quinta-feira, 30 de novembro de 2006

O grande vazio



Ontem decidimos elogiar Ali G, personagem saído da mente de Sacha Baron Cohen que, em formato série, conquistou um lugar de destaque no competitivo mundo da comédia britânica. Hoje arruinamos Borat, outras das suas faces, que chegou ao écran de grande formato sob o pomposo e extenso nome de «Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan».
Estamos diante de um abismo de ideias, uma sucessão de gags onde o mau gosto e a falta de humor são escandalosas. É triste que se tenha feito tanta publicidade à volta do filme, o que vai fazer com que imensa gente enfie este barrete pouco estiloso e a cheirar a mofo. Nem os Estados Unidos nem o Cazaquistão têm razões para fazer grandes ondas, ou chorar invocando maus tratos. Quem sai a perder é mesmo Sacha, que depois deste lixo terá gelado o fervor de admiradores de longa data. Aguentámos pouco mais de metade - uma caipirinha com o sol da tarde pousado sobre o rio dançante pareceu-nos melhor alternativa.
Chamar a isto cinema é o mesmo que chamar música aos discos da Rute Marlene, ou arte à exposição de fotos do olho que não vê que visitou Serralves. A evitar de todo, mesmo para os fãs de Ali G. Se se queimassem as bobinas é que não se perdia mesmo nada.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

He`s the man


Enquanto aguardamos pela estreia oficial de «Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan» relembramos Ali G, uma fantástica personagem criada pelo irreverente Sacha Baron Cohen.
O Fusco-Lusco deixa alguns links onde poderão ver as considerações de Ali G sobre:

Divirtam-se à grande.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

O cromo do natal



Na Venezuela, onde reina a democracia ditatorial de Hugo Chavez, o natal vai ser diferente. O Pai Natal, aquele senhor bem simpático vestido de roupão vermelho e ostentando uma majestosa barba branca, foi proibido de aparecer em locais e edifícios públicos.

Acusado de ser um símbolo do imperialismo e do consumismo, o pai natal terá de procurar um outro país para estacionar as renas. Porém, como Chavez não quis deixar as crianças venezuelanas sem presentes, decidiu criar um boneco do pai natal à sua imagem, onde encarna ele próprio a personagem da lapónia.

«Chavecito» está disponível em três versões, de aproximadamente 40 cm de altura, e custa bem mais que os bonecos das lojas chinesas ou dos trezentos. Como extra resta dizer que têm tudo o que uma criança deseja ouvir ao carregar num botãozinho. Assim, em vez de frases capitalistas tão batidas como «habla comigo» ou «gosto de ti», os bonecos cantam o hino nacional ou transmitem discursos inflamados do presidente. Para quem queira ser mais arrojado pode optar por El Porfiado (O Teimoso), um boneco insuflável de 20 cm de altura, onde Chavez abraça com orgulho uma bandeira venezuelana.

O Fusco-Lusco sugere um novo boneco: um Chavez à moda das Caldas da Raínha, traído pelas costas ao puxar do fio.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

O cavalo fez faísca



Era grande o número de fiéis dos Sparklehorse presentes no encerramento das festividades. Se no primeiro dia o cine-teatro, tristemente, apresentava muitas cadeiras vazias, o dia 2 via gente sentada nas escadas, no chão, de pé - teriam sido vendidos mais bilhetes do que a lotação disponível?

A verdade é que a banda de Mark Linous não desiludiu. Optando por um alinhamento pouco dado à promoção de Dream Light Years in the Belly of a Mountain, ainda bem fresquinho, preferiram antes uma viagem pela discografia de vários anos, mostrando que as cicatrizes e as feridas são já bem antigas, algumas delas sem tempo para sarar. Uma viagem pela música americana mais crua e densa, pelos desertos silenciosos e áridos, pelas planícies tapadas por céus negros onde os pontos brancos só a medo aparecem.

Os Sparklehorse tocaram, encantaram, deslumbraram e foram à sua vida sem dizer água vai, pois não fazem parte deste nosso mundo onde todos querem ser estrelas. Ainda apanhámos Linous e a baixista quando se decidiram pela grande fuga, o que nos valeu o poster do festival autografado. Para emoldurar e ter sempre à vista. Como uma cicatriz de que, por qualquer razão mística e misteriosa, não nos queremos nunca esquecer.

