal predilecto e escolheu um nome artístico: Panda Bear - animal que Noah desenhou para a capa de uma das suas primeiras gravações.

A sua aventura a solo - Noah é mais conhecido por ser baterista dos Animal Collective - tinha conhecido dois capítulos: «Panda Bear» (1998) e «Young Prayer» (2004). Dois discos mergulhados na penumbra, num experimentalismo onde apenas havia espaço para tristeza - sobretudo com Young Prayer, escrito após a morte do pai e onde a dor da perda se arrastava sem espaço para contemplações. Porém, com «Person Pitch» - editado em Janeiro último -, Panda Bear abraça a felicidade e faz as pazes com o mundo, reencontrando cores, sons e reflexos que se escondem por detrás do ritmo a preto-e-branco das vidas modernas.

Não se trata de um disco fácil, de melodias lineares e refrões para se cantar a plenos pulmões. Esta pop electrónica soa a Beatles mergulhados no caldeirão de Panoramix, a uma visita de autocarro pelo coração da Índia onde nos vêm à memória os momentos marcantes de uma banda chamada Beach Boys. Trata-se de um disco que se descobre a cada audição, como um acto de magia: melodias subliminares, pássaros que cantam, trovões que rebentam, instrumentos que despertam, vozes que sussurram, cores novas que se juntam alegremente ao arco-íris clássico aparecem diferentes de cada vez que o escutamos. Há alturas em que até podemos imaginar «Person Pitch» como banda sonora para «O Grande Silêncio», de Philip Groning.

Os ares de Portugal fizeram muito bem ao urso panda - mudou-se para Lisboa há três anos com a mulher e a filha desde a morte do pai -, que com «Person Pitch» oferece à música mais um capítulo para ser escrito com letras de ouro e entrar nas «Mil e Uma Noites» da literatura musical. Um disco incrível.

Para ficarem com uma ideia geral é só clicar aqui. Se preferirem ver o vídeo para «Bros», sigam antes por aqui. Para quem não ficar satisfeito o Fusco mostra o caminho para uma pequena entrevista.

O fio condutor



Quando pensamos em Arraiolos, a primeira imagem que nos preenche a cabeça é a de velhinhas tecendo tapetes intermináveis e imutáveis desde que a lã foi inventada. Porém, com a Água de Prata, o fio de Arraiolos nunca mais será o mesmo.

Marca registada do universo da decoração, a Água de Prata resultou da vontade, energia e imaginação de dois criadores portugueses, à volta do conceito de aliar técnicas e materiais tradicionais a uma imagem de irreverente modernidade. Tapetes, mochos, bancos, mesas, as possibilidades andam perto do infinito. O fio condutor, esse, é a lã de Arraiolos.

Junto à Igreja de Nossa Senhora da Graça do Divor, entre Arraiolos e Évora, a arte portuguesa reinventa-se a si própria.

domingo, 18 de março de 2007

E quem é o rei da selva?



O Fusco trocou a redondinha por uma bela jantarada mas, hoje pela fresquinha, assitiu às cenas mais escaldantes do encontro entre animais imaginários e leões de juba verde. O leão puxou do estatuto de rei da selva, frente a um dragão que na hora da dança se esqueceu de como se cuspia fogo - nem tudo são Saphiras - e acabou todo arranhado. No próximo e decisivo combate, dragões e águias discutem a supremacia dos céus. O melhor é ir preparando o guarda-chuva.

sábado, 17 de março de 2007

Para dar sorte

Circo sobre rodas


Schumacher partiu, os pneus vão ser iguais para todos, os cigarros já não entram nas contas, pela primeira vez na história haverá um piloto negro e, na lista dos 22 pilotos, há apenas um campeão mundial. Em 2007, o grande circo da Fórmula 1 nasce de novo.

