terça-feira, 31 de Outubro de 2006

Gente sentada de verde e negro



Depois de Fink e Stuart Robertson já são conhecidos mais três nomes que se vão sentar no Cine-Teatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira: Adam Green, Sparkehorse e Emiliana Torrini.

Mark Linkous é o nome que se esconde por detrás dos Sparklehorse, uma banda que tem navegado ao longo dos tempos nas águas do lo-fi, uma sonoridade bem americana impregnada de sujidade. Linkous andou perdido em pensamentos negros até que Danger Mouse - o produtor do momento - e David Friedman decidiram estender-lhe uma mão amiga e mostrar-lhe o caminho. Dreamt for Light Years in the Belly of a Mountain, editado este ano, foi o resultado desse momento de claridade. Tom Waits e Steven Drozd (baterista dos Flaming Lips) deram também uma ajuda, num álbum triste, melodioso, angélico e de uma bizarria extrema.

Adam Green é um pimba iluminado, um druggy de fato e gravata, um miúdo abençoado pela centelha do génio. Um novo Elvis que decidiu trocar o mel pelo sarcasmo e servi-lo em doses industriais num franchising sem concessões. Este ano o rapaz chegou à mão cheia de discos com a edição de Jacket Full of Danger, capaz de fazer rir o ser vivo mais mal disposto do universo.

Quanto a Emiliana Torrini ainda não sabemos quem é mas prometemos investigar. Os bilhetes para o Gente Sentada começam a ser vendidos amanhã. 15 euros para 1 dia e 20 para os dois. O Fusco-Lusco irá continuar atento às movimentações da gente, e promete lá estar para vos contar tudo.

domingo, 29 de Outubro de 2006

O diabo é anorético



A sensação que fica é a de que poderia ter sido um grande filme. The Devil Wears Prada, um olhar sobre o mundo da moda, centra-se na figura de Miranda Priestly, editora implacável da Runway, uma revista de moda capaz de criar e destruir todos os que se dedicam à vida de fazer trapos. Anne Hathaway faz o papel de candidata a jornalista perdida em Nova Iorque, que aos poucos se vai deixando enfeitiçar pelo glamour e endoidecer pela vertigem de trabalhar como assistente da dama dragão.

Porém, ao mesmo tempo que critica a vertigem e a futilidade de um mundo feito de cenários, o filme calça às escondidas o salto alto e faz deliciado a unha francesa, recriando a história de uma campónia que chega à cidade, se encanta com as luzes cintilantes mas que, antes de ser engolida por uma onda gigante, salta do barco e regressa à antiga vidinha, mais pobre mas a respirar felicidade. Uma cinderela moderna que percebeu que o príncipe, afinal, era um sapo verde e muito viscoso.

Stanley Tucci e Merryl Streep bem tentam levar o filme às costas, mas não chegam para tornar um filme mediano, previsível e inofensivo num candidato a seja o que for. Recomendável apenas para aqueles que consideram O Sexo e a Cidade a melhor série de TV de todos os tempos.

quinta-feira, 26 de Outubro de 2006

Desconfio que sou inglês


Descobri algo que, no início me deixou um pouco preocupado. Apesar de o BI indicar Setúbal como berço primeiro desconfio que nasci para os lados de Sua Majestade britânica. Não quero com isto dizer que:

- todas as manhãs ateste o organismo de feijões açucarados, batatas estaladiças e torradas gordurosas;
- todas as noites me deite às 10 após um copo no bar da esquina ou o visionamento de mais um episódio da 30ª série de Eastenders;
- todos os domingos à tarde me delicie com galinha seca no forno regada com uma substância química (o célebre gravy).

Falo antes de uma doença da qual padeço e me deixa, muitas vezes, plantado em esquinas, cafés ou salas-de-aula. Sofro, meus amigos, de excesso de pontualidade, o que para um português que se preze constitui um grave indício de má-formação e fraca personalidade. Basta dizer que a regra universitária n.º 1 que se aprende é o quarto de hora académico.

