sábado, 30 de junho de 2007

O regresso dos Irmãos Quimigal



Pioneiros do big beat e responsáveis por algumas das mais vibrantes malhas electrónicas dos últimos 12 anos, os Chemical Brothers regressam em 2007 com «We Are The Music», dois anos depois de «Push The Button» ter arrancado aplausos de meio planeta e recebido insultos da outra metade.

Se o disco anterior incluia convidados VIP como The Magic Numbers, Tim Burgess (The Charlatans) ou Kele Okereke (Bloc Party), a nova aventura musical volta a contar com colaborações de primeira água como os The Klaxons - «All Rights Reversed» -, Willy Mason - «Battle Scars» - ou os Midlake - «The Pills Won't Help You Now».

Trata-se, para o Fusco, do melhor disco dos Irmãos Quimigal desde «Surrender» (1999). Com a luta a apertar pelo domínio das pistas de dança, onde os Digitalism representam o expoente máximo da nova e estimulante vaga dançante que assalta o planeta, os Chemical mostram que estão preparados para receber a luz intensa de bolas feitas de espelhos.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

O conde das pernas curtas


De 7 a 15 de Julho, Vila do Conde tranforma-se na capital mundial das curtas-metragens. No ano em que comemora a 15ª edição, o festival quer continuar a educar o olhar com ensinamentos visuais de curta-duração.

Os grandes destaques do Fusco vão para a exibição de estranhas curtas de David Lynch, com muitos coelhos à mistura, e para "Under Hitchcock", exposição que pretende aprofundar a relação existente entre imagens, ilustrar a atracção entre a arte contemporânea e o cinema, e explorar o modo como a obra e o imaginário do mestre influenciam ainda hoje a obra de diversos artistas.

Brigada de intervenção




Intervention

The king’s taken back the throne.
The useless seed is sown.
When they say they’re cutting off the phone,
I tell 'em you're not home

No place to hide,
You're fightin' as a soldier on their side
You’re still a soldier in your mind
Though nothing's on the line

You say it’s money that we need,
As if we’re the only mouths to feed.
And no no matter what you say,
There’s some debts you'll never pay.

Working for the church while your family dies
You take what they give you
And you keep it inside.
Every spark of friendship and love
will die without a home
Hear the soldier groan, "We'll go at it alone".

I can taste the fear.
Lift me up and take me out of here.
Don’t wanna fight, don’t wanna die
Just wanna hear you cry.

Who’s gonna throw the very first stone?
Oh! who’s gonna reset the bone?
Walking with your head in a sling
Wanna hear the soldier sing:
"Been working for the church while my family dies.
Your little baby sister’s gonna lose her mind.
Every spark of friendship and love
will die without a home."
Hear the soldier groan, "We'll go at it alone."

I can taste your fear.
It’s gonna lift you up and take you out of here.
And the bone shall never heal;
I care not if you kneel.

We can’t find you now,
But they’re gonna get their money back somehow.
And when you finally disappear,
We'll just say you were never here.

Working for the church while
your life falls apart.
Singin' hallelujah with the fear in your heart.
Every spark of friendship and love
will die without a home."
Hear the soldier groan, "We'll go at it alone."
Hear the soldier groan, "We'll go at it alone."

quinta-feira, 28 de junho de 2007

O império da falsidade



Ainda não conseguimos calçar as luvas e escutar «Boxer» de uma ponta à outra, mas se mantiver o encanto e o mistério do single de apresentação estamos diante de um disco de primeira água. Com o fim da tarde a aproximar-se, tempo para se deleitarem com um império construído sobre os pântanos da falsidade. Senhoras e senhores, «Fake empire», pelos The National.

O fim está perto

Tempo de pegar na Bíblia de Neons e ler a palavra do senhor. A religião nunca mais será a mesma depois deste hino ao fim do mundo. Amen!



Neon Bible

Vial of hope and a vial of pain,
In the light they both looked the same.
Poured them out on into the world,
On every boy and every girl singing

It's the Neon Bible, the Neon Bible
Not much chance for survival,
If the Neon Bible is right.

Take the poison of your age
Don't lick your fingers when you turn the page,
What I know is what you know is right
In the city you see only light.

It's the Neon Bible, the Neon Bible
Not much chance for survival,
If the Neon Bible is right.

Oh God! well look at you now!
Oh! you lost it, but you don't know how!
In the light of a golden calf,
Oh God! I had to laugh!
Take the poison of your age
Don't lick your fingers when you turn the page,
It was wrong but you said it was right,
In the future I will read at night.

In the Neon Bible, the Neon Bible
Not much chance for survival,
If the Neon Bible is true.

Tempo de acertar os relógios


Como não queremos que perca o agrupamento nacional que quer mesmo ver, ou que apanhe uma valente seca à espera da banda prometida, o Fusco revela o horário do segundo acto do Festival da Cerveja Bock. É tempo de acertar os relógios.

3 Julho
17h00 Pre-Load
17h30 Bunnyranch
18h35 The Gift
19h45 Klaxons
21h05 Magic Numbers
22h25 Bloc Party
00h00 Arcade Fire
4 Julho
17h00 Mundo Cão
17h45 Linda Martin
18h45 Clap Your Hands Say Yeah
20h05 The Rapture
21h25 Maximo Park
22h45 The Jesus & Mary Chain
00h20 LCD Soundsystem
5 Julho
17h00 Anselmo Ralph
17h35 Micro Audio Waves
18h10 X-Wife
19h05 The Gossip
20h10 TV On The Radio
21h20 Scissor Sisters
23h05 Interpol
00h45 Underworld

Não desligues o carro

Faixa 2 de «Neon Bible», pelos Arcade Fire.



Keep The Car Running

Every night my dream's the same.
Same old city with a different name.
Men are coming to take me away.
I don't know why, but I know I can't stay.

There's a weight that's pressing down.
Late at night I can hear the sound.
Even the noise you make when you sleep.
Can't swim across ariver so deep.

They know my name 'cause I told it to them.
But they don't know where And they don't know
When It's coming, when It's coming

There's a fear I keep so deep,
Knew it's name just before I could speak
Aaaah aaaaaah aaaaah aaaaaah

They know my name 'cause I told it to them
But they don't know where and they don't know
When It's coming. Oh! when, but it's coming

Keep the car running

If some night I don't come home,
Please don't think I've left you alone.
The same place animals go when they die,
You can't climb across a mountain so high.
The same city I go when I sleep,
You can't swim across a river so deep.

