quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Deus existe!


É verdade, podem escrever nos cadernos e rabiscar nas agendas. O deus da música, capaz de satisfazer os desejos e caprichos que invadem a imaginação mais irreverente, existe para lá da simples fé.
O Fusco acendeu velas, entoou cânticos, decorou versículos. Só faltou uma ida a Fátima. A recompensa chegou há poucos minutos, com o anúncio da boa nova. Os Arcade Fire visitam Portugal para actuar no Festival Super Bock Super Rock, algures entre 28 de Junho e 5 de Julho. Aleluia, toquem os sinos!

Scorsese vai dar música


No final da rodagem de The Departed, Scorsese acusava a pressão das grandes produções dizendo que muito dificilmente se iria meter noutra mega-operação. Porém, dias após receber a estatueta de melhor realizador, as notícias circularam depressa pela autoestrada virtual. A próxima aventura do italo-americano será um filme sobre a história do rock e até já tem nome: «The Long Play».
Descrito como um "épico sobre o rock`n`roll" «The Long Play» terá um argumento saído da imaginação de William Monahan - colaborador de Scorsese na adaptação de «The Departed» -, ficando a produção a cargo do próprio Scorsese e de Mick Jagger - que volta a trabalhar com o realizador após a rodagem do documentário sobre os Rolling Stones.
É mesmo para dizer que o bichinho das grandes produções continua a morder o mestre. Nós, simples mortais, só temos de agradecer.

Lx deprimente


Depois da votação que pretendia eleger o pior português de sempre, eis uma eleição a que o Fusco se junta com todo o gosto. À semelhança do que acontece em terras de Sua Majestade, Portugal - e em particular os alfacinhas - já pode escolher os edifícios e espaços públicos mais deprimentes de Lisboa, com vista a chamar a atenção de quem por cá decide para a necessidade de alterar a herança negra que as novas gerações vão receber em termos urbanísticos e paisagísticos.
A campanha foi baptizada de "Lx Deprimente" e as nomeações podem ser feitas aqui. A campanha dura até final do ano mas um primeiro balanço será feito quando o Verão aparecer em força. É votar e esperar por dias de sol em brasa.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Zodíaco


Para o Fusco trata-se de um filme aguardado com o coração a saltar pela cavidade bocal. David Fincher já nos surpreendeu com Seven (1995) e Fight Club (1999), pelo que é legítimo esperar um pedaço fílmico onde o sangue, a tensão alta e o bater de queixo coexistam simpaticamente numa tela em tamanho gigante.
A história é inspirada em Zodiac, serial killer de San Francisco Bay Area que, entre os anos 60 e 70, iludiu e desafiou as forças policiais americanas. O homem do zodíaco nunca foi preso, tendo sido apontado como o autor de mais de vinte crimes (formalmente foi acusado de cinco). Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo e Robert Downey Jr. são os rostos escolhidos por Fincher, numa estreia que, em Portugal, não tem ainda data prevista. Se alguém souber que se chegue à frente e diga quando vai ser.
Para quem não conseguir resistir a espreitar para dentro da caixinha, aqui fica o trailer oficial.

Tropeçaram num efrit


Com «Funeral», os Arcade Fire tornaram-se a maior banda de índios do mundo. O disco ocupou as preferências de muitas publicações musicais um pouco por todo o planeta, o mito cresceu e a espera tornava-se dolorosa.
«Neon Bible», que chega às lojas nos próximos dias, é o sucessor de um disco imaculado. Se com «Funeral» se passeava num mundo de sombras negras e almas destroçadas, onde violinos choravam entre lamentos e lágrimas, em «Neon Bible» respira-se um desejo de fé e uma vontade de acreditar que o mundo se vai tornar num sítio mais feliz.
Os Bloc Party falharam. Os Kaiser Chiefs enfiaram-se num buraco negro. Os Arcade Fire, com o peso do mundo sobre os ombros, oferecem-nos mais uma obra genial. Provavelmente, quando passeavam numa planície canadiana, tropeçaram numa lâmpada mágica libertando de uma longa hibernação um efrit bondoso que lhes ofereceu três pedidos. Dois já se realizaram. Falta apenas o terceiro desejo: mais um disco de suster a respiração, daqueles que nos fazem acreditar que a música é mesmo a melhor coisa do mundo. Os Arcade Fire estão de volta, longa vida aos Arcade Fire!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

O Kamasutra da Pop



Patrick Wolf é um rapaz especial, um daqueles miúdos a quem já em catraio se adivinhava um percurso marcado pela originalidade. Em 2003, quando contava 19 primaveras, o mundo viu despontar «Lycanthropy», um álbum onde o encontro entre a electrónica e as cordas de uma viola clássica coexistiam numa desconcertante e irrequieta melodia, entrecruzada com o uivar de lobos perdidos na noite.

