sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006

Setúbal com mais fitas


O formato não será o ideal (DVD), mas a iniciativa é de louvar numa cidade onde o cinema caminha ao mesmo nível das cobras. Entre o cinema da pipoca, o com nome de comediante que já se rende a pérolas como «O Amor não tira Férias» e outro onde as fitas são boas mas as cadeiras provocam dores de coluna quase irreparáveis, é sempre de destacar iniciativas que tentem mostrar um outro tipo de cinema. Não sabemos qual o tamanho do écran, mas esperamos que seja pelo menos maior do que a televisão que temos lá por casa. Daremos mais pormenores quando assistirmos a um visionamento.

As sessões decorrem no Auditório do Instituto Português da Juventude (no Largo José Afonso) e das duas uma: ou são grátis ou custam um euro. Fica o programa para o mês de Janeiro, dedicado de corpo e alma à ficção científica:

Dia 5 - 21H30
A Guerra dos Mundos (de Byron Haskin)
Dia 6 - 21H30
La Jetée (de Chris Marker) - destaque Fusco-Lusco -e 12 Macacos (de Terry Gilliam)
Dia 12 - 21H30
Planeta Probido (de Fred M. Wilcox)
Dia 13 - 21H00
Le Monstre (de Georges Méliès) e A Mosca (de David Cronenberg)
Dia 19 - 21H00
O Dia em que a Terra Parou (de Robert Wise)
Dia 20 - 21H00
Cidade Misteriosa (de Alex Proyas)
Dia 26 - 21H00
Tron (de Steven Lisberger)
Dia 27 - 21H00
Guerra dos Mundos (de Steven Spielberg)

quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006

Ouvidos bem abertos

2006, ano de grandes notas musicais, está prestes a afundar-se, mas são já muitas as novidades sonoras que nos mantêm à tona, expectantes. Ficam alguns aperitivos que prometem tornar-se verdadeiros festins gastronómicos, propícios à gula sonora:

The Good, The Bad & The Queen
«The Good, The Bad & The Queen»
Data prevista de edição: 22-01



Clap Your Hands Say Yeah
«Some Loud Thunder»
Data prevista de edição: 29-01



Bloc Party
«A Weekend in the City»
Data prevista de edição: 05-02



Patrick Wolf
«The Magic Potion»
Data prevista de edição: 26-02



Air
«Pocket Symphony»
Data prevista de edição: Algures em Março

Fita da semana


Em dia de estreias cinéfilas, o destaque do Fusco-Lusco vai para Babel, do realizador Alejandro González Iñárritu, que encerra a trilogia sobre a perda iniciada com Amor Cão e 21 Gramas.
A sinopse relata a história de um acontecimento trágico que vai gerar uma cadeia de acontecimentos em quatro famílias, de continentes diferentes, ligadas pelas circunstâncias mas separadas por oceanos, mares, culturas e línguas.
Vencedor do Prémio de Melhor Realizador e Prémio do Júri Ecuménico no Festival de Cannes, Babel obteve sete nomeações para os Globos de Ouro nas categorias principais. Para visionar nos próximos dias.

quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006

Soul mais negra


Se para muitos Al Capone foi o grande padrinho da máfia, poucos não apontarão James Brown como maior representante da soul music. Aos 73 anos e no dia de Natal, James Brown montou as renas e arrancou rumo ao paraíso do vinil. Lá para 2008 um filme de Spike Lee irá homenagear esta força da natureza, uma verdadeira «sex machine» com o jogo de anca e as cordas vocais. O Fusco-Lusco presta aqui uma sentida homenagem.