They know my name cause I told it to them,
But they don't know where
And they don't know
When It's coming, Oh! when is it coming?

Keep the car running
Keep the car running
Keep the car running

Festival ao fresco


À quarta edição, o CoolJazzFest mantém mantém a fasquia bem acima dos dois metros de altura, lutando pelo maior número de medalhas no disputado campeonato das febres de bilheteira. O Fusco deixa o programa de um festival que se vai estender por vários cenários, entre 30 de Junho e 22 de Julho: Jardins do Palácio do Marquês de Pombal e Casa da Pesca (Oeiras), Jardim do Cerco (Mafra) e Jardins do Casino do Estoril (Cascais).
30 Junho - Teresa Salgueiro & Septeto João Cristal (Jardim do Marquês de Pombal)
2 Julho - Gotan Project (Jardim do Marquês de Pombal)
8 Julho - Mariza & Carlos do Carmo, Tito Paris e Rui Veloso (Jardim do Cerco)
10 Julho - Buena Vista Social Club (Jardim do Cerco)
15 Julho - Nouvelle Vague (Jardim do Marquês de Pombal)
22 Julho - Norah Jones (Jardins do Casino Estoril)

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Rectângulo dos horrores


Porque nem só maravilhas foram plantadas neste rectângulo à beira mar plantado, o Público lançou o desafio de se escolher, de entre um leque de 58 eleitos, o maior horror construído na Lusitânia - uma espécie de Frankenstein da arquitectura dada à palermice. Entre os candidatos, os grandes destaques do Fusco vão para a maior casa de banho de lisboa, a sede que alberga o mealheiro do estado e o centro comercial dos índios, perto das instalações d`«aquele que não se pode dizer o nome». Se quiser votar siga por aqui.

Contagem decrescente com sopa de letras


Agora que o concerto dos Arcade Fire no Festival da Cerveja Bock se aproxima como um cometa incandescente, o Fusco partilha as letras de «Neon Bible», o segundo disco dos canadianos que é tão bom quanto o primeiro. Uma de cada vez, para poderem digerir bem cada palavra desta banda de profetas revolucionários. altura para se olharem no espelho negro.



Black Mirror

I walked down to the ocean
After waking from a nightmare
No moon, no pale reflection
Black Mirror, Black Mirror

Shot by a security camera
You can't watch your own image
And also look yourself in the eye
Black Mirror, Black Mirror, Black Mirror

I know a time is coming
All words will lose their meaning
Please show me something that isn't mine
But mine is the only kind that I relate to
Le miroir casse
The mirror casts mon reflet partour
Black Mirror, Black Mirror, Black Mirror

The black mirror knows no reflection
It knows not pride or vanity
It cares not about your dreams
It cares not for your pyramid schemes
Their names are never spoken
The curse is never broken
The curse is never broken

Un! Deux! Trois! Dis: Miroir Noir!
Black Mirror!
Un! Deux! Trois! Dis: Miroir Noir!
Black Mirror!

Mirror, mirror on the wall
Show me where them bombs will fall
Mirror, mirror on the wall
Show me where them bombs will fall
Black Mirror!
Black Mirror!
Black Mirror!

terça-feira, 26 de junho de 2007

David Sylvian vem a cavalo


Confesso adepto do universo da equitação, David Sylvian reuniu nove cavalos de corrida para uma visita à Lusitânia no mês de Outubro, numa expedição equestre a que deu o nome de «The World Is Everything Tour».
O Fusco revela o statement de Sylvian sobre este acontecimento musical, que conta já com mais de 25 datas assinaladas nas agendas de todo o planeta:
" This tour is in part a means of putting earlier chapters of my working life behind me. Of embracing the work that was done and, with a sense of finality, cutting the ties that bind me to it as a body, an entity.
In the future if I return to this material it will likely be in the context of a new body of work with which it shares a connection. In this sense there'll be a greater clarity regarding the content of future performances (should there be any). But we are by no means focusing exclusively on the past as we shall be exploring more recently recorded compositions, in particular those from the 'Nine Horses' releases. 'The World Is Everything' will be an intimate show, in some ways an echo of the 'Slow Fire' performances of a decade ago only on this occasion I shall be supported by a trio of musicians, a line up which will include Steve Jansen on drums and samplers, and bassist Keith Lowe".
Os espectáculos acontecem no Centro Cultural de Belém (dia 21) e Theatro Circo, em Braga (dia 23). Mais novidades em breve.


Piquenique na relva a pensar em Borg



Teve ontem início o torneio de Wimbledon, terceiro Grand Slam da temporada, um mais que provável piquenique na relva para Roger Federer. Em caso de vitória, o suiço alcançará o quinto triunfo consecutivo, igualando o feito do viking Bjorn Borg - campeão em Wimbledon de 1976 a 1980.

A correr por fora está Rafael Nadal. Se conseguir triunfar no tapete verde das inglaterras, o espanhol será o primeiro homem a vencer Rolland Garros e Wimbledon no mesmo ano desde... Bjorn Borg, em 1980. O único que não pensa Borg, mas apenas em atirar com o suiço e o espanhol ao papete, é o fast server Andy Roddick. Se estiver em semana sim, o americano é bem capaz de causar furor.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Um amor admirável


O dia da descolagem está agendado para 10 de Julho, mas para irem ver os Interpol no dia 5 com as letras na ponta da língua o Fusco mostra com quantas notas é feito «Our love to admire», o longa-duração da banda que sucede aos bem-aventurados «Antics» (2005) e «Turn On the Bright Lights» (2002).
Os rapazes continuam a soar como os Joy Division a treparem ao cimo de um arco-íris com as cores trocadas, como se tivessem descoberto o buraco da árvore que os conduzisse ao País das Maravilhas. Depois dos fracassos que foram os últimos lançamentos dos Kaiser Chiefs, Bloc Party e, a julgar pelo single de apresentação e os rumores da imprensa, dos The Editors, estamos perante um disco que sabe a bolo de chocolate. Por um amor destes, só podemos sentir mesmo uma grande admiração.

