quinta-feira, 31 de Agosto de 2006

O paraíso a uma bomba



Há quem diga que este filme de Hany Abu-Assad, que conta a história de dois jovens palestinianos a caminho de cometerem um atentado suicida em Telavive, tem momentos de verdadeira inspiração hitchcockiana, com a tensão a crescer até o golpe final ser desferido.

O que leva jovens a tornarem-se kamikazes, terá sido a pergunta a que Assad terá tentado responder num filme muitas vezes rodado debaixo de fogo cruzado. Premiado no Festival de Berlim - Melhor Filme Europeu e Prémios Amnistia Internacional e Público -, vencedor de um Globo de Ouro - Melhor Filme Estrangeiro - e candidato palestiniano aos nomeados para melhor filme estrangeiro em Hollywod, Paradise Now promete ser um dos filmes mais falados da temporada, nestes dias onde a guerra parece não dormir. Depois do fim-de-semana contamos como foi. Site oficial aqui.

quarta-feira, 30 de Agosto de 2006

Os rapazes voltam à praia



Para assinalar os quarenta anos da edição do mítico «Pet Sounds», dos The Beach Boys, a EMI lançou esta semana uma edição comemorativa onde impera o luxo.

A edição, num digipack desenhado com muito bom gosto e toque aveludado, contém um CD e um DVD com gravações em mono e em stereo do álbum original e, para gáudio de todos os veraneantes, um tema extra representado por uma versão demo de "Hang On To Your Ego".

O DVD contém seis filmes e vídeos, onde se contam os documentários "The Making Of Pet Sounds" e "Pet Stories" e, também, entrevistas com Brian Wilson e Tony Asher, entre outros. O filme promocional de 1966 de "Good Vibrations", clips originais a preto e branco de "Sloop John B" e "Pet Sounds", bem como um excerto do documentário da BBC "Rhythm of Life" onde Sir George Martin e Brian Wilson falam sobre o significado e importância musical deste histórico álbum, são outras das preciosidades deste DVD.

Brian Wilson, vocalista dos Beach Boys, disse em tempos que o seu maior desgosto era não ter sido ele a gravar «Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band» dos Beatles. Não precisa. Pet Sounds é um monumento gigantesco à música e, quarenta anos depois, ainda mantém toda a frescura. Um objecto destes apenas merece um comentário: compra obrigatória!

Setúbal abre o pano



De 26 de Agosto a 9 de Setembro Setúbal abre o pano para receber a VIII Festa do Teatro, que irá cirandar por locais tão diversos como o Inatel, o Castelo de São Filipe ou o Parque do Bonfim. Além de peças a Festa inclui também exposições e uma mostra de curtas-metragens.

Ontem o Fusco-Lusco foi assistir à peça A Viúva Astuta, pela companhia Teatro ao Largo. Uma viúva alegre, após o marido rico ter ido desta para melhor, decide trocar a descontraída vida celibatária por um novo partido. Apesar da astúcia mostrada e dos muitos pretendentes, Rosaura vai acabar por casar com o pior dos candidatos, que certamente lhe fará a vida negra movido por um ciúme tsunâmico. Como acontece com (quase) todas as mulheres, mesmo 300 anos depois da peça ter sido escrita...

Tudo sobre a VIII Festa do Teatro aqui.

terça-feira, 29 de Agosto de 2006

Sensibilidade auditiva em risco



Se sofre de sensibilidade auditiva, reagindo mal a sons de timbre mais agudo, evite andar nas imediações da localidade do Crato hoje à noite.

Roger Hodgson, em tempos vocalista de uma banda com o nome Supetramp (Super Trampa em português), vem a Portugal para uma digressão a solo - passa também por Lisboa e Guimarães - onde clássicos turtuosos como «Give a little bit», «Dreamer» e «Breakfast in America» devem ser desenterrados de um túmulo que se julgava bem selado.

Os riscos de surdez definitiva são bastante elevados, é por isso aconselhável levar bolas de algodão caso esteja disposto a entrar na aventura sónica.

O futebol nacional precisa de Jesus



Sabíamos que Portugal era um país especial, onde a máximas do desenrascanço e do deixa andar se iam sobrepondo a conceitos como produtividade e máximo rendimento.

Porém, agora que a boa vida do futebol e das fresquinhas ia começar a sério, eis que a confusão se instalou por causa de um jogador com nome de santo: Mateus. O campeonato já rola, mas ainda não se sabe qual o nome da 16ª equipa que vai disputar o campeonato dos mais grandes.

A guerra pela permanência entre Gil Vicente e Belenenses começou há muito mas, como toda a gente tem estado de férias, o caso tem-se arrastado entre as leis desportivas e comuns e ninguém lhe tem dado grande importância. Agora, para dar mais um pouco de picante à coisa, também o Leixões decidiu entrar na corrida à última vaga do escalão maior acenando com um livro cheio de leis.