One man show


Com a desistência de última hora de Emiliana Torrini, certamente por uma constipação das grandes, Ed Harcourt teve tempo para mostrar todos os seus truques e magia, até mesmo o do coelho branco a saltar da cartola.
O rapaz canta, toca guitarra eléctrica - e acústica -, piano, grava loops de bateria, massas e melódica - que lança consecutivamente até que uma orquestra instantântea se forme em crescendo.
Se por vezes a coisa soa um pouco a Keane - ou Coldplay -, outras o registo entra em vagas de independência embebidas em espírito indie, fazendo lembrar os gloriosos tempos em que Jeff Buckley se encontrava entre nós.
Uma excelente surpresa de um rapaz de quem o Fusco-Lusco ainda espera muita coisa boa. Ouçam Beautiful Lie, de 2006, e mergulhem no universo de Ed Harcourt, o one man show que fez na Feira a sua festa pessoal de aniversário, num dia em que nem sequer fazia anos. Decididamente um mais.

O rei das criaturas verdes


A fechar uma noite até então marcada pelo profissionalismo e o extremo cuidado em não tropeçar num acorde sequer, esteve a criatura verde mais curtida do planeta Terra.
Adam Green, visivelmente num estado psicotrópico mais afecto ao planeta Marte, sentou-se na cadeira com um ar bem-disposto perdido entre guitarras e cordas. Munido de um livro de conversação em português para estrangeiros disse algumas frases como «Estou grávida» e «Dói-me o dente» (ou algo parecido...), o que de imediato fez mudar o rumo sério que a embarcação festivaleira tinha tomado em noite de dilúvio.
Na sua actuação entre o devaneio e a genialidade, Adam Green teve tempo para revisitar todos os seus discos, acedendo aos pedidos feitos pelo público (nós gritámos por Jessica Simpson). Desafinou, praguejou, disse asneiras, deslumbrou, encheu o cine-teatro com a sua voz poderosa, arrancada ao mesmo céu onde habitam os deuses do Olimpo.
Para o Fusco-Lusco este foi, sem dúvida, o mais ao quadrado do festival. Volta sempre Adam, Sinatra endiabrado. Obrigado por nos teres feito rir como crianças felizes, esquecidas do mundo que gritava lá fora.

Com muito (a)Fink(o)


Fink apresentou-se em palco abraçado a uma guitarra acústica, fazendo-se acompanhar por um baterista e um viola-baixo. A actuação girou à volta de Biscuits for Breakfast, de 2006, onde Fink decidiu trocar o universo dançante e flutuante das electrónicas pela dedicação à composição acústica.
A performance andou algures entre o melhorzinho - será que existe? - dos Dave Matthews Band e a inspiração de uns Alice in Chains em formato acústico, levitando por sonhos cor-de-rosa. A empatia entre os músicos foi evidente, estendendo-se à comunicação com o público. Se em disco as primeiras audições se sentem como se estivéssemos com a janela aberta num dia de neve e gelo, ao vivo a música agarrou-nos logo à primeira. Tivémos a visão de estarmos enrolados numa manta, diante de uma lareira espevitada, a sorver um tinto de eleição.
Caloroso, musicalmente perfeito, Fink procedeu ao milagre da multiplicação, mostrando que o abandono da elctrónica poderá ter sido uma escolha bem acertada. O Fusco-Lusco seguirá os próximos passos de Fink, esperando que o virus Dave Matthews seja exterminado com uma boa dose de sumo de laranja. Haja fé.

domingo, 26 de novembro de 2006

Stuart Robertson ou o regresso da Abelha Maia



No Gente Sentada as festividades iniciaram-se com Stuart Robertson, um rapaz que quando as borbulhas atacaram em força, nos tempos impróprios da acne juvenil, deve ter assistido a todos os episódios da Hill Street Blues. Baladas tocadas a um só tom, composições repetitivas, letras que nem na sopa flutuavam, uma voz capaz de irritar ainda mais um bebé mergulhado num choro compulsivo. Stuart abriu tanto as asas e deu-nos tanto mel que, no final, mais parecia a Abelha Maia. O menos do festival morou aqui.

A Maria não vai com as outras



Regressado de Santa Maria da Feira, e depois de recuperar todas as energias perdidas, o Fusco-Lusco vai contar tudo sobre o Festival para Gente Sentada. Os mais, os menos, as divisões e as multiplicações. Fiquem atentos.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Festival para gente...molhada?



Pois é, o Fusco-Lusco encerra as postividades e parte rumo a Santa Maria da Feira, em direcção ao Festival para Gente Sentada. Lá para domingo contamos como correu esta grande aventura.
Emiliana Torrini, Stuart Robertson, Adam Green (na foto, o nosso predilecto), Fink, Sparklehorse e Ed Harcourt são as prendas que o pai natal guardou para este ano, num festival para se assistir no conforto de uma cadeira. Espera-se, dadas as condições que se avistam para lá da janela da nossa redacção, que tudo não se transforme num Festival para gente molhada...

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Com amigos assim...