Dois anos depois, período que Patrick aproveitou para estudar a arte da composição, nascia aquele que foi um dos melhores discos que 2005 - e a história da pop - ouviu: «Wind in the Wires». Um trabalho solitário, de eremita, onde a natureza se fazia ouvir como um grito à procura de um sentido para a vida.

2007 é o ano do terceiro capítulo, de nome «The Magic Position». Estamos perante um disco arriscado, gravado de peito aberto, balançando numa corda bamba feita de estranhos e mágicos acordes. Patrick faz coexistir o mundo da festa e da cor - como em Magic Position ou Accident & Emergency - com um universo denso e intimista - com o fabuloso MagPie, onde Marianne Faithfull faz do mundo um quarto escuro -, e edita aquele que é de todos o seu disco mais transparente, experimental e genial, mostrando que ainda há muito caminho a percorrer.

Com The Magic Position Patrick Wolf brinca com a Pop, e inventa um kamasutra musical vivido num carrossel à escala interplanetária. Um disco enorme, que vale todas as estrelas do céu numa noite brilhante.

Quem se infiltrou na Academia?


Pode dizer-se que 2007 vai ficar, na história do cinema, como o ano em que a maior parte das estatuetas ficou bem entregue. O Fusco deixa alguns apontamentos após uma noite bem dormida.
El Laberinto del Fauno (O Labirinto de Fauno), do mexicano Guillermo del Toro, foi o vencedor surpresa da noite, com a brilhante conquista de três estatuetas (Direcção de Arte, Maquilhagem e Fotografia). O reconhecimento do cinema fantástico como um género maior.
Little Miss Sunshine (Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos) ganhou duas estatuetas, uma delas numa das mais importantes e prestigiadas categorias: Argumento Original. Uma lufada de ar fresco entre mega-produções, num filme que vem trazer um novo alento ao cinema independente. Sem dúvida, um dos melhores filmes de 2006.
Forest Whitaker ganhou com um filme menor (The Last King of Scotland - O Último Rei da Escócia) aquilo que deveria ter ganho antes com Bird ou Ghost Dog. Veja-se a coisa como um prémio de carreira, aliás bem merecido.
O excelente Das Leben der Anderen (As Vidas dos Outros) ganhou merecidamente o oscar para melhor filme estrangeiro. Um hino à humaninade em tempos onde o medo impera.
Babel foi o grande derrotado da noite, conquistando apenas o oscar de Melhor Banda-Sonora. Para o Fusco, a justiça foi feita. Um filme destes, já devia agradecer aos deuses da sétima arte por estar entre os cinco candidatos...
The Departed (Entre Inimigos), do genial Martin Scorsese, foi o vencedor maior da noite, conquistando quatro estatuetas: Montagem, Argumento Adaptado, Realização e Melhor Filme. Finalmente, um dos maiores expoentes do cinema vê reconhecido o seu talento. Não foi com Raging Bull ou Goodfellas, mas com este The Departed. Que, aliás, é um excelente filme, bem melhor que o original de Hong Kong. Muitos parabéns Martin!!!
Confira aqui a lista completa dos vencedores.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

The Birds de volta aos écrans nacionais


44 anos depois, o mítico «The Birds» (Os Pássaros) de Alfred Hitchcock teve honras de reposição em Portugal, e logo num palco de luxo. Aconteceu no Alvalade XXI, por iniciativa da distribuidora nacional Desportivo das Aves. O Professor Neca, director da empresa que se encontra às portas da falência, não deixou de expressar o seu contentamento pela iniciativa, esperando que possa ser o primeiro passo para um futuro risonho.

Yin e Yang


Dan Dunne (Ryan Gosling) é um jovem professor de liceu que ensina miúdos de 14 anos numa inóspita sala-de-aulas em Brooklyn. Rejeitando o programa curricular que lhe foi imposto, Dan prefere apresentar a História como uma luta entre opostos, relatando com entusiasmo e inspiração questões como os direitos civis, a guerra civil americana ou o golpe de estado de 11 de Setembro que derrubou o democraticamente eleito Salvador Allende do cargo de presidente do governo chileno.
Apesar do seu brilhantismo entre as paredes da escola, o tempo fora do ensino é passado no abismo da inconscência. As suas desilusões pessoais, desapontamentos, medos e anseios levaram-no a uma séria dependência de drogas. Os dois mundos coixistem separadamente como que por artes mágicas, até que uma das suas alunas mais problemáticas o descobre na casa-de-banho a fumar crack. Apesar da diferença de idades ambos se encontram num importante intersecção das suas vidas, e aquilo que decidirem e escolherem irá alterar - ou não - a sua História.
«Half Nelson» é um filme que serpenteia entre o desencanto da vida e as encruzilhadas da mente, que descobre onde se escondem as segundas oportunidades - coisa rara na História. Se tiver de escolher apenas um filme para ver nos próximos dias, Half Nelson é o nosso eleito. Um verdadeiro must see. Além disso, a banda-sonora é dominada pelos Broken Social Scene.