Esta arte não é para menino(a)s



Para quem tem uma visão de que a arte resulta do sofrimento e da lamúria, Sophie Calle mostra que tudo não passa de um mito criado por gente mimada. Ao receber um e-mail de au revoir do namorado, onde o rapaz usava a tirada clássica de que era tudo para o bem dela, a artista rejeitou a opção de ficar a chorar que nem uma madalena pelos cantos da casa, à espera que a tortura interior a devorasse as entranhas antes de cuspir a matéria criativa.

A peça, para a qual a artista pediu a cumplicidade de 107 mulheres, chama-se "Take Care of Yourself". A primeira coisa que Sophie fez foi enviar um exemplar da carta a um "copy editor", que arrasou a gramática e o vocabulário do autor. O texto, com sublinhados a tinta negra e outras cores, está ampliado ao tamanho de uma parede do pavilhão.

Na parede aparecem também fotografias do rosto e comentários de uma especialista em etiqueta que ensina o "saber-viver". A senhora explica as falhas no código básico do amor que o senhor X - é assim que o rapaz da carta aparece identificado - quebrou.

Especialistas traduzem o original em latim, braille, código morse. Uma jornalista transforma o texto numa "breve" de agência noticiosa; um especialista em "puzzles" transforma-o num jogo de palavras cruzadas; uma professora do liceu trabalha-o como um conto de fadas de final infeliz. Numa sala cheia de vídeos, Calle faz o e-mail ser lido e comentado pelas actrizes Jeanne Moreau, Miranda Richardson e Vanessa Redgrave e pelas cantoras Peaches e Feist.

Para Sophie, está visto que chorar pela arte é coisa de gente mimada. Humor e ironia acima de tudo é o que se quer. Leia mais aqui.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Abanar a anca

Para terminar a semana em beleza, o Fusco avança com uma selecção musical daquilo que se vai poder escutar no próximo dia 12 de Julho no Coliseu alfacinha. Com o pôr-do-sol a chegar, é tempo de preparar uma caipirinha e abanar a anca. Enjoy!


África à beira do Tejo - parte 2



Há algum tempo o Fusco tinha anunciado neste espaço o África Festival, que vai animar Lisboa entre os dias 28 de Junho e 8 de Julho. Porém, dada a diversidade da inciativa que inclui música, cinema, conversas, sessões e workshops de kizomba, exposições e a apresentação do livro «Lisboa na cidade negra» (com a presença do autor), é tempo de fazer alguns destaques. Fica uma nota: o Público de hoje traz um suplemento dedicado em exclusivo ao festival.

Música

Torre de Belém (sempre às 22h00)
28 Junho: Mayra Andrade (Cabo Verde) e Músicos do Nilo (Egipto)
29 Junho: Paulo Flores (Angola) e Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba (Mali)
30 Junho: Sally Nyolo Studio Cameroon (Camarões) e Baaba Maal (Senegal)

São Jorge
5 Julho (23h30): Tinariwen
7 Julho (23h30): Kalaf apresenta Ecos da Banda Música e Poesia

Cinema

Sons e Visões de África - Mostra de Cinema Documental
São Jorge - 3 a 8 Julho
3 Julho, 22h00: «Bamako», de Abderrahmane Sissako (estreia nacional)
4 Julho, 22h0: «Amandla! - A Revolution in Four Part Harmony», de Lee Hirsh
5 Julho, 20h00: «Ali Farka Touré - Le miel n'est jamais bon dans une seule», de Marc Huraux
5 Julho, 22h00: «Teshumara», de Jérémie Reinchenbach
6 Julho, 20h00: «Ishumars», de François Bergeron
7 Julho, 22h00: «Muxima», de Alfredo Jaar
8 Julho, 22h00: «Lusofonia», da Red Bull Academy (Portugal)

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Há vida no mundo inferior



Depois de 5 anos de silêncio e quatro aventuras dançantes, os Underworld regressam ao activo com «Oblivion with Bells», esperado para Outubro. Enquanto esperamos pela visita dos rapazes ao Festival da Cerveja Bock, deliciemo-nos com um tema mítico de uma banda que há uns anos fez tremer os alicerces do Coliseu dos Recreios.


Lição monárquica


Farta de esperar por um acesso de coragem dos mentores do Nobel da Literatura, a raínha de Inglaterra decidiu atribuir o título de Sir a Salman Rushdie, por serviços prestados à literatura. Uma lição dada pela monarquia a um mundo de repúblicas amedrontadas. God save the Queen!

Mel de primeira apanha


Como que inspirado nos pólens que andam por aí à solta e nos levam a consumir aerius atrás de aerius, Ryan Adams regressou ao activo com «Easy Tiger», 9º disco de originais de um americano que tem o country alternativo a nadar-lhe nas veias, artérias e tudo o que é célula cinzenta. O lançamento do disco acontece no dia 26, mas é já possível escutar todas as faixas no site do Inimigo. Deliciem-se com este mel de primeira, já não se fazem abelhas assim.

ReMEDios para Loulé


Porque nem só em Sines se dá música além mar, Loulé recebe entre 27 de Junho e 1 de Julho o Festival MED 2007, este ano na quarta edição. O festival percorre a zona histórica da cidade, tendo como ideal a divulgação das artes e culturas dos países da bacia do Mediterrâneo.
Na música, destaques para a percursão árabe, sons curdos e danças egípcias. Também haverá espaço para guitarra clássica e portuguesa, jazz e ambientes sonoros mais dados à tradição. Sara Tavares, Quarteto de Cordas Intermezzo, Natacha Atlas e Taraf de Haidouks (foto) são apenas alguns dos nomes que irão pisar os palcos do MED.
Além da componente sonora, haverá lugar a um sem número de iniciativas: espaços de gastronomia da Itália, Marrocos e Grécia, animações de rua com cabeçudos, gigantones, malabaristas, ilusionistas, homens-estátua, cuspidores de fogo, marionetas e muito circo, peças de teatro, zona de chill out, debates sobre a literatura do Mediterrâneo e uma exposição de fotografias fazem parte do imenso menu culturar a degustar pelos vsistantes. O Fusco aconselha uma visita ao site oficial.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

A democracia é digital



Telemóveis, câmaras digitais da antiga geração, suportes multimédia alternativos para alimento da internet ou de IPod`s sedentos. Tudo vai servir para concorrer ao Festival de Micro Filmes de Lisboa, organizado e idealizado pelas Produções Fictícias para democratizar e explorar o mundo do digital.