Para quem não sabe por que razão Martin Scorsese é chamado de mestre - e considerado por muitos o maior realizador vivo -, basta dar um salto até uma sala escura e visionar The Departed, a mais recente grande produção do cineasta. A ideia não é original - trata-se de um remake de Internal Affairs, um dos capítulos da trilogia de Hong Kong sobre infiltrados -, mas a forma de filmar e de contar a história têm a assinatura deste americano com sangue italiano. O elemento surpresa está sempre presente, e nunca será seguro respirar fundo sob o sério risco de desmaio.
Damon e DiCaprio - olé! - estão formidáveis, construindo personagens que nos deixam adivinhar e sentir as feridas profundas e os dilemas que se revolvem nas entranhas de cada um. Quanto a Nicholson já nem vale a pena falar, todos os elogios serão poucos.
Não queremos dizer mais nada, o melhor mesmo será assistir a The Departed. Não se assustem com as duas horas e meia de fita. Passam num sopro, como um daqueles sonhos felizes. Formidável. Será desta que Hollywood vai abrir os olhos?

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

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Robert Altman, realizador maior do universo cinematográfico, deixou-nos rumo a uma produção independente a ter lugar para lá do céu negro salpicado de pontos brancos. Tinha 81 anos.
Conhecido pela sua irreverência e nunca dando concessões ao mundo hollywoodesco, Altman conseguiu uma carreira de renome movendo-se sempre em circuitos alternativos, fazendo filmes com baixo orçamento mas onde surgiam sempre actores de primeira linha - para quem era um privilégio trabalhar com este senhor, mesmo que por um punhado de trocos ou umas senhas de refeição.
Em quase cinquenta anos a fazer fitas deixou-nos verdadeiras obras-primas como Mash (1970), The Player (1992) ou Short Cuts (1993) - o favorito do Fusco-Lusco, um filme que marcou toda uma geração de cineastas onde se encaixa, por exemplo, Paul Thomas Anderson -, mostrando que quando as ideias são boas os filmes podem ser feitos sem que o pessoal da nota se chegue à frente.
Ficam os filmes, que para sempre nos farão recordar este fabuloso cineasta do contra-poder. Até sempre Altman!

Um peixe fora de água


Ian Thorpe, nadador australiano, anunciou a sua retirada da competição aos 24 anos de idade. Num currículo recheado de prémios internacionais e recordes mundiais (200 e 400 metros livres), o detentor de cinco medalhas olímpicas desistiu da vidinha de andar a fazer piscinas para cá e para lá.
Não terá sido pelo facto de ser alérgico ao cloro, mas por querer dedicar mais tempo ao surf e a outras coisas boas da vida. O Fusco-Lusco não esquecerá tão depressa este peixe humano, que fazia da piscina o seu gigantesco oceano . Até à vista Ian!

domingo, 19 de novembro de 2006

O extraterrestre



Há muito que o Fusco-Lusco desconfiava, mas depois de o ter visto vencer a edição de 2006 da Masters Cup - e de o ver terminar pelo terceiro ano consecutivo como n.º 1 mundial - ficou a confirmação: Roger Federer é um extraterrestre. A James Blake só lhe faltou chorar, numa final sem história onde os parciais dizem tudo (6-0, 6-3, 6-4). Só Nadal, o espanholito que agora se parece com um sapo inchado, parece perto de lhe fazer algumas cócegas. Como será em 2007?

De que são feitos os sonhos?


Beatrice Alemagna, apesar das partidas que o nome nos possa tentar pregar, nasceu em Bolonha no belo ano de 1973. Diplomou-se no Instituto Superior das Indústrias Artísticas de Urbino onde estudou grafismo e fotografia. Publicou, desde 1998, mais de 20 livros em diversas editoras francesas. Nós por cá só tivémos a sorte de conhecer «Os Dois Corvos» - pela Dom Quixote -, ilustrado a partir de uma história de Aldous Huxley. Escreve com frequência os textos dos seus livros, pois gosta de juntar a criação literária à composição das ilustrações.
A boa notícia é que até 21 de Janeiro de 2007, o Auditório Municipal Augusto Cabrita - no Barreiro - acolhe a primeira exposição da artista na Lusitânia. Ainda para mais em tons de retrospectiva. São mais de 200 trabalhos onde se poderá observar de perto o trabalho de composição em ilustrações que misturam o desenho, o recorte, a fotografia, a colagem de botões, a utilização de tecido e de tudo aquilo que a imaginação se consiga lembrar para nos mostrar de que são feitos os seus sonhos.
O Fusco-Lusco esteve lá e mostra-vos algumas imagens desta exposição absolutamente imperdível.

sábado, 18 de novembro de 2006

A idade do aço



Ameaçada pela concorrência, a DC Comics decidiu juntar algum picante à coisa. Em 1986 surge «Man of Steel», pelo criativo Jon Byrne, onde Clark Kent perdia poderes mas ganhava confiança no seu lado terreno. Dez anos mais tarde o homem das cuecas vermelhas enforca-se, desculpem, casa-se com Lois Lane, a sua paixão de longa data. Tudo aconteceu em «Superman: The Wedding Album».