Bem, tenho de sair agora porque já estou atrasado para o trabalho. Mas esperem lá! Será que também aí se pode aplicar a regra académica de ouro e enganar o relógio de ponto?...

terça-feira, 24 de Outubro de 2006

Sede de sangue



Popeye e Brutus. Mickey e Bafo-de-Onça. Tio Patinhas e os Metralhas. Lucky Lucke e os Dalton. Duplas que, no mundo dos quadradinhos, se têm degladiado desde os tempos em que usávamos fraldas e tínhamos a chucha como melhor amiga (pelo menos quem anda pelos trintas).

No mundo real há duplas e triplas armadas em gladiadores, vibrando com o sangue que jorra assim que a arena abre as portas. É algo que caminha de braço dado com a História, como a incomodativa comichão entre argentinos e ingleses.

Na semana que antecede mais um clássico tingido de azul e vermelho, as três capas dos jornais desportivos de hoje clamam por sangue, dando voz a qualquer disparate que actue como potenciador de uma boa colheita sanguínea.

De um lado Pinto da Costa. Do outro Veiga e Vieira. O jogo decide-se no domingo mas os representantes máximos dos clubes acham que quem disser mais disparates durante a semana entra no Dragão em vantagem. Mais valia publicarem na capa fotos de gatas nuas em vez de darem lugar a tanta parvoíce.

O Fusco-Lusco aceita prognósticos, está na hora de se chegarem à frente.

segunda-feira, 23 de Outubro de 2006

Dança brava



Chamaram-lhes fascistas, homossexuais, arrogantes e outros nomes giros. No início da década de oitenta, vestidos de uma forma estranha e sempre com a bandeira da lusitânia a tiracolo, os Heróis do Mar quebraram com o estado de espírito do politicamente correcto, instalado num país silencioso e preso aos fantasmas da ditadura - sem perceber que o cinzento podia ser, então, de todas as cores do arco-íris.

Terça-feira, inserido no doclisboa 2006, passa no Grande Auditório da Culturgest o documentário Brava Dança, da autoria de José Pinheiro e Jorge Pires. Testemunhos de músicos e não músicos, numa viagem a um tempo e a uma banda que marcaram a história da música popular portuguesa. Mais sobre o doclisboa 2006 aqui.

Blue Note em Palmela



A mulher com a voz mais grossa de toda a Lusitânia anda numa tourneé bem movimentada e, a vila de Palmela, vai ter a honra de a receber no próximo dia 30 de Novembro.

Falamos de Jacinta, a estonteante cantora jazz portuguesa que, por cantar tão bem e de forma tão sentida, foi convocada a integrar o catálogo da mais prestigiada editora jazz do universo - a Blue Note. É assim como dizer que Jacinta está para o jazz mundial como o Cristiano Ronaldo está para o futebol.

Os bilhetes já se encontram à venda no Cine-Teatro São João, em Palmela, pelo simpático preço de 10 euros. Para informações ou reservas poderá ligar para o 212 228 520.

domingo, 22 de Outubro de 2006

O regresso da monarquia



Quando apareceu na pele de realizadora pensou-se que iria ser mais um caso de morte prematura. Porém, depois de Virgin Suicides e Lost in Translation, Sofia Copolla não mais foi chamada de menina do papá, ganhando um lugar próprio e de destaque na cinematografia contemporânea.

Quando surgiram os primeiros rumores de que filme seguinte iria abordar a vida de Marie Antoinette, a expectativa foi colocada no patamar superior. Menos de uma semana após a estreia em Portugal, as opiniões dividem-se entre o muito mau e o muito bom.

Para o Fusco-Lusco não há qualquer dúvida. Estamos diante de um filme fantástico, que nos conta um pedaço de história sem pormenores exaustivos ou maçadores. Copolla apresenta-nos a sua visão de Antoinette como uma adolescente privada de um mundo verdadeiro, encerrada num universo de convenções, alheada de uma nação prestes a explodir e que a engoliu como a responsável por todo o mal que a assolava.