Sonata para um bom homem



Está nomeado para o Oscar de melhor filme estrangeiro e, se o ganhar, o Fusco brindará a isso. «As Vidas dos Outros», do alemão Florian Henckel von Donnersmarck - que se estreia na aventura das longas-metragens -, é um mergulho na Alemanha habitada entre muros, no tempo em que o medo e o silêncio eram os sentimentos mais aconselháveis a ter do lado este da fronteira.

A história assenta numa relação triangular entre um escritor de peças de teatro, a sua namorada actriz, e um capitão da polícia secreta, com a missão de os espiar e descobrir algo que os incrimime. Ulrich Muhe, capitão da STASI, é o motor do filme, e é através dos seus olhos desencantados que observamos a desintegração do regime vigente, bem como o envolvimento nas vidas dos outros que escuta atentamente num gabinete cinzento, enquanto bate relatórios numa máquina de escrever. Um filme profundo, humanista e verdadeiramente surpreendente. Um regresso em grande do cinema alemão.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

20 anos e um dia depois


Há quem diga que o vislumbre da morte muda uma pessoa da cabeça aos pés, mas com Andy Warhol a coisa bateu forte. Depois de ter sido alvejado por Valerie Solanas, uma feminista que abraçou a radicalidade (ver I Shot Andy Warhol, de Mary Harron - 1996), a arte de Andy tornou-se negra, obscura, longe do colorido pop que mostrava o lado alegre e despreocupado da vida.
Vinte anos e um dia após a sua morte, com cores ou na linguagem dupla do preto e branco, o Fusco recorda um dos artistas que marcaram a arte contemporânea, em tudo o que ela tem de bom e mau.

O grande Z



Deixou-nos há vinte anos, mas as suas músicas continuam a tocar na nossa imaginação, lembrando um país que era e continua cinzento. 20 anos depois, Zeca Afonso continua entre nós.

Load "" Enter


Acalmem-se os mais entusiastas da antiga máquina de sonhos, não vamos avançar para uma segunda homenagem ao Spektrum e aos sonhos que despertou numa juventude sedenta de permanecer no mundo da imaginação.
Amanhã, junto ao Cais do Sodré, a Music Box recebe de braços e ouvidos bem abertos os Spektrum, banda agitadora do meio musical que, com dois discos apenas - «Enter the Spektrum» e »Fun at the Gymkhana Club» - se tornou num caso sério quando se mostra ao vivo.
Para quem procura uma noite de sábado com o volume no máximo , basta dar um salto à Music Box. A actuação tem início à meia-noite e os bilhetes custam 12 euros (à venda na Flur).

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Pequenotes na misturadora



O ano passado incendiaram-nos o coração com «So This is Goodbye», um disco onde visionávamos Frank Sinatra a cantar músicas de amor debaixo de uma bola de espelhos no Paradiso de Amsterdão. Afinal, o romance também fazia parte do mundo da electrónica.

Agora surgem notícias da edição de um EP de cinco temas, intitulado «Dead Horse», que terá remisturas de Hot Chip, Kode 9, Carl Craig, Marsen Jules e Tensnake. Para promover o lançamento os Junior Boys vão realizar uma digressão pela Europa, que continua depois no continente americano. Portugal não está por enquanto nos planos, mas vale a pena acreditar que o romance vai passar por cá.

Vivam os filmes imaginários


Depois de em The Man with a Movie Camera terem dado música ao fabuloso filme silencioso de DzigaVertov, os The Cinematic Orchestra regressam com mais música inspirada no universo da sétima arte, desta vez compondo uma banda sonora para um filme imaginário.
O novo trabalho irá chamar-se «Ma Fleur» e, no site da Ninja Tune, pode já ouvir-se «To Build a Home», tema escolhido para single de apresentação.

Lanzeira


Encerrámos as portas da redacção sem avisar ninguém e partimos rumo ao Alentejo, para retemperar energias e saborear a calma da vida. Voltámos com as baterias carregadas, ainda com a lanzeira a pintar-nos os sonhos de cores felizes. O Fusco está de volta ao activo.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Brits em baixa


Há quem diga que não foram motivo de surpresa, mas o Fusco acha que sim. Se as nomeações já não eram grande coisa, pautando-se por uma escolha muito MTV meets Globos de Ouro versão SIC, os vencedores dos Brit Awards foram quase todos uma autêntica desilusão. Quando os The Killers ganham o Brit para melhor banda internacional, ou James Blunt é eleito o melhor artista britânico, começamos tristemente a acreditar que um dia Tony Carreira vai receber um prémio de carreira entregue com pompa e circusntância pelo Ministério da Cultura. Para o ano não queremos saber. A não ser que ganhem os The Good The Bad and The Queen.