A reinvenção continuou em 2005 com o lançamento da série «All Star Superman», pelos irreverentes Grant Morrison e Frank Quitely, série ainda em publicação nas américas. Apesar de já ter passado a marca dos setenta anos, Superman parece estar longe de pedir a reforma ao estado.

Cuecas ao fundo



Na década de 50 as histórias começaram a dirigir-se aos mais novos, entrando no domínio da ficção científica onde os extraterrestres e as naves de formas estranhas passavam a dar cartas. Porém, a certa altura, era já difícil arranjar qualquer coisa que o homem não conseguisse fazer: voava, tinha uma força que fazia corar de vergonha o maior lutador de sumo, via a roupa interior de toda a gente com a poderosa visão raio-x e nem sequer cedia perante um ataque massivo de cócegas. Era indestrutível e estava a tornar-se um grande chato. Como se não bastasse entraram em cena heróis fresquinhos como os X-Men ou o comediante Spider-Man. A popularidade, talcomo as vendas, batia no fundo.

Hitler pelos colarinhos



Shuster e Siegel, os autores iniciáticos das histórias do Superman, usaram o herói na difusão da ideologia pró-guerra - na imagem podemos ver uma edição onde Hitler e o imperador Hiroito são literalmente levantados pelos colarinhos. Também terá ajudado o facto de serem judeus, mesmo que tudo tenham feito para esconder esse pormenor. É que, na altura, ser judeu era tão popular como ser hoje o Michael Jackson. Porém, algumas analogias e teorias da conspiração podem ser feitas. Três exemplos:

- Os pais adoptivos de Clark Kent - Jonathan e Martha - têm as mesmas iniciais dos pais de Cristo - José e Maria;
- Como Cristo, o herói desaparece do seu caixão e ressuscita em The Death of Superman (1993)(tinha sido crucificado pelo terrível Doomsday);
- Como os pais do Superman, também o pai de Siegel foi assassinado por um ladrão.

No início



No início o Super-Homem era um vilão com tantos cabelos no couro quanto o Cebolinha, que tinha como maior - e nada original - desejo dominar o mundo. Só em 1932, depois de fazer o papel de madalena arrependida, lhe passaram a chamar nomes giros como herói, ganhando o direito à primeira história em 1938, na publicação Action Comics #1.

Aliado ao período de grande depresão dos Estados Unidos, onde a economia desceu tão fundo quanto uma companhia de extracção de minérios, o homem que veste as cuecas por cima das calças foi uma espécie de Prozac para os americanos, um símbolo de que tudo poderia voltar a ser como dantes.

O homem que veste as cuecas por cima das calças


Lançamos hoje uma nova rubrica a que iremos chamar de «Super-Rissóis». O mês de Novembro é dedicado por inteiro a Superman, um dos primeiros personagens a ser servido às tiras pela DC Comics. Ao que se sabe, o único herói dos vários universos que veste as cuecas por cima das calças e não tem vergonha de sair à rua.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Titularidade garantida



Fez parte da equipa dourada do Real Madrid dos anos 50, vencendo com a equipa madrilena seis ligas espanholas e duas Taças dos Campeões Europeus. Aos 79 anos, Ferenc Puskas foi convocado para representar a selecção celestial de futebol. O Fusco-Lusco aposta na titularidade imediata. Boa viagem.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Forever young


Nick Hornby deve ter «forever young» como uma das suas músicas predilectas, inserida em versões múltiplas num moderno IPod de bolso. A sua obra literária é marcada pelo estado hipnótico da adolescência, esse hiato temporal onde a felicidade adquire o gosto da eternidade.
Em Novembro o «Código D`Avintes» dá destaque a «About a Boy», editado na Lusitânia pela Teorema sob o nome de «Era uma vez um rapaz». O livro acompanha os destinos de Will, um adolescente de trinta e seis anos que vive dos direitos de autor de uma música de natal, muito popular em elevadores e grandes superfícies, herdada do pai que foi, literalmente, artista de uma música só.
O clic da história acontece quando Will, ao frequentar um curso para pais separados - para levar miúdas giras para a cama -, acaba por se envolver numa espiral que o leva a conhecer Marcus, um miúdo com sérios problemas em se ajustar ao meio, e Fiona, a mãe suicida submersa em dúvidas existenciais de intensidade máxima.
Entre o culto assumido pela irresponsabilidade, o descomprometimento perante o mundo real e a vontade de fazer parte de algo maior, Will vai empreender uma viagem onde no final nada será como dantes. Ou será? Mais não dizemos, o melhor é lerem mesmo tudo. Nos comments deixamos um pequeno excerto.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Como estamos de tomates?