Amanhã os dirigentes interrompem as férias para uma reunião (pouco) extraordinária. Teme-se, porém, que só a intervenção divina possa acabar com esta grande confusão. Jesus terá mesmo de regressar à terra, desta vez disfarçado de advogado com especialização na área desportiva.

segunda-feira, 28 de Agosto de 2006

Pipetas nostálgicas



As Pipettes são três raparigas com ar maroto que decidiram viajar na cápsula do tempo rumo aos anos sessenta. De lá trouxeram um longa-duração que baptizaram de «We are the Pipettes», onde letras irónicas se escondem por detrás de uma emissão que lembra o melhor da Rádio Nostalgia. Para revitalizar o futuro da pop as Pipettes minaram o seu passado e encontraram o lado mais fresco. Apesar de cantarem insistentemente «your kisses are wasted on me», não perdemos a vontade de as beijar.

Doninha sinfónica



Porque nem só de grandes vibes se alimenta a Doninha, a Torre de Belém foi o cenário idealizado para um espectáculo inédito onde o hip-hop e o rock se vão fazer acompanhar por mais de sessenta instrumentistas dados ao classicismo.

Da Weasel meets Orquestra Sinfónica Portuguesa. Dia 3 de Setembro, às 22:00, junto à Torre de Belém. Free of charge.

sexta-feira, 25 de Agosto de 2006

Nem os bonecos escapam



O Boomerang, canal televisivo dedicado ao público infantil, vai retirar algumas cenas da mítica série de desenhos animados Tom & Jerry onde aparecem personagens animadas a fumar.

O organismo britânico que regula os meios de comunicação - Ofcom -, qual CIA, iniciou uma investigação sobre a série após lhe terem feito queixinhas de que aquelas imagens não eram apropriadas para o público infantil. Numa das cenas, em «Texas Tom» de 1950, Tom tenta impressionar uma gata acendendo um cigarro e fazendo uma pose estilosa. No outro episódio, também de 1950, o famoso gato disputa uma partida de ténis contra um rival que fuma um charuto.

Agora que o extermínio tabagista chegou ao reino da fantasia, o que se seguirá? Exigirão que o Popeye deite fora o seu cachimbo? Retirarão o Monstro das Bolachas dos Marretas por induzir à obesidade compulsiva? Acabarão com a série South Park por promover o uso de linguagem obscena? Decidirão censurar Ren & Stimpy por o gato ter as orelhas pouco limpas e estimular os miúdos à delinquência sanitária? Hoje, Tom & Jerry, amanhã... o Mundo!

Michael is the Mann



Noa anos 80, quando Miami Vice era uma série de culto e a cara e o corpinho de Don Johnson enchiam as paredes dos quarto de teenagers inconscientes, Michael Mann tinha a seu cargo a produção executiva.

Agora, como que desperto por um sonho de infância, o homem que antes nos trouxe Colateral e que há anos tinha juntado no mesmo filme os dois maiores colossos do cinema - Robert de Niro e Al Pacino em Heat - decidiu reinventar Miami Vice, oferecendo mais um capítulo de luxo ao género policial cinematográfico .

A maneira com Mann filma é soberba, conduzindo Sonny Crockett e Ricardo Tubbs numa viagem da glamorosa Miami aos inóspitos guetos sul-americanos. O que era antes uma série com ar piroso ganha, em 2006, um aspecto de film noir com muito estilo. Farrell e Foxx estão em grande nível, encarnando a concepção cinematográfica de Mann onde o silêncio, muitas vezes, é mais revelador que mil palavras.

Esqueçam Mission Impossible. Esqueçam 007. Michael is the Mann!

quinta-feira, 24 de Agosto de 2006

Todos por Plutão



Hoje à tarde nem só o sorteio da Liga dos Campeões vai ser notícia. Em Praga, 2500 astrónomos reunem-se para decidir, afinal, o que é um planeta. Teme-se que votação final obrigue a que o sistema solar passe de nove a oito planetas, oferecendo a Plutão o estatuto de planeta de segunda categoria. Começarão a chamá-lo de anão gelado, como são designados outros objectos estelares localizados na Cintura de Kuiper. Futebolisticamente falando, é como caír da Primeira Liga para os campeonatos distritais.

Há muito que se sabe que Plutão é um planeta diferente dos outros: gelado, muito pequeno, com cerca de seis vezes menos o diâmetro da Terra. Porém, como os planetas não se medem aos palmos, o Fusco-Lusco lança daqui o repto para que Plutão permaneça, nos manuais escolares, como o planeta mais afastado do sol. Em nome da diferença.