Os favoritos, assim de repente, serão Alonso (McLaren - na foto), Raikkonen (Ferrari) e Massa (Ferrari) mas, numa grelha que mais parece um infantário, as surpresas podem ser muitas. A primeira corrida acontece em Melbourne, na Austrália, quando forem 3 da madrugada. Saiba mais sobre o grande e barulhento circo aqui.

Cobertura vegetal

No concurso internacional para o Museu de Arte Moderna de Varsóvia, dois arquitectos portugueses - Susana Martins e Camilo Rebelo - obtiveram uma Menção Honrosa, que lhes valeu um prémio de consolação de 25 mil euritos pela gigantesca trabalheira.

O projecto propunha que todo o exterior do Museu fosse coberto por uma camada vegetal, que daria uma ideia de continuidade ao imenso parque verde circundante. A cobertura seria fabricada com uma estrutura de heras naturais, que mudariam de cor segundo as estações do ano. O Fusco lança o repto de que o projecto seja aplicado a todas as catástrofes arquitectónicas da bela Lusitânia, o que fará deste rectângulo à beira-mar plantado o pedaço de terra mais verdusco de todo o planeta. Brilhante (não temos imagem para colocar mas o projecto é mesmo muito giro. Ver no P2 do Público de ontem)!

sexta-feira, 16 de março de 2007

Diga 33


Preparem-se para o acontecimento literário do ano em Portugal. Graças à Editorial Presença poderá, dentro de pouco tempo, ter em sua casa a Biblioteca de Babel . Não nas suas dimensões e escadarias infinitas imaginadas por Borges, mas servida em trinta e três volumes de pequeno porte.
A colecção, denominada «Biblioteca de Babel» - em homenagem a Borges -, foi seleccionada há trinta anos pelo escritor Jorge Luis Borges com a cumplicidade de Franco Maria Ricci, em dois meses passados na mansão familiar do designer italiano numa solarenga Itália.
Apesar dos muitos convites que teve em vida, este foi a única colecção que Borges aceitou supervisionar. O trabalho, porém, não se ficou pela escolha das obras. Para cada um dos livros o argentino escreveu um pequeno prefácio, e só por isso cada um destes livros vale ouro.
A colecção é composta por pérolas obscuras da literatura fantástica e de terror, contando com nomes como Oscar Wilde, Franz Kafka, Herman Melville, Jack London ou Edgar Allan Poe. Até ao momento foram já publicados na Lusitânia as duas primeiras aventuras: «O Cardeal Napellus», de Gustav Meyrink e «O Amigo da Morte», de Pedro de Alarcón. Em Abril será a vez de «O Espelho que Foge», de Giovanni Papini e, no mês seguinte, será editado «Os Amigos dos Amigos», do norte-americano Henry James.
A colecção, onde serão reproduzidas as capas originais de todos os volumes, deverá ficar concluída dentro de seis a sete anos, terminando com chave de ouro: «O Livro dos Sonhos» e «Borges A/Z». Absolutamente imperdível!

quinta-feira, 15 de março de 2007

Sempre à frente


Para quem tinha dúvidas de que o clube do rei da selva anda sempre à frente, então ouçam esta. Fátima Lopes, a estilista portuguesa cujos trapos são famosos em todo o planeta, vai desenhar os novos equipamentos dos leõezinhos. Gente fina é mesmo outra coisa.
Já do outro lado da segunda circular, correm rumores de que «aquele que não se pode dizer o nome» está prestes a assinar um contrato de exclusividade com a Maconde. É tão triste ser pobre...