Na edição de Novembro de «O que vem à rede é peixe», destacamos um mercado municipal destinado a apurar o estado de conservação do belo tomate. «Fresco ou impróprio para consumo?», é a questão de fundo colocada e a que se responde com a criação de uma percentagem de frescura.

Falamos de Rotten Tomatoes, um site dedicado às artes cinéfilas, que reúne apreciações críticas de um sem-número de publicações e canais de comunicação - Variety, Newsweek, Premiere Magazine, MTV, BBC... -, gerando uma média global de apreciação que vai do 0 aos 100. Quanto maior a percentagem atribuída mais fresquinho estará o tomate, ou melhor, o filme. O site não é nenhuma bíblia, longe disso, mas permitirá viajar entre a frescura e a podridão de um só tomate. Para ficarem com uma ideia, o Fusco-Lusco apresenta o estado de conservação de alguns tomates da moda:

The Departed, de Martin Scorsese- 92%
The Queen, de Stephen Frears - 98%
Little Miss Sunshine, de Jonathan Dayton e Valerie Faris - 92%
The Devil Wears Prada, de David Frankel - 78%
The Da Vinci Code, de Ron Howard - 24%
Perfume: The Story of a Murderer, de Tom Tykwer - 80%

Estão a ir aos bolsos de Bach


Nos anos 70, Matthew Fisher, Gary Brooker e Keith Reid eram assim como Fantásio, Spirou e Marsupilami. Juntos colocaram o estranho nome de Procol Harum nas enciclopédias musicais, parecendo talhados para uma amizade que duraria até aos tempos de internamento em lares de terceira idade. Puro engano.
Os rapazes estão agora em lados opostos da barricada - do tribunal melhor dizendo -, lutando bravamente pela autoria do tema "A Whiter Shade of Pale", uma daquelas músicas que entram em colectâneas inspiradoras ao desempenho do acto sexual a velocidades moderadas. Até hoje a música estava atribuída a Gary e Keith, mas Matthew vem agora reclamar a sua parte do saque.
O Fusco-Lusco deixa ao árbitro judicial uma sugestão. Já que o tema foi escandalosamente rapinado a Bach, atribua os direitos de autor a favor de programas musicais para crianças menos abonadas da Alemanha, o país de origem do compositor. Talvez assim, Fantásio, Spirou e Marsupilami voltem a viver juntos grandes aventuras.

O rei da bolinha amarela



Gustavo Kuerten, uma das estrelas caídas do universo do ténis, disse há dias que Roger Federer não era melhor que Pete Sampras. Porém, se Guga assistiu ontem ao jogo entre Roddick e Federer, terá apresentado rendição imediata ao jogador suiço escondido atrás de uma trémula bandeira branca.
Quando pensamos em Roger Federer lembramo-nos de relógios que nunca se atrasam, da pontualidade britânica, do rigor orçamental germânico. O suiço, durante as mais de duas horas de jogo, manteve a mesma pose de alheamento e concentração, reagindo da mesma forma aos bons e aos maus momentos. Mesmo quando enfrentou três match points no tie-break do segundo set o seu olhar nunca exprimiu a vertigem da derrota anunciada. Federer acabou por vencer Roddick em três partidas jogadas ao limite (4-6, 7-6 (10-8) e 6-4), num jogo que mais parecia uma final de um Grand Slam.
Chamem-lhe nomes feios como relógio de parede ou ampulheta. Acusem-no de falta de emotividade. O Fusco-Lusco está rendido e estende a passadeira vermelha ao rei da bolinha amarela.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

O Homem-Aranha esteve entre nós



Alain Robert - a identidade francesa debaixo da qual se esconde o fantástico Homem-Aranha - visitou pela primeira vez a Lusitânia. Não encontrando quaisquer bandidos ou criminosos para lançar nas mãos da justiça, o super-herói decidiu entreter-se a subir os 140 metros da Torre Vasco da Gama, o edifício mais alto de todo o burgo.

Para quem duvida que se trata realmente do Homem-Aranha, basta olhar para a teia que ajuda o super-herói a não se partir ao meio caso escorregue torre abaixo...