Uma vez mais - como em Lost in Translation -, Sofia fala e mostra o mundo através de silêncios, olhares, imagens, onde a necessidade de diálogos é quase remota - isto é cinema. Kirsten Dunst está deslumbrante, ela que é uma actriz que parece andar sempre na corda bamba, rumo a um destino trágico que aceita com um sorriso nos lábios e de braços abertos. Quanto à banda-sonora foi muito bem escolhida, e até chega a parecer credível que os The Strokes fossem a banda do momento em todas as cortes. Sofia decidiu brincar com a História e só lhe ficou bem. Esperemos que o quarto ainda consiga ser melhor.

sexta-feira, 20 de Outubro de 2006

Big Lettuce



Lisboa está sempre em alta. Exposições, concertos, cinema, teatro, conferências e um sem número de eventos culturais fazem da nossa capital uma verdadeira Big Apple à portuguesa, a que orgulhosamente o Fusco-Lusco chama de Grande Alface.

«O Que Vem à Rede é Peixe» dá hoje destaque a Le Cool, um site que se dedica a destacar semanalmente algumas das iniciativas que dão vida a Lisboa. Design de qualidade, textos light e bem escritos, propostas interessantes, fazem deste local cibernético um local a visitar com regularidade.

Poderá assinar a newsletter e receber semanalmente todas as propostas na sua caixa de correio. Vá por aqui e descubra o que de bom se faz na terra das alfaces.

quarta-feira, 18 de Outubro de 2006

O mundo do faz-de-conta



Há artistas que o mundo continua a ignorar, mesmo depois de lhe terem oferecido uma mão-cheia de pérolas que formam um tesouro magnífico. Lisa Germano é um desses esquecimentos maiores e, trabalhos como Geek the Girl (1994), Excerpts From a Love Circus (1996) ou Lullaby For Liquid Pig (2003) passaram ao lado de rádios, televisões, grandes e pequenos palcos, remetendo o culto da artista para um público tão pequeno quanto o número de adeptos do Comércio e Indústria.

Três anos após a última aventura discográfica o regresso aconteceu este ano com In The Maybe World, doze canções arrancadas a ferros ao centro da alma. Sussurros que nos falam de separações, lamentos de perda, visões de morte, numa terra que pertence a fadas, duendes e a génios desaparecidos como Nick Drake ou Jeff Buckley. Uma terra pintada de negro que irradia felicidade. Um disco para ouvir bem alto enquanto, através da janela, se avistam os clarões da tempestade.

Deixámos para o fim a boa notícia. Lisa Germano visita a Lusitânia para duas actuações no Teatro Circo, em Braga (29 e 30 de Novembro), e uma no Santiago Alquimista (2 de Dezembro). A não perder. Antes disso façam uma visita ao seu site oficial.

Segunda pele



Se é daquelas pessoas que passa o tempo a sonhar com uma nova vida, desdenhando o corpo da Beyoncé ou sentindo inveja da fama do Mourinho, o seu momento de glória pode estar à distância de um clique. Basta para isso tornar-se um avatar e mergulhar de alma e coração em Second Life.

Criado em 2003 como um mundo paralelo, Second Life reuniu desde então mais de 900 mil espectadores num universo onde tudo é possível. O jogo, pilhado ao conhecido Sim City, tem como premissa a construção de cidades onde as personagens possam viver uma segunda vida rumo ao sonho - ou escapando à vida de carne e osso.

Aqui podem-se comprar e vender todo o tipo de serviços. Toyota, Sony e Adidas são apenas alguns dos nomes que estão representados neste mundo, sustentado por uma poderosa economia virtual onde a moeda é o dolar linden (um destes meninos vale cerca de 273,30 dólares reais). Por dia, o jogo faz circular cerca de 350 mil dólares.

A coisa está a correr tão bem que a Reuters, prestigiada agência de informação, vai também entrar no universo com uma agência noticiosa virtual. O pivot responsável pela gestão tem o nome de Adam Pasick, jornalista da Reuters em Londres, especialista em tecnologias e media.

Se estiver interessado em vestir uma nova pele e aventurar-se num mundo paralelo onde tudo é possível - ou apenas conhecer melhor esta fantasia - clique aqui. Até pode encontrar o seu Euromilhões.

Nota: Avatar é um termo hindu para designar uma manifestação corporal de um ser imortal.

terça-feira, 17 de Outubro de 2006

Já há gente sentada



O dia de hoje trouxe as primeiras boas novas do Festival para Gente Sentada, que terá lugar em Santa Maria da Feira nos dias 24 e 25 de Novembro.