Sopa de Letras


Já se sabe que quando as letras se transformam em frames a coisa muda de figura. Eragon é um desses casos tristes de reconversão. Ainda que o livro se trate de uma imitação (esforçada) do Senhor dos Anéis, consegue ter alguma piada e criar um clima de expectativa e interacção com as personagens. Já a adaptação cinematográfica é um verdadeiro tiro ao lado, atirando pela janela tudo o que de bom o livro havia conseguido criar: o crescimento de Saphira, a aprendizagem de Eragon (luta, magia, telepatia), a cidade dos mercadores, a passagem pelo deserto, a revelação das montanhas e a fuga aos traficantes de escravos, ou personagens bem construídas como Murtagh ou Broom. São tantas as falhas que, se falarmos muito alto, nos arriscamos a provocar um terramoto. Será que o realizador leu o livro? Fraquinho.

domingo, 24 de Dezembro de 2006

Linhas natalícias

Enquanto decorre a contagem decrescente para a véspera de natal, algumas linhas inspiradas de Nick Hornby em «Alta Fidelidade».

«Passamos o Natal em casa de uma pessoa, preocupamo-nos com as suas operações, damos-lhe abraços e beijos e flores, vêmo-las de roupão...e a seguir, bang, acabou-se. Para sempre. E mais cedo ou mais tarde haverá outra mãe, outro Natal, mais varizes. São todas iguais. Só muda a morada, e as cores do roupão».

Temos trilogia?


Após o estrondoso sucesso de «Eu Carolina», que até pôs a ler gente que se tinha esquecido do abecedário, Carolina Salgado já só pensa em trilogia.
Rumores correm que o segundo volume irá trazer uma oferta do outro mundo: um pelo púbico de Pinto da Costa, devidamente numerado e autenticado.

sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006

10 anos na bonecada


O Contra-Informação celebra dez anos de existência e, em noite de gala televisiva sem direito a directo, o Fusco-Lusco dá os parabéns a todos os que nesta década se dedicaram a dar vida a bonecos bem pensantes. Com um formato um pouco batido, o Contra regressa em Janeiro em ritmo semanal. Que a passagem de ano traga uma nova alma à bonecada e a vontade de mais uma década a fazer humor na mouche.

quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

Na tal

Como o Natal anda por aí à solta, e não querendo o Fusco-Lusco armar-se em cortador de espíritos em festa, aqui fica a nossa mensagem de um bom natal. Para todos os que por aqui passam de vez em quando e os que também não. Portem-se bem e vigiem de perto o sapatinho, Jack e amigos andam por aí à solta...

quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006

Ópera em curto-circuito


Dizem as lendas que, antes de chegar às vinte primaveras, Micah P. Hinson cumpriu pena de prisão, combateu uma forte adição a drogas e declarou-se um rapaz falido que nem para um cafezinho tinha dinheiro. Tal atmosfera serviu de cenário à edificação de «Micah P. Hinson and the Gospel of Progress», de 2005, que entre outras histórias versava sobre como o rapaz tinha perdido a namorada para o pai. Um disco fantástico onde a folk se vestia de negro e dançava, de garrafa na mão, sobre as campas de um cemitério de perder de vista.

Micah regressou este ano com «Micah P. Hinson and The Opera Circuit», disco que vem apresentar à Lusitânia no início do próximo ano. Um disco onde para além do negro se adivinham mais cores, uma composição mais cuidada, num disco que irá amadurecer com o tempo como um Vinho do Porto de primeira água.

Ficam as datas:

24 de Janeiro, Lisboa, ainda em parte incerta

25 de Janeiro, Braga, Theatro Circo

terça-feira, 19 de Dezembro de 2006

Gangsta Ball


No dia 8 deste mês o Blogville delirava febrilmente com o jogo entre Nets e Suns, que os segundos venceram por 161-157 após dois prolongamentos. Steve Nash (42 pontos) e Jason Kidd (38 pontos, 14 assistências e 14 ressaltos) deram cartas, num jogo épico entre duas equipas que naquela noite mais pareciam sprinters tomando New Jersey como pista de atletismo predilecta. O basquetebol entrava na história como uma das maravilhas do mundo.
Há poucos dias atrás , só mesmo para chatear, a NBA mostrou a sua face gangsta, e logo no mítico Madison Square Garden. A menos de dois minutos do fim, quando os Nuggets já davam um bailinho de vinte pontos aos Knicks, nem o apostador mais viciado se lembraria de apostar que algo mais se iria passar. Porém, para evitar um brilhante afundanço de J.R Smith, Collins decidiu fazer-lhe uma gravata bem jeitosa como que a perguntar: «Onde pensas tu que vais? Pensas que a vida agora é só afundar e gozar com a malta?».
Seguiram-se gestos de pugilismo - Tyson style -, movimentos de sumo e técnicas de forças especiais do Bronx, acabando tudo em bem com a expulsão dos dez jogadores que estavam em campo na altura. Para estes não vai haver prenda no sapatinho.
Podem ver tudo aqui. Se quiser saber quais os castigos que os gangstas apanharam, visitem este local.

segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006

Sons 2006

Foi uma excelente colheita a de 2006, com uvas sonoras a transformarem-se em vinho para a alma e néctar para cada um dos sentidos. Deixamos não cinco, não dez, nem sequer quinze. Vinte discos que nos acompanharam ao longo do ano como amigos inseparáveis. Sem juízos de valor ou preferências assumidas, como amizades que irão durar para sempre.




Vetiver «to find me gone»; TV On The Radio «return to cookie mountain»; Joanna Newsom «ys»; Beck «the information»; The Fiery Furnaces «bitter tea»; Au Revoir Simone «verses of comfort, assurance & salvation»; I`m From Barcelona «let me introduce my friends»; Stuart Staples «leaving songs»; Final Fantasy «he poos clouds»; Sparklehorse «dreamt for light years in the belly of a mountain»; Lisa Germano «in the maybe world»; Adam Green «jacket full of danger»; The Divine Comedy «victory for the comic muse»; The Black Heart Procession «the spell»; Gnarls Barkley «st elsewhere»; Cat Power «the greatest»; Various Production «the world is gone»; Little Annie «songs from the coal mine canary»; Burial «burial»; Junior Boys «so this is goodbye».

JP ou a boa nova anunciada


Se anda deseperadamente à procura de um programa para quarta-feira à noitinha pode parar de bater com a cabeça na parede. O Santiago Alquimista, em Lisboa, recebe aquele que é um dos mais excitantes compositores portugueses da era moderna: JP Simões.

Mentor dos Belle Chase Hotel - que saudades... - e dos Quinteto Tati, JP Simões vai apresentar temas do seu primeiro álbum a solo, «1970», que estará nas lojas em Janeiro do próximo ano. Vejam-no como a primeira boa nova musical anunciada. Mais informações aqui.

Irmãs Tesoura a caminho


As Irmãs Tesoura, mais conhecidas por Scissor Sisters, visitam Lisboa no próximo dia 27 de Abril para tomar de assalto o Coliseu dos Recreios. O motivo mais forte é a apresentação ao vivo de Ta-Dah, o feliz sucessor do brilhante album homónimo de 2004. Esperam-se vestidos coloridos, adornos pouco fashion, som bem lá no alto, muita dança e uma bola de espelhos do tamanho do céu. A diversão está garantida.

domingo, 17 de Dezembro de 2006

Queima das Fitas 2006

2006 não foi um ano dado a grandes fitas, mas ainda assim escolhemos três que nos fizeram sair do cinema a levitar sobre a terra de encontro às estrelas.

The Departed, de Martin Scorsese


Depois de "filmes menores" como Gangs of New York ou The Aviator, Martin Scorsese regressou em grande com The Departed. Recriando Internal Affairs, um dos capítulos da trilogia de Hong Kong sobre infiltrados -, Scorsese construiu um filme onde o elemento surpresa está sempre presente, não permitindo ao espectador respirar fundo sob o risco de apanhar um susto de morte. DiCaprio e Damon estão formidáveis, assumido o papel de personagens que nos deixam adivinhar e sentir as cicatrizes profundas que vão tomando conta de almas em sobressalto. Se existir um deus do cinema, então já terá colocado de lado duas estatuetas: melhor filme e melhor actor (para DiCaprio). De mestre.