Saiba tudo aqui.

quarta-feira, 23 de Agosto de 2006

Churrasco surpresa



Imaginem ser convidados para um grande churrasco quando, a meio da terceira cerveja e de uns tremoços, percebem que afinal são vocês a iguaria carnuda principal a ser servida em espetos untados com manteiga fresca.

No passado sábado, no jornal Público, Eduardo Cintra Torres publicou na sua coluna Olho Visto um texto com o título «Como se faz censura em Portugal». Em causa estava o Telejornal da RTP de dia 12 de Agosto que, segundo ele, «foi uma das peças mais tenebrosas da informação televisiva em Portugal em muito tempo», por ter deliberadamente escamoteado notícias relativas a incêndios obedecendo a ordens directas do nosso primeiro Sócrates.

Ontem, no Jornal das 9 da SIC apresentado por Mário Crespo, Eduardo Cintra Torres foi convidado a comentar o seu artigo, que muita polémica tem causado, e que fez a RTP avançar para os tribunais movendo um processo contra o comentador do jornal Público. Mário Crespo, jornalista com muito calo e horas de entrevistas, foi apalpando o terreno e encostando lentamente Cintra Torres ao canto do ringue. De repente, como um génio que sai de uma lamparina fosca com uma pequena esfrega, Luís Marinho, Director de Informação da RTP, entra em cena. Seguiu-se então uma grande churrascada, com os dois canais concorrentes juntando-se à mesma mesa para trincharem Cintra Torres. Um festim gastronómico com tiques de canibalismo.

terça-feira, 22 de Agosto de 2006

Hip-Hop Hype



Em grande estilo regressam os Outkast com Idlewild, o sexto longa-duração de uma carreira com sentido ascendente. Se depois de Speakerboxxx/The Love Below se esperava que os rapazes servissem um fast food à americana, fomos antes presenteados com um prato digno de uma nouvelle cuisine estonteante, com ingredientes que vão ainda demorar algum tempo a reconhecer. Desde Stankonia, de 2000, que esperávamos por um disco assim: arriscado, confuso, surpreendente, indisciplinado. O Hip-Hop (re)encontrou o seu Hype.

Retrato de uma geração química



Em 1977, depois de um abraço apertado ao speed e aos tranquilizantes, Philip K. Dick escreveu o conto A Scanner Darkly. Dedicou a história a cinco amigos de bairro que, nas suas aventuras ácidas, entraram em bad trips das quais não mais regressaram.

Em 2006, Richard Linklater, realizador de Before Sunset (2004), Before Sunrise (1995) ou Dazed and Confused (1993) adapta A Scanner Darkly ao grande ecrã, num projecto ambicioso que mistura filmagens reais com tratamento por computador e que mergulha o filme num cenário de banda desenhada futurista.

A história centra-se num futuro próximo em Anheim, California. Bob Arctor (Keanu Reeves) é um agente governamental que tenta encontrar o maior traficante de uma droga mortal apelidada de Substance D, da qual também é consumidor, e que provoca a divisão do cérebro em dois diferentes sistemas operativos. A sua investigação e crescente paranóia vai levá-lo a um mundo negro onde a privacidade não mais existe e onde, o seu maior inimigo, pode acabar por ser ele mesmo.

A Scanner Darkly parece apresentar um retrato de uma geração com uma grande inabilidade de conviver e comunicar, da sua falta de humanidade e de uma dependência mortal de substâncias químicas e produtos tecnológicos. E de como os governos, instalando a paranóia e o medo em nome da protecção, restringem cada vez mais as liberdades civis. Para quando a estreia em Portugal?



Veja o trailer e saiba tudo - ou quase - sobre A Scanner Darkly no site oficial.

segunda-feira, 21 de Agosto de 2006

Amendoins com fartura


Para os amantes de banda desenhada esta deverá ter sido uma das melhores notícias do ano - a par do lançamento das sagas Civil War, 52 e da continuação de Joss Whedon como argumentista dos Astonishing X-Men.

Peanuts, as tiras de Schulz que reúnem as aventuras e os delírios infantis de Snoopy, Charlie Brown, Linus e Cª, vai ter uma edição integral naquele que é o maior projecto editorial da história do mundo aos quadradinhos: 50 anos de arte. 25 livros. 15000 tiras. 2 livros por ano no total de 12 anos de publicação ininterrupta. A obra completa servida às tiras.

Umberto Eco, académico, escritor e homem do mundo, descreve assim este gang de bons rapazes: «Os Peanuts são monstros porque nós, adultos, assim os tornamos. Neles encontramos quase tudo: Freud, cultura de massas, cultura digest, luta frustrada pelo sucesso, procura de afecto, solidão, aquiscência passiva e protesto neurótico. Mas, estes elementos, não se agrupam directamente, saem das bocas de um grupo de crianças - são concebidos e colocados através de uma película de inocência». Nem mais.