Toda a música em 30 rodelas


Isto das colecções começa a ficar viciante. Depois de Spirou, que vai ser servido em 2o apetitosas tiras pelo Público, ou da estética colecção que conta a história da ópera da responsabilidade da grafonola do Diário de Notícias, chega agora a notícia de mais uma colecção a não perder.
Trata-se da «Colecção 50 Anos de Música Portuguesa (1957-2007)», uma selecção da melhor música que se tem feito na lusitânia ao longo dos últimos 50 anos - e que irá de Alfredo Marceneiro (na foto) aos Da Weasel. A colecção será composta por 10 cd`s triplos, num total de 30 rodelas. O primeiro cd sai já amanhã no Público, e é oferecido. Leia mais aqui.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Destabilização vermelha

É incrível. A poucos dias do clássico entre animais imaginários e leões um pouco mansos começam as manobras de destabilização, provavelmente encenadas por jornalistas vermelhos. Mais do que palavras de indignação, ficam as imagens. Neste caso, a imagem. Pode ler tudo aqui.

O demo anda aí



Estreou há mais de um ano mas só ontem tivémos oportunidade de ver, no grande écran, «Coisa Ruim». Saído da pena de Rodrigo Guedes de Carvalho e da imaginação visual de Tiago Guedes e Frederico Serra, «Coisa Ruim» é um dos filmes portugueses mais interessantes dos últimos tempos (5, 10, 15 anos?).

É inútil esconder as referências de Kubrick em «Shinning» ou apagar as iluminações recolhidas em «A Vila», de M. Night Shyamalan. Contudo, o filme constrói uma narrativa em nome próprio, (re)visitando um Portugal construído sobre crenças, superstições e temores religiosos. Além de uma história que gira em torno do arrepio, «Coisa Ruim» apresenta uma interessante viagem através dos olhos de uma família em défice relacional.

Uma dupla para seguir bem de perto.

Soprar no balão


Contado ninguém acredita. O Festival da Cerveja Bock ameaça com o maior cartaz de sempre e promete a loucura total. LCD Soundsystem e Underworld (na foto), nomes maiores da cena dançante, juntarem-se também à festa. O Fusco deixa uma actualização do cartaz. Mais revelações para breve.
28 Junho: Metallica
3 Julho: Bunnyranch, The Gift, Arcade Fire, Magic Numbers, Klaxons e Bloc Party
4 Julho: Maximo Park e LCD Soundsystem
5 Julho: Interpol, Underworld e Scissor Sisters

terça-feira, 13 de março de 2007

É desta que compro um LCD


É considerado, em todo o planeta, uma das pessoas mais cool. James Murphy, o homem por detrás da editora DFA e da banda LCD Soundsystem, tem razões para sorrir. Melómano confesso andou anos perdido em bandas menores de sonoridades obscuras, preferindo a vida de músico desviante à oportunidade de escrever histórias para Seinfeld. Um dia decidiu montar o seu próprio estúdio e, com a relação estabelecida com o produtor/programador Tim Goldsworthy, criou os LCD Soundsystem.
«Losing My Edge», o primeiro single editado em 2002, tomou de assalto pistas de dança e corpos dados a uma boa dose de movimento. 2005 foi o ano de estreia, com título homónimo, num dos discos mais criativos, efusivos, festivos e dançáveis que passaram pelos nosso ouvidos. Nascia um novo fenómeno, que misturava o rock e a dança num cocktail fresco, delicioso e propenso a uma escapadela nocturna para o abanar de ancas. Desde então os LCD Soundsystem têm ganho crédito em todos os quadrantes musicais, misturando temas para gente tão diversa quanto Metro Area, N.E.R.D ou Le Tigre. Até tiveram tempo para recusar colaborar com Janet Jackson, uma admiradora (muito) pouco provável da banda.
2007 é o ano para a segunda aventura musical de Murphy e Goldsworthy, que recebeu o nome de «The Sound of Silver». Pode dizer-se que em nada é inferior ao disco de estreia, antes o supera em todos os quadrantes. James Murphy: mordaz, politicamente acutilante, um génio ao serviço do planeta. Definitivamente, este não é um disco de prata. Temos medalha de ouro.