Um pulinho até Braga



Se está sem saber o que fazer no próximo fim-de-semana, aguardando que o horóscopo lhe mostre o caminho a seguir, o Fusco-Lusco tem uma sugestão. Aproveite para dar um pulinho à cidade dos arcebispos, visitar o estádio-pedreira, subir as escadinhas do Bom Jesus e, como quem não quer a coisa, assistir a um concerto que promete.

Jhelisa, que este ano nos ofereceu o fantástico «A Primitive Guide to Being There», visita o majestoso Theatro Circo em Braga para nos mostrar do que é capaz em palco. Ainda para mais a actuação será na sala principal, onde a soul, o gospel e a agitação electrónica estarão fundidos sob o brilho de lustres neoclássicos. Os bilhetes, caso ainda existam, custam 10 euros. Reservas através do 253 217 167. O concerto terá lugar na próxima sexta-feira, dia 17, às 21h30.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Expo do ano



Quando nos preparávamos para entregar a «Grandes Mestres da Pintura - de Fra Angelico a Bonnard» o prémio de exposição do ano, eis que nos trocaram as voltas com uma notícia-choque. Amadeo de Souza-Cardoso (ASC), para muitos o maior pintor português do século XX, vai ter honras de homenagem no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Pedigão, paredes meias com a Fundação Calouste Gulbenkian, com a exposição «Diálogos de Vanguarda».

A cereja no topo do bolo, além das 180 obras de ASC expostas no Centro, é o paralelo feito pinturas, esculturas e desenhos de 36 grandes nomes da arte do século XX, tais como Kasimir Malévitch, Marcel Duchamp ou Pablo Picasso, que influenciaram ASC no seu curto percurso - viveu apenas três décadas - onde bebeu das mais variadas correntes artísticas. 100 anos depois, o futuro imaginado por ASC está perto de nós. Desta vez, não o deixemos passar ao lado. Deixamos mais algumas imagens e o link para a exposição.



O gato arranjou as unhas



Quando estreou há alguns aninhos na SIC Radical, o Gato Fedorento assumia-se como uma viagem pelo nonsense, circulando por estradas sinuosas onde polícias, sinais, passadeiras, semáforos e peões faziam parte do mesmo cenário de irrealidade que permitia ao imaginário tomar as rédeas do expresso da realidade. Depois do abandono do radicalismo, os Gato Fedorento abraçaram o serviço público e mantiveram o mesmo formato, até à estreia de «Diz que é uma espécie de magazine» - que ontem conheceu o terceiro episódio.

O actual cenário anda entre o «Febre de Sábado à Tarde» e o «Quem Quer ser Milionário», onde sketches humorísticos intercalam com comediantes a fazer de apresentadores sérios. A diferença, agora, está em que o caricaturável se limita à realidade dos nossos dias, e para isso já existe o genial Contra-Informação. Os Gato Fedorento abandonaram o nonsense e o estado de disparate puro e, com isso, perderam muita da genialidade mostrada nas séries anteriores. Ao trocarem o imaginário pela realidade tornaram-se parte, também eles, do imenso círculo mediático. Como se tivessem entrado num salão de beleza e, encadiados pelos projectores glamorosos, saissem de lá com as unhas arranjadas e já pouco afiadas. Estarão os gatos a viver um estado de domesticação?

domingo, 12 de novembro de 2006

Nº 1



Pois é, desta vez escapámos ao dilúvio. Justine Henin-Hardenne, a belguita de 1,67 m, derrotou em apenas dois sets (6-4 e 6-3) a gigante Mauresmo na final do WTA Championships. Allez!

sábado, 11 de novembro de 2006

De olhos em bico atrás da bolinha amarela

Já que estamos em dias de bolinha amarela, resta dizer que se inicia também amanhã - mas mais para a noitinha -, na cidade chinesa de Shanghai, a Tennis Masters Cup para bons rapazes. Deixamos a constituição dos grupos, onde os primeiros dois classificados de cada um deles se apuram para as meias-finais.

Grupo Vermelho
Federer Ljubicic Roddick Nalbandian

Grupo Dourado
Nadal Davydenko Robredo Blake

O grande dilúvio



Depois de ter perdido o primeiro jogo frente a Petrova poucos pensariam que Mauresmo era rapariga para grandes curvas. Seguiram-se duas vitórias com muitas gotinhas de suor, ambas em três sets - Hingis e Henin-Hardenne -, num último fôlego de campeã que lhe deu o apuramento para as meias-finais.

Hoje, frente a uma Clijsters que mostrava um ténis de sonho, Mauresmo armou-se em nº 1 mundial e despachou a belga em três partidas (6-2, 3-6 6-3). Irá agora defrontar a próxima nº 1 mundial, Henin-Hardenne, a quem venceu há dois dias num jogo em que a (também) belga tirou claramente a raquete do acelerador depois perder o segundo set.