Os primeiros dois volumes estão já disponíveis no mercado português com direito a tradução (pelas Edições Afrontamento) e, o terceiro capítulo da saga, conhecerá a luz de publicação em Abril do próximo ano. Fica, desde já, um conselho de amigo: leia devagar os dois primeiros para não fazer da espera uma tortura.

Em homenagem a Schulz e à sua grande imaginação, apresentamos - por ordem alfabética -todos os elementos deste formidável gang: Charlie Brown, Franklin, Linus, Lucy, Marcie, Peppermint Patty, Pigpen, Rerun, Sally, Shroeder, Snoopy e Woodstock.




Clique aqui e faça uma visita ao site oficial de Peanuts. Vale bem a pena.

Eu, tu e a irritação



Para fechar o fim-de-semana em ritmo cinéfilo, o Fusco-Lusco foi assistir à projecção de Eu, Tu e Todos os que Conhecemos, primeira longa-metragem de Miranda July.

O cenário é, dentro da independência americana, mais do mesmo: uma cidade suburbana, uma narrativa que salta entre personagens perdidas na vida e no seu desencanto e pequenos acontecimentos que as vão aproximando umas das outras.

Um filme ingénuo e narcisista, escrito, interpretado e realizado por Miranda July, que apenas consegue dar (alguma) profundidade a uma personagem - ela própria -, deixando as restantes perdidas num deserto de areias movediças. Um olhar pasmado sobre o mundo num filme que é uma autêntica pasmaceira.

Se o cinema independente americano - que tem em Altman ou Hartley representantes maiores - tem parido alguns ratos, aqui estamos diante de uma gigantesca ratazana. A irritação mora aqui.

Torre de Babel



Também no Centro de Arte Moderna se encontra o Projecto Book Cell, da autoria do eslovaco Matej Krén. Milhares de livros empilhados , todos edições da Fundação, criam uma estrutura arquitectónica que pode ser atravessada. Uma casa hexagonal, cercada de espelhos, que asseguram a vertigem da queda e a multiplicação infinita do espaço, numa visão moderna da Torre de Babel. Os livros, agora fechados e inacessíveis, serão recuperados após a desmontagem da instalação. Fantástico.

A arte comunitária



A Fundação Calouste Gulbenkian acolhe dentro de muros a exposição de um artista revolucionário, que descreveu uma mudança na concepção da arte recorrendo aos meios mais modestos. Falamos de Craigie Horsfield que, desde os anos 60, tem vindo a fazer uma série de propostas radicais visando a construção de uma comunidade futura.

Nascido em Inglaterra no ano de 1949, Horsfield tornou-se uma figura central da cena artística contemporânea ao propor uma nova abordagem da fotografia. Durante a década de 90 esteve na vanguarda do desenvolvimento da arte social, de projectos colectivos e da centralidade da conversação. Defendeu, durante mais de 30 anos, a introdução de trabalhos de som no espaço do museu, o potencial da projecção em ecrãs múltiplos enquanto espaço social e, também, o papel central do público no entendimento do museu. Para ele a obra de arte não é nem um objecto nem um produto da arte, mas sim um acto constitutivo do facto de estarmos em conjunto, de compreendermos os outros e a nós próprios.

A exposição da Gulbenkian apresenta trabalhos de fotografia, projectos sociais, filmes e trabalhos de som, abarcando um período de 35 anos de criação artística. Para ver de perto e levar o catálogo para casa.

Craigie Horsfield
Relation
Fundação Calouste Gulbenkian
Centro de Arte Moderna Azeredo Perdigão
25 de Julho a 24 de Setembro

quinta-feira, 17 de Agosto de 2006

Porquê, Coupland?



Aqui na redacção do Fusco-Lusco somos todos grandes fãs de Douglas Coupland. Desde a saída de Generation X, em 1991, até jPod, editado este ano, que não perdemos uma linha de prosa deste canadiano nascido numa base militar lá para as alemanhas. Basta dizer que da nossa biblioteca constam todos os seus romances e que, muitos deles, estão disponíveis em dose dupla - o original e a tradução.

Li jPod quase de uma assentada e, pela primeira vez em quinze anos, cheguei ao final de um livro de Coupland com uma estranha sensação de vazio. Em todas as suas obras, mesmo nas mais dadas ao vácuo sentimental como Eleanor Rugby ou Hey Nostradamus, sobrevivia uma mensagem de esperança, até quando chegávamos à última página com uma lágrima a descer-nos pela face.

Em jPod subsiste o vazio, e o livro parece ser um Microserfs meets All Families are Psychotics escrito fora de tempo. Porém, se Microserfs havia sido brilhante, apresentando um retrato de uma geração sem vida própria perdida no boom tecnológico dos anos noventa - o seu hilariante Brave New World -, jPod acaba por falhar no retrato de uma era tecnológica actual, que vai muito além dos cenários nele descritos. E nem a hug machine - o objecto mais fascinante que encontramos no livro - consegue salvá-lo de ser, entre todos, o livro menor de Douglas Coupland.