O exemplo sueco


Com ou sem aquecimento global, uma coisa é certa. Onde antes havia um imenso azul, hoje habitam gigantescas manchas de cinzento, fazendo da terra um planeta de cores invernosas e tristes.
Mas parece que nem todos os países andam de pé atrás com o Protocolo de Quioto, vendo na redução dos elementos poluentes uma quebra de receitas. No tema da redução de gases de estufa, a Suécia conseguiu superar o objectivo traçado para o país. O ex-primeiro ministro do governo sueco, Goram Persson (1996-2006), recebeu da fundação do escritor norueguês Jostein Gaarder um prémio pela proeza. Está na hora de seguir o exemplo sueco. E não estamos a falar de louras.

Começar o dia com lágrimas


O YouTube é uma verdadeira nação, um mundo de partilha onde se pode encontrar um pouco de tudo. Hoje comece o dia com lágrimas, daquelas que se soltam quando o riso aperta e se torna impossível suster o processo de insanidade. Com a ajuda do Público, ficam dez videos para ver e rebobinar por mais. Divirtam-se.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Vivam as comadres!


Depois dos compadres, que se divertiram à grande na semana passada, é a vez das comadres viverem o seu dia, saindo à rua para celebrar o facto de terem nascido mais giras que nós homens.
Quando começou tradição ninguém sabe ao certo, mas diz-se que já se comemora este dia desde o final do século XIX. Nos Açores a maior parte dos festejos vai ocorrer em clubes de strip-tease, e quem não marcou jantar fora o melhor é pensar em jantar em casa. Até as cabeleireiras estão sem mãos a medir. A loucura está instalada.
Há outras comadres que preferem celebrar o dia com as suas amigas do peito, evitando grande agrupamentos ou frenesins. Seja como for, o que importa é assinalar a data e a amizade que as comadres têm umas com as outras.
O Fusco gostaria de dar os parabéns a todas as mulheres que visitam este espaço, e também às que nunca cá virão parar. Afinal, onde residiria a beleza no mundo se não fossem elas?

Toda a arte em Madrid


Começa hoje na capital dos nuestros hermanos a ARCO`07 (Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madrid) - , um encontro mundial dedicado a apresentar as artes plásticas contemporâneas que pintam a imaginação artística em todos os continentes do planeta.
Este ano o país convidado é a República da Coreia, que terá um papel central no certame com a apresentação de um projecto da artista Kim Jung-Wha, comissária chefe do Sungkok Art Museum e professora da Dongguk University.
Para saber mais visite o site oficial.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Um abrigo na terra


Um Abrigo na Terra. Assim se chama a homenagem que o CCB vai prestar a Paul Bowles, escritor de romances e contos mas também compositor dado a grandes e elaboradas orquestrações. A paixão que dedicou a Marrocos será assinalada com um concerto pelos Masters of Jajouka e, também, pela passagem de «The Sheltering Sky» (O Céu que nos Protege), adaptação cinematográfica de um dos seus livros mais celebrados.
Também os seus contos serão objecto de leitura, análise e discussão. Uma sequência de fotografias a preto e branco, da autoria de Daniel Blaufuks - tiradas em Tânger no apartamento de Bowles -, complementa em imagens a homenagem prestada em palavras. Bowles deixou-nos em 1999. Ficou a obra.
Toda a programação aqui. Mais sobre o autor na Wikipedia.

Perdi o bigode na Twilight Zone


Assistimos há dias ao filme La Moustache, realizado por Emmanuel Carrère a partir de um livro escrito pelo próprio punho. A história, pelo menos a aparente, é mais ou menos a seguinte: um dia, Marc decide rapar o bigode que o acompanhou durante toda a sua existência. Porém, nenhum dos seus conhecidos - mulher, amigos, colegas - parece notar a imensa diferença de visual, e todos lhe dizem que nunca o viram com bigode. Estará o mundo inteiro contra si? Ou estaremos prestes a entrar no reino irreversível da loucura?
La Moustache é um interessante exercício cinéfilo sobre a perda de identidade, a desintegração de uma mente instável, a superficialidade das relações e a revelação de uma dupla peronalidade. Um mergulho na Twilight Zone e no desespero surdo de uma mente em convulsão, revendo toda a sua vida após um instante derradeiro.
No final permanecemos, também nós, nessa dimensão trágica da Twilight Zone, indecisos sobre se saímos da porta pelo lado certo. Inquietante.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Pobres de espírito

Há uns anos atrás, e após a conquista do campeonato e da liga dos campeões, José Mourinho quase teve de pedir uma escolta policial para sair do Porto rumo aos blues de Inglaterra. Nesse ano, e como que por birra presidencial, o dragão de ouro para treinador do ano foi atribuído ao treinador de basquetebol de então, nome que a memória já se encarregou de levar rio abaixo.