Os filmes concorrentes ao festival, que vai decorrer sob o lema «pequenos filmes para grandes ecrãs», apenas têm de ter o máximo de três minutos, deixarem de lado cenas tórridas e esquecerem o lado Tarantino que há em cada um de nós. Quem quiser concorrer, apenas terá de fazer o upload de ficheiros a partir de 14 de Setembro. Para saber tudo o melhor é dar um salto ao site oficial.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Frames ecológicos



"Quatro Elementos", filme que conta com a realização de Janek Pfeifer, música de Joaquim Pavão e co-produção do Cine-Clube de Avanca, conquistou o Prémio de Melhor Filme de Animação no EcoVisionFestival 2007, que animou recentemente a cidade italiana de Palermo.

O filme conta a história dos elementos primordiais, procurando explicar a forma abstracta que conseguiu reduzir a complexidade do mundo a um sistema simples de quatro elementos. A música que serpenteia entre a película ficou a cargo da Filarmonia das Beiras.

Há dança na estação


Que os festivais estão a dar já se sabia. No mundo da dança, porém, a competição não está ainda ao nível de um Chelsea vs Man Utd. Com esse pensamento brit em mente, o Festival Dance Station traz a Portugal, no próximo dia 12 de Julho, nomes como Chemical Brothers, Air, Tiga, Simian Mobile Disco e Fischerspooner.
Os concertos irão decorrer em dois espaços distintos: Estação do Rossio e Coliseu dos Recreios. O preço dos bilhetes é de 35 euros para o primeiro local, 30 para o segundo e 39 para ambos (2000 ingressos disponíveis nesta modalidade). O Fusco deixa o programa completo das festividades, apiontando claramente o Coliseu como o espaço a preencher (que me perdoem os Chemical Brothers).
Estacão do Rossio
(Abertura das portas: 18 horas)
Tiga (DJ Set)
The Chemical Brothers
Justin Robertson (DJ Set)
Erol Alkan (DJ Set)
D.I.M.
Proxy
Jori Hulkonnen (DJ Set)
Coliseu dos Recreios
(Abertura das portas: 19 horas)
Simian Mobile Disco
Fischerspooner
Junior Boys
Air
Digitalism

Serpa documental



De hoje até dia 24, Serpa recebe o Doc`s Kingdom, Seminário Internacional sobre Cinema Documental. Promovido pela APORDOC - Associação pelo Documentário e partindo do tema «A palavra em circulação», a iniciativa inclui a projecção de 22 filmes e sete conversas com cinco documentaristas convidados. Para saber mais consulte o site oficial ou dê uma vista de olhos no programa.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Fresquinho


Os The White Stripes, banda que há dias se estreou em território lusitano no festival Alive07!, lançam hoje o sexto disco de originais, de nome «Icky Thump».
Uma vez mais predominam os riffs em fogo, músicas de poucos acordes e uma sensação de deja vu misturada com uma renovada descoberta da sexualidade. Novidade ou mais do mesmo? Decida por si. Quanto ao Fusco, vai partir agora para mais uma audição (reduzida a 30 segundos por faixa).

sábado, 16 de junho de 2007

Mon Oncle


Os Unkle são uma estranha nave espacial musical, um ovni que se prepara para visitar a Terra pela terceira vez em uma década e mais 3 anos.
Em 1998, então na companhia de aviação Mo`Wax, James Lavelle e Dj Shadow viajaram até «Psyence Fiction», mergulhando no buraco negro do trip-hop na companhia de reputados astronautas como Kool G Rap, Alice Temple, Richard Ashcroft ou Thom Yorke.
Em 2003, Lavelle arranjou um novo conspirador - Richard File, cantor e compositor - e partiu rumo à «Never Never Land», mas tratou-se de uma viagem que pouco ou nada trouxe à história das viagens interplanetárias.

Este ano, na terceira expedição ao nosso planeta, Lavelle decidiu assumir sozinho o comando da nave «War Stories», convidando para membros da tripulação piratas do ar como Josh Homme (Queens of The Stone Age), Ian Astbury (The Cult), 3D (Massive Attack) ou Gavin Clark (Clayhill). Apesar de a nave aterrar algures na Europa apenas a 9 de Julho, o Fusco descobriu o caminho das estrelas através do Omissão Impossível e mostra de que material é construído «War Stories».

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Cabras montanhesas


Graças ao Bitsound..., demos de caras com mais três cabras da montanha, comandadas pelos mestres do pastorício chamados The Mountain Goats. Ah, como é deliciosa a vida de andar ao fresco! Para ouvir aqui, aqui e também aqui.

Os ratos são nosso amigos



Já lá vai o tempo em que os ratos eram considerados seres imundos, tendo de resistir bravamente ao apetitoso e perfumado queijo que, em 90 por cento dos casos, escondia uma perigosa e mortífera ratoeira.

«Ratatouille», a última criação da Pixar, conta a história de um rato que é um verdadeiro chef e que vai ajudar um rapaz desajeitado a realizar o sonho de se tornar num cozinheiro à séria. O filme estreia no dia 29 deste mês por essa Europa fora, mas na Lusitânia parece que só lá para Agosto vamos ter sorte.

Para verem o trailer oficial sigam por aqui. Se ainda não ficarem convencidos, deliciem-se com o clip de nove minutos que a Pixar preparou para convencer os ateus.

Pop já era (para eles)


Fartos de toda a pop, rock e músicas do planeta que vão andar a passear-se de biquini ou calção de banho, a Ofir Produções chega-se uma vez mais à frente e oferece à nação dançante o Antipop Festival, a decorrer entre os dias 9 e 11 de Agosto junto ao Forte S. Tiago da Barra, na cidade de Viana do Castelo.
Entre os convidados electrónicos, os destaques do Fusco vão para as presenças de Richie Hawtin, Ellen Allien & Apparat, Matthew Dear (com uma big band) e Magda. É tempo de abanar o esqueleto - ou tirá-lo do armário. Mais informações no site oficial.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Fechar a noite com o bater do coração

Espécie de iliteracia



Chinua Achebe, escritor nigeriano de 77 anos, foi o vencedor do Man Booker International deste ano, que lhe vai render qualquer coisa como 90 mil euros. Em 2006, ano da criação de um prémio que pretende reconhecer o conjunto de obras extraordinárias no contexto da literatura mundial, a sorte tinha cabido a Ismail Kadamé.