Resta-nos esperar que JPod seja para ele o que Eraserhead foi para David Lynch: uma crise existencial de curta duração.

Tributo



O Fusco-Lusco não conseguiu dar uma escapadela até Paredes de Coura, para aquele que é de todos o melhor festival nacional. Broken Social Scene, Bauhaus, Bloc Party, !!!, são apenas alguns dos nomes que passaram e vão ainda passar por terras nordestinas, entre cascatas de água doce e erva molhada.

Mas quem queríamos mesmo ver era Morrisey, que um dia foi porta-voz de uma banda que tornou cool sentimentos pouco festivos como a solidão, a angústia ou a depressão. Falamos dos The Smiths, que em apenas cinco anos alcançaram a imortalidade. Poemas com cheiro a flores e a Primavera, era assim a música de uma banda que alterou por completo a paleta de cores da arte pop.

Em género de tributo a Morrisey, Marr e companhia, aqui ficam os bonecos dos longas-duração que nos deram vida nos idos anos oitenta. Até hoje.

quarta-feira, 16 de Agosto de 2006

Uma volta pelos desportivos

O Fusco-Lusco está a morrer de saudades por um jogo a sério na TV e, para que o campeonato não pareça longe como Mecca, fazemos hoje uma visita guiada aos três diários que invadem mesas de café, bancos de jardim e conversas de meio país.



Como Durão Barroso fez quando abandonou o país e o partido trocando as doenças nacionais pelas regalias europeias, foi agora a vez de Jesualdo Ferreira desistir do projecto Boavista para se dedicar à causa do animal imaginário que habita o território portuense (in O Jogo). Amor à camisola já era...



Já o Record, mítico jornal de investigação de tudo o que é escandaleira, descobriu uma festa secreta organizada por Mantorras e Kikin lá para os lados de Belém. Meninas, muito álcool, boleros e kizomba foram os ingredientes mágicos numa noite que durou até às tantas.



A Bola, esse baluarte do lampionismo, troca hoje o futebol pela tourada e apresenta a nova sensação mexicana, de seu nome Kikin. Como o futebol anda a deixar muito a desejar, Filipe Vieira pensa já numa outra forma de pôr a luz a render - a festa brava. Cabecinha pensadora é outra coisa...

O passageiro



A primeira vez que vi um filme de Antonioni devia ter pouco mais de dez anos. Na altura, apesar de coisa me ter passado completamente ao lado, as imagens ficaram-me na retina até que em finais de adolescência pude rever Blow Up e mergulhar de lycra, touca e óculos estranhos na piscina metafórica deste italiano. E que metáforas.

Ontem fui ver The Passenger, que durante anos esteve guardado no frigorífico pessoal de Jack Nicholson. Apesar de ser de 1975 continua bem fresquinho, como um vinho do Porto que com o tempo foi ganhando um corpinho revelador de muitas horas de ginásio.

Antonioni conta a história de David Locke, um reporter desiludido com o trabalho e a vida que investiga as guerrilhas dos desertos africanos do norte. Um dia, ao descobrir morto um homem de negócios no hotel que ambos partilham no meio de nenhures, decide assumir uma nova identidade. Locke passa a ser Robertson, a usar as suas roupas, a seguir a sua agenda, deixando para trás a sua antiga pele e tentando encontrar um novo caminho.

Locke procura a fuga ao destino real, mas é o destino imaginado que lhe vai apertando cada vez mais o cerco. You can run but you can not hide, parece ser o sussurro que se vai ouvindo por entre as paisagens imensas.

Antonioni filma de uma forma soberba, e a sequência final de mais de sete minutos num só plano é do melhor que o cinema já nos mostrou - talvez só batida pela de Robert Altman na abertura de The Player. O cinema de autor mora aqui.

segunda-feira, 14 de Agosto de 2006

O resto dos EME

O terceiro dia dos EME abre em tons lusitanos com o projecto One Might Add, constituído por Alberto Arruda e Ruben Costa. Andam à volta do que agora se chama de kraut rock, pelo que o beat vai andar à solta na igreja e a serpentear dentro das muralhas do castelo.

Seguem-se sons de formas redondas trazidos pela imaginação dos Oval, onde a música ganha contornos mais arty e próximos da instalação sonora. Ou não fossem os rapazes patrocionados pelo Goethe Institute.




É hábito lusitano dizer que o melhor se guarda para o fim. Nos EME espera-se que a verdade popular subsista, e que a presença de Cecile "Colleen" Schott - compositora francesa que já surpreendeu com os longas-duração Everyone Alive Wants Answers (2003) e The Golden Morning Breaks (2005) -, ao quarto dia, encerre as festividades com grande pompa e muito estilo.