Volver, de Pedro Almodóvar

Está por nascer o dia em que Almodóvar nos vai oferecer uma fita sem cheiro ou sabor. Volver conta-nos os segredos e as intrigas que tomam conta das famílias, os fantasmas que as minam e jamais as abandonam. Um olhar sobre a forma como encaramos a morte, que deixa lugar para a esperança e tempo para um novo começo. Comovente.

Little Miss Sunshine, de Jonathan Dayton e Valerie Faris

Pode dizer-se que salvou a honra do cinema independente. O universo familiar pelo seu lado mais psicadélico, numa família que se vai reencontrando ao longo de um percurso de quase dois mil quilómetros. Uma visão sarcástica do mundo moderno da gestão que tudo divide em perdedores e ganhadores, e que nos mostra que por vezes a derrota pode ser bastante mais saborosa. Encantador.

E ainda...

Como vivemos num país onde muitos filmes acusam falta de pontualidade, aqui ficam alguns destaques do que vimos este ano fora do prazo de exibição internacional. Cinco escolhas de eleição.

The New World (2005), de Terence Mallick
An History of Violence (2005), de David Cronenberg
Paradise Now (2005), de Hany Abu-Assad
Shijie (2004) (O Mundo em terras lusitanas), de Zhang Ke Jia
Professione: Reporter (1975), de Michelangelo Antonioni - ok, este não foi por falta de pontualidade, trata-se mesmo de uma reedição...

Imagens 2006

Devo confessar que aqui pela redacção do Fusco-Lusco não somos grandes consumidores de videoclips. Se não fosse pela criançada, com a paixão infantil muito dada à MTV, passaríamos o ano apenas atentos aos sons, deixando as imagens desenharem-se na nossa mente inventando clips imaginários.

No Porto 23 encontrei um link para os 50 vídeos do ano, onde se encontram coisas bem giras. Vai daí escolhemos alguns que nos entusiasmaram grandemente. Aqui fica a nossa breve escolha...

Ok-Go «Here it goes again»
O exemplo de como uma música bem mediana pode atingir proporções épicas com um videoclip bem pensado. Pouco dinheiro para uma grande ideia.



Gnarls Barkley «Crazy»
A música mais transgeracional do ano, que até conseguiu pôr a malta mais idosa a bater o pé e a abanar a anca. O clip é uma homenagem ao mata-borrão dançante e uma nova forma de olhar a prova projectiva de Rorschach.



I`m From Barcelona «We`re from Barcelona»
Felicidade pura de um mundo pop que fica muito para lá das fronteiras terráqueas.



Murena «Export Tripoli»
Excelente animação para uma música pouco sedutora.



Sigur Ros «Flugufrelsarinn»
O triunfo da imaginação e do fantástico, numa canção que nos dá vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Negro e misterioso, belo como as noites cinzentas e tempestuosas.

sábado, 16 de Dezembro de 2006

As escolhas do Fusco-Lusco

2006 estás prestes a exalar o último suspiro. Como manda a tradição, é altura de falar do que mais nos entusiasmou ao longo de (quase) 365 dias. Durante o dia de hoje o Fusco-Lusco chega-se à frente e revela videos, discos e filmes predilectos. Não se trata de eleger os melhores, apenas mostrar aquilo que mais nos entusiasmou.

quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006

Uma família às direitas



Little Miss Sunshine foi, neste 2006 que se apaga, um dos filmes mais falados do circuito de cinema independente.