Já são conhecidos dois dos nomes que se vão sentar no Cine-Teatro António Lamoso: Fink e Stuart Robertson. O primeiro está ligado à Ninja Tune, editora que se move em meandros algo dançáveis e muito alternativos; quanto a Robertson apresenta-se como um pianista virtuoso, um songwriter de eleição, que este ano editou The Furthest Shelter e se fartou de receber elogios.

O Fusco-Lusco vai estar atento a mais desenvolvimentos e investigar a obra discográfica destes dois senhores. E permanecerá alerta para o anúncio de mais nomes.

Amadora em grande




Uma vez mais a Amadora divide-se em tiras e acolhe o Festival BD 2006, que este ano dedica um olhar atento ao resto do mundo. O destaque maior vai para uma exposição sobre a banda desenhada da América Latina, retratando 100 anos de estórias desta zona do globo, que irá incluir desenhos originais de Quino, Alberto Breccia e Hugo Pratt.

Para saberem tudo sobre o festival - exposições, autores, autógrafos, debates, filmes, oficinas e espectáculos musicais - cliquem aqui e viagem pela página oficial do Festival.

segunda-feira, 16 de Outubro de 2006

Imperadores do gelo



O Fusco-Lusco deixou de lado o cinema de autor, os efeitos-especiais e a animação em 3D para entrar no espírito National Geographic, deliciando-se com La Marche de L`Empereur, do realizador Luc Jacquet.

As imagens são fantásticas, de fazer cortar a respiração e gelar os sentidos, ilustrando o ritual que os pinguins imperadores repetem desde o início da (sua) história de modo a preservar a espécie.

O único senão tem a ver com o argumento do filme - as vozes de fundo e as piadas deslocadas -, que transformam um fantástico documentário numa ode ao lamechismo e à lágrima (ou gargalhada) fácil. Mais valia terem entrado na onda do No Comments, seguindo a política do Euronews. A não perder, sem som ou com uma sinfonia de Beethoven como pano sonoro de fundo.

sexta-feira, 13 de Outubro de 2006

Espirro em risco



A ciência é uma coisa maravilhosa. Depois de ter oferecido ao mundo o karaoke e a ovelha dolly, prenda-nos agora com aquela que, a seguir à Internet, passará a ocupar um dos lugares cimeiros da lista das invenções mais importantes. Falamos do gato hipoalergénico.

A empresa responsável pela comercialização destes bichinhos, a rondar os 4000 dólares por cabeça, diz que a aposta foi unicamente na reprodução já que, quando se preparavam para dar uso às alterações moleculares, descobriram que afinal haviam gatos pouco dados a provocar alergias. Uma empresa rival diz que é tudo mentira, que um gato não pode ser hipoalergénico se não for geneticamente modificado. A guerra está lançada e prometem-se desenvolvimentos, teorias e estudos nas revistas da especialidade.

De qualquer forma, parece que os gatos vieram para ficar e acabar com os espirros e os olhos lacrimejantes. Nos bastidores diz-se que as próximas invenções planeadas são cães que não larguem pêlo, papapaios que falem fluentemente cinco línguas e sardinhas que não tenham espinhas.

Guess who`s Beck!?



Lembro-me de em 1994 olhar para a capa de Mellow Gold e dizer para os meus botões: devem ser uns putos a armarem-se em Iron Maiden dos anos 90. Qual não foi a surpresa, ao carregar no play, constatar que afinal se tratava de uma reunião musical de emergência onde estavam presentes Prince, os Beastie Boys, coros gospel, a nata da folk e inúmeras personagens situadas no universo sonoro alternativo.

Desde então muitas foram as pérolas oferecidas por este rapaz ao mundo, sendo Odelay e Sea Change as preferidas do Fusco-Lusco. Este mês Beck decidiu voltar a dar-nos música, tendo o resultado recebido «The Information» como nome de baptismo.