Esperam-se texturas musicais de grande fragilidade num encontro entre a folk e a electrónica que, por vezes, nos poderá lembrar pinguins bem vestidos a tocar numa esplanada de café.

Primeiro a solo, depois com a Naja Orchestra, Colleen vai mandar tudo para casa a trautear melodias. Nós por cá vamos já começar: la, la, la...

Para mais informações sobre os Encontros de Música Experimental 2006 consulte o endereço http://joaquim.emf.org/EME/EME.htm

sexta-feira, 11 de Agosto de 2006

Quero entrar para este gang



É caso para dizer que à terceira foi de vez. Após o dramatismo de End of a Hollywood Bedtime Story (2000) e do espírito britânico que imperava em No Cities Left (2004), os The Dears emancipam-se e oferecem ao mundo uma pérola de nome de Gang of Losers.

Não quer isto dizer que os fantasmas de Morrisey ou dos Blur tenham abandonado de vez o barco, mas Gang of Losers mostra uns The Dears mais dedicados à causa canadiana - ouçam There goes my outfit, You and I are a gang of losers ou Ballad of human kindness - e a explorar novos territórios. A sua música tornou-se mais crua e inventiva, despiu-se na frente de todos e manteve a melancolia como pano de fundo - ou não cantasse Murray Lightburn com o coração em vez da boca.

Se este é um gang de derrotados, então contém com o Fusco-Lusco para ingressar as suas fileiras. Um dos álbuns de 2006, para ouvir em loop.

quinta-feira, 10 de Agosto de 2006

Trabalhar no duro é nas obras



Hoje conheceram-se mais desenvolvimentos em relação à saída de Adriaanse. Parece que o técnico gritava muito com os jogadores, fazia-os treinar nos dias dos jogos e, imagine-se, obrigava-os a correr extensões de 10 km como se fossem atletas de dimensão olímpica.

Após o jogo com os amadores do Riknsburgs Boys, que os portistas venceram por 5-2, Adriaanse deu na cabeça do pessoal porque sofrer dois golos com uma equipa destas era assim como perder a virgindade usando cinto de castidade. O pessoal não gostou, fez birra e nem sequer jantou nessa noite, recusando mesmo o irresistível Haagen-Dazs de macadamia brittle. Se depois comeram ou não bolachinhas no quarto às escondidas isso já ninguém sabe.

É normal este descontentamento. Afinal os rapazes estão ali para dar uns toques na bola, fazer umas fintas engraçadas, rabiscar uns autógrafos e, acima de tudo, serem estrelas de capa de revista. Se fosse para dar no duro tinham ido trabalhar para as obras, não se tinham tornado jogadores de futebol. Ai Adriaanse, de que planeta misterioso caíste tu para aturar putos mimados?

EME: ao segundo dia a escuridão

O segundo dia do EME abre com o projecto Húmus, uma parceria lusitana entre Francisco Janes e Carlos Pereira que se baseia na composição musical a partir da utilização de imagens. Da sua biografia discográfica constam já os trabalhos Húmus (2003), O Ermita (2004) e Untitled (2006).



O encerramento da noite vai caber ao mexicano Fernando Corona, aka Murcof, que é somente uma das mais vibrantes personagens da electrónica abstracta dos tempos modernos.

A sua música, apesar da vertente digital, vai beber influências à composição clássica contemporânea, onde o minimalismo abraça ambientes negros e sombrios de dimensões épicas. Escutem Remembranza, editado em 2005, e vão ter uma ideia daquilo que poderão experienciar em Palmela: uma total escuridão. Imperdível.

quarta-feira, 9 de Agosto de 2006

Onde pára o avião?




Há uns meses atrás, o estado português mostrava total orgulho na compra de um super-avião, apresentado como o maior combatente aos fogos em Portugal. Com um depósito gigante prometia apagar os fogos num piscar de olhos, e nem as questões levantadas sobre como e onde se faria o abastecimento de água pareceu preocupar as gentes do poder. O importante era ser grande e ter uma bexiga ao estilo de uma caixa aberta.

Ontem, enquanto o país ardia numa fotocópia perfeita de anos anteriores, o Fusco-Lusco perguntou aos seus botões pelo dito avião. Não precisou de esperar muito tempo já que, instantes depois, ouvia-se a resposta na televisão: está em reparações para os lados de Espanha.

Laranja azedou



Co Adriaanse bateu com a porta. Farto de esperar por um matador e não habituado a treinar sob as ordens de um capataz imperial, o holandês emitiu um comunicado e lá foi ele mais os seus de regresso ao reino da laranjada. É de homem.

A pergunta que o Fusco-Lusco e todos os portugueses fazem agora é a seguinte: será que os dragões vão mudar a cor do equipamento alternativo?