Estamos perante uma família típica: Richard, o pai orador, criador dos 9 passos fundamentais para alcançar o sucesso; Sheryl, a mãe de família, neurótica de profissão e sem tempo para cozinhar - nem sequer um ovo estrelado; Edwin, o avô retornado, snifador de heroína que voltou da guerra com balas nazis no rabo - e que simplesmente odeia galinha; Dwayne, o filho apaixonado por Nietzsche, que odeia todos e vive um voto de silêncio que dura há nove meses; Frank, o tio homossexual, conhecedor n.º1 de Proust do planeta, que se tornou suicida após uma paixão fracassada; e Olive, a mais nova da família, que sonha em tornar-se Miss America. É por ela que toda a família vai percorrer mais de 1500 quilómetros em dois dias para participar no concurso que vai coroar Little Miss Sunshine.

O filme é delicioso, uma viagem ao sempre psicadélico universo familiar e ao que de facto une as famílias: uma loucura amorosa algures entre a pura neurose e um abraço apertado como um nó de gravata. Um sumo de laranja bem fresquinho.

Após o visionamento de Little Miss Sunshine o Fusco-Lusco ficou com vontade de reler «Miss Wyoming», de Douglas Coupland, que nos conta a história de Susan Colgate. A heroína que passou a infância e a adolescência a ser manipulada pela mãe, trocando as bonecas pelos concursos de beleza. Um must read...

Link para wallpapers de sonho.

terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

O senhor dos sonhos



Em Dezembro, mês dos fritos natalícios de fazer crescer água na boca e aumentar o volume de gordura do ventre - apenas para nos proteger deste frio invernoso -, dedicamos o «Super-Rissóis» a Sandman, o senhor dos sonhos.

Sandman é uma revista de banda desenhada que se tornou num estrondoso sucesso de crítica e elogio público - feito de joelhos - pelos fãs de comics. Criada por Neil Gaiman (em 1988) para o selo Vertigo da editora DC Comics, Sandman conta-nos a vida e as aventuras de Sonho.

Também conhecido como Morfeu, Sandman, Oneiros, Oniromante ou Lorde Moldador, Sonho é o governante do Sonhar, o mundo dos sonhos. Trata-se de um Pérpetuo, uma manifestação antropomórfica de aspectos comuns a todos os seres vivos: o destino, a desencarnação (ou morte), o devaneio (ou sonho), a destruição, o desejo, o desespero, o delírio.

Sonho é um herói nobre, trágico, no estilo tradicional dos heróis da tragédia grega. Por vezes insensível, outras meditativo, mas sempre banhado em melancolia. O seu lado mais racional está sempre ciente das responsabilidades, tanto para com as pessoas comuns como para aqueles que habitam em suas terras. Compartilha de uma ligação recíproca de dependência e de confiança com sua irmã mais velha, a Morte, esforçando-se por compreender a sua natureza bem como a dos outros Perpétuos.

A série Sandman foi composta por 75 capítulos ongoing, num total de 13 arcos (um arco reúne uma história completa). Em Portugal Sandman está a ser editado pela Devir mas, a este passo, será mais provável para o coleccionador entrar no mundo dos sonhos do que terminar a aventura aos quadradinhos. O melhor mesmo será optar pela importação.

Ficam alguns links:

The Dreaming - a página oficial de Neil Gaiman
Devir - Poderá ver aqui as edições de Sandman que já conheceram luz na Lusitânia
Vertigo - A página da excelente editora onde a aventura Sandman foi publicada

O novo circo



Se nos pedirem para fazer uma pequena descrição do que é o circo, provavelmente acabaremos por falar em personagens como: Paco, o domador de leões; Conchita, a trapezista das lantejoulas; Pipoca, o palhaço maluco; Martina, a atiradora de facas de ponta afiada.

Plus ou Moins L'Infini, espectáculo da CIE 111, é uma abordagem ao que nas nossas mentes concebemos como «espaço». Trata-se do terceiro e último capítulo sobre «matemática física» que se iniciou com «IJK», sobre a ideia de «volume», e se prolongou com «Plan B», sobre o conceito de «linha».

Na matemática, uma linha orienta-se de um lado em direcção a «- infinito» e, do outro, a «+ infinito». O título Plus ou Moins L'Infini incide sobre as regras dos limites e remete, ainda, para uma outra ideia: a de situar a acção entre o aproximado e o absoluto.