Fresco, inventivo, palpitante, genial, são adjectivos que ficam sempre bem a este miúdo já bem crescido. À quinta audição ainda nos parece melhor, ameaçando tornar-se tão viciante quanto o café colombiano. Pode não ser português, mas Beck tem já sintomas de um produto bem nacional: o Vinho do Porto.

quinta-feira, 12 de Outubro de 2006

Ao lado



Ontem trocámos a sala de cinema pelo sofá e visionámos Sideways, filme do realizador Alexander Payne. Crises de meia-idade, separações mal resolvidas, sintomas de eterna adolescência, dúvidas existenciais num filme que vai perdendo força à medida que caminha para os momentos finais, abandonando algumas das personagens - principalmente o louro engatatão - sem que antes lhes extraia todo o sumo ou resolva os seus coflitos (ou, mais grave, sem que se perceba muito bem que conflitos são esses). Não se trata de um mau filme, de forma alguma, mas está também a milhas da obra-prima que muitos escrevinharam por aí. Algo à volta do «cinco-sete», não mais que isso.

Porém, ao ver Sideways não pudémos deixar de nos lembrar de Swingers, um filme fantástico que continua orfão de distribuição em Portugal. Nem sequer um DVD para amostra. É talvez uma das pérolas maiores no que trata de descrever o início/desenvolvimento da idade adulta, e do que move cada um de nós para a felicidade entre o desejo de vadiagem e a procura de um grande e permanente amor.

Da autoria de Doug Liman, que mais recentemente se tornou conhecido por realizar a série de televisão The O.C. (penso que em português a tradução e qualquer coisa como Na Terra dos Ricos), Swingers permanece como um filme culto à espera que alguém em Portugal abra os olhos e o edite. Valha a importação...

terça-feira, 10 de Outubro de 2006

Já nem Fátima acreditava




Há quatro dias atrás nem sequer gatinhavam tal a sova que apanharam na terra onde a vodka se bebe como água. Hoje mais pareciam uns gigantes, caminhando sobre o verde molhado como verdadeiros imperadores com a bola colada aos pés.

Quando todo o país já lhes rogava pragas e já nem Fátima acreditava no seu próprio milagre, eis o apuramento dos sub-21 conseguido com uma estrondosa vitória de 3-0 sobre a Rússia. Hoje, ao deitar, podem trocar o leite morno por um Moet Chandon bem fresquinho. Durmam bem bebés, parabéns.

Por detrás do espelho



Há quem diga que lhe falta alguma história mas, para o Fusco-Lusco, Mirrormask é uma aventura fantástica ao mundo da imaginação.

Produto cinéfilo das mentes vertiginosas de Neil Gaiman e Dave Mckean, o filme é uma espécie de Alice no País das Maravilhas, situado algures entre o real e o animado. Helena, a personagem principal, vê-se perdida num mundo que está a ser engolido pelas sombras. Para o salvar, e ao mesmo tempo regressar à sua vida anterior - ao outro lado do espelho se quiserem -, tem de encontrar a máscara de espelhos (Mirrormask) que fará acordar a Princesa da Luz e adormecer as sombras. Porém, nas entrelinhas muito se esconde...

Sejam bem-vindos ao cinema do sonho!

segunda-feira, 9 de Outubro de 2006

Load""Enter



O Fusco-Lusco entrou na cápsula do tempo e fez uma viagem sem paragens aos anos oitenta onde, para gáudio dos amantes dos videojogos, o spectrum dava cartas. Load "" Enter era a voz de comando que se teclava, seguido do Play que antecipava uns bons minutos de espera onde o som de fundo era semelhante ao da batata a fritar a altas temperaturas. Muitas vezes a frustação chegava com o Loading Error estampado no ecrán, que exigia o uso minucioso da chave de fendas no local secreto do gravador responsável pelo volume.

Ora bem, os tempos do spectrum já foram recuperados e estão um pouco por toda a parte. Para poderem ver como começou a loucura dos jogos basta instalar um emulador no vosso computador e viajar depois pelos muitos locais dedicados ao reviver desta consola endiabrada.

Footballer of the Year, Match Point, Back to Skool, Chuckie Egg, são apenas alguns exemplos do que poderá reviver ou experimentar pela primeira vez. Até o célebre Paradise Café pode ser jogado, com o perigoso Reinaldo sempre à espreita. São permitidas gargalhadas de gozo aos mais pequenos, habituados aos gráficos de eleição de preciosidades como a Playstation, a X-Box ou a Game Cube. Mas não se esqueçam de uma coisa: tudo começou aqui.