O rei da cassete



Nascido em Berlin no ano de 1961, Harald «Sack Ziegler» é um dos representantes maiores do experimentalismo. Ao longo de mais de vinte anos tem editado a maior parte da sua criação em vinil e cassete, muitas vezes com gravações de qualidade duvidosa mas, sempre, com a presença de um lado bizarro vertiginoso - o verdadeiro e puro lo-fi mora aqui.

A sua inventividade já o fez colaborar com bandas como os Mouse on Mars e, os concertos ao vivo, são de um frenetismo intenso. Espera-se uma pop dadaísta, um techno saído de uma caixa de música, instrumentos de brincar a ganharem vida própria mas, acima de tudo, espera-se o inesperado.

Harald «Sack Ziegler», o rei da cassete, actua a seguir aos Micro Audio Waves no primeiro dia do EME.

terça-feira, 8 de Agosto de 2006

Ondas microscópicas abrem EME




Os Encontros de Música Experimental (EME) abrem no dia 4 de Outubro com os Micro Audio Waves, uma das bandas do momento no reino da lusitânia. Há não muito tempo conquistaram os prémios para melhor álbum - «No Waves» - e videoclip - com «Fully Connected» - na 2ª edição dos Qwartz Music Electronic Awards, que distinguem os melhores trabalhos da música electrónica independente a nível mundial. Por isso e muito mais chegam a Palmela em clima de celebração.

A banda é composta por C. Morg, Flak (dos saudosos Rádio Macau) e Cláudia Ribeiro, uma sereia que faz do palco o seu oceano pessoal. Apesar de se moverem no campo da música experimental a sua sonoridade viaja por campos melódicos, o que lhes confere um som bem distinto no panorama musical em dias de globalização.

Espreitem o site oficial da banda onde poderão, além de Fully Connected, ver os vídeos imaginados para Al Pacino e Too Many Lights. Aqui fica o link: www.microaudiowaves.com

No experimentar é que está o ganho




Em Outubro a vila de Palmela vai ser palco do experimentalismo, recebendo de braços abertos os Encontros de Música Experimental. Este ano, a avaliar pelo cartaz, a fasquia vai subir vários centímetros, esperando-se que esta edição possa ser a da confirmação. O cenário escolhido é o da Igreja de Santiago, bem no coração do Castelo de Palmela.

Durante os próximos dias iremos apresentar alguns dos artistas presentes, para que se vão preparando com tempo para um experimentalismo de primeira.

segunda-feira, 7 de Agosto de 2006

Albarn em todas as frentes



Primeiro vieram os Blur, que cedo conquistaram o reino do super pop vencendo uma batalha imaginária com os Oasis - e logo por knock out. Desde Leisure, do longínquo ano de 1991, que Damon e sua banda têm sobrevivido à crítica, à indústria, à redução de quarteto para trio e aos novos públicos, reinventando-se a cada disco como se fosse sempre a primeira vez. Modern Life is Rubish (1993), Blur (1997) ou Think Tank (2003) foram outras estrelas cintilantes que deram brilho aos céus, que esperam ansiosamente pelo nascimento de uma nova constelação Blur.

A seguir, para explorar novos territórios e sonoridades, formou os Gorillaz, que num ápice se tornaram na mais refrescante banda da actualidade. Os desenhos animados também ajudaram, e até Spielberg quis realizar um filme com a bonecada. Os rapazes não deixaram, querem ser eles a tratar de tudo - e fazem muito bem.

Agora, não satisfeito com a maioridade alcançada - e enquanto prepara a edição do seu primeiro trabalho a solo com o touch do mágico Danger Mouse -, Damon Albarn decidiu criar mais um grupo, onde apenas constam super-heróis. Senão vejamos: Damon Albarn himself; Paul Simonon, ex-baixista dos Clash; Simon Tong, ex-génio-guitarrista dos Verve; Tony Allen, o veterano baterista que tem a terrível fama de ser o melhor do mundo.

A banda irá chamar-se The Good, the Bad and the Queen e promete um álbum conceptual lá para Janeiro do próximo ano. Com sorte poderemos ouvir o primeiro single em Outubro mas, vindo dos lados de Damon Albarn, só podemos esperar coisa boa. Que a força esteja contigo Damon Albarn.

O deus do vinho fez anos



5 de Agosto foi uma data especial. Afinal não é todos os dias que um deus faz anos, decidindo organizar uma festa para celebrar o seu nascimento numa piscina de vinho.

Parece que foi ontem que o Baco dava os primeiros passos, xuxa numa mão e biberão de tinto na outra, acompanhanhando um chouriço assado que fazia crescer água na boca.

O Baco cresceu, fez-se um homenzinho e nós crescemos com ele, em dez anos que passaram a correr mas que deixaram imagens, sons e cheiros inapagáveis.