Animais em jaulas? Circo Chen? Palhaços esborratados? Victor Cardinali? Esqueçam tudo isso e sejam bem-vindos ao novo circo, onde as artes circences abraçam a filosofia e a matemática. De 13 a 17 de Dezembro no CCB, em Lisboa. Mais informações pelo telefone 213 612 444.

Saphira, a campeã de inverno


Dê por onde der, Saphira, a dragoa azul, será a campeã de Inverno. Nem a claque de bombos, mulheres histéricas e buzinas que mais parecem alarmes do fogo dos bombeiros serviram para assustar o poder do dragão que, na Madeira, esteve à beira de um ataque de falta de chama. Valeu o cavaleiro Lucho, que desferiu o golpe final atirando com a espada ao inimigo a quase trinta metros de distância. Olé!

domingo, 10 de Dezembro de 2006

Amanhã é sexta-feira


Para quem quer fazer da triste segunda-feira uma precoce e radiosa sexta-feira, o Fusco-Lusco aconselha uma ida à Arena Lounge do Casino de Lisboa, em pleno Parque das Nações.
Passam por lá os Koop, que editaram recentemente o festivo «Koop Islands», que nos transporta ao centro do sol, dos cocktails e nos recorda o cheirinho a protector solar. Dança com sabor a jazz, num exotismo que chega fresquinho do país das louras - pronto, e dos louros - giras. Se ainda estiverem a pensar duas vezes ainda damos mais um empurrãozinho: é totalmente à borla. Com início às 22:30.

A caminho do inferno



Terror, tortura, assassínio, repressão e perseguição política. Aos 91 anos, Augusto Pinochet deixa o mundo terrestre para ingressar as fileiras do exército do demónio, esperando-se que arda incessantemente envolto em kerosene. Abre-se champagne no Chile e, entre sorrisos e lágrimas, chora-se de novo as mais de três mil mortes em nome do general. Tardou mas não falhou a justiça divina.

sexta-feira, 8 de Dezembro de 2006

No centro da comédia



Em Dezembro, época para reflectir e traçar novas conjecturas e planos, «O que vem à rede é peixe» dá destaque a um site destinado a fazer da gargalhada o som mais ouvido no planeta Terra - and beyond. Falamos de Comedy Central, um templo de divertimento onde pode encontrar jogos, clips, trailers, enfim, um mundo infinito de divertimento ao mais alto nível.
Os grandes destaques do Fusco-Lusco, assim de repente, vão para os videos do The Daily Show, do indomável John Stewart, e para os dez jogos temáticos do South Park. Destaque maior para os especiais do mítico repórter Stephen Colbert, em nome próprio (The Colbert Report) - vejam os videos de desafio à banda The Decemberists ou, em alternativa, observem a capa da GQ partilhada com o rapper Jay-Z, estão fantásticos - ou na pele do super-herói Tek Jansen, que salva o mundo das suas maiores ameaças - uma das mais importantes missões foi devolver os Harlem Globtrotters à sua era: 1972. Ainda há espaço para os novos comediantes que vão surgindo nas américas.
O melhor mesmo será perderem algumas horas e explorar o site de uma ponta à outra. A gargalhada está, desde já, garantida.

quinta-feira, 7 de Dezembro de 2006

Há festa no bloco!



Após uma passagem pelo Festival Paredes de Coura no último verão, os Bloc Party regressam a Portugal para uma nova actuação, desta vez em nome próprio. O local do crime será o Coliseu dos Recreios da Grande Alface, mas só a 18 de Maio de 2007.

O concerto irá servir para apresentação do novo «A Weekend in the City», com edição prevista para Fevereiro, mas que já circula pelos mares cibernéticos em galeões piratas de bandeiras desfraldadas ao vento.