TVI ou o verdadeiro serviço público


A TVI é que a sabe toda. Ao invés de oferecer aos espectadores programas chatos ou desprovidos de nudez como «Eixo do Mal», «Câmara Clara» ou «Onda Curta», a estação tem preferido apresentar pérolas como «Big Brother», «Fiel ou Infiel», «Doutor, Preciso de Ajuda» ou, em alternativa, disparando como salva de homenagem três novelas de rajada.
Não contente com ter toda uma audiência prostrada de joelhos, agradecendo aos céus uma televisão assim, a TVI estreou há dias um novo programa, com o estiloso nome de «A Bela e o Mestre».
A sinopse é mais ou menos esta: 8 mulheres lindas e burras. Oito homens feios e espertos. No final, espera-se que elas fiquem menos louras e eles com menos borbulhas.
Aqui, mora o verdadeiro serviço público. Qualquer dia estaremos a ver um filme hardcore de terceiro escalão em pleno horário nobre. Haja coragem!

Lá em baixo está-se bem


O Fusco anuncia mais uma boa nova. Os Low, banda índia responsável pela criação do género musical slowcore (tempos lentos e arranjos minimalistas) - designação que Alan Sparhawk, vocalista e guitarrista da banda, simplesmente detesta -, visita o Santiago Alquimista no próximo dia 2 de Junho. «Drums & Guns», o novo disco do trio, será servido como prato principal entre dezenas de iguarias. Site oficial aqui.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Queijo suiço


No final do encontro Roger Federer mais parecia um queijo suiço tantos era os buracos na sua auto-estima. A cinco encontros de igualar - e a seis de ultrapassar - o histórico recorde de invencibilidade do argentino Guillermo Vilas, Roger caiu na segunda ronda de Indian Wells frente ao também argentino Guillermo...Canas (7-5 e 6-2). É caso para dizer a Guillermo o que é de Guillermo.

O polvo Mantorras


Pode não jogar muito devido a ter só um dos joelhos operacionais - estando o outro exposto com grande destaque na Capela dos Ossos -, mas ninguém pode negar a sua imensa e apurada rede de influências.
Na semana passada, Mantorras foi levado à esquadra por conduzir com uma carta angolana em território nacional. A lei da proibição já valia desde 2000, mas só desde o ano passado começou a ser levada a sério. Poucos dias depois, o governo angolano anunciou que se é assim também os portugueses já não podem conduzir em Angola. Mais nada. Após o fim da carreira futebolística, Mantorras já tem um futuro auspicioso. É que se Schwarzenegger conseguiu ser eleito Governador, Mantorras chegará certamente a Presidente! Ler mais no Público.

sábado, 10 de março de 2007

Tributo à moda do Fusco

Pois é. O dia 8 passou e nem sequer uma palavra dirigida ao sexo que faz girar o mundo. Em jeito de penitência, mas à moda do Fusco, aqui fica uma espécie de tributo a todas as princesas do planeta. Segue-se música, toda ela proveniente de mãos e gargantas carregadas de cromossomas X.





sexta-feira, 9 de março de 2007

Para adopção


Como nem só de suspeitas e dinheiro deitado à rua - e nos bolsos de alguém - vive a Câmara Municipal de Lisboa, o Portal Lisboa Jovem - da responsabilidade do pelouro da juventude da autarquia - associou-se ao Canil/Gatil Municipal promovendo na autoestrada virtual a adopção de animais.
No endereço do Portal Jovem são apresentadas as fotografias dos cães e gatos à procura de um dono que lhes dê comida e festas, além de informações como a raça, a cor do pêlo ou a data em que cada membro da bicharada entrou no canil/gatil. Para ajudar na decisão de adopção, além de não ser cobrada qualquer taxa, é também oferecido um exame clínico, uma desparasitação e a identificação electrónica através da colocação de um chip.

Les aventures...