Chinua Achebe é o escritor africano mais traduzido do planeta. Na Lusitânia, tem publicadas apenas duas obras: «Um Homem Popular», pela Caminho, e «A Flecha de Deus», pelas Edições 70. Quanto a «Things Fall Apart», considerado por muitas mentes iluminadas como uma das obras-primas da literatura de todos os tempos, continua sem conhecer a tradução em território luso - será desta?

De acordo com o suplemento P2 do Público, «finalmente mais de meio mundo saberá quem é um dos maiores escritores vivos». O Fusco faz parte dessa metade e mais qualquer coisa.

Invasão já era


Este ano, Vilar vai passar o verão sem a habitual invasão dos mouros, que terão de procurar um outro local para dar largas ao espírito festivaleiro de invasão pacífica. Organização, junta de freguesia e câmara municipal não se entenderam, pelo que este ano o Festival Vilar de Mouros já era. Talvez regresse em 2008. Ler mais aqui.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Reciclado não reciclável


A partir de dia 28 de Junho, a Rolling Stone vai aterrar nas bancas sob o lema do papel reciclado. Para dar ainda mais ênfase à via verde, a primeira edição no novo material pretende incluir uma entrevista com Al Gore, que se tornou numa espécie de messias alfacinha para muito boa gente, além de um ensaio do advogado ecologista Robert F. Kennedy Jr.

A Rolling Stone será impressa no que a publicação chama "papel neutro" em emissões de CO2, isto por ser fabricado mediante um processo que não acrescenta dióxido de carbono à atmosfera. O papel virá de uma fábrica de papel canadense - a Catalyst Paper -, que segundo a revista reduziu suas emissões de gases que causam o efeito estufa em 82% desde 2005 - e que foi ainda elogiada pela organização ambientalista World Wildlife Fund pelos seus esforços conservacionistas.

Porém, apesar das aparentes vantagens ambientais, as críticas já se fizeram ouvir. Parece que o papel, apesar de reciclado, não é reciclável. Nada de mais sensato. Ninguém no seu perfeito juízo deitaria no contentor da reciclagem uma pedra rolante.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Gatas ao poder



Depois de ter encantado o mundo com «The Greatest», Cat Power recebeu das mãos de um ilustre juri (Franz Ferdinand, Sufjan Stevens, Flaming Lips e Panic! at the Disco) o prémio Shortlist referente ao ano de 2006, pela primeira vez atribuído a uma mulher.

Entre os finalistas estavam nomes de peso como Band of Horses, Tom Waits, Beirut, Hot Chip, Joanna Newsom, Bonnie «Prince» Billy, Girl Talk, Regina Spektor e Spank Rock. Nas anteriores edições do Shortlist, os vencedores haviam sido Sigur Ros (2001), N*E*R*D (2002), Damien Rice (2003), TV on the Radio (2004) e Sufjan Stevens (2005).

O Fusco presta uma pequena homenagem a uma das mais cativantes vozes femininas da actualidade.





segunda-feira, 11 de junho de 2007

A irmandade está em forma


No Rotten Tomatoes, o índice de frescura anda pelos 88%. No IMDB, os leitores dão-lhe um 8.5 em 10. Depois de alguns anos à deriva, parece que os irmãos Cohen voltaram a fazer história na sétima arte, agora com «No Country For Old Men» - adaptação do romance de Cormac McCarthy ao ecrã gigante.
Os Cohen são do que melhor aconteceu ao cinema na era da modernidade. De «Blood Simple» a «The Man Who Wasn't There», os Cohen trataram de nos brindar com comédias («Raising Arizona» ou «The Big Lebowski», histórias negras («Miller's Crossing») ou uma mistura explosiva entre os dois géneros («Barton Fink» ou «Fargo»). Claro que em mais de duas décadas aconteceram episódios menos felizes como «Intolerable Cruelty» ou «The Ladykillers» (um remake), mas até isso lhes conseguimos perdoar.
Se tivesse de escolher alguém que ainda caminhe entre nós para oferecer um prémio de carreira, O Fusco não escolheria David Fincher ou David Lynch. Iria direitinho, sem pensar duas vezes, para as mãos dos manos Cohen.
Ainda não existe qualquer trailer, mas depois de muito cirandar pela autoestrada virtual descobrimos cinco pequenos clips retirados de «No Country For Old Men». Veja aqui por que razão nos dói tanto a espera.

O dia da besta


Depois da presença no festival Alive!, e como que em jeito de penitência por nunca terem antes visitado a Lusitânia, os Beastie Boys tocam esta noite na Aula Magna num espectáulo com uma designação verdadeiramente pomposa: "Gala Event - Exclusive Instrumental Show".
Nesta aventura musical, com bilhetes a custar entre 30 e 50 euros, o trio nova-iorquino vai ser acompanhado por uma banda de corpo inteiro. Se alguém tiver por aí um bilhete para oferecer que se chegue à frente.

Terrofobia


Com uma oportunidade única de fazer história, inscrevendo-se como o único jogador a ganhar os quatro torneios do Grand Slam de um só fôlego - desde que se joga em mais de duas superfícies -, Federer tremeu frente a Rafael Nadal, o deus da areia, e confirmou uma triste alergia à terra batida. Por este andar, mais facilmente ganhará primeiro Nadal em Wimbledon do que Federer em Roland Garros.

domingo, 10 de junho de 2007

And the golfinho goes to...