Este ano, após ter cozinhado uma panela de dobrada como há muito não se comia na cidade (vencendo campeonato e taça), Adriaanse foi posto a andar com o rótulo de ditador, exigente e pouco amigo da farra. Nada demais, as taças já estavam na salinha dos troféus. Há poucos dias, na cerimónia de entrega dos dragões de ouro, Rui barros - que orientou o clube aí durante um mesinho - foi eleito treinador do ano.

Mesmo que saindo de forma travessa, ambos os treinadores deram ao clube aquilo de que ele se alimenta: títulos. Porém, na hora do reconhecimento dos que por lá passam, os azuis sentados no poder fecham os olhos e lá vão saltando de birra em birra. Com gente desta a tomar decisões, não admira que muitos vejam o fêquêpê como um mero clube de bairro. Triste pobreza de espírito.

Brits


Com estamos em maré de estatuetas, falamos agora dos Brits, prémios que distinguem o que de bom se faz em termos musicais nas terras de sua majestade e mais além. Claro que falta lá muita coisa boa - como acontece com os Oscars -, mas há nomes que bem merecem a estatueta do guerreiro prateado.
Para o Fusco, alguns dos prémios a atribuir seriam os seguintes:

Melhor artista masculino britânico: Thom Yorke
Melhor banda britânica: Muse
Melhor artista feminina internacional: Cat Power
Melhor grupo internacional: Gnarls Barkley
Confira aqui a lista completa.

Caça ao urso

Decorre até domingo a 56ª edição do Festival de Berlim, numa caça ao urso com concorrência apertada. Vinte e seis filmes, 19 em estreia mundial, concorrem às estatuetas de ouro e prata, bem como ao reconhecimento do espírito cinéfilo europeu.

Entre os candidatos encontram-se «The Good Shepard» e «The Good German» respectivamente dos caçadores Robert de Niro e Steven Soderbergh. Fora da competição exibe-se o muito esperado «Letters From Iwo Jima», de Clint Eastwood e o não assim tão esperado «The Walker», de Paul Schrader. Domingo contamos como acabou a caçada.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Novo look

O Público, jornal de eleição do Fusco, decidiu fazer uma plástica gráfica e arranjar-se com pompa e circunstância para os próximos tempos. Desejamos apenas que a informação se mantenha ao mesmo nível, num jornal que é para nós um exemplo de boa democracia, espírito crítico e abertura a novas formas de viver a informação - como o caso da aposta no Inimigo Público.

A primeira edição é para toda a gente, free of charge. Basta clicar aqui.

Viva o luxo



Integrada nas comemorações do 50º aniversário da Fundação Calouste Gulbenkian inaugura, no próximo dia 15, a exposição Cartier 1899-1949. O percurso de um estilo.
A mostra reúne um conjunto excepcional de jóias, relógios e objectos pertencentes à Colecção Cartier, bem como algumas das aquisições de Calouste Gulbenkian, pertencentes à Fundação, que durante 15o anos estiveram nas mãos, pulsos, cabeças e outras partes do corpo de gente dada à realeza e à vida em alta sociedade. Um verdadeiro luxo.
Mais bem guardada que a caixa-forte do avarento Tio Patinhas, a exposição poderá ser visitada até ao dia 29 de Abril. Mais informações aqui.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

A culpa foi da chuva

É certo que a participação no Referendo aumentou em relação a 1998, mas o facto de mais de metade dos portugueses ter decidido ficar em casa revela bem o sentido de cidadania deste país plantado à beira-mar. Culpa-se a chuva, o frio, até o filme do Van Damme que fez com que muitos se esquecessem de ir votar. Para a próxima deviam pensar em sortear DVD`s do programa do Goucha ou CD`s dos Il Divo entre os votantes como forma de combater a abstenção. Ou pôr a Floribella a correr o país de helicóptero em sessões de autógrafos nas mesas de voto. Nem um voto seria perdido. Mas falemos do importante. Venceu o Sim, o que significa que teremos menos uma lei criminosa no país. Mais um passo para a saída das cavernas.