Os Bloc Party nasceram em terras de sua majestade no ano de 2002, movendo-se em cenários musicais com nomes giros como art rock, pós-punk ou indie rock. Dizem que foram uma das bandas que apanharam boleia do autocarro Franz Ferdinand, mas em termos sonoros terão tanto a ver com eles como com a Shakira.

Em 2005 causaram sensação com «Silent Alarm», disco maior que lhes valeu uma entrada vip para o mundo do estrelato com direito a pensão completa. Até à saída do segundo disco falou-se em desvios sonoros, abraços reggae, mas uma primeira audição mostra que a opção foi de manter a linha estética de «Silent Alarm». Em equipa que ganha não se mexe, já diziam os mestres das tácticas futebolísticas. Ao terceiro capítulo o futuro será revelado...

Os bilhetes para a festa do bloco estão já à venda por 25 euros, não se atrasem.

Fitas para o Natal

O Natal está à porta, o que quer dizer que estão aí os filmes para a família a puxar pelo balde de pipocas e o chupar de coca-colas tamanho XXL. Do leque de fitas que se preparam para tomar de assalto os ecrãs de grande formato de todo o país o Fusco-Lusco, sem saber se valem um centavo furado, destaca dois deles.


«Eragon» nasceu da mente de Christopher Paolini - na altura sem idade para ver filmes com a bolinha no canto superior direito do ecran -, e cedo se tornou um livro de culto entre a pequenada e mais além - o Fusco-Lusco irá pegar nele depois de terminar «Um bom homem é difícil de encontrar», colectânea de contos de Flannery O`Connor.
Quando Eragon, um rapazolas que vive com o tio, encontra na floresta uma pedra azul polida, pensa que é apenas isso: uma pedra vulgar. Porém, quando descobre que esta transporta uma cria de dragão, um animal que se julgava extinto em todos os reinos, depressa se apercebe que está diante de um legado mítico. De um dia para o outro a sua vida muda radicalmente, passando a fazer parte de um mundo novo, cheio de magia e poder. Pelo trailer a adaptação cinematográfica não parece mal, prevendo-se um ambiente de muitas trevas e negrume. Claro que não será nenhum Senhor dos Anéis, mas também quem disse que o mundo é perfeito?

«Arthur and the Minimoys» é uma criação exclusiva de Luc Besson, realizador de pedaços fílmicos tão diversos como «Big Bleu», «Nikita» ou «5eme Element». Decidido a experimentar uma vida para lá das lentes, Besson iniciou-se na arte da escrita para infantes, com a saga Artur.
Até agora a aventura conheceu já três volumes. Os dois primeiros foram bem engraçados, já o terceiro foi só mesmo para encher chouriços. Esperemos que a série literária possa manter o interesse dos dois primeiros e Besson não se desoriente no reino dos mais pequenos.
«Arthur and the Minimoys», o primeiro livro que chega agora às salas de cinema, conta a história do pequeno Artur (Freddie Highmore), que tenta salvar a casa e as terras da avó (Mia Farrow) de serem penhoradas, procurando um tesouro escondido pelo avô africanista desaparecido, entrando em contacto com o minúsculo povo dos Minimeus, que vive nos subterrâneos.
O filme custou 65 milhões de euros e demorou cinco anos a rodar, pelo que esperamos tratar-se de um verdadeiro festim. Se for só um bocadinho de nada inferior ao livro já estaremos perante uma obra-prima da animação. Já estamos a fazer figas...
Trailers aqui:

terça-feira, 5 de Dezembro de 2006

Pequeno-almoço fora de horas



Aproveitando a maré futebolística que como uma onda gigante galgou a redacção do Fusco-Lusco, esfregamos agora a lâmpada mágica pedindo ao génio da bola para que amanhã os lusitanos se safem no duelos com os europeus do norte que conduzem do lado errado: «aquele que não se pode dizer o nome», frente ao Man Utd, e o fêquêpê, diante do Arsenal.

Se tudo correr às mil maravilhas celebraremos com um bom pequeno-almoço fora de horas, regado com muitas fresquinhas aprisionadas dentro de garrafas verdes.