Apesar de segunda-feira colocar no calendário Justine como a nova nº1 mundial, o título honorífico terá um sabor amargo caso não consiga vencer Mauresmo na final de amanhã. Prevê-se um jogo fantástico, entre duas das jogadoras mais sólidas do circuito. Depois do grande dilúvio de prognósticos de hoje, em que literalmente não acertou uma, o Fusco-Lusco arrisca mais um palpite. Vitória de Justine Henin-Hardenne em três sets. O máximo que pode acontecer é metermos mais água...

A idade do gelo



Contra todas as previsões astrológicas e meteorológicas a belga Justine Henin-Hardenne, qual aquecimento global em dia maior, derreteu o icebergue Sharapova em apenas dois sets: 6-2 e 7-6 (7-5) foram os parciais.

Com medo de partir os saltos altos a russa andou muito devagar na passerelle riscada, e só acordou no final do segundo set a tempo de disputar a lotaria do tie-break. O Euromilhões da bolinha amarela acabou por sair à belga, que havia estado em todas as finais do Grand Slam. Irá, assim, terminar o ano com a nº 1 mundial. Um feito fantástico para quem esteve parada durantes dois meses de competição. Muitos parabéns Justine!

Já a seguir jogam Clijsters e Mauresmo. Correndo o risco de mais um dilúvio, o Fusco-Lusco aposta claramente na belga. Em dois sets.

Quem pára Sharapova?



O WTA Tour Championships chegou à recta final e, das quatro classificadas para as meias-finais, apuraram-se as três primeiras jogadoras do ranking: Amélie Mauresmo, Maria Sharapova e Justine Henin-Hardenne. A outsider que lhes faz companhia é Kim Clijsters, que está a praticar um ténis fabuloso.

A primeira meia-final, onde a siberiana enfrenta Henin, acabou de começar. Logo a seguir jogam Clijsters e Mauresmo. O Fusco-Lusco aposta vai para uma final entre Sharapova e Clijsters e, talvez aí, se possa ter uma surpresa das grandes. Vamos ver...

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

A história alternativa



Em Portugal representa uma espécie de género minoritário, mas nem por isso esquecido. De 16 a 19 de Novembro, movendo-se entre a Biblioteca Orlando Ribeiro (Telheiras), o auditório do IPJ no Parque das Nações e a loja Runadrake (Avenida de Roma), o Fórum Fantástico promete uma incursão pela história alternativa. Segue-se o programa:

Dia 16: Biblioteca Orlando Ribeiro (Telheiras)
Palestra de Rhys Hughes. «À Volta de Borges», por João Ventura e «Borges: Imortalidade e Memória», por Alexandra Martins. Lançamento de O Pássaro Pintado, de Jerzy Kosinski.

Dia 17: Biblioteca Orlando Ribeiro (Telheiras)
«Cybepunk Unplugged: The Difference Engine, de William Gibson a Bruce Sterling», por Cláudia Pinto. «Science Fiction as a Wild Goose Chase», por Neil Hook. Apresentação por León Arsenal. «Universo Taikodom», por Gerson Lordi-Ribeiro. Lançamento de «O Dilema de Shakespeare», com Harry Turtledove.

Dia 18: Auditório do IPJ - Parque das Nações
Painel «Ficção Ibérica», com Luis Filipe Silva, Juan Miguel Aguillera, Rodolfo Martinez e León Arsenal. «A Importância dos Nomes para Ursula LeGuin», por Ricardo Prata. «Histórias Alternativas Lusófonas», por Gerson Lordi-Ribeiro. Lançamentos de livros de João Barreiros, Juan Miguel Aguillera, Rodolfo Martinez, Christopher Priest e da antologia «A Sombra sobre Lisboa». Apresentações de Pedro Ventura, Madalena Santos, Pepedelrey e João Lemos.

Dia 19: Loja Runadrake (Av. de Roma)
Demonstrações e actividades de Role Playing Games.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

O democrata



Foi um dos mais talentosos jogadores da história da bola, que muito terá ajudado à criação de conceitos como o «nº 10» ou o «pensador do jogo».

Agora, com 51 anos de idade, Michel Platini vai candidatar-se à presidência da UEFA e promete mudanças, sobretudo no actual formato da Liga dos Campeões. Platini defende que as principais ligas europeias - italiana, espanhola, ingles, alemã - apenas participem com três equipas, de modo a que clubes de menores recursos - e para todos os efeitos campeões - possam também beneficiar dos privilégios da alta roda do futebol e jogar contra equipas de topo.