Para os emuladores experimentem aqui, aqui ou aqui. Depois, para começar a jogar visitem este site. Boa viagem!

sexta-feira, 6 de Outubro de 2006

Join the dark side

Não resistimos à tentação e decidimos partilhar o Bartoon de hoje. In Público, por Luís Afonso. Tudo vale quando é por humor.

Toda a música num laptop



O segundo dia dos EME foi marcado pelo poder bélico dos laptops. A primeira parte coube aos portugueses Húmus: entraram em palco, sentaram-se e, depois de quarenta minutos a olhar para o ecrã num silêncio partilhado, fecharam a tampa e lá foram à sua vidinha.

Depois, quem esteve nas imediações do Castelo entre as 23 e as 24 horas sentiu a terra tremer num abalo avassalador. Murcof, o mexicano que este ano nos ofereceu o inclassificável Remebranza - é certo que estará no top 10 de 2006 do Fusco-Lusco -, encheu a Igreja de Santiago de magia num cruzamento entre a dança , o classicismo old school e o exorcismo pelo lado mais negro da alma. Quase juramos ter ouvido os orgãos (invisíveis) da igreja celebrar o Dia do Julgamento num vislumbre claro do purgatório. Arrepiante.

Apenas um reparo à organização. Seria interessante que as câmaras pudessem mostrar imagens do que se vai fazendo nos laptops, nas gooves e afins, de modo a percebermos melhor a magia que se faz com a electrónica. Fica a sugestão.

Nota: Sábado, às 22:00, quem puder rume ao Castelo de Palmela. Vai lá estar Colleen, autora de pedaços de céu como The Golden Morning Breaks e Everyone Alive Wants Answers. O Fusco-Lusco não vai poder lá estar, ficamos à espera que nos contem como foi.

quinta-feira, 5 de Outubro de 2006

A orquestra desceu à praia



O homem-orquestra foi à praia. Levou o balde para encher de areia invisível e construiu castelos sonoros que fizeram os santos trautear melodias e os anjos abanar as asas de contentamento.

Tudo se passou ontem à noite, na Igreja de Santiago, no coração do deslumbrante Castelo de Palmela. O homem-orquestra tem o nome de Harald Ziegler, e é um dos mais inventivos músicos do universo musical com o nome de experimentalismo. Com ele os brinquedos ganham vida própria e, durante alguns minutos, fomos até ao País das Maravilhas visitar a Alice e todos os seus amigos. Simplicidade, humor, mestria e criatividade na abertura dos Encontros de Música Experimental.

quarta-feira, 4 de Outubro de 2006

O monstro das bolachas



Passámos a manhã inteira a ouvir «Return to Cookie Mountain», dos TV on the Radio, e a tarde começou da mesma forma.

Estamos perante um disco de excepção onde o final parece ficar em suspenso, como num romance de Kafka, dadas as muitas pérolas preciosas que se encontram (felizmente)por polir. Um ritual sobre a vida e a inevitabilidade da morte atravessado por um gospel em fogo, uma pop desviante, um rock psicadélico, um jazz esquizofrénico mas, acima de tudo, por um espírito inventivo de eleição. Sem dúvida um dos discos maiores de 2006.

terça-feira, 3 de Outubro de 2006

Esquerda, direita...volver



Há quem diga que é uma película menor de Almodóvar, mas para nós isso é como dizer que «Sea Change» é um album em ponto pequeno do inventivo Beck.

Volver é um filme fantástico sobre as tradições, os segredos de família, as intrigas, os fantasmas que nos povoam a vida e jamais nos abandonam. Um olhar sobre a forma como encaramos a morte, sempre pelo lado mais negro, apavorados com o que está por detrás da cortina terrena. É também um filme sobre a esperança, que nos mostra que às vezes é possível começar tudo de novo. Até a própria vida.

Recomendado pelo Fusco-Lusco.

Eles andam aí...



O serviço de espionagem andou a fazer das suas e, durante alguns dias, vimo-nos impedidos de dar vida às teclas. Isso e alguma falta de tempo, o que também não é boa desculpa para tamanho silêncio. O que importa é que estamos de regresso, prontos para a conversa. Segue-se uma fita das grandes.