Melhor Filme: «Posto Fronteiriço», de Rajko Grlic (Croácia/Bósnia/Eslóvenia/Sérvia)
Prémio Especial do Júri: «Depois do Casamento», de Susanne Bier (Dinamarca)
Melhor Realizador: Rajko Grlic, pelo filme «Posto Fronteiriço»
Melhor Actriz: Helena Bergstrom e Maria Lundqvist, pelo filme «Heartbreak Hotel»
Melhor Actor: Rolf Lassgard, pelo filme «Depois do Casamento»
Melhor Argumento: Ognjen Svilicic, pelo filme «Armin»
Melhor Fotografia: Raul Pérez Ureta, pelo filme «Madrigal»
Prémio do Público: «Os Optimistas», de Goran Paskaljevic
Prémio Sapo Vídeos Curtas Digitais: «Malus» e «Crosswalk»
Prémio Homem e a Natureza: «Chernobyl: o Ladrão Invisível», de Christoph Boekel
Menção Especial: «Clandestino», de Sylvain Rigollot
Menção Especial: «Canção de Ninar», de Margreth Olin
Prémio Câmara Municipal de Setúbal/Independentes Americanos: «Boy Culture», de Q. Allan Brocka
Pémio Primeiras Obras: «Princesa», de Birgit Grosskopf
Menção Especial: «A Arte de Chorar», de Peter Schonau Fog
Prémio FIPRESCI: «Posto Fronteiriço», de Rajko Grlic
Prémio SIGNIS: «Juventude Tardia», de Bettina Oberli
Prémio CICAE: «A Arte de Chorar», de Peter Schonau Fog

sábado, 9 de junho de 2007

Asfixia no novo mundo


Nos Independentes Americanos, à semelhança do que nos tem contado Dermot no blog do Festroia, o melhor ficou reservado para o fim. «Choking Man», do realizador Steve Barron, é um mergulho na vida de um emigrante equatoriano em Nova Iorque, para quem a vida se tornou num imenso vazio.
Jorge passa a vida enfiado num lavatório, olhando pratos e um cartaz descolorado que explica como agir em caso de asfixia. A chegada ao restaurante de uma jovem chinesa desperta algo novo em Jorge, mas o fosso que existe entre ambos parece demasiado fundo e extenso para poder ser vencido. Nessa luta de aproximação, o lado negro de Jorge vai ganhando cada vez mais força, obrigando-o a um terrível confronto com ele próprio em nome da liberdade.
O filme captura a claustrofobia e o sentimento de asfixia que os recém-chegados aos Estados Unidos sentem, à medida que lutam por encontrar um significado para a vida numa cidade estranha. Recusando qualquer embelezamento, o filme faz poesia com imagens sujas e cruas, deixando que seja o silêncio o narrador. Há muito tempo que não saía de um cinema verdadeiramente tocado. Um triunfo do cinema indie que merece levar para casa o Golfinho dos Independentes Americanos.

Épicos na areia


Respondendo aos sonhos dos amantes, o deus da bolinha amarela colocou na final do open favorito do Fusco - a par do Australian Open - os dois maiores jogadores da actualidade: Roger Federer, mais dado a superfícies duras, e Rafael Nadal, que se sente na terra batida como um peixe dentro de água. Apesar do favoritismo do espanhol, a nossa aposta vai para uma vitória de Federer em quatro sets. Domingo, lá para a hora do lanche, se saberá.
Quanto às meninas, a mais que favorita Justine Henin defronta a sérvia Ana Ivanovic, a grande surpresa do torneio. Ao contrário de Djokovic, que cedo gastou as baterias frente a Nadal, o Fusco acredita que Ivanovic pode provocar uma hecatombe em Roland Garros. Quando forem duas da tarde saber-se-à se a terra treme em Paris.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Na fronteira nada de novo


A noite de ontem assistiu a uma boa surpresa na Secção Oficial do Festroia, de seu nome «Borderpost». A acção do filme do croata Rajko Grlic decorre na fronteira da Macedónia com a Albânia, anos antes do sangrento conflito na ex-Jugoslávia, num posto fronteiriço onde reina a descontracção, o desmazelo e a inércia. O capitão, ao apanhar sífilis numa das suas idas às meninas, vai inventar um conflito com os albaneses, para que durante vinte e um dias ninguém saia do posto fronteiriço e ele tenha uma boa desculpa para evitar um encontro com a mulher antes de expurgar a doença. Lentamente, vão crescendo os índices de desconfiança, traição e paranóia que vão conduzir a um trágico desfecho.
Uma interessante, divertida e por vezes poética parábola sobre a guerra, e do modo como de repente o nada se transforma num incompreensível todo. Um candidato de peso ao Golfinho de ouro.

USA for sale



«Iraq For Sale», que passou no Festroia integrado na secção Panorama, é o que se pode chamar de cinema de intervenção. O documentário centra-se na esfera económica do conflito, deixando de lado a legalidade ou não da intervenção.

Doseando o lado sentimental e apontando baterias para questões de facto, «Iraq For Sale» desconstrói o conflito apresentando os verdadeiros ganhadores: empresas privadas, suportadas por um escandaloso lobby governamental, que celebram contratos multimilionários com o estado onde nem sequer cumprem os serviços mínimos. No final, fica a ideia de que também os Estados Unidos estão à venda. Um documentário obrigatório.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Matiné de domingo numa quarta-feira à noite


«The Treatment», terceiro filme a ser exibido na secção Independentes Americanos do Festroia, gira à volta de um triângulo escaleno: Jake Singer, um professor inseguro fora da sala de aula, que após terminar a última relação amorosa parece condenado a uma vida de mediocridade; Ernesto Morales, o psicanalista de Singer, que se auto-intitula como o último verdadeiro discípulo de Freud do planeta; Allegra Marshall, uma viúva pouco alegre, raínha da vida social que vê em Singer uma boa fisgada.
O filme tem um começo auspicioso, com diálogos sólidos, muito humor e um bom ritmo. A certa altura, como que acordando de um sonho indie, a realização decide tomar a via hollywoodesca e deixa de saber para que lado é o norte: a narrativa torna-se forçada, os clichés caem de todos os lados e os risos perdem a espontaneidade. Em vez de deixar algo por dizer, como no caminho escolhido por Linklater em «Before Sunset» e «After Sunset», dizem-se aqui demasiadas coisas, ainda para mais com pouca substância e a tocar o ridículo. A matiné de domingo, no Festroia, foi antes servida na quarta-feira à noite. Fraquinho.