A correr ao lado de Platini está Johansson, um dinossauro dos meandros do futebol que voltou atrás na decisão de não se recandidatar depois de saber aquilo que o francês andava a tramar. «Quero progresso mas não revolução na UEFA», afirmou Platini numa entrevista para não assustar os big boss europeus. Quanto ao Fusco-Lusco a máxima poderia ser antes «Contra o elitismo da UEFA, marchar marchar». Platini, o democrata, está no caminho certo. Agora só lhe falta o mais difícil: os votos.

Finalmente está tudo sentado



Após um parto verdadeiramente difícil aí está o Festival para Gente Sentada com todas as cadeiras preenchidas. O último nome a ser conhecido foi o de Ed Harcourt, fundador e líder da extinta banda Snug que, por breves instantes, fez algum furor no circuito da indie music.

A música de Harcourt cruza o encanto da pop inglesa com a aridez das paisagens desérticas americanas. Se umas vezes é Tom Waits que nos acena de garrafa meio cheia na mão, sussurrando-nos ao ouvido numa rouquidão sentida, outras temos Jeff Buckley, Keane e Muse num medley onde o piano e a guitarra disputam um lugar de topo. A sua actuação deverá girar à volta de Beautiful Lie, de 2006, um álbum melancolicamente electrizante onde os paradoxos musicais se encontram bem expressos. A busca de um caminho que vale uma audição atenta.

Cartaz
Dia 24
Fink, Stuart Robertson e Adam Green
Dia 25
Emiliana Torrini , Sparklehorse e Ed Harcourt
Reserva de Bilhetes: 256 370 802 (1 dia 15 euros; 2 dias 20 euros)

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Evolução para todos



Os escritos do cientista Charles Darwin (1809-1882) podem agora ser consultados na internet sem qualquer custo. O projecto, liderado pela Universidade de Cambridge, conta já com vários manuscritos e diários inéditos, imagens e arquivos de áudio, estando previsto que toda a obra esteja disponível até 2009 - ano que assinala o bicentenário do nascimento do cientista.

No endereço http://darwin-online.org.uk podem ser encontradas, pela primeira vez, as edições de Journal of Researches e Descent of a Man, além de várias edições de A Origem das Espécies. O diário que Darwin escreveu na sua viagem às Ilhas Galápagos também pode ser folheado.

A teoria da evolução através da selecção natural diz que a espécie humana, à semelhança dos outros animais, é o resultado da mutações e adaptações ao longo do tempo, bem como da selecção natural - o que explica por que alguns animais sobrevivem e outros se extinguem. A evolução, quando nasce, não é para todos.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Lisboa a ver estrelas



Até 14 de Dezembro, o Museu da Electricidade irá receber uma exposição que deixará os visitantes a ver estrelas. Promovida pela produtora de espectáculos Uau, a exposição "Star Wars" ocupa uma área de dois mil metros quadrados, onde estão recriados alguns dos fantásticos cenários que deram vida ao nosso imaginário. Será também possível assistir a documentários exclusivos sobre a aventura, além de (re)ver todos os capítulos da saga em grande formato - desde "Uma nova esperança", de 1977, a "A Vingança dos Sith", de 2005.

Com um espólio avaliado em 7,8 milhões de euros, este museu sobre rodas já passou por S. Francisco, Milão e Paris, tendo sido necessários seis camiões TIR para transportar todos os objectos e equipamento técnico da capital francesa para Lisboa.

Estão em exibição centenas de objectos originais que integram o universo da ficção científica imaginado pelo realizador norte-americano George Lucas, entre os quais a nave Naboo N-1, com dez metros de comprimento, e os fatos de personagens como o felpudo Chewbacca, a rainha Padmé Amidalado, o vilão Darth Vader e o mestre Jedi Yoda. Que a força esteja convosco!

No feminino



Mas porque nem só de homens vive o desporto da bolinha amarela, falamos agora de ténis na versão betty boop.

Começa hoje em Madrid o WTA Tour Championships que, à semelhança da Masters Cup, reúne as oito miúdas que mais jogaram este ano. Três delas - Mauresmo, Maria Sharapova e Justine Henin-Hardenne - têm hipótese de abrir o primeiro espumante de 2007 gritando «sou a nº 1!» e, quanto às restantes - Nadia Petrova, Martina Hingis, Svetlana Kuznetsova, Kim Clijsters e Elena Dementieva - só lhes resta tentar passar a perna às estatísticas e brilhar no país das tapas.

Aqui os prognósticos são mais difíceis, mas o Fusco-Lusco aposta em Sharapova. Porque, além de ser bem gira, joga como gente grande - nem parece que só vota há pouco mais de um ano...

Saibam mais aqui.