Para quem achava que os dezasseis anos que Philip Groening tinha esperado para filmar os monges da Cartuxa eram uma pequena eternidade, o que dizer dos vinte cinco anos que demorou Steven Spielberg a conseguir levar Tintin ao grande écran?
O primeiro capítulo, ainda sem nome ou história revelada, deverá estrear lá para 2009/2010. A série Tintin poderá fazer a trilogia - até agora - Indiana Jones parecer-se com uma curta-metragem, já que se diz que a aventura pode chegar aos vinte e três capítulos. Algo semelhante a um 007 transformado em banda desenhada.
Se vai ser em imagem real ou animação ainda ninguém sabe dizer, mas o orçamento para a primeira aventura deve andar perto dos 100 milhões de dólares. Les aventures estão de volta!

Fazem-se concertos

Aproveitando o ritmo desenfreado de anunciar concertos, o Fusco deixa mais umas novidades. 2007 promete ser um grande ano, ainda melhor que 2006. Haja dinheiro para tanto bilhete!



Joanna Newsom é uma daquelas vozes que se ama ou odeia, não há mesmo meio termo. Se fosse um super-herói teria como poderes estilhaçar vidros, rachar paredes de chumbo ou chamar pessoas de um lado ao outro do planeta. Com «Ys», de 2006, atingiu a maturidade com apenas vinte e cinco primaveras. Uma voz do outro mundo, para escutar dia 2 de Maio na grande Aula Magna.
Os Scissor Sisters quiseram imitar os Bloc Party e, não satisfeitos com tocarem no Coliseu dos Recreios a 27 de Abril, repetem a dose dia 5 de Julho no Festival da Cerveja Bock. Uma noite de disco que se quer mergulhada em temperaturas altas. Ta Dah!, abram a pista e aumentem o volume!

Lobos à solta no Lux


Como se os Arcade Fire e Andrew Bird não bastassem para darmos pulos de alegria, agora é o anúncio da vinda a Portugal de Patrick Wolf, um dos maiores compositores pop da actualidade - de quem recentemente escrevemos umas linhas a propósito de «The Magic Position». Será no dançante Lux, no dia 18 de Abril. Auuuuuuuuuuuuu, os lobos andam à solta!

Federer contra a História (e Villas)



Conhecido como o Grand Slam do Leste, o Pacific Life Open (Indian Wells) pode ser palco de um acontecimento que vai mudar a história do ténis. Roger Federer, o actual n.º 1 mundial, procura estender a série de encontros ganhos de 41 para 47, o que fará com que bata o recorde de invencibilidade de Guillermo Villas que é de 46 jogos - e que dura há trinta anos. Se não há adversários de carne e osso à altura, Federer tem agora o seu maior confronto: com a História.

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O mundo vai mudar outra vez


É oficial. A PS3, consola que quer mudar o mundo outra vez, chega a Portugal no dia 23 de Março. a versão inicialmente disponível será a de 60 GB, e custará qualquer coisa como seiscentos euros menos um. Para a nova estação de entertenimento estão já prometidos muitos jogos, entre os quais o Fusco destaca Tekken 5: Dark Ressurrection e Gran Turismo HD Concept.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Back to classics



Com «The Good German», Steven Soderbergh decidiu brincar aos clássicos e saiu-se com uma película que nos mostra o cinema em todo o seu esplendor, como uma arte de criação e destruição de sonhos.

A imagem, na duplicidade de um a preto e branco com a presença de um constante granulado, transporta-nos de volta aos anos quarenta e cinquenta, época de divas glamorosas, amor confesso aos grandes planos e uma fotografia de fazer a World Press Photo roer-se de inveja. Mas nem só de boas imagens e sentidas homenagens vive este «The Good German». O argumento, da autoria de Paul Attanasio, segue à risca a escrita densa e de contornos poéticos associada à época áurea do cinema negro.

Somos transportados até 1945, ano em que termina a segunda guerra e onde os abutres americanos e russos disputam entre si todo o séquito, humano e tecnológico, colocando de lado questões éticas. É, também, um filme que nos mostra o instinto de sobrevivência humana em tempos de guerra, onde tudo vale para garantir a vida individual.