À volta do vazio

Não se percebe se a ideia era fazer um filme sobre o efeito borboleta, a família como último local de consolo ou mostrar que a globalização não é coisa quer traga nada de bom ao mundo. Seja como for, Babel, de Alejandro González Iñárritu, revela-se um filme bocejante, previsível, exageradamente caricatural e nunca convincente em termos do puzzle narativo e das histórias compartimentadas que pretende criar. Personagens esteriotipadas, mensagens políticas pouco credíveis, saltos temporais falhados, fotografias culturais demasiado forçadas, uma narrativa que nunca consegue criar qualquer fio condutor e que falha na tentativa de tecer uma teia multicultural, limitando-se a ser um exercício sobre o vazio. Muito fraquinho.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Mais uma espécie ameaçada


Já se sabe que de dia para dia aumenta o número de espécies ameaçadas. Após a calamidade que foi conhecer que tinha chegado a vez do bacalhau, hoje foi a águia que passou a fazer parte da lista de animais em vias de extinção.
A razão para tal deveu-se a um ataque massivo dos lobos do mar que, numa investida surpresa e estrategicamente bem desenhada, descobriram e arrasaram os dois ninhos onde se escondiam as águias-mãe. Mendonça, um lobo do mar com um passado de guerrilha activa, foi o responsável pela dentada final que deixou a águia Quim a contorcer-se de dores. Depois deste massacre surgiram já movimentos espontâneos, um pouco por toda a parte, todos com o mesmo lema: «Salvar a águia». Quanto aos lobos do mar, esses, vão uivar até que nasça a manhã.

Para quem não conhece


Depois do anúncio de um disco póstumo de Nick Drake, chega a vez de Jeff Buckley nos fazer uma visita sonora do mundo do além. Ao contrário do disco de Drake, que contará com inúmeros inéditos, «Life Eternal: An Introduction to Jeff Buckley» pretende servir de carta de apresentação a todos os que dele nunca ouviram falar. Buckley deixou-nos precocemente após um mergulho no rio dos lobos, afluente do imenso Mississipi, antes de completar trinta anos e no começo de uma carreira verdadeiramente promissora.
Fica a homenagem do Fusco a este grande compositor, guitarrista e cantor. «Grace», de 1994, continua a fazer parte dos discos mais rodados nas nossas mentes e corações.




sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Chove debaixo da Terra


Após quatro anos de paragem, algo habitual entre Robert Del Naja (aka 3D) e Grant Marshall (aka Daddy G), os Massive Attack vão regressar com «Weather Underground» (título ainda provisório, o mais provável é que acabe com um nome completamente diferente). Depois de Blue Lines (1991), Protection (1994), Mezzanine (1998) e 100th Window (2003), qualquer coisa menos que uma obra-prima não será de todo aceitável.
Como se não chegassem os Blur, os Gorillaz, o projecto com músicos do Mali e os fantásticos The Good The Bad and The Queen para o tornar num dos ícones musicais com alcance interplanetário, Damon Albarn vai agora participar no álbum dos Massive. Além de Damon o disco vai contar com as vozes de Tunde Adebimpe (TV On The Radio), Hope Sandoval (Mazzy Star) e os habituais Horace Andy e Elisabeth Fraser.
Um dos discos mais esperados deste ano, com edição prevista para algures em 2007. É que com estes rapazes tudo pode acontecer. Até sairem dois discos ao mesmo tempo.

Última frase antes da reflexão


Como amanhã é dia de reflexão, falamos hoje pela última vez do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. Publicamos uma frase de Bill Clinton, o melhor presidente dos Estados unidos da era moderna, afastado por ter sido apanhado com o trombone na boca de uma secretária. Uma curta frase que, para o Fusco, resume tudo aquilo que está em discussão. Façam o que fizerem no Domingo, não se esqueçam de votar. A abstenção pertence aos idiotas.
“Vamos torná–lo legal, mas raro e seguro.”».

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

A montanha pariu uma doninha


Já roda por aí «Dialectos de Ternura», o novo single dos Da Weasel. Uma canção de muito mau gosto onde a rima acontece apenas por acaso, serpenteando entre uma melodia ridícula. A canção serve de apresentação ao sucessor do mui platinado «Re-Definições», e contará com participações de luxo: o pianista Bernardo Sassetti, o escritor José Luís Peixoto, o maestro Rui Massena e a Orquestra Sinfónica de Praga.
Espera-se que o novo disco não embarque naquilo que o single deixa antever, ou estaremos perante um caso de banda-sonora da geração Morangos, Floribella e McDonalds, onde a criatividade não é palavra que faça parte do léxico...