Jules et Jim da era moderna


Ao ver «Reprise», primeira longa-metragem do norueguês Joachim Trier, não pude deixar de pensar em «Jules et Jim», de François Trufaut.
Melhores amigos desde a infância, Erik e Phillip partilham a mesma paixão pelo escritor Sten Egil Dahl, que após a edição do primeiro romance se tornou num ser recluso, afastando-se da vida social e recusando prémios literários. Na sequência de abertura, ambos enviam cópias dos seus romances para a mesma editora, com resultados bem diferentes.
O filme explora a complexa relação entre a criatividade e a experiência, apresentando a escrita como uma arte preciosa que tem de ser aprendida ao longo de um turtuoso caminho, questionando amizades e relações amorosas. O final, lembrando um pouco a subversão narrativa de «Pulp Fiction», constrói uma ponte entre o real e o imaginário, permitindo que o espectador decida se há espaço para o estrelato ou, idealmente, para um novo começo.
Apesar de não conseguir colocar-se a par de toda a rebeldia e entusiasmo que pretende aplicar a cada fotograma, «Reprise» é uma bem conseguida primeira obra de Joachim Trier.

Michelle ma belle


Michelle Brito, a tenista portuguesa residente nas américas, conseguiu reserva nos quartos-de-final do hemisfério júnior de Roland Garros. Com apenas 14 aninhos, a miúda ameaça tornar-se num caso sério do ténis feminino mundial, já sendo descrita por muito boa gente como a Sharapova morena. Quem sabe se um dia destes teremos uma portuguesa como n.º 1 do desporto da bolinha amarela? Em homenagem ao grande feito de Michelle, o Fusco oferece música já com os olhos - e a imaginação - na final.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Um copo de moloko


Há dias revia o fabuloso «A Clockwork Orange», que começa entusiaticamente com o grupo de delinquentes, liderado por Malcolm McDowell, a beber copos altos de moloko para agitar o espírito mercenário. Hoje, ao viajar pelo mundo cibernético, soube que Roisin Murphy, ex-diva dos Moloko, vai prosseguir a sua carreira a solo com um segundo longa-duração de nome «Overpowered».
«Ruby Blue» foi uma aventura fantástica de Roisin, a Lara Croft do universo musical, conduzida pelo mestre Herbert - rei da manipulação e criação de envolvências sonoras mais dadas à electrónica. O registo combinava o melhor que os Moloko haviam desencantado, da terna melancolia à loucura desenfreada, mas chegava a parecer um disco de Herbert com vocalizações de Roisin. «Overpowered», o single de avanço, soa menos a Herbert e mais a Moloko, como se as saudades tivessem batido forte e a música regressasse aos anos loucos de uma banda que deixou saudades. O lançamento do novo disco está marcado para dia 15 de Outubro. Até lá ficam as recordações dos tempos em que o moloko era a bebida raínha.



terça-feira, 5 de junho de 2007

Acabou-se a música


«El Violin», do mexicano Francisco Vargas Quevedo, passou ontem na secção Primeiras Obras do Festroia. O filme faz um recuo temporal aos anos 70, mostrando a luta travada entre os camponeses (pela sobrevivência) e os militares (pelo poder total). Don Plutarco (Don Ángel, num registo de excelência) é um velhote com muito estilo, tocador de violino, que ganha a vida como músico viajante levando consigo o filho e o neto. Por detrás desta aparência artística, o trio fornece armas e mantimentos à guerrilha que tenta fazer frente ao regime.
Imerso numa melancolia a preto e branco e com uma fotografia assombrosa, «El Violin» mostra como muitas vezes a beleza e a arte são impotentes perante os desígnios dos deuses do ódio e da inveja. Mesmo com algumas pinceladas extras de dramatismo, o espectro da telenovela mexicana não mora aqui. Uma boa estreia do realizador Francisco Vargas nas aventuras de longa-duração.

Um giz de todas as cores


Foi com casa cheia que o Auditório Charlot recebeu, na secção dos Independentes Americanos, o filme «Chalk» (giz), do realizador Mike Akel.
Usando o humor como arma pedagógica, Mike Akel dá-nos uma incrível visão do ensino, apresentando uma caricatura de vários tipos de professor com que nos deparámos no percurso escolar: a professora de ginástica com ar lésbico, impetuosa e agressiva, com grandes dificuldades de relacionamento devido ao seu feitio intempestuoso; o professor do terceiro ano de história, um ccompetitivo por excelência, que pede aos alunos mais espertos para reduzirem o ritmo nas aulas ou coloca outros em campanha para que seja eleito professor do ano - o verdadeiro cromo; a assistente do reitor, ex-professora, que vai deixar de ter vida própria ao mesmo tempo que se vê no papel de confessionária de professores queixosos que a tentam manipular; o professor frustrado, que está no ensino apenas porque não tem outra coisa para fazer; o professor estreante e humilde, que vai mudando a sua forma de ensinar de acordo com o estado de espírito dos alunos, promovendo uma relação de troca de experiências.
Com uma realização que recorda o estilo documental da série The Office, Akel consegue transmitir, com muito humor à mistura, todos os medos, triunfos, frustrações, alegrias e dúvidas que passam pela cabeça de um professor - seja na relação com alunos, outros professores ou com quem dirige a escola -, desde o momento em que é lançado às feras até se tornar parte do quadro de uma instituição de ensino. Divertido e intensamente profundo, «Chalk» é uma fabulosa ode à nobre arte de ensinar. Um verdadeiro must see que já deve ter um Golfinho garantido.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Mastiga e deita fora


Podem acusá-los de ter adoptado a distorsão dos Sonic Youth, a irreverência dos The Clash, o estilo dos The Strokes e a elegância dos Franz Ferdinand. «Ten New Messages», segundo longa-duração de estreia dos ingleses The Rakes, é um disco que respira felicidade e convida a uma dança transloucada, trazendo à imaginação o bom sabor da pastilha elástica. Depois de bem mastigado, deverá ser deitado no contentor de discos com um curto prazo de validade. Fica o fantástico primeiro single, «The world was a mess but his hair was perfect».