O Fusco-Lusco envia os parabéns ao Calhotas e ao Maré, fundadores deste grande instituição, desejando mais uma década com o entusiamo de sempre.

sexta-feira, 4 de Agosto de 2006


Todos à praia!



A moda dos comeback`s veio decididamente para ficar. Na música, bandas como os Beach Boys, os Pixies ou os Marillion voltaram da penumbra para reconquistar prestígio e pilim; a web acolhe sites dedicados à cultura dos anos 80, onde se podem ouvir músicas de séries de desenhos animados como Bell e Sebastião ou confirmar que os kalkitos não são um mito inventado pelos mais velhos; até o grande Mário Jardel regressou, quando já todos o julgavam instalado numa ilha tropical com uma barriguinha de cem quilos.

Mas a coisa não podia ficar por aqui. Agora, com honras de adaptação ao écran gigante de tudo o que é cinema, chega-nos Miami Vice.

Miami Vice foi uma série de culto dos anos oitenta, muito por culpa das teenagers que viam em Don Johnson um ícone sexual apenas ultrapassado pelo engenhocas MaGyver. Com uma banda sonora de fazer a inveja a um Armstrong ou a um Morriconi, retratava as aventuras dos detectives James 'Sonny' Crockett (Don Johnson) e Ricardo 'Rico' Tubbs (Philip Michael Thomas), grandes combatentes do crime da cidade de Miami. Juntos apanhavam mais droga que a PJ portuguesa, o que não é tarefa fácil em qualquer parte do mundo.

Como o Fusco-Lusco não quer que as gerações mais jovens se impressionem com estas adaptações modernas, perdendo a verdadeira identidade de Miami Vice, aqui ficam algumas imagens reveladoras. Fica desde já prometido um especial anos 80 lá mais para o final do mês...



quinta-feira, 3 de Agosto de 2006


Jogas?



Enquanto que a nova temporada futebolística não se inicia, os simuladores de treinador virtual foram postos de molho e a caçada a um novo entretenimento começou. Assim, depois de muita procura e manobras de investigação, parece que a comunidade jogadora lusitana encontrou uma nova brincadeira: ogame.

Trata-se de um jogo de estratégia que se desenrola no universo da ficção científica, envolvendo minas de cristal e metal, sintetizadores de deutério, fábricas de robots, silos de mísseis e outras coisas muito estranhas.

O Fusco-Lusco iniciou há menos de um dia a sua aventura e, por enquanto, ainda não está a achar muita piada. Esperemos que daqui a uns dias o cenário seja mais animador.

Saiba tudo em:

www.ogame.com.pt

quarta-feira, 2 de Agosto de 2006


Ilegalidade oficial



Além das ilegalidades já de todos conhecidas como o tráfico de droga, os crimes de sangue, a fuga aos impostos ou a exibição dos orgãos genitais na via pública, o provedor de Justiça veio acrecentar uma outra: a recente repetição dos exames nacionais de Física e de Química do 12º ano.

A teoria do Fusco-Lusco é a de que, provavelmente uma sobrinha ou uma espécie de afilhada, terá ligado ao secretário de estado da educação, banhada em lágrimas, a contar que o exame lhe tinha corrido pessimamente.

O secretário, para evitar uma crise familiar de larga escala, lembrou-se de emitir um despacho de emergência e oferecer mais uma hipótese à rapariga. Como não queria dar muito nas vistas mandou repetir dois exames, mas foi apanhado na mesma. Já há quem peça a cabeça do homem que, afinal, estava apenas a tomar conta dos seus. Mas já ninguém respeita a família neste país?

Saiba mais em

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1265907

terça-feira, 1 de Agosto de 2006


Incentivo à luta de oportunidades



Já é sabido que aquele que não se pode dizer o nome, para poder entrar pela porta grande da Liga dos Campeões, terá de vencer uma equipa composta de vienenses. Não os de Viana do Castelo mas aqueles outros, os austríacos, pouco tempo após terem sido enxovalhados pelos colegas verdes de Lisboa.

Sabendo que os adversários são muito fraquinhos, e não querendo que a eliminatória seja pouco disputada e isenta de emoção, aquele que não se pode dizer o nome decidiu deixar o capitão Simão de fora, como que a dizer ao oponente que nada está perdido. Um verdadeiro exemplo de fair play sobre o qual todo o mundo deveria meditar.


Apelo ao comentário



O Fusco-Lusco gostaria de fazer uma apelo junto de todos os visitantes, caminhantes e náufragos deste blog para que deixassem nele a sua marca. Comentem, opinem, mostrem-nos o que vos vai na alma. Só não é permitido o uso de linguagem insultuosa ou obscena porque, por incrível que pareça, há menores de idade que lêem isto. Afinal há vida para lá da Floribela e dos Morangos com Açúcar...