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Bestinhas a caminho


Os Beastie Boys foram, provavelmente, a primeira banda rap de miúdos brancos a ser admitida no playground do bairro dominado por durões como NWA, Public Enemy ou Naughty By Nature. Com um hip-hop que piscava o olho ora ao rock ora ao punk - e que ainda arranjava tempo para desvios jazzísticos e outras estranhas sonoridades-, os Beastie tornaram-se uma banda de culto e uma referência no meio musical virado para as artes da boa dicção.
Acusados de não saberem tocar, cantar, compor ou interpretar, o trio contruiu uma carreira bem sucedida onde a imaginação, a criatividade e o activismo político estiveram sempre presentes, servindo ainda de inspiração a gente fina - e a deitar génio pelas orelhas - como Beck. É certo que com a idade se tornaram mais adultos e menos idiotas, mas isso é suposto fazer parte do crescimento, não é?
A boa notícia é que Mike D, Adam Yauch e Adam Horovitz nos vão visitar no próximo dia 10 de Junho, integrados no Festival de Música e Arte (de 8 a 10 de Junho no Passeio Marítimo de Algés, onde estão já confirmados Pearl Jam e Da Weasel). Toca a enfiar a calça larga, vestir uma sweat colorida e invadir o Passeio Marítimo montado numa tábua em grande estilo. Vai ser épico.

Menu do dia


Picanha recheada com queijo

Ingredientes:

- 1 picanha de 1 a 1,2 kg
- Sal temperado a gosto
- 500 g de queijo prato, estepe, provolone ou prato cortado em tiras
- ½ xícara (chá) de pepino em conserva
- 2 pimentas vermelhas sem sementes cortadas em tiras
- Galhos de tomilho a gosto
- 1 cebola grande cortada em rodelas
- 10 dentes de alho com casca ligeiramente amassados
- 300 g de batata bolinha
- 200 g de cenoura noisette
- 100 g de tomate cereja
- 2 folhas de louro
- 200 g de cebolinha (bolinha)
- 1 copo (tipo americano) de vinho branco seco
- 100 g de manteiga sem sal

Preparação:

1.Coloque a picanha sobre uma tábua e retire a gordura.
2.Faça um corte no centro da picanha até a outra ponta, deixando 2 cm de cada lado.
3.Tempere a picanha com sal temperado a gosto por dentro e por fora.
4.Recheie a picanha com as tiras queijo, intercalando com ½ xícara (chá) de pepino em conserva, 1 pimenta vermelha sem sementes em tiras e tomilho a gosto.
5.Recheie bem.
6.Costure a picanha (com agulha e barbante).
7.Disponha 1 cebola grande cortada em rodelas numa forma retangular.
8.Coloque sobre a picanha a cebola e, ao redor, coloque 10 dentes de alho com casca ligeiramente amassados, 300 g de batata bolinha, 200 g de cenoura noisette, 100 g de tomate cereja, 1 pimenta sem sementes cortada em tiras, tomilho a gosto, 2 folhas de louro e 200 g de cebolinha (bolinha).
9.Regue com 1 copo (tipo americano) de vinho branco.
10.Distribua 100 g de manteiga sem sal, cortada em cubinhos por cima da picanha.
11.Cubra com papel-alumínio, tendo cuidado de fechar bem a forma e leve ao forno pré-aquecido (180-200ºC) durante 40 min.
12.Retire o papel-alumínio e deixe dourar por cerca de 25 min, pincelando com o próprio caldo do assado.
Ah, já nos esquecíamos, ganhámos 2-0 ao Brasil!!! Esta e outras receitas aqui.

O amor é lindo



Um abraço de milénios (entre 5000 a 6000 anos) foi descoberto há dias em Itália, numa zona de escavações perto de Mantova. O casal será agora agora separado para se descobrir se são de sexos diferentes ou não (entre outras coisas ditas científicas). O nosso pedido é que depois voltem a colocar tudo no mesmo sítio. O amor é lindo, e este é um abraço que não merece ser desfeito.

Tanto barulho para nada


«Silent Alarm», de 2005, foi um assombro. Aproveitando a vaga de loucura e insanidade provocada no meio musical pelos Franz Ferdinand, os Bloc Party criaram um disco épico onde o espírito de festa e inquietação, misturado com alguma melancolia, conquistou meio mundo. «A Weekend in the City» era, por isso e muito mais, um dos discos mais aguardados de 2007. O resultado, porém, é bastante mediano, e ficará para o terceiro disco comprovar se estamos perante um caso de génio ou de um flop genuíno.
Em entrevistas ouvimos Okelele (vocalista e compositor) dizer que os Bloc Party estavam mais profundos, e que a ideia de A Weekend in the City foi a de criar um disco conceptual sobre Londres e as suas doenças cardíacas provocadas pela era Blair. O que temos é um disco super-produzido, demasiado sério, faltando-lhe simplicidade, bravura e, sobretudo, génio e espírito criativo. Parece que, eles próprios, se deixaram contaminar pela doença Blairiana, perdendo-se numa obra de dimensões épicas com muita forma e pouco conteúdo. Os Bloc party desligaram o alarme silencioso e puseram-se a falar como heróis de uma modernidade doentia. Nós perguntamo-nos: para quê tanto barulho?