O vermelho me mata


Pois é. Se há uns, como o diabo, que fogem da cruz e das rezas a sete pés, ou vampiros que ao mínimo odor a alho ou à primeira centelha da luz diurna se refugiam num caixão com uma tampa de pedra, outros há que, perante a cor vermelha, fazem chichi nas calças como bebés ranhosos ou velhinhos propensos à incontinência.
Depois da derrota caseira frente «àquele que não se pode dizer o nome», o Sporting voltou a tropeçar frente a uma equipa que veste de vermelho - o Spartak de Moscovo - e disse adeus às competições europeias. Parece que o Natal voltou a ter o sabor dos velhos tempos em Alvalade.
Já circulam rumores de que o próximo adversário dos leões, o enorme Vitória de Setúbal, está a tentar meter uma cunha junto da Liga Portuguesa de Futebol para que possa alinhar de vermelho...

domingo, 3 de Dezembro de 2006

As good as it gets


A fechar um ciclo de folia desmedida o Fusco-Lusco foi ontem ao Santiago Alquimista assistir ao concerto de Lisa Germano, uma raínha do movimento indie internacional.
Pode dar-se à actuação de Lisa Germano o nome do filme de James L. Brooks, «As good as it gets», pois sinceramente julgamos que melhor teria sido impossível. Ao piano e à guitarra Lisa apresentou temas de todos os seus discos, sobretudo dos dois últimos trabalhos: «Lullaby for the Liquid Pig» e «In the Maybe World», um fantástico disco que conheceu edição este ano.
Numa sala apinhada Lisa falou do processo criativo, de como tinham nascido certos temas, de como a ideia da morte foi importante para que olhasse a vida com sentimentos de pertença. Na noite de ontem, Lisa fez-nos acreditar que o mundo do faz-de-conta, aquele com que sonhamos em viagens solitárias, pode acontecer onde o desejemos: numa sala de concertos, numa das ruas da nossa cidade, num passeio de barco atravessando um mar tempestuoso. Um concerto onde o riso e as lágrimas estiveram de mão dada, uma noite intimista que nunca irá sair dos nossos corações.
Ainda tivémos tempo para ter um cd autografado pela fada Germano, e desejar-lhe que os duendes a façam encontrar a estrada da felicidade. We love you Lisa.

sábado, 2 de Dezembro de 2006

O rapaz dos agrafos


Seis albuns bastaram para transformar os Tindersticks numa das maiores bandas de culto do circuito indie mundial. Orquestrações de primeira água, um leque gigantesco de instrumentos, influências jazzísticas com o bichinho do flamenco e uma voz deslumbrante entre modelações à Elvis Presley e universos temáticos banhados em Leonard Cohen foram o mote para que a banda, em Portugal, conquistasse mais adeptos que a Igreja Universal do Reino de Deus.
Em 2003, após a edição do estrondoso «Waiting for the Moon», os Tindersticks calaram-se. Temeu-se o pior, os fãs acendiam velas aos deuses da melodia para que o regresso fosse rápido e o mundo não perdesse uma das suas maiores bandas. As preces foram ouvidas em 2005, mas de uma forma desviante. Stuart Staples, a voz mítica e alma dos Tindersticks, aparecia em nome próprio com «Lucky Dog Recordings», onde o universo musical permanecia intocável.
Ontem a Aula Magna recebeu de braços abertos Stuart e amigos, para apresentarem ao vivo «Leaving Songs», disco editado este ano. O festim musical de quase duas horas terminou com uma prenda muito especial para uma plateia rendida: «Tiny Tears» (1995), dos Tindersticks, a única canção onde Stuart precisou do fumo de um cigarro para uma viagem a um passado que deixou marcas como uma ferida aberta. Voltaram com champagne para receber uma ovação de pé, brindaram-nos com um sorriso largo e partiram felizes. E nós agradecemos aos deuses da melodia por uma noite memorável.