Trainspotting para rapazes


Depois de uma dose dupla de homenagem ao cinema espanhol, com filmes a puxar para a lágrima desenfreada e o mergulho na melancolia, nada melhor do que «Boy Culture», de Allan Crocka, para levantar o astral e abrir caminho para mais uma semana de Festroia.
«Boy Culture» não é um filme virado para instrospecção, onde as personagens se debatam com questões existenciais de grande monta. Muitos dos clichés associados à gay scene estão presentes, apresentados com um frenético ritmo de filmagem que lembra um «Trainspotting» só para rapazes. Porém, nessa assumida falta de seriedade e da recusa de qualquer pretensiosismo, o filme encanta pela simplicidade e pela caricatura que faz da cultura gay que afinal é, também, a cultura da heterosexualidade.

domingo, 3 de junho de 2007

Uma campeã de fraco carácter


Maria Sharapova jogou hoje em Roland Garros frente a Patty Schnyder, numa entusiamante e bem jogada partida de ténis (venceu pelos parciais de 3-6, 6-4, 9-7). Com o público francês contra si, quem sabe incomodado com os estridentes gritinhos de fúria ao bater as bolas, Sharapova enfrentou dois match points e teve do outro lado da rede uma adversária que serviu por três vezes para fechar o encontro. Sharapova resistiu sempre, mostrando um ténis e uma entrega de outro planeta.
Quando servia para chegar ao 8-7, um espectador soltou um grito a meia viagem de um serviço. Schneider levantou o braço e não se fez à jogada, o árbitro deu o ponto a Sharapova e esta, mostrando um mau carácter e um péssimo sentido de desportivismo, virou costas como se nada fosse. Se tivesse optado por repetir o ponto, contrariando a decisão de um árbitro distraído, teria conquistado o apoio de grande parte do público. Com aquela atitude arrogante, ganhou o desprezo e apenas irá receber vibrações negativas em terras francesas até seguir viagem para outras paragens. A russa pode ser uma grande campeã, mas uma campeã de fraco carácter.

Língua camaleónica



«La Lengua de las Mariposas», do espanhol José Luis Cerda, transporta-nos até uma pequena povoação da Galiza, onde o jovem Moncho treme com a ideia de ir para a escola e encontrar um professor violento e cruel.

O filme acompanha a transição de uma criança para o complicado mundo dos adultos, revelando o despertar da sexualidade, o gosto pelo livre pensamento e a perda irreparável da inocência. Ilustra, de forma cruel, o desígnio camaleónico das emoções num cenário de guerra, e de como a luta pela sobrevivência pode trair tudo aquilo que julgávamos haver de mais sagrado e importante na vida.

sábado, 2 de junho de 2007

Começar com o coração


Perdida a noite de abertura, o Fusco iniciou a peregrinação ao Festroia com o filme «Secretos del Corazon», do espanhol Montxo Armendariz, incluído no ciclo Homenagem a um País - Espanha.
Javi, o jovem protagonista, tenta descobrir o mistério que se esconde dentro de uma casa abandonada, onde se ouvem os gritos dos mortos. Ao fazê-lo, reabre os segredos do coração guardados no baú de memórias da sua família, ao mesmo tempo que enfrenta os medos de criança que antecedem a descoberta da sexualidade. Uma interessante abordagem às mentiras que corroem as famílias num tocante hino à perda da inocência.

O que fez Sparrow para merecer isto?



Quando «Dead Man's Chest» estreou, a crítica bateu e nós amparámos a queda. Apesar de ficar uns furos abaixo de «The Curse of the Black Pearl» - que dava um novo e genial sentido aos filmes de piratas -, conseguiu manter em doses menores a mesma aura de fascínio, onde toda a aventura se fazia em torno de um pirata fora de série: apesar de não hesitar em enganar o próximo, andar sempre com o rum a tilintar nas paredes da cabeça e perder constantemente o norte, o capitão Sparrow conseguia com um charme pouco clean colocar a tripulação do seu lado.

«At World's End», o terceiro (e último?) capítulo da trilogia «Pirates of the Caribbean», faz de Jack Sparrow uma triste caricatura, perdida num guião que esqueceu toda a alegria e humor para se concentrar numa narrativa tenebrosa onde Jack mais parece uma marioneta sem espaço para brilhar, seduzir e divertir. Se no segundo volume Sparrow conseguia ofuscar no pouco espaço de tela concedido, agora tem tempo de sobra para caminhar a passos lagos para o abismo da boçalidade. Desta vez, o Fusco e a crítica estão de acordo. «At World's End» é um filme maçador, sem alegria, e nem o charme de Vera Knightley serve para fazer dele algo mais do que qulómetros de fita mal gastos. O que fez Sparrow para merecer isto?

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Mozart esteve no São Jorge



Mozart esteve ontem, em carne e osso, no Cinema São Jorge em Lisboa. Claro que não apareceu com uma daquelas cabeleiras pirosas, ou com uma indumentária a lembrar séculos antigos. Vestiu antes um fato aos quadradinhos, combinado com umas meias pretas e cor de rosa que são o último grito da moda. Também decidiu, para não perturbar os espectadores, actuar sob a designação de Andrew Bird.

Em quase duas horas de pura magia, Andrew Bird e comparsas desfilaram temas da ópera moderna «Armchair Apocrypha», bem como de operetas mais antigas e consensuais como «Misterious Production of Eggs» ou «Weather Systems». Recorrendo ao método da gravação de pistas e a uma genialidade pouco habitual nestes dias, Andrew mostrou que a música de encantar, que ouvimos nos discos, não se trata de artifícios técnicos ou produções caseiras de laboratório, mas de algo que nasce da improvisação, da imaginação e do devaneio artístico do momento. Para o Fusco, habituado à boémia vida dos concertos e do vinho verde, tratou-se de um dos mais fantásticos momentos musicais que assistiu até hoje. Mozart está bem vivo, e ontem passeou a sua centelha de génio entre nós.



Sob os céus da excelência


Daniel Blaufuks, fotógrafo português de excelência, viu reconhecido o seu trabalho de fazer de cada livro de imagens um objecto único, onde se respira a arte e o pulsar do tempo deixado para trás.
«Sob Céus Estranhos - Uma história de exílio», foi considerado o melhor livro de fotografia internacional pelo júri do festival Photo España 2007 (PHE), um dos mais importnates do planeta. Editado este ano pela Tinta da China, o livro parte das memórias dos refugiados judeus que cruzaram Lisboa durante a II Guerra Mundial. Se ainda estiver a pensar duas vezes em comprar o livro, então dê uma pequena espreitadela aqui.