Cate Blanchett está divinal, uma verdadeira princesa, superior a uma Marlene Dietrich nos dias de maior inspiração. É ao seu redor que gira a narrativa, é através dela que bebemos a história em crescendo que se nos vai oferecendo. O final, um simpático tributo ao incontornável Casablanca, deixa-nos uma vontade enorme de revisitar os clássicos. Uma boa surpresa, mais uma de Soderbergh.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Entre paredes


Foi dos chamados grandes aquele que se chegou à frente em último lugar, mas por enquanto ainda só se conhecem as datas e preço do passe para os quatro dias (70 euros). De 12 a 15 de Agosto, Paredes de Coura recebe de ouvidos bem abertos mais um Festival.

TV mostra primeiros cabelos brancos


No dia em que completa 50 anos, o Fusco-Lusco dá os parabéns à RTP por cinco décadas a enviar imagens e sons através de uma caixa de sonhos. Da linguagem binária do preto e branco à paleta multicolorida, muitos foram os programas que povoaram o nosso imaginário, disparando imagens que para sempre farão parte da nossa (boa) memória.
O Fusco deixa o desafio à blogosfera: digam quais os momentos televisivos mais marcantes desta estação televisiva ao longo da vossa vida de espectadores refastelados no bom do sofá. Quanto a nós, ficamo-nos por seis memórias.
1. Conan, O Rapaz do Futuro - e outras séries de bonecos onde andava sempre alguém à procura da mãe (ou de outra coisa qualquer)


Definitivamente, estes desenhos animados marcaram o imaginário do Fusco. Ainda há pouco, após o visionamento do primeiro DVD da série completa, voltámos a sentir um frenesim louco a trespassar-nos a barriga. Aquele tsunami gigante ainda nos visita por vezes em sonhos, assim como as negras e futuristas torres susensas sobre as águas mortas. Muitas fobias e medos foram ganhos aqui.
E já repararam que por esta altura andava sempre alguém à procura da mãe ou de outra coisa qualquer)? Ele era o Marco, ele era o Bell e o inseparável Sebastião, ele era uma infinidade de bonecos que desde cedo aprendeu a lidar com a cisão familiar. Pior do que isso ficou o Bambi, que perdeu a mãe quando ainda usava fralda.
2. Vasco Granja


Enquanto esperávamos ansiosamente por mais um episódio de Tom & Jerry ou de Bugs Bunny, um senhor de cabelo branco, muitas vezes de peluche na mão, falava na nova vaga de animação polaca, russa ou de um país que até então nunca tínhamos ouvido o nome. Vasco Granja terá sido, com os seus programas de desenhos animados, o primeiro grande contacto de muito boa pequenada com o mundo da intelectualidade. Um senhor.
3. Verão Azul


A série juvenil responsável por muitas depressões em adolescentes. No início eram umas férias de sonho, como amores e amizades que iriam durar para sempre. Quando a série terminou o pescador simpático bateu a bota, os amigos e amantes separaram-se e os primeiros prozac`s começaram a ser desejados por uma juventude portuguesa em choro compulsivo.
4. Espaço 1999


Com esta série penetrámos irremediavelmente num universo superior, onde os sonhos passaram a acontecer à velocidade da luz. A partir de então, o céu passou a ser o limite.
5. Tv Rural



Enquanto esperávamos pelo começo dos bonecos animados de tigela de flocos na mão, Sousa Veloso corria o país de norte a sul mostrando a boa agricultura que alimentava a Lusitânia. Poucos foram os miúdos a quem, na altura, não passou pela cabeça seguirem a vida de agricultor. Foram, de facto, tempos inesquecíveis.
6. O Tal Canal


A melhor série humorística feita em Portugal, que pintou de todas as cores um país habituado a ser sempre sisudo. Marcante e irrepetível.