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Lara regressa ao passado

Parece que foi ontem que pela primeira vez vestimos a pele de Lara Croft, saqueando túmulos, fugindo a armadilhas, decifrando enigmas, enfrentando vilões e animais perigosos. Quem diria que já se passaram dez anos desde a primeira aventura em modo Tomb Raider, um dos jogos maiores da história do divertimento?

A Eidos, para comemorar a data de uma forma festiva, vai recriar o primeiro jogo da série, apresentando um novo visual e, espera-se, uma ainda melhor jogabilidade.

Tomb Raider: Anniversary tem data prevista de lançamento para quando os primeiros polens começarem a chatear anunciando a chegada da Primavera. Enquanto isso, o Fusco-Lusco mostra algumas imagens do que está por aí a rebentar. O jogo vai servir aPS2, a PSP e o PC.

De novo a modéstia



Com quatro longas-duração editados até à data, os Modest House são uma das bandas rock mais criativas do continente americano. Em 2004, com «Good News For People Who Love Bad News», conquistaram o seu pedaço de céu e viram prometido um T5 no paraíso da música alternativa.

2007 marca o regresso dos rapazes à vida das edições discográficas, e a nova aventura já tem nome: «We Were Dead Before the Ship Even Sank». A grande novidade é a entrada de Johnny Marr, antigo guitarrista dos The Smiths, para ajudar a dar vida às guitarras. «Dashboard», o single de apresentação, já anda por aí a navegar pelas ondas hertezianas. Em Abril, os tempos são de modéstia.

Nota: Para quem quiser dar um saltinho à terra de Gaudi em Junho, os Modest House têm concerto marcado no festival Primavera Sound logo no dia 1.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

O novo evangelho


A saída audio da nova bíblia só vai acontecer em Março mas, quanto aos capítulos e versículos desta edição luxuosa, já é outra história. Num site criado para o lançamento de «Neon Bible», os Arcade Fire disponibilizaram as letras do novo evangelho. Enquanto a música não chega, é tempo de ouvir a palavra do senhor. Deus é canadiano.

Go Cristy, go Cristy, go!


Para nós, à semelhança do Highlander, «there can be only one...Ronaldo»: o nosso lusitano emigrado, talvez o melhor jogador da actualidade. Está mais crescido, perdeu um pouco do seu mau feitio e já não anda com a Merche. Muitos parabéns ao pequeno pelos seus 22 aninhos e pelos quinze golos que já leva marcados no campeonato inglês. Temos artista.

In suburbia


A vida dos lares americanos, com todo o seu sentido púdico, espírito moral e emoções gélidas, já havia sido objecto de olhares cinéfilos. Se em Sam mendes o subúrbio era apresentado como que por detrás de um pano vermelho, numa versão teatralizada e glamorosa de quarteirões em estado de ruína emocional (American Beauty - 1999), já Todd Haynes levava a coisa para o lado do esquizofrénico, num retrato surpreendente sobre uma mulher que perde o contacto com uma vida inútil que lhe é apresentada como o paraíso na terra (Safe - 1995).
«Little Children», de Todd Field, não explora por isso nenhum território virgem. Porém, a sua viagem é feita bem ao centro do turbilhão, como se penetrasse na pele de cada uma das personagens e lhes fizesse uma radiografia emocional. Um filme sobre o pecado, os fantasmas, o desespero, a necessidade de alterar o curso do rio em que a vida navega. Sobre a criança que um dia viveu em nós e que espera ansiosamente pelo regresso ao baloiço. Para a mudança acontecer, há que começar por algum lado. Uma boa surpresa.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Sem sentimentalismos nem rodeios


Cristina Branco, fadista portuguesa de uma geração que perdeu o medo de cantar, vai homenagear o poeta/cantor José Afonso. No palco do Teatro São Luiz ouvir-se-ão Canto Moço, Utopia, Canção de Embalar ou Era um Redondo Vocábulo.
Com Cristina sobem ao palco Ricardo Dias (piano e direcção artística), Mário Delgado (guitarras), Bernardo Moreira (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria), numa sonoridade que deverá viajar por territórios mais próximos do jazz.
A história redescoberta em Lisboa, sem tabus, durante oito noites e até 24 de Fevereiro – às sextas e sábados.
Reservas: 213 157 650 (bilhetes a